quinta-feira, 22 de outubro de 2009

CONJUNTURA NACIONAL



CABRAL TOSQUIADO?

Sérgio Cabral, ainda embriagado pela vitória do Rio na conquista da Olimpíada de 2016, foi chamuscado pelo fogo que consumiu o helicóptero abatido por tiros de fuzil dos bandidos. Sérgio Cabral terá na segurança pública o calcanhar de aquiles dos tempos que virão. Matéria negativa caindo na mídia internacional funcionará como fogueira a consumir a boa imagem positiva alcançada pelo extraordinário esforço de nossas autoridades olímpicas. Lula promete dar, de imediato, R$ 100 milhões para o combate à bandidagem. Pode-se esperar por mais uma dezena de policiais mortos e mais uns 100 marginais.

CUNHA MELO

Histórias de ontem no Senado. Um senador, chateado porque suas verbas não eram liberadas, anunciou para os colegas de bancada:

- Precisamos romper com o governo.

Cunha Melo, sábio e matreiro, pegou o chapéu e saiu de fininho :

- Vou saindo. Tem coisas que não se deve nem ouvir.

ALIANÇA DE COMPROMISSO

O PMDB e o PT enfiam a aliança de compromisso no dedo, sob as bênçãos do cardeal Luiz Inácio. As cúpulas dos partidos se fizeram presentes no ato que terá, ainda, os seguintes desdobramentos. Noivado dentro de um a dois meses, ocasião em que será produzido o anúncio de casamento, com estabelecimento das regras e, mais adiante, casamento com pompa, oportunidade em que será anunciado o modus operandi do noivo na campanha de dona Dilma. O PMDB não quer apenas ceder tempo eleitoral. Quer ser parceiro forte no casamento, com direito a apontar rumos. O programa, portanto, será uma palavra chave.

PACTO PODE SER ROMPIDO

Semana passada, este consultor sinalizou um possível pacto em Santa Catarina envolvendo os parceiros do PMDB, DEM e PSDB. Pelo pacto, em janeiro/fevereiro de 2010, o candidato a ser escolhido seria aquele com melhor índice nas pesquisas. Ao que parece, a coisa não será bem por aí. O PMDB quer porque quer lançar candidato ao governo. O nome: Eduardo Moreira, presidente do partido no Estado. Moreira está com 7% de intenção de voto contra os cerca de 20% dos pré-candidatos do DEM, senador Raimundo Colombo, e Leonel Pavan, do PSDB e vice-governador. Será uma parada dura. Eduardo Moreira e Ideli Salvati, eventual candidata do PT, teriam, a esta altura, firmado compromisso de apoio mútuo no segundo turno.

LUIZ HENRIQUE

Quem deseja manter o pacto entre os três partidos é o governador Luiz Henrique. Mas Eduardo Moreira defende outro pacto. Que inclua obrigatoriamente o candidato do PMDB no centro das conversações. Vai ser uma parada federal.

SINDICALISMO VÂNDALO

Ainda há sindicatos no país que acham que o sindicalismo é campo para a bandidagem. Para a vassalagem. Para servir aos oportunistas, picaretas e arrivistas. Um desses sindicatos, vez por outra, ameaça investir sobre a seara de outros. Não conformado em querer solapar as bases de outra entidade empresarial – prestigiada e de alta credibilidade no mundo sindical – tenta, por meio de medidas solertes, acampar também no terreiro do sindicato laboral. Seus dirigentes, como aves de rapina, ignoram o fato de que, a qualquer hora, essa tentativa de emboscada será denunciada e eles, sim, eles mesmos, serão pegos com a boca na botija e abatidos em pleno ar. Nos bastidores, muito se sabe sobre as peripécias da corja.

O OLHO DE MOSCOU

João Goulart em um papo com Getúlio Vargas:

- Presidente, há muita gente desempregada, muito trabalhador posto no olho da rua.

Getúlio:

- Isso é muito ruim. Operário posto no olho da rua vai logo para o olho de Moscou.


SUNGASUPLICY

O senador Eduardo Suplicy procura desesperadamente companheiros e amigos para explicar o indigitado gesto de vestir sunga vermelha sobre as calças. Teria sido uma brincadeira. Batizada de coisa ridícula. O caso já foi arquivado. E que sirva de lição. Há uma liturgia de poder e de autoridade que não pode ser rasgada pela palhaçada midiática. Que, aliás, cumpre o papel de mostrar um Congresso capenga. E de baixa credibilidade.

QUÉRCIA SE MOVIMENTA

Orestes Quércia tenta sensibilizar os governadores Roberto Requião e Luiz Henrique, atraindo-os para a esfera das oposições. Requião está fechado com Lula. O que prega no PMDB é uma consulta às bases para que o programa de governo de Dilma Rousseff contenha as propostas do partido. Já Luiz Henrique está fechado com Serra. Por conta das conveniências regionais e do pacto entre PMDB, PSDB e DEM. Quércia teme que o PMDB, por maioria dos convencionais, feche posição com o PT. Essa é a tendência hoje.

GRANDEZA DE OUTRORA

Augusto Franco, governador, cheio de si, desceu no Galeão, e foi logo respondendo à pergunta de uma atendente da Varig:

- O Sr. é o Dr. Augusto Franco, de Sergipe ?

- Não, minha filha, Sergipe é que é de Augusto Franco.

O NOVO DENTRO DO VELHO

No Brasil, a reciclagem toma conta até das conversas e das promessas. Roger Agnelli, pressionado por Lula, promete para 2010 investimentos da ordem de R$ 12,9 bilhões. Parece coisa nova. Que nada. São investimentos que, há tempos, figuram no budget da mineradora Vale.

E AGORA?

O presidente da Corte Suprema, Gilmar Mendes, não tem dúvidas: Lula e Dilma antecipam a campanha. O que dirá, agora, o TSE? Se a Justiça Eleitoral está sendo testada, qual será sua reação? Com a palavra, suas Excelências.

O TAMANHO DOS TUCANOS

Rodrigo Maia, presidente do DEM, diz que, se os tucanos excluírem São Paulo, seus bicos ficam do tamanho dos bicos das maritacas. O argumento do deputado quer indicar a maior capilaridade do DEM em termos nacionais. Não é que Maia tem razão? Os DEM estão mais espalhados, povoam de maneira mais horizontal os espaços nacionais e, dessa forma, chegam de forma mais intensa às proximidades populares. Boa observação.

PT E PSDB JUNTOS?

Ante a constatação aguda de Rodrigo Maia, dá até para desconfiar de que um acordo secretíssimo juntaria interesses de tucanos e petistas. Sob que lógica? O rodízio no poder. Sai um, entra outro. Perpetuando a hegemonia dos dois partidos. Sob a gangorra do PMDB que, também, acompanharia um e outro, nas subidas e descidas da montanha política. Pelo acordo, o DEM estaria condenado ao enforcamento. A hipótese, longe de apego ao catastrofismo, tem lógica.

DISCURSOS DE CAMPANHA

Os discursos para a campanha começam a ser arrumados, conforme descrevi em meu artigo dominical no Estadão. Dilma tentará enfiar o perfil de Serra no curral da era FHC. Usando conceitos e chavões do tipo: ambição privativista e modelo neoliberal. Serra acusará o "estilo petista de governar" com a volta do velho patrimonialismo e o resgate de novas formas de engorda do Estado. Haja vista a República Sindicalista. Ciro, se for candidato, embarcará na canoa de integração entre Estado e iniciativa privada, maior investimento na área educacional e esforço para que o país tire o atraso tecnológico. E Marina, claro, vestirá o traje verde da sustentabilidade ambiental.

RECONVOCAÇÃO DE LINA?

Essa idéia de reconvocar Lina Vieira para confirmar a existência de uma agenda e, assim, acender a fogueira contra a ministra Dilma é, aqui pra nós, ausência de discurso substantivo. Velhas feridas tampadas só jorram sangue depois de novos e contundentes ferimentos no mesmo local. Ao que parece, o que vê, naquele espaço, é imagem cicatrizada. E muito esparadrapo.

ADEUS AO "PIRA"

Meu comovido adeus ao grande publicitário e amigo Luiz Celso de Piratininga, figuraça da história da propaganda. Tive a honra de participar, na ECA - USP, de sua banca de mestrado em tempos idos. E a satisfação de dar-lhe a nota máxima. Humano, gentil, espirituoso, criativo. Que Deus o conserve no melhor dos cantinhos do céu.

MISTURA DE CORES E SABORES

Esse consultor, vez ou outra, brinca com a salada mista que se exibe nas mesas da política partidária. E sai por aí mostrando incongruências. O que tem a ver Paulo Skaf com o socialismo do PSB? O que tem a ver o bom deputado Armando Monteiro, presidente da CNI, com o petismo? Pois bem, em Pernambuco, Monteiro deverá fazer aliança com o PT, saindo ele e João Paulo, ex-prefeito de Recife, como candidatos ao Senado. Sinais dos tempos. Com exceção das siglas radicais, os grandes e médios partidos são geléia partidária, pasteurizados, amorfos. Então, não há muita razão em se criticar algo que inexiste, como doutrina ou ideologia.

PÉROLAS DO ENEM

Vejam as pérolas dos alunos no Enem:

'O sero mano tem uma missão….'

'O Euninho já provocou secas e enchentes calamitosas.'

'O problema ainda é maior se tratando da camada Diozanio!'

'Enquanto isso os zoutros… tudo baixo nive.'

'A situação tende a piorar : os madereiros da Amazônia destroem a Mata Atlântica da região.'

'O que é de interesse coletivo de todos nem sempre interessa a ninguém individualmente.'

'Não preserve apenas o meio ambiente e sim todo ele.'

'O grande problema do Rio Amazonas é a pesca dos peixes.'

'É um problema de muita gravidez.'

'A AIDS é transmitida pelo mosquito AIDES EGIPSIO.'

'Já está muito de difíciu de achar os pandas na Amazônia.'

'Vamos deixar de sermos egoistas e pensarmos um pouco mais em nos mesmos.'

'Eu concordo em gênero e número igual.'

'Precisa-se começar uma reciclagem mental dos humanos, fazer uma verdadeira lavagem celebral em relação ao desmatamento, poluição e depredação de si próprio.'

CONSELHO A EDUARDO SUPLICY

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na edição passada, o espaço foi destinado aos marqueteiros. Hoje, volta sua atenção ao Senador Eduardo Suplicy:

1. Lembre-se do conselho do general Sun Tzu: "há estradas que não devem ser percorridas e cidades que não devem ser sitiadas". Ou seja, há vestes que não devem ser vestidas. Há sungas vermelhas que não devem ser experimentadas, mesmo se uma sereia cantar loas no seu ouvido.

2. Dê interpretação adequada ao princípio de Maquiavel: "os fins justificam os meios". Quando os meios são mais esdrúxulos e ridículos que os fins a que servem, o tiro sairá pela culatra. No caso, o tiro da sunga foi um bumerangue.

3. Pense uma, duas, três vezes antes de enfrentar uma situação que pode resvalar pelo ridículo. Que pena. Desta feita, sua índole não o ajudou. Por quê? Pelo fato de Vossa Excelência ser considerada pessoa que pensa tão devagar a ponto de a palavra sair antes da idéia.

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(Por Gaudêncio Torquato)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

NO DIA DE HOJE, EM 1971, NERUDA RECEBIA O NOBEL DE LITERATURA


No dia 21 de outubro de 1971, quando recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, Pablo Neruda proferiu um discurso que se tornou célebre pela veemência e lirismo.

Ao final, proclamou:

Nossas estrelas primordiais são a luta e a esperança. Mas não há luta nem esperança solitárias. Em todo homem se jun­tam as épocas remotas, a inércia, os erros, as paixões, as urgên­cias do nosso tempo, a velocidade da História. Mas o que seria de mim se eu, por exemplo, tivesse contribuído de alguma ma­neira com o passado feudal do grande continente americano? Como poderia eu levantar a cabeça, iluminada pela honra que a Suécia me outorgou, se não me sentisse orgulhoso de ter toma­do uma mínima parte na transformação atual do meu país? É preciso olhar o mapa da América, encarar a grandiosa diversi­dade, a generosidade cósmica do espaço que nos rodeia, para entender que muitos escritores se negam a compartir o passado de opróbrio e de pilhagem que obscuros deuses destinaram aos povos americanos.

Escolhi o difícil caminho de uma responsabilidade compartida e, em vez de reiterar a adoração ao indivíduo como sol cen­tral do sistema, preferi entregar com humildade o meu serviço a um considerável exército que pode errar às vezes, mas que ca­minha sem descanso e avança cada dia, enfrentando tanto ana­crônicos recalcitrantes, quanto enfatuados impacientes. Porque acredito que meus deveres de poeta não me indicavam somente a fraternidade com a rosa e a simetria, com o exaltado amor e a nostalgia infinita, mas também com as ásperas tarefas humanas que incorporei à minha poesia.

Há exatamente cem anos, um pobre e esplêndido poeta, o mais atroz dos desesperados, escreveu esta profecia: “À l’aurore, armes d’une ardente patiente, nous entrerons aux splendides Villes” (Ao amanhecer, armados de uma ardente paciência, entraremos nas esplêndidas cidades).

Acredito nesta profecia de Rimbaud, o vidente. Venho de uma obscura província, de um país separado de todos os outros pela sua talhante geografia. Fui o mais abandonado dos poetas e minha poesia foi regional, dolorosa e chuvosa. Mas sempre ti­ve confiança no homem. Jamais perdi a esperança. Por isso talvez tenha chegado até aqui com a minha poesia, e também com a minha bandeira.

Em conclusão, devo dizer aos homens de boa vontade, aos trabalhadores, aos poetas, que todo o futuro foi expressado nes­sa frase de Rimbaud: só com uma ardente paciência conquista­remos a esplêndida cidade que dará luz, justiça e dignidade a todos os homens.

Assim a poesia não terá cantado em vão.


(Pablo Neruda)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

OBSERVATÓRIO

“A imprensa é a vista da Nação. Por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam. (...) O poder não é um antro: é um tablado. A autoridade não é uma capa, mas um farol. A política não é uma maçonaria, e sim uma liça. Queiram, ou não queiram, os que se consagraram à vida pública, até à sua vida particular deram paredes de vidro. Agrade, ou não agrade, as Constituições que abraçaram o governo da Nação pela Nação têm por suprema esta norma: para a Nação não há segredos; na sua administração não se toleram escaninhos; no procedimento dos seus servidores não cabe mistério; e toda encoberta, sonegação ou reserva, em matéria de seus interesses, importa, nos homens públicos, traição ou deslealdade aos mais altos deveres do funcionário para com o cargo, do cidadão para com o país.”

NOSSO PAPEL

As palavras acima são de Rui Barbosa, crânio iluminado, gênio do direito, altivo tribuno, ícone do jornalismo combativo brasileiro há mais de um século atrás. Desde quando assumimos o compromisso de regar esta coluna, moldura analítica dos fatos atinentes à coisa pública, sempre procuramos insuflar a pluralidade, realizar o patrocínio do bem, professar a fé na democracia em ação. Sabemos que o debate político sempre é contaminado pela cegueira proveniente da obsessão pelo poder. Tinge-o a lama da ambição desmesurada. E isso leva, invariavelmente, ao terreno movediço do açodamento pessoal. A crítica a um projeto, imprescindível corretivo, é vista pelo sectário como um afronta à pessoa. E leva o homem público, ao invés de investigar o fato pontuado, a buscar devolver com uma ação para desqualificar quem critica. E perdemos a oportunidade do bom debate, aquele circunscrito à arena das idéias.

NOSSO PAPEL II

Temos uma posição nítida como a manhã de verão. Fazemos, em relação aos governantes, a cobrança em cima dos compromissos por eles celebrados em praça pública. É de conhecimento geral que o atual governo municipal de Crateús assumiu a revolucionária bandeira da alteração dos costumes políticos, da transformação social, da defesa dos trabalhadores, da “vida nova”. O ideário é belo, louvável. Cabe aos órgãos de imprensa, lentes da sociedade, perscrutar se o caminho pregado está sendo seguido. Na edição passada, postamos aqui uma observação sobre o projeto de lei que diminui o limite daqueles chamados requisitórios de pequeno valor. Ao invés de discutir o projeto, e apresentar justificativa plausível, houve quem preferisse assacar contra este escriba, disparando uma ironia: “parece que esse pessoal esquece que fez parte das administrações passadas”... Como se isso viesse ao caso. Ou possíveis equívocos de alhures fosse salvo-conduto para, no presente, quem está no poder assumir a rota da incoerência.

PSDB

A cúpula do PSDB crateuense se reuniu e resolveu acertar o ninho. Ao invés de continuar se bicando, os tucanos avaliaram o cenário político municipal e acertaram uma agenda mínima de trabalho. Escolheram, para presidir o partido, o professor e empresário José Vagno Mota, que vai se responsabilizar pela oxigenação do grêmio partidário, incorporando novos segmentos e desenhando uma agenda propositiva para a cidade. Demais disso, foi acertado manter acesa a chama oposicionista e cumprir os compromissos firmados na eleição passada: manter a parceria com o PMDB, a quem caberia indicar um candidato a Deputado Federal e votar no estadual tucano.

PMDB

Sucede que parte do PMDB se rendeu aos acenos da situação. Alguns raciocinam que é difícil sobreviver longe do poder. Esquecem que o fascínio da política reside no seu dinamismo - demonstrado no processo dialético de morte e ressurreição (um político, aparentemente morto, pode ressurgir das cinzas). Emblemático disso é o caso de Zé Almir, expressão maior do peemedebismo local. Em 2000, após uma pesada derrota, manteve-se firme na oposição. Quatro anos depois, retornava ao comando do Paço Municipal. Porém, o imediatismo tem falado mais alto. O vereador João de Deus, que se iniciou na radiofonia como comentarista esportivo, assumiu a Secretaria Municipal de Esportes. Fala-se que o apoio dessa facção do PMDB ao Prefeito está adstrito à esfera administrativa. É esperar para ver.

PARTICIPAÇÃO

Enquanto o prefeito conversa exaustivamente com os políticos tradicionais, esquece de dialogar com os setores mais avançados da sociedade civil organizada. É grande a queixa de que os setores populares estão marginalizados das essenciais decisões. Inexistiu um debate amplo e qualificado sobre os principais projetos gestados este ano. Lamentam o estilo personalista do Chefe do Executivo. Quando convida as pessoas para conversar, só ele fala e transparece uma auto-suficiência fora do normal. Sabe tudo e dispensa a opinião alheia. Essa postura tolhe a oportunidade de sentir a atmosfera de insatisfação que o rodeia, interna e externamente. Exemplo disso são as baixas na equipe. O desconforto já levou secretários a entregarem as pastas e, pessoas outras, uma vez convidadas, declinarem.

MUDANÇAS


Sexta-feira à tarde, no Auditório dos Servidores Municipais, ocorreu a posse da secretaria interina da Educação, Aurineide Aguiar. O ex-secretário Avelar, cujas reais razões de saída ainda são desconhecidas, evitou comparecer. Mauro Soares, o vice-prefeito que tem se desdobrado em contornar deslizes do Prefeito, assumiu mais um pepino: a Secretaria de Administração. Cabo Chico, o antecessor, foi cuidar das Relações Institucionais. E João de Deus, como já foi dito, vestiu a camisa de titular de Esportes.

ACADEMIA

A Academia de Letras de Crateús esteve reunida no domingo passado. Assuntos relevantes, como a sede do sodalício e a biblioteca Norberto Ferreira Filho (Ferreirinha), dominaram a pauta. A notícia de que o projeto de reconstrução da praça da estação contempla a demolição da biblioteca causou estupefação. Ora, é simplesmente injustificável destruir a única biblioteca pública da cidade. Uma comissão foi composta para levar ao Executivo Municipal posição da Academia municipal de letras: evitar que esse desatino se concretize. E mais: sugerir que a Prefeitura passe a observar o ditame legal da participação popular no debate dos temas mais importantes da comuna.


PARA REFLETIR

“Melhor é prevenir do que remediar, e é prevenindo, muitas vezes, que deste lugar se prestam os melhores serviços ao país. Vem o abuso amostrando a ponta da unha, dá-lhe o jornalista em cima com o bom senso, ou a lei, e ei-lo que recolhe incontinente a garra. Surde o erro a furta-passo, tenteando a coragem de assoalhar-se francamente; mas a imprensa, que o pressentiu, dá-lhe o rebate da censura, que o espera, e já não há mais que o recear. É uma das suas maiores utilidades esta função preventiva da imprensa”. (Rui Barbosa)

(Por Júnior Bonfim - publicado na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

sábado, 17 de outubro de 2009

DITADOS POPULARES NA ERA DIGITAL



Como estamos na 'Era Digital', foi necessário rever os velhos ditados existentes e adaptá-los à nova realidade. Veja alguns:

1. A pressa é inimiga da conexão.

2. Amigos, amigos, senhas à parte.

3. Antes só, do que em chats aborrecidos.

4. A arquivo dado não se olha o formato.

5. Diga-me que chat freqüentas e te direi quem és.

6. Para bom provedor uma senha basta.

7. Não adianta chorar sobre arquivo deletado.

8. Em briga de namorados virtuais não se mete o mouse.

9. Em terra off-line, quem tem 486 é rei.

10. Hacker que ladra, não morde.

11. Mais vale um arquivo no HD do que dois baixando.

12. Mouse sujo se limpa em casa.

13. Melhor prevenir do que formatar.

14. O barato sai caro. E lento.

15. Quando a esmola é demais, o santo desconfia que tem vírus anexado.

16. Quando um não quer, dois não teclam.

17. Quem ama um 486, Pentium 5 lhe parece.

18. Quem clica seus males multiplica.

19. Quem com vírus infecta, com vírus será infectado.

20. Quem envia o que quer, recebe o que não quer.

21. Quem não tem banda larga, caça com modem.

22. Quem nunca errou, que aperte a primeira tecla.

23. Quem semeia e-mails, colhe spams.

24. Quem tem dedo vai a Roma.com

25. Um é pouco, dois é bom, três é chat ou lista virtual.

26. Vão-se os arquivos, ficam os back-ups.

27. Diga-me que computador tens e direi quem és.

28. Há dois tipos de pessoas na informática. Os que perderam o HD e os que ainda vão perder...

29. Uma impressora disse para outra: Essa folha é sua ou é impressão minha.

30. Aluno de informática não cola, faz backup.

31. O problema do computador é o USB (Usuário Super Burro).

32. Na informática nada se perde, nada se cria. Tudo se copia... e depois se cola.

33. O Natal das pessoas viciadas em computador é diferente. No dia 25 de Dezembro, o Papai Noel desce pelo cabo de rede, sai pela porta serial e diz: Feliz Natal, ROM, ROM, ROM!


(Enviado por Gabriel Vale)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

16 DE OUTUBRO - DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO



Há 800 milhões de pessoas desnutridas no mundo, um bilhão de pessoas passando fome, 30 mil crianças morrem de fome a cada dia, 15 milhões a cada ano, um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresentam atraso no crescimento físico e intelectual, 1,3 bilhão de pessoas no mundo não dispõe de água potável, 40% das mulheres dos países em desenvolvimento são anêmicas e encontram-se abaixo do peso. Uma pessoa a cada sete padece de fome no mundo. A cada dia 275 mil pessoas começam a passar fome ao redor do mundo. O Brasil é o 9º país com o maior número de pessoas com fome, tem 15 milhões de crianças desnutridas. 45% de suas crianças, menores de cinco anos, sofrem de anemia crônica.

O Brasil é o 5º país do mundo em extensão territorial, ocupando metade da área do continente sul-americano. Há cerca de 20 anos, aumentaram o fornecimento de energia elétrica e o número de estradas pavimentadas, além de um enorme crescimento industrial. Nada disso, entretanto, serviu para combater a pobreza, a má nutrição e as doenças endêmicas. Em 1987, no Brasil, quase 40% da população (50 milhões de pessoas) vivia em extrema pobreza. Nos dias de hoje, um terço da população ainda é mal nutrido, 9% das crianças morrem antes de completar um ano de vida e 37% do total são trabalhadores rurais sem-terras.

Enquanto o consumo diário médio de calorias no mundo desenvolvido é de 3.315 calorias por habitante, no restante do globo o consume médio é de 2.180 calorias diárias por habitante. Metade dos habitantes da Terra ingere uma quantidade de alimentos inferior às suas necessidades básicas. Cerca de um terço da população do mundo ingere 65% dos alimentos produzidos. A quarta edição do Inquérito Mundial sobre Agricultura e Alimentação, patrocinado pela ONU em 1974, concluiu: "Em termos mundiais, a quantidade de alimentos disponíveis é suficiente para proporcionar a todos uma dieta adequada".

O aumento dos preços dos alimentos fez o número de famintos no mundo crescer 40 milhões para 963 milhões de pessoas em 2008, ante o ano passado, de acordo com dados preliminares divulgados hoje pela ONU para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês). A entidade advertiu que a crise econômica mundial pode levar ainda mais pessoas a essa condição. Levando em conta dados do US Census Bureau, departamento de estatísticas do governo norte-americano, que conta a população mundial em 6,7 bilhões de pessoas, o número de famintos representa 14,3% do total.

Em 2007, no planeta havia 860 milhões de famintos; em janeiro de 2009 109 milhões mais. A metade da população africana subsahariana, por citar um exemplo dessa África crucificada, mal vive na extrema pobreza. A ladainha de violência e desgraças provocadas é interminável. No Congo, há 30 mil meninos-soldados dispostos a matar e a morrer a troco de comida; 17% da Floresta Amazônica foram destruídos em cinco anos, entre 2000 e 2005; o gasto da América Latina e do Caribe em defesa cresceu em 91%, entre 2003 e 2008; uma dezena de empresas multinacionais controla o mercado de semente em todo o mundo. Os Objetivos do Milênio se evaporaram na retórica e em suas reuniões elitistas os países mais ricos dizem covardemente que não podem fazer mais para reverter o quadro.

"Quase cem mil mortes diárias no planeta se devem à fome. Dentre elas, 30 mil são de crianças com menos de cinco anos. Mais do que três torres gêmeas por dia que se desmoronam em silêncio, sem que ninguém chore ou construa monumentos", declarou à swissinfo Carlos Alberto Libânio Christo, mais conhecido como frei Betto.

Essas são algumas das estatísticas da fome que o mundo se acostumou a acompanhar de tempos em tempos. Todavia, a fome segue matando de maneira endêmica em muitas regiões do globo.

Nós, do Planeta Voluntários, buscamos um mundo sem fome e desnutrição - um mundo no qual cada uma e todas as pessoas possam estar seguras de receber a comida que necessitam para estar bem nutridas e saudáveis. Nossa visão é a de um mundo que protege e trabalha para que haja assistência social e dignidade humana para todas os povos. Um mundo no qual cada criança pode crescer, aprender e florescer, e desenvolver-se como membro ativo da sociedade.

(Por Márcio Demari)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

ROSA FERREIRA DE MORAES


TEATRO ROSA MORAES - CRATEÚS - CEARÁ


Ao tempo em que estava à frente da Secretaria de Educação de Crateús, convidei o Professor Celso Antunes para proferir uma palestra para a comunidade escolar. O longevo mestre, cabelos flor de algodão, distribuidor de sorrisos, olhar penetrantemente delicado, com o magistério da própria experiência encheu a nossa alma de graça e encantamento.

Contou-nos, dentre outros fatos, que, em missão cultural ao Japão, foi levado pelo Ministro da Educação daquele País para um encontro com o Imperador. Ao adentrar no salão do monarca, viu uma cena inusitada: o nobre se curvou, com litúrgica solenidade e reverente respeito, ante a presença dos dois professores. Ficou intrigado. Na saída, indagou ao Ministro o motivo daquele gesto. E ele respondeu: - Se o perguntássemos, ele responderia que presta reverência aos professores porque foram eles que o formaram.

Com essa citação, o mestre Antunes queria deixar registrado que nalguns rincões do planeta os professores estão colocados no lugar que merecem: sobre o púlpito do respeito social, no altar da admiração coletiva.

Talvez para provocar nossa capacidade alterativa ou, simplesmente, como uma cândida lamparina de referência, ainda existem remanescentes – raros, é bem verdade – de uma época áurea da educação, em que os que lideravam as salas de aula estavam, ao lado do Padre e do Juiz, entre as figuras que ocupavam a tribuna de honra da deferência comunitária.

Entre esses nomes, e com indiscutível destaque, está o da crateuense ROSA FERREIRA DE MORAES. Escrevo o seu nome em negrito e com letras maiúsculas porque as palavras que o compõem formam um ternário biográfico.

A sua artística porção ROSA desabrocha permanentemente, como uma flor de roseira, no jardim invisível do seu coração, em especial quando, de posse de um pincel, nos chama a atenção para detalhes pouco perceptíveis do cotidiano, através de quadros pintados com acurado esmero e fina sensibilidade.

Dentre os presentes que esta vida me deu está o privilégio de ter sido aluno desta FERREIRA. De ferro, mesmo. Com seu jeito austero, com sua imponente compleição física, com sua voz grave e seu olhar severo, ensinou-nos os benefícios da férrea disciplina, da dedicação inflexível, do cumprimento do objetivo delineado, da satisfação do dever cumprido. Recordo como era comum, em suas aulas, quando identificava desvios de conduta nos alunos, a realização de paradas bruscas na transmissão dos conteúdos a fim de que pudéssemos ouvir exortações sobre os caminhos da retidão e do bem, verdadeiras lições de moral, preciosos sermões sobre as virtudes de cultuarmos princípios de vida.

Outro dia, ela me confidenciou que seu saudoso pai sempre escrevia MORAES com E ao invés de I porque, no entendimento dele, Morais com “i” era plural de moral. Para mim, esse MORAES deita raízes na palavra mora, não no sentido comercial de retardamento do devedor no pagamento de uma dívida, mas no profundo sentido espiritual da palavra demora, que se resume na rara capacidade de saber o tempo certo de cada coisa, de não atropelar o curso natural da existência, de não queimar etapas na caminhada da vida.

Em suas mais de oito décadas de vida, ROSA FERREIRA DE MORAES tem reluzido. Se pudesse, mudaria o seu nome para ROSA FERREIRA ESTRELA DE MORAES, pois é isto que ela é: uma pétala resplandecente que há iluminado gerações.

(Júnior Bonfim, in "Amores e Clamores da Cidade")

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

NO DIA DE HOJE, EM 1964, ERA MARTIN LUTHER KING O NOBEL DA PAZ


"Tenho um sonho
que meus quatro pequenos filhos
viverão um dia
em uma nação
onde não serão julgados
pela cor de sua pele,
mas pelo conteúdo de seu caráter".

Martin Luther King

No dia 14 de Outubro de 1964, o pastor da Igreja Baptista da Avenida Dexter, em Montgomery, Alabama, foi anunciado como Prémio Nobel da Paz.

A Fundação Nobel justificou a atribuição pelo seu protagonismo na Conferência de Liderança Cristã do Sul (SCLC, Southern Christian Leadership Conference), que organizava o activismo pelos direitos civis.

Martin Luther King (1929-1968) é o laureado com o Nobel da Paz mais jovem. Tinha 35 anos (o advogado Obama tem 48).

terça-feira, 13 de outubro de 2009

INSTANTES




Se eu pudesse viver minha vida novamente,
A próxima trataria de cometer mais erros.

Não tentaria ser tão perfeito: relaxaria mais,
Seria mais tolo do que tenho sido e, de saída
Levaria mais a sério pouquíssimas coisas. Seria menos higiênico.

Correria mais riscos, faria mais viagens,
Contemplaria mais entardeceres,

Subiria mais montanhas, nadaria em rios,
Iria a lugares onde nunca estive antes,

Comeria mais doces e menos verduras,
Teria mais problemas reais,
E menos problemas imaginários...

Eu fui uma dessas pessoas que viveu Sensata e Prolificamente
cada minuto de minha vida

E, é claro, em meio disso,
Tive certos momentos de alegria.

Mas, se eu pudesse voltar atrás,
Trataria de ter somente bons momentos.

Pois, se não sabes, é disso que a vida é feita

Momentos......

E não perca por favor, nunca o aqui e o agora.
Eu era um desses que não iam a nenhuma parte,

Sem um termômetro, uma bolsa de água quente,
Um guarda-chuvas e um pára-quedas.

Se eu pudesse voltar a viver, viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver,
Começaria pôr andar descalço desde o início da primavera

E seguiria assim até terminar o outono.
Daria mais voltas pelas pequenas ruas,

Contemplaria mais amanheceres
E brincaria com mais crianças,

Se eu tivesse outra vez a vida pela frente.
Mas perceba... tenho oitenta e cinco anos... e sei que estou morrendo.

(Atribuído a Jorge Luis Borges e/ou Nadine Stair. De lado a autoria, é uma bela poesia.)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

FELIZ CUMPLEAÑOS, PABLO!




Conheci o Paulo Nazareno no inicio da década de mil novecentos e oitenta.

Realizávamos uma reunião em prol do pré-candidato a prefeito de Crateús José Fernandes da Silva, médico sisudo e de bom coração, alagoano que se fez crateuense e capitão da resistência democrática na nossa terra.

Alguém anunciou a presença do jovem cirurgião Paulo. Silhueta magérrima e vasta cabeleira. Estilo hippie e olhar profundo.

O projeto que sonhávamos para a cidade foi abortado em 1982, mas veio à tona alguns anos depois. Eleito prefeito – com menos cabelos na cabeça e uns quilos a mais no corpo - Nazareno me convidou para integrar sua equipe.

Gestou-se entre nós, a partir do desenho de um projeto inovador para a cidade, um processo de cumplicidade espontânea. Laboramos grandes idéias, desenvolvemos arrojadas iniciativas. As pessoas experimentaram debates que incluíam a integração da equipe (intersetorialidade) e a transferência do poder ao povo (empoderamento). A cidade respirou uma auspiciosa aura de oxigenação em todas as áreas.

Depois, o ar voltou a se poluir pela contaminação do submundo da política. E a urbe, outra vez, involuiu.

A nossa convivência, que se iniciou no oceano da política, terminou por nos aproximar nas outras praias da vida. Conheci o ser sensível e profundo, endoscopista de almas, amante da natureza, aviador natural, apreciador da boa música, estudioso dos grandes temas, visionário trabalhador.

Jamais consegue ser morno. É sempre gelo ou brasa. Adora viver perigosamente, escalar as montanhas dos desafios, palmilhar as trilhas adversas. Saboreia intensamente cada prato que o restaurante da vida lhe oferece.

No entanto, ao longo da nossa convivência, tive a oportunidade de identificar a mais original das suas facetas: no lençol freático desse homem aparentemente duro, há um poço profundo de ternura.

Coincidentemente, nasceu no dia 12 de outubro. Talvez por isso seja, no mais recôndito de si mesmo, uma criança: brinca e briga, preza e reza, chora e ri, sofre e sonha.

Hoje completa mais um ano. Assopra velas. Apaga o que ficou para trás. Mira o futuro. E reparte o bolo da amizade.

Como dizem os latino-americanos, feliz cumpleaños!

(Por Júnior Bonfim)

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Muito obrigado pela gentileza,dentre os rios do curso da minha vida,suas férteis águas não somente o avolumaram,mas o tornaram mais fertil e acolhedor;traço este,prepoderante em sua personalidade:um agregador e fulgurante inteligencia.Te-lo amigo ja é,por si só,um presente.

Paulo Nazareno

domingo, 11 de outubro de 2009

AOS POETAS CLÁSSICOS


Poetas niversitário,
Poetas de Cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia;
Se a gente canta o que pensa,
Eu quero pedir licença,
Pois mesmo sem português
Neste livrinho apresento
O prazê e o sofrimento
De um poeta camponês.

Eu nasci aqui no mato,
Vivi sempre a trabaiá,
Neste meu pobre recato,
Eu não pude estudá.
No verdô de minha idade,
Só tive a felicidade
De dá um pequeno insaio
In dois livro do iscritô,
O famoso professô
Filisberto de Carvaio.

No premêro livro havia
Belas figuras na capa,
E no começo se lia:
A pá — O dedo do Papa,
Papa, pia, dedo, dado,
Pua, o pote de melado,
Dá-me o dado, a fera é má
E tantas coisa bonita,
Qui o meu coração parpita
Quando eu pego a rescordá.

Foi os livro de valô
Mais maió que vi no mundo,
Apenas daquele autô
Li o premêro e o segundo;
Mas, porém, esta leitura,
Me tirô da treva escura,
Mostrando o caminho certo,
Bastante me protegeu;
Eu juro que Jesus deu
Sarvação a Filisberto.

Depois que os dois livro eu li,
Fiquei me sintindo bem,
E ôtras coisinha aprendi
Sem tê lição de ninguém.
Na minha pobre linguage,
A minha lira servage
Canto o que minha arma sente
E o meu coração incerra,
As coisa de minha terra
E a vida de minha gente.

Poeta niversitaro,
Poeta de cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia,
Tarvez este meu livrinho
Não vá recebê carinho,
Nem lugio e nem istima,
Mas garanto sê fié
E não istruí papé
Com poesia sem rima.

Cheio de rima e sintindo
Quero iscrevê meu volume,
Pra não ficá parecido
Com a fulô sem perfume;
A poesia sem rima,
Bastante me disanima
E alegria não me dá;
Não tem sabô a leitura,
Parece uma noite iscura
Sem istrela e sem luá.

Se um dotô me perguntá
Se o verso sem rima presta,
Calado eu não vou ficá,
A minha resposta é esta:
— Sem a rima, a poesia
Perde arguma simpatia
E uma parte do primô;
Não merece munta parma,
É como o corpo sem arma
E o coração sem amô.

Meu caro amigo poeta,
Qui faz poesia branca,
Não me chame de pateta
Por esta opinião franca.
Nasci entre a natureza,
Sempre adorando as beleza
Das obra do Criadô,
Uvindo o vento na serva
E vendo no campo a reva
Pintadinha de fulô.

Sou um caboco rocêro,
Sem letra e sem istrução;
O meu verso tem o chêro
Da poêra do sertão;
Vivo nesta solidade
Bem destante da cidade
Onde a ciença guverna.
Tudo meu é naturá,
Não sou capaz de gostá
Da poesia moderna.

Dêste jeito Deus me quis
E assim eu me sinto bem;
Me considero feliz
Sem nunca invejá quem tem
Profundo conhecimento.
Ou ligêro como o vento
Ou divagá como a lêsma,
Tudo sofre a mesma prova,
Vai batê na fria cova;
Esta vida é sempre a mesma.

(Por Patativa do Assaré)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

ORAÇÃO DE UM JUIZ

Acima da obediência que a Justiça impõe coercitivamente aos cidadãos – através de uma série de penalizações, considerando-se que os processos, em si mesmos, já representam alta carga de tensão emocional, que inclusive adoece as pessoas mais sensíveis – é necessário que cada um procure encher-se do sentimento de Fraternidade.

Somente plenificando-se dessa compreensão interior – que transforma-se em atitudes pacíficas e benfazejas em relação aos outros – é que o ser humano tem condições de viver em harmonia no meio onde é levado a desenvolver sua vida de relação.

Devemos nos desvincular um tanto das preocupações jurídicas e voltar os olhos para os seres humanos, levando em conta suas potencialidades como filhos de Deus.

Os debates jurídicos têm muito de frieza em relação aos seres humanos em si, tratados muitas vezes como meros dados nas estatísticas ou como criaturas manipuláveis pela vontade arbitrária dos donos do poder.

Quando nos debruçamos sobre os problemas humanos com os olhos da Fraternidade é que surgem as verdadeiras soluções para seus problemas, que nunca passam pela vitória de uns e humilhação de outros, pois, na verdade, todos merecem ter oportunidade de crescerem perante Deus.

As grandes almas – dentre as quais Mohandas Gandhi – superaram os meros julgamentos humanos e passaram a enxergar cada criatura com os olhos voltados para a essência divina de cada um. Por isso, pensam em todos num grande amplexo que supera todas as divergências.

Se não há condição de aplicar essa ideologia em todos os momentos dos processos judiciais – porque representam ainda muito da agressividade do próprio Estado – que, pelo menos nos momentos de reflexão, se imbua a mente dessa suavidade, que alivia a pressão das idéias de julgar os semelhantes, rotulando-os com uma certa carga de ódio mal disfarçado.

É necessária uma imersão periódica nas correntes da reflexão filosófica e religiosa para retornarmos arejados e em condições de continuar analisando culpas alheias e ódios sempre irracionais de uns contra outros.

Nem todo mundo inveja nossa profissão de analisar com uma balança fidelíssima quem é o menos culpado dos litigantes e cirurgiar os tecidos necrosados dos desavindos sem causar-lhes a morte.

Somente Deus pode nos manter íntegros nessas lutas entre ódios terríveis das partes, fazendo-nos não cometer injustiças e tentar pacificá-los.

Assim, tenho orado a Deus para enxergar com olhos de Fraternidade cada um que sou levado a julgar no meu duro ofício de juiz.

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(por Luiz Guilherme Marques, magistrado em Juiz de Fora, MG)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

HOJE É O DIA DO NORDESTINO


Sou das águas retiradas.
Sou do sertão nordestino.
Das caatingas desertei,
Lamentando meu destino.
Pois deixar o meu torrão,
Machucava-me o coração
Causando-me desatino.

Meu dialeto sagrado,
Era motivo de riso.
Era uma rês desgarrada,
Mas seguir era preciso.
Pedi a Deus proteção,
E virgem Conceição,
Para me dar mais juízo.

Não reneguei minha terra,
E jamais renegarei.
De ser filha do Nordeste,
Sempre me orgulharei.
Lamento até ter perdido,
Aquele sotaque antigo,
Que de lá eu carreguei.

Na minha casa nova,
Onde hoje brilha o chão,
Num canto especial,
Avista-se um pilão,
Em outro canto uma rede
Onde embalo com sede,
As saudades do sertão.

Tapioca com manteiga,
Não deixo de comer não.
Numa panela de ferro,
Faço um gostoso baião.
Cabeça de galo e mal-assada,
São iguarias apreciadas,
Com gosto de tradição.

Rezo pra são Francisco,
E padre Cícero Romão.
Pra proteger Ipueiras,
Meu pequenino rincão
Pois é lá minha ribeira,
Onde a linda carnaubeira,
Ao vento lança canções.

Eu vim sem querer vir
Fiquei sem querer ficar,
Mas um dia ainda volto,
A morar no meu Ceará.
Longe da terra amada,
Serei sempre ave arribada
Voando tentando voltar.

(Por Dalinha Catunda)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

AVE, CÉSAR!


O calendário assinala hoje o natalício do jornalista César Vale.

Nossa aproximação ocorreu quando, numa fogueira junina, envie-lhe um convite para, sob o luar do Mondubim, ouvirmos forró autêntico e saborearmos as típicas comidas da nossa terra.

Depois, foi ele que me convidou para pular a fogueira da lenha jornalística. Aceitei. E hoje, tal qual um pai se desdobra em prol do crescimento do filho, César tem me acompanhado e estimulado nos meus modestos vôos literários.

César é um jornalista completo: com singular desenvoltura, tanto mergulha nas águas profundas da reflexão consistente como passeia pelas praças hilárias da fina e mordaz ironia.

Talento maior do jornalismo crateuense contemporâneo, César conseguiu ainda a olímpica façanha de manter acesa, há mais de uma década, a tocha do Jornal Gazeta do Centro Oeste. Este é um feito nunca dantes alcançado pelos descendentes de Gutenberg nascidos na mata ciliar do Poty.

Por isso, que se dê a César o que a César pertence: a coroa de luz, o cetro libertador, o tapete azul do reconhecimento, as honras imperiais.

Parabéns! E longo reinado!


(Por Júnior Bonfim)
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Caro Júnior:

Mais uma vez você se excede na lhaneza mesmo sabendo que um coração aos 70 não aguenta bem as emoções.

Sou muito grato à sua gentileza.

Quero também parabenizá-lo pelo que escreveu sobre Mercedes Sosa, a voz que retombou na América Latina clamando por la Libertad.

César



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No dia em que o Jornal Gazeta do Centro Oeste completou dez anos escrevi esta crônica:


Esta GAZETA está completando dez anos de existência. É seguramente o periódico com mais tempo de vida na história do nosso município. Ao longo desse período, tem sido uma arena escancarada para o pugilato de idéias, um púlpito exposto à pregação cidadã, um palanque portátil para a difusão da queixa popular, um microfone invisível recepcionando o brado comunitário, um altar erigido em honra à deusa da Liberdade. Merece um brinde literário, uma efusiva salva de palmas, uma desassombrada aclamação pública, uma rajada de fogos sem artifícios, um grito ardente de Parabéns!

Como o padeiro entregando o pão ou o leiteiro distribuindo o leite, o jornal é sempre recebido como um gostoso alimento. Alimento para a consciência, tempero para a alma, energizante para o espírito. Jornal... Jornais... Tivemos muitos outros no entorno da Catedral do Senhor do Bonfim. O que mais se aproximou desta GAZETA, em tiragens conhecidas, foi A DEFESA, dirigido por Manoel Bezerra Cavalcante e sob o esteio logístico do chefe político Udenista José Carlos de Pinho.

Um poeta parente meu, chamado Lucas Bocquady, editou por cerca de três anos um jornal chamado O RIO POTY (registre-se que o rio que acaricia a nossa Urbe inspirou o batismo de outros pasquins, como A FOLHA DO RIO POTY, de Elias Duarte).

No inicio do século passado, um manuscrito comandado por Afonso Melo de Araújo Chaves e Ubaldino Souto Maior, denominado A IMPRENSA, era lido pelos crateuenses (Informaram-me, também, que em 1908 o jornal escrito à mão chamava-se O SERTANEJO. Tinha Afonso Chaves como redator e Joaquim Izidio – avô do ex-deputado Antonio dos Santos – como secretário). Anos depois, o iluminado guarda-livros José Hindenberg de Almeida lançava A LUZ.

Também num clarão literário e sob o aquecimento das brasas da juventude, os jovens Francisco das Chagas Aragão e Norberto Ferreira Filho (Ferreirinha) acenderam O CHARUTO, publicação que soltava faíscas libertárias.

Em tempos idos, um professor boa prosa, de nome José Soares, fez circular o CORREIO DE CRATEÚS. (Conta o senhor Ferreirinha que José Soares exalava um humor fino, gostava de pilhérias. Certa feita falou para uma cunhada-comadre: “Eu vi a cobra/ que mordeu minha comadre/ Eu via a rutila dela/ na braguilha do compadre”).

Nos anos 40/50 do século pretérito, os alunos da Escola Normal Rural também ofereceram seu contributo à preparação do terreno jornalístico local através de O ARADO, impresso na pioneira Tipografia Milene, pertencente ao senhor Minoso Lopes e que se situava na Rua Poty.

O colégio 15 DE NOVEMBRO entusiasmou o seu diretor, Antonio de Lisboa Rodrigues, a lançar um jornal com o mesmo nome do estabelecimento de ensino.

Na década passada, as jovens jornalistas Silvana Claudino e Vilma Anete Gonçalves nos brindaram com o JORNAL DO CENTRO OESTE. Por último, numa associação do doutor Chico Barros e do consultor Ivan Monte Claudino, brotou A FOLHA REGIONAL.

Todos, a despeito dos hercúleos esforços de seus patronos, sucumbiram quase sempre pela ausência de apoio. Por isto, reputamos ser um ato de bravura, resistência e heroísmo esta GAZETA se manter não só de pé, mas circulando freqüentemente pelos mais longínquos rincões da nossa pátria verde-amarela, azul e branca.

Com o ímpeto guerreiro, a fúria corajosa e o impulso conquistador de um imperador romano, o nosso César preenche o Vale da ansiedade de todos nós, fazendo chegar quinzenalmente às mãos mais distantes, notícias locais e informações gerais, conjecturas da tribo local e reflexões da aldeia global.

Esta GAZETA faz jus à visão de Machado de Assis em relação ao papel do jornalismo como formador de opinião e promotor da liberdade de expressão do homem comum: “O jornal é a verdadeira forma da república do pensamento. É a locomotiva intelectual, em viagem para mundos desconhecidos, é a literatura comum, universal, altamente democrática, reproduzida todos os dias, levando em si a frescura das idéias e o fogo das convicções”.

Este, em verdade, sempre foi o papel da imprensa, termo que, segundo a Wikipédia, “deriva da prensa móvel, processo gráfico criado por Johannes Guttenberg no século XV e que, a partir do século XVIII, foi usado para imprimir jornais, então os únicos veículos jornalísticos existentes”.

Na Baixa Idade Média, as folhas escritas com notícias comerciais e econômicas eram muito comuns nas ruidosas ruas das cidades burguesas. Em Veneza, as folhas eram vendidas pelo preço de uma gazeta, moeda local, de onde surgiu o nome de muitos jornais publicados na Idade Moderna e na Idade Contemporânea.

Aliás, há um registro interessante: o primeiro jornal em língua portuguesa foi fundado em 1641, em Portugal. Seu nome? A GAZETA, de Lisboa. Intencionalmente ou não, por razão histórica ou dever amoroso, este quinzenário está ligado à mais remota, genuína, profunda e profícua tradição jornalística.

Não é por acaso que, com emocionada satisfação, oferecemos nosso modesto contributo a esse roçado de letras, resistindo ao espetáculo da parcialidade, enfrentando o mercantilismo da notícia e combatendo a banalização da violência, plantando a semente do milho da vida e engrossando as fileiras de uma cultura de paz.

Que esta nossa GAZETA viva muitas décadas, alimentada pela seiva pura das raízes mais originais do jornalismo autêntico, espada de luz cortando o véu da escuridão autoritária!

(Por Júnior Bonfim)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

ALERTA


RECADO DA POLÍCIA MILITAR

CUIDADO em BARES, RESTAURANTES, IGREJAS e outros locais de encontros coletivos.

Bandidos estão dando de 10 x 0 em criatividade em nós e na Polícia, portanto, vamos acabar com isso...

Vejam: Você e seus amigos ou familiares estão num bar ou restaurante, batendo papo e se divertindo. De repente chega um indivíduo e pergunta de quem é o carro tal, com placa tal, estacionado na rua tal, solicitando que o proprietário dê um pulinho lá fora para manobrar o carro, que está dificultando a saída de outro carro.

Você, bastante solícito, vai, e ao chegar até o seu carro, anunciam o assalto e levam seu carro e seus pertences, e ainda terá sorte se não levar um tiro...

Numa mesma noite, o resgate da Polícia Militar atendeu a três pessoas baleadas, todas envolvidas no mesmo tipo de história.

Repasse esta notícia para alertar seus amigos... O jeito, em caso semelhante é ir acompanhado! Chame alguns amigos para ir junto, e de longe verifique se é verdade.

Isto também pode acontecer, quando se está na igreja, supermercado...ou em outros locais de encontros coletivos.


'MENSAGEM TRANSMITIDA PELO ATENDIMENTO 190 '

PESQUISA ZAYTEC/JORNAL DO CARIRI: CID 53%; ROBERTO PESSOA 16%




Está dada a largada às eleições de 2010.

As articulações começam a sair dos bastidores para dar visibilidade a nomes que se lançam ao Governo do Estado e ao Senado. A primeira etapa da corrida ao pleito do próximo já foi vencida com o encerramento, no último domingo, do prazo de filiação aos partidos de quem sonha em concorrer a um mandato eletivo em 2010.

O primeiro fato, porém, já começa a gerar discussão: uma pesquisa realizada pelo Instituto Zaytec Brasil, publicada nesta terça-feira pelo Jornal do Cariri, aponta que, se as eleições fossem hoje, o governador Cid Gomes (PSB) seria reeleito para um segundo mandato com 53,5% das intenções de votos.

A oposição, que ainda está longe de definir candidaturas, tem, porém, uma surpresa: a pesquisa mostra que o prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (PR), receberia 16% dos votos em uma eventual disputa com Cid Gomes. Pessoa se movimenta nos municípios, tem conversado com o senador Tasso Jereissati (PSDB), mas ainda não demonstra convicção sobre a sua candidatura uma vez que teria que renunciar a dois anos de mandato como prefeito de Maracanaú – o mandato dele vai até o 31 de dezembro de 2012, e, para ser candidato, teria que deixar o cargo no dia 31 de março do próximo.

Ao lado do ex-governador Lúcio Alcântara, Roberto Pessoa está fazendo o que, para muitos, é o dever de casa: ocupa os espaços e se transforma em um nome conhecido no Estado. Essas são condições que o ajudam a pensar na sucessão do governador Cid Gomes que, ao longo dos últimos três anos, não sofreu oposição.

O quadro eleitoral no Ceará depende muito das decisões no cenário nacional. E uma peculiaridade da política local: a presença do ex-governador e deputado federal Ciro Gomes (PSB) muda para um lado ou para outro o quadro sucessório do irmão, Cid Gomes.

Se candidato a presidente da República, Ciro definirá um cenário político, podendo provocar um rompimento na aliança com o PT e, com isso, ficando ainda mais colocado no grupo do senador Tasso Jereissati. Se candidato ao Governo de São Paulo, com o apoio do presidente Lula, Ciro deixa o caminho mais livre para o irmão que pode juntar o PT e o PSDB no mesmo palanque, com as candidaturas de Tasso à reeleição e do ministro José Pimentel (a vice ou, mesmo,ao Senado).

O PR conta, porém, com um quadro diferente, tendo o prefeito Roberto Pessoa candidato a governador, em uma aliança com o PSDB e o DEM. Nesse cenário, Tasso seria candidato à reeleição e o ex-governador Lúcio Alcântara poderia sair, também, como postulante a uma das vagas ao Senado. Outros dois nomes – além de Cid e Roberto Pessoa, aparecem nas pesquisas de intenções de votos ao Governo do Estado: Renato Roseno, do PSOL, com 5,2% das intenções de votos, e Ilário Marques, do PT, com 2,3%. Entre os entrevistados, 15,3% não quiserem ou souberam responder, enquanto 7,7% anulariam o voto ou votariam em branco.A pesquisa do Instituto Zaytec Brasil foi realizada entre os dais 26 e 29 de setembro, ouviu 1.755 entrevistados em 57 municípios do Ceará, tem margem de erro de 2,34% e nível de confiança de 95%. Essa é a primeira pesquisa sobre intenções de votos ao Governo do Estado e ao Senado.

(Por Antonio Oliveira)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

GRACIAS A LA VIDA




(Composição: Violeta Parra)


Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me dió dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el oído, que en todo su ancho
Traba noche y dia grillos y canarios
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando
Gracias a la vida,que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me dió el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto
Gracias a la vida

MERCEDES SOSA


A Argentina alimentou - e alimenta -, a partir de Buenos Aires, a imagem de país europeizado e de classe média. Para muitos, sobretudo estrangeiros, Buenos Aires é a essência do país.

A cantora Mercedes Sosa demonstrou a fragilidade dessa imagem. Tornou-se uma das principais referências da cultura argentina e latino-americana vindo da "distante" Província de Tucumán, localizada no noroeste do país, a mais de mil quilômetros de Buenos Aires.

No país que, proporcionalmente, recebeu o maior contingente de imigrantes europeus em todas as Américas, Mercedes Sosa destacou-se por cantar a cultura indígena e popular, muito presentes em sua província natal e em sua história familiar. No país das "loiras magras", Mercedes Sosa, com sua silhueta variante, mas sempre avantajada, era chamada carinhosamente de "La Negra" por seus traços indígenas, a pele morena e os cabelos negros lisos.

Com o apelido, Mercedes Sosa conseguiu inverter o sentido negativo que a palavra costuma ter na Argentina. O termo "cabecita negra" foi difundido por imigrantes europeus e pelas classes médias e altas de Buenos Aires ao se referirem pejorativamente aos migrantes do interior, muitos dos quais tinham origens indígenas.

Mercedes Sosa nunca escondeu, também, a origem humilde. Certa vez declarou como sua família ficou sensibilizada ao receber da primeira-dama Evita Perón (1919-1952) dois pares de óculos, quando tinham pedido apenas um. No país onde muitos ainda se orgulhavam de sua "qualidade de vida", Mercedes Sosa já cantava e denunciava, na década de 1970, a pobreza, a opressão e a injustiça. Era uma presença incômoda para a ditadura instaurada em 1976. Em 1979, foi presa durante um show e exilada até 1982.

Na Europa, onde já tinha se apresentado, continuou a divulgar a cultura indígena tantas vezes perseguida pelos "antigos" colonizadores. Virou um dos símbolos do retorno à democracia em 1983. Apesar do avanço da "lógica de mercado" sobre a produção cultural argentina, principalmente durante a década de 1990, manteve-se conhecida como uma artista engajada social e politicamente. Criticou publicamente o governo neoliberal do presidente Carlos Menem (1989-1999). Se por um lado cantava, sim, para as classes médias e altas em apresentações de ingressos caros, por outro nunca deixou de cantar em eventos gratuitos e beneficentes.

O falecimento de Mercedes Sosa no domingo, dia 4, representa uma grande perda para a cultura argentina e latino-americana. Perda, pois continuava ativa, mesmo com 74 anos e a saúde debilitada. Neste ano lançou "Cantora", um CD duplo indicado ao "Grammy Latino". Mas sua obra permanecerá, certamente. Alguns argentinos costumam dizer que Carlos Gardel, o ícone do tango, canta melhor a cada dia, apesar de ter falecido em 1935. Mercedes Sosa será assim lembrada por todos os argentinos e latino-americanos que sonham com um continente mais desenvolvido, justo, plural e soberano.


Paulo Renato da Silva é doutor em História pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Professor Adjunto da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Campus de Porto Nacional

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"Deus poderia ter esperado um pouquinho mais para leva-la;

não era somente uma voz,

mas uma lenda,um monumento.

Uma pena que nossa atual juventude não seja estimulada a ouvir uma boa música.

Sobra pra êles os forro sacode,mala sem(!)alça,pau de balançar...(Ja chega,né?)".

Paulo Nazareno

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

DIA DO VEREADOR



Etimologia


Conquanto trazem os dicionários a origem do vocábulo como derivado do antigo termo verea - que significaria "administrar" - alguns autores apontam sua origem para uma significação diversa: seria, sim, a contração de "verificador".

A figura do Vereador hoje

Sendo o município um dos entes integrantes da Federação Brasileira, conforme define a Constituição de 1988, delegou a Carta Magna maiores poderes a este. Os artigos 29 a 31 prescrevem, para os vereadores, dentre outros:

1-Mandato de quatro anos, por voto direto e simultâneo em todo o país;

2-Elaboração da Lei Orgânica do Município;

3-Número de integrantes nas câmaras proporcional à população do município (variando de 9 a 55);

4-Fiscalização e julgamento das contas do Executivo;

5-Inviolabilidade por suas opiniões, palavras e votos - no exercício do mandato e na circunscrição do município;

6-Legislar sobre assuntos de interesse local;

Para concorrer ao mandato de vereador a idade legal mínima é de dezoito anos.

Para anotar ...

a) A primeira eleição para vereador, no Brasil, ocorreu em 1.532, na vila São Vicente;

b) Em toda a história do país, as casas legislativas somente deixaram de existir em dois momentos, ambos com Getúlio Vargas: de 1.930,com o golpe, até quando foi promulgada a nova Constituição; e de 1.937, quando foi instituído o Estado Novo, até 1.946, quando voltou o regime democrático;

c) Até meados dos anos 60, do século XX a função não era remunerada, no Brasil.

d)A Lei Federal 7.212/84 instituiu o dia 1 de outubro, como o "dia do vereador" em rodo território nacional;

e) Pero Vaz de Caminha, escrivão famoso por sua carta ser o único documento a registrar a chegada da armada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, foi "vereador" na cidade do Porto, encarregado de redigir os Capítulos da Câmara Municipal a ser enviados às Cortes.

http://pt.wikipedia.org

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

CIRCULANDO LIVROS






“O maior acontecimento de minha vida foi, sem sombra de dúvida, a biblioteca de meu pai”. Essa frase, comoventemente impactante e fascinantemente grandiosa, nasceu da boca do mais extraordinário poeta argentino, Jorge Luis Borges. Esse contagiante amor pelos livros acompanhou o escritor até os últimos dias de sua existência, quando já estava cego e dependente de amigos ou familiares que diariamente o realimentavam e rejuvenesciam através da leitura.

Em 1978, Borges completara vinte anos que havia perdido a visão. Fora convidado para proferir uma conferência na Universidade de Belgrano, em Buenos Aires. O tema? O LIVRO.

Cego – e só quem é privado da vista sabe a dimensão e a profundidade dessa experiência - Borges articulou ali uma das mais belas orações que conhecemos sobre o assunto. Ele, em pleno vôo de inventividade, espargindo a fertilidade imaginativa, recorre a figuras que sintetizam a sondagem do infinito e a captação das minúsculas partículas. Principia assim sua sinfonia reflexiva: “Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, sem dúvida, o livro. Os outros são extensões do corpo. O microscópio, o telescópio, são extensões da vista; o telefone é extensão da voz; temos o arado e a espada, extensões do braço. Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação”.

Em verdade, o livro liberta. Quem experienciou o gáudio de se relacionar com um bom enfeixe de folhas, sabe o olor revolucionário que dali exala.

Só capta o perfume libertário de um livro quem se deixa por ele envolver, num enlace de flerte, num lampejo de namoro, numa relação amorosa. Se, através da viagem singular e intima da leitura, descobrirmos o minério de paixão que o livro esconde, seremos capazes de rapidamente nos tornarmos ricos. Ricos, sim! Detentores daquele invejável patrimônio que sobrevive à corrosão das traças e ao desgaste do tempo.

Foi por isso que meu coração palpitou de alegria e minha alma se inebriou de satisfação quando o amigo Lourival Veras me enviou uma correspondência avisando que, em Crateús, a SABi (Sociedade Amigos da Biblioteca Norberto Ferreira Filho) estava a desenvolver um Projeto batizado de “Circulando Livros”, uma inédita feira de livros combinada com a oferta de brindes culturais ao ar livre, tendo como lócus a área do anfiteatro da Praça da Matriz.

Além de disponibilizar bons livros a baixo custo (preço máximo: R$ 5,00), o Projeto corteja os presentes com animações culturais, barracas de comidas típicas, contação de histórias, exibição da companhia de teatro Os Cara da Arte e show. Outras etapas serão desenvolvidas nos meses de outubro, novembro e dezembro.

Convidado, juntamente com o historiador Norberto Ferreira Filho (Ferreirinha), para a noite de autógrafos de sábado (26/09), fiz uso da palavra para ressaltar três coisas:

1. A importância de valorizarmos os idosos, simbolizados na pessoa de Ferreirinha, o maior memorialista vivo da nossa terra;

2. Mencionar minha última obra, Amores e Clamores da Cidade e

3. Pronunciar algumas sílabas de estímulo aos presentes sobre o culto ao livro e aos escritores, imortais seres que fundam as civilizações.

Conclui relembrando o Condor Baiano Castro Alves:

“Por isso na impaciência
Dessa sede de saber,
Como as aves do deserto -
As almas buscam beber...
Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão-cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n`alma
É gérmen - que faz a palma,
É chuva - que faz o mar”.


Por isso, saúdo com emocionado contentamento os idealizadores e realizadores desse projeto de circulação de livros. Oxalá sejam semeadores de uma nova safra de escritores para a nossa terra!

Viva o livro, prumo da alma, máquina de tear sonho, metamorfose estática, emancipador da consciência, berço de um novo homem!

Viva o livro, fonte de luz!

Viva o livro!

O livro, ser vivo!

Oh! Livro, viva!

(Por Júnior Bonfim)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

OBSERVATÓRIO



Dois fatos. Domingo passado, feira livre de Crateús. Encontro o meu parente Olavo Leitão. De pronto, me indaga sobre o que acho da política. Respondo que vejo a política como uma das mais privilegiadas formas de se efetivar algo de significativo para a coletividade. Infelizmente, por ser teia melindrosa, muita gente se enrosca, às vezes sucumbe e termina decepcionando. Nem por isso devemos abdicar da esperança e batalhar para que os homens livres e de bons costumes nela se insiram.

Setembro de 2008. No prédio de uma instituição bancária da cidade uma senhora, em voz alta, faz uma pregação fustigando os vereadores e sobre a vida nova que a cidade experimentaria com a vitória de Carlos Felipe.


A REALIDADE

Já registramos nesta coluna, em edições passadas, que o prefeito de Crateús haveria de muito realizar na esfera material (obras físicas). Seu grande desafio se situava no campo imaterial (valores consagrados, princípios cultuados): democracia nas relações, transparência nas ações. Essa assertiva vem se confirmando. O prefeito anunciou obras como construção de praça, recuperação asfáltica das ruas etc. Parabéns! Mas, e a revolução nos costumes? A vida nova prometida? O fim da política do toma-lá-dá-cá? Era prá valer ou peça de retórica?... A relação com os edis é um exemplo de que tudo continua como dantes. Só que, destarte, com um ingrediente novo.

EDIS


O Congresso Nacional promulgou na última quarta-feira, 23/9, a Emenda Constitucional 58/08, a chamada PEC dos Vereadores. Essa Lei contempla dois efeitos práticos: de um lado, aumenta o número de vereadores do país; do outro, reduz os percentuais máximos de receita que os municípios podem gastar com suas Câmaras de Vereadores. Em que pese o debate jurídico, a Lei é clara, no artigo 3º, em relação aos seus efeitos: o aumento de Vereadores é retroativo a 2008, ou seja, assumem os suplentes eleitos no pleito passado; a diminuição do repasse ocorrerá apenas a partir de janeiro de 2010. Embora incompreendida, e às vezes repudiada sem maiores discussões, essa alteração normativa é benéfica e positiva. Primeiro, porque amplia a representação popular nos parlamentos municipais; segundo, porque diminui despesa. No caso de Crateús, teremos cinco novos vereadores, que obviamente vão impactar sobre a composição de forças entre situação e oposição.

PROJETO

Por falar em Vereadores, a Câmara Municipal de Crateús deverá apreciar importante Projeto de Lei oriundo do Executivo e que vai afetar os trabalhadores que litigam ou haverão de litigar com o Município. O prefeito pleiteia a aprovação de um projeto que altera o valor dos chamados Requisitórios de Pequeno Valor (RPV). Pelo regramento atual, quando uma pessoa ganha uma causa trabalhista cujo valor é igual ou inferior a trinta salários mínimos, ao invés de inscrever em precatório (que demora a ser pago), o Município é intimado a pagar em sessenta dias. Pois bem. O Executivo quer baixar o teto de trinta para cerca de dez salários. Ou seja, pretende reduzir em 70% o valor do RPV. Se passar esse projeto, qualquer humilde operário que ganhar uma causa acima de R$ 5.000,00 vai esperar anos para receber o que lhe é devido. Trata-se de um duro golpe nos trabalhadores. Sobretudo porque oriundo de uma administração comunista e que se diz do lado dos trabalhadores.

MV

Repercutiu a postagem, na edição passada, da informação dando conta da especulação em torno da possível candidatura de Manoel Veras à Prefeitura de Crateús. A grande maioria apoiando entusiasticamente a idéia. Porém, houve quem censurasse este escriba porque atua no Tribunal onde Veras é Conselheiro. Ora, qualquer pessoa minimamente informada sabe que, por força de lei, Manoel Veras é impedido de apreciar, dar parecer e votar nos processos onde figuram como parte os gestores dos municípios onde ele, quando Deputado, foi votado.


OAB


Sexta-feira passada (25/09), os advogados de Crateús almoçaram com Valdetário Monteiro, candidato a Presidente da OAB/CE. Concorre com Erinaldo Dantas e Edson Santana. Nas eleições de novembro vindouro, além de escolher o comando estadual, os causídicos elegerão também as diretorias das subseções regionais. No âmbito local, tudo se encaminha para um consenso em torno do doutor Ismael Pedrosa Machado, jovem e bem articulado operador do direito. Em se tratando de estado, nossa opinião é de que o candidato que exibe melhor trajetória pessoal, folha de serviços prestados à Ordem, arrojo empreendedor e desenvoltura operacional é Valdetário.


CULTURA


Maior gravador do Ceará na atualidade, o artista crateuense Francisco de Almeida estará marcando presença na VII Bienal do Mercosul, a ser realizada entre os dias 16 de outubro e 29 de novembro, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Almeidinha, mais uma vez, surpreende pelo ineditismo: vai exibir um trabalho com 20 metros de comprimento. Inexistem notícias de outra gravura com essas dimensões no País. No painel, é tratada a temática religiosa nordestina, enfatizando a chuva, o sol, o vento e a terra. Parte da obra é colorida e contém a utilização de grafite. Sobre esse artista plástico extraordinário, que deveria ser mais festejado e celebrado em sua terra natal, escrevemos uma crônica cuja reprodução segue ao lado.


SABi

Ainda bem que a cidade dispõe, desde 23 de outubro de 2004, de uma entidade do terceiro setor cuja motivação é o desenvolvimento de ações culturais voltadas prioritariamente para crianças e adolescentes. É a SABi: Sociedade Amigos da Biblioteca Norberto Ferreira Filho. No final de semana passado, no entorno do anfiteatro da Praça da Matriz, promoveu a primeira etapa do Projeto Circulando Livros. Além de disponibilizar bons livros a baixo custo (preço máximo: R$ 5,00), o Projeto brindou os presentes com animações culturais, barracas de comidas típicas, Contação de histórias, exibição da companhia de teatro Os Cara da Arte e show. Outras etapas serão desenvolvidas nos meses de outubro, novembro e dezembro. Vale a pena conferir!


PARA REFLETIR

“Aquele que tem por vício a leitura, droga alucinógena das mais leves, acabará cada vez mais dependente dela. E o pior, passará para drogas mais pesadas, como a escrita. Nesta fase crítica, o leitor, agora escritor, tende a fugir regularmente da realidade e ter devaneios de que, assim como Deus, é criador de Universos inteiros”. (Jeferson Luis Maleski)


(Por Júnior Bonfim – publicado na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

JOÃOZINHO



Ano 2000. Empolgado por ter retirado da fornalha o meu primeiro pão literário, o livro Poesias Adolescentes e Maduras, marchei para lançá-lo em Brasília, onde havia residido nos anos de 1997 e 1998. (Apesar daquele Planalto Central, no cumprimento da rogativa visionária de Juscelino Kubitschek, ter se transformado no poderoso cérebro das mais altas decisões nacionais, sempre consegui vislumbrar poesia naquele palpitar sinuoso de racionalidade). Se “companheiro”, ao gosto do mel que escorre do seu caule etimológico, é alguém com quem se “compartilha o pão” - naquela viagem desfrutei da agradável companhia de quatro deles: o poeta Dideus Sales, o compositor e sanfoneiro Edilson Vieira, o prefeito Paulo Nazareno e o deputado Manoel Veras.

Na empreitada de mobilização para o evento, Dideus me convida para fazer um périplo por alguns crateuenses. Invariavelmente, antes de chegarmos à residência ou ao local de trabalho onde encontraríamos o conterrâneo, ele fazia uma peroração sobre a trajetória da pessoa a ser visitada.

Certa manhã, Dideus me falou: - “Hoje vamos ao Guará, visitar uma pessoa especial. É o Joãozinho, um sujeito fantástico...” e começou a discorrer sobre a modelar história de vida do cidadão.

Ao chegarmos ao prédio comercial do cidadão, tive o primeiro e desconcertante impacto: o homem que Dideus me apresenta como o “dono” do negócio é o que aparenta ser o mais humilde dentre todos. Roupa de balconista, estilo receptivo, jeito centrado, conversa leve, Joãozinho começa a indagar sobre o que mais gosta: Crateús – sua terra e sua gente!

A partir daí passei a ser, também, um admirador de João Alves Lopes, o Joãozinho, crateuense nascido na Tapera do Canto dos Pintos aos doze dias do Augusto mês do ano em que Juscelino Kubitschek, o construtor de Brasília, foi eleito Presidente da República.

Último homem dos treze filhos do casal Belarmino Rodrigues Sousa (Mestre Belo) e Maria Alves Lopes, Joãozinho desde cedo, certamente por herança dos pais, aprendeu a fazer do labor um ato de amor. (Seu pai pontificou, na terra do Senhor do Bonfim, a mais famosa barbearia da cidade. Batizado com sua alcunha, o “Salão do Mestre Belo” – ainda hoje mantido à Rua Coronel Zezé – é um estabelecimento comercial onde se conserva a tradição de aparar os cabelos e apanhar as principais notícias da urbe).

Joãozinho parece ter nascido predestinado ao ofício de remediar. Seu primeiro emprego, no árido ano de 1970, foi na farmácia Seiva, do senhor Deusdeth Cavalcante, espaço onde desenvolveu a habilidade de oferecer lenitivo às pessoas que precisavam.

Sete anos depois se processaria a maior alquimia da sua existência: troca alianças com Lucília Araujo Soares e passa a residir na Capital da República.


Da mulher, companheira de fé e luta, recebe a força amorosa para os desafios da vida. Da cidade, em plena explosão desenvolvimentista, extrai a seiva para erigir, naquela selva de pedra urbana, o frutífero canteiro do progresso pessoal.

No ano de 1982 adquire a primeira farmácia, no Guará, uma das principais cidades satélite de Brasília. Hoje, controla uma ampla rede comercial no Distrito Federal, que soma cerca de vinte espaços negociais entre drogarias, lojas de cosméticos e restaurantes, disponibilizando oportunidade de trabalho para várias dezenas de crateuenses.

Cumprindo a assertiva superior de ‘crescer e multiplicar’, comprovando também que “filhos, melhor tê-los”, João e Lucília fecundaram três descendentes: Jorge (farmacêutico), Nádia (psicóloga) e Nayara (advogada).

Além da ampla casa no Guará, João mantém um paradisíaco sítio em Valparaíso, nos arredores de Brasília. Cercado por um primoroso pomar, com piscina de água natural e frondosas árvores, o local o remete ao torrão natal, de onde nunca se desvencilhou.

O erudito Gerardo Mello Mourão, citando Comenius, sustenta que “a natureza produz tudo a partir da raiz” e ensina: — “na árvore, tudo o que virá a ser a madeira, a tasca, as folhas, as flores e os frutos, não provém senão da raiz”. E conclui, dizendo que o ser do homem não se mantém e não floresce, se não estiver permanentemente plantado em suas raízes.

Visceralmente vinculado às raízes vitais, e para manter de pé a invisível ponte que liga o seu peito à terra onde enterrou o umbigo, João adquiriu uma propriedade, a Grota da Onça, localizada a poucos quilômetros do centro de Crateús - onde mantém, na Rua Moreira da Rocha, uma loja de artigos campestres chamada “Coisas do Campo”. Essas aquisições são o motivo para visitar, pelo menos duas vezes por ano, o chão que tanto ama.

Porém, o que mais chama atenção no fenótipo singular de João é a sua genuína humildade. O progressivo aumento do acervo patrimonial jamais interferiu na serenidade dos seus neurônios. Permanece manso como as pequenas e anônimas lagoas do nosso sertão. Lembra a majestosa generosidade de uma velha oiticica à beira do rio. É um vigoroso e despretensioso pau d’arco, desprovido de ambição predatória.

Que assim permaneças, João, semeador de bem-aventuranças, vaqueiro do comboio do progresso, homem moldado pela argila do trabalho, alfaiate da vestimenta da simplicidade. És a prova de que, à inspiração do evangelho, há um reino virtuoso para os mansos de alma e humildes de coração!


(Por Júnior Bonfim - publicado na Coluna Gente Que Brilha, da Revista Gente de Ação)