quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

OBSERVATÓRIO


Escrevo esta coluna após participar, no Parlamento Mirim da Capital, da solenidade de outorga do Título de Cidadão Fortalezense a José Alencar Gomes da Silva. Evento imperdível, porque emocionante. O mineiro de Muriaé, que hoje ocupa a Vice Presidência da República, é detentor de uma fantástica história de vida. Aos quatorze anos, saiu de casa para assumir o primeiro emprego: balconista. Levava apenas uma maleta com três peças de roupa. Aos 18 anos, emancipado pelo pai, estabeleceu-se como comerciante, com a lojinha “A Queimadeira”, cujo nome foi sugerido por um viajante português, o senhor Lopes, sob o curioso argumento de que “se fosse um bar, seria Bar Cristal; mas não é um bar, então é “A Queimadeira”, porque vai vender barato...” Depois de “A Queimadeira”, foi viajante comercial, cerealista, dono de fábrica de macarrão, atacadista de tecidos e industrial do ramo de confecções. Em seguida, fundou em Montes Claros a Companhia de Tecidos Norte de Minas – Coteminas, hoje um dos maiores grupos industriais têxteis do país. No entanto, muitos só se deram conta de sua força espiritual e grandeza interior quando o viram enfrentando, com altivez singular, uma luta contra o câncer, que o submeteu a uma seqüência de quinze cirurgias.

DEZEMBRO

Estamos em dezembro. Mês cuja rajada de energia fraterna nos arrebata. Rebenta do mais recôndito de nós mesmos um impulso à transcendência, um giro à imanência, um desejo de sublimar, uma vontade de olhar para o que é superior. Além dos cristãos, esse fluxo de suave vitalidade na direção dos valores elevados perpassa praticamente todas as crenças humanas. No caso dos que crêem na mensagem revolucionária do Jovem de Nazaré, é hora de reavivar os principais indicativos da sua boa nova. O caminho da felicidade é o do amor: ao Ser Superior sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

A COLUNA

Sempre escrevo esta moldura com o binóculo focado na paisagem política. Porque a considero a mais nobre das atividades humanas. Como que imerso na atmosfera natalina, renovo as baterias da luta quando miro a trajetória ilustrada de homens como José Alencar. Consignam que a política pode ser um nobre instrumento a serviço do conserto do mundo. Provam que, diversamente do que pensam muitos, nem tudo está perdido. Porém, se a política é o lugar por excelência onde o homem pode materializar o bem comum, ele jamais pode ser considerado o único. Por isso, ao invés de hoje laborar sob a diretriz da criticidade analítica, prefiro dedicar estas linhas a bons exemplos, reveladores de que, mesmo à margem dos gabinetes oficiais, podem fluir ações altruístas em prol da coletividade.

ACADEMIA

Quando, há cerca de dois anos, escrevi uma pequena crônica sobre o sonho de fundarmos, em Crateús, uma Academia de Letras, vislumbrava essa possibilidade. Hoje, instalado o Sodalício e em pleno funcionamento, temos uma incubadora de talentos literários em plena atividade. Alguns se sentiram estimulados a colocar no papel um pouco da própria capacidade inventiva. Livros estão saindo do forno, outros se encontram em pleno processo de fermentação.

FLÁVIO

Um desses acadêmicos, cuja linha histórica há de ser ressaltada, é Flávio Machado e Silva. Esse sexagenário cidadão toca a vida com a vitalidade laboral de um adolescente e a tranqüilidade de quem saboreou a fruta da maturidade. Desde março de 2006, quando foi convidado por nosso editor César Vale para escrever crônicas que passeiam pelas veredas históricas da terra do Senhor do Bonfim, tem provado que podemos, a qualquer tempo, nos reinventar. No próximo sábado à noite, dia 05 de dezembro, Flávio estará lançando seu primeiro livro, “Crateús, lembranças que aquecem o coração”. O filho de Izauro Machado Portela e de dona Antonia Machado e Silva merece ser prestigiado por todos. Seu livro é um manancial de gostosas reminiscências, uma viagem lúdica às nossas raízes, prosa leve e agradável, obra prima de singeleza.

JOSÉ MARIA

Outro talentoso crateuense que está disponibilizando uma obra de fôlego é o doutor José Maria Bonfim de Morais. Conceituado médico cardiologista e escritor fulgurante, lançará livro sobre o seu genitor, Felipe Ferreira de Morais, um íntegro ser que apagou a vela centenária e dignificou a família a que pertenceu. O evento ocorrerá às 19:00 hs do próximo dia 08 de dezembro, no Ideal Clube de Fortaleza. A apresentação será feita pelo doutor Carlos Felipe, prefeito de Crateús.

DESEMBARGADORES

Outro bom exemplo vem das pilastras judiciárias. Além do doutor Byron Frota, Crateús conta agora com outro conterrâneo ocupando uma cadeira no Tribunal de Justiça do Ceará: é o doutor Emanuel Leite Albuquerque, escolhido para integrar a mais Corte de Justiça Cearense por critério de merecimento (vide crônica da cidade, ao lado), cuja posse ocorreu na tarde do dia 26 de novembro. O doutor Emanuel, que exerceu a magistratura em sua terra natal na década de 1990 – e presidiu as eleições municipais de 1992 em Crateús - era também integrante do pleno do Tribunal Regional Eleitoral. Parabéns ao profícuo julgador, cuja trajetória se constitui modelo para a mocidade! Outros magistrados com vinculação aos sertões de Crateús também obtiveram êxito na recente lista de novos julgadores de segundo grau: Paulo Timbó, de Tamboril, e Clécio Aguiar Magalhães, que foi juiz em Crateús por muitos anos.

PARA REFLETIR

“Se eu pudesse deixar algum presente a você, deixaria aceso o sentimento de amor à vida dos seres humanos. A consciência de aprender tudo o que nos foi ensinado pelo tempo afora. Lembraria os erros que foram cometidos, como sinais para que não mais se repetissem a capacidade de escolher novos rumos. Deixaria para você, se pudesse, o respeito, aquilo que é indispensável: além do pão, o trabalho e a ação. E, quando tudo mais faltasse, para você eu deixaria, se pudesse, um segredo: o de buscar no interior de sí mesmo a resposta para encontrar a saída”. (Gandhi)


(Por Júnior Bonfim, publicado na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste)

EMANUEL LEITE ALBUQUERQUE



“Debaixo da ponte da justiça passam todas as dores, todas as misérias, todas as aberrações, todas as opiniões políticas, todos os interesses sociais. E seria bom que o juiz fosse capaz de reviver em si para compreendê-los, cada um desses sentimentos: experimentar a prostração de quem rouba para matar a fome ou o tormento de quem mata por ciúmes; ser sucessivamente (e, algumas vezes, ao mesmo tempo) inquilino e locador, meeiro e proprietário de terras, operário em greve e industrial”. Essas linhas foram rabiscadas pelo inspirado operador do direito italiano Piero Calamandrei, que perscrutou a alma humana por entre os pórticos judiciários.

Foi dele que me recordei quando vi o povo da minha aldeia, a tribo dos Karatiús, hoje cidade de Crateús, comemorar neste décimo primeiro mês do airoso ano de dois mil e nove a nomeação de um dos seus brotos, por critério de merecimento, à cadeira de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará.

Meritória foi, sempre, a trajetória de Emanuel Leite Albuquerque. Filho do casal Maria Hermilia Albuquerque Leite, dedicada mãe e senhora do lar, e de Manoel Albuquerque da Cunha Leite, servidor civil do 4º BEC, que se orgulhava de exercer uma das profissões do lendário ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln: topógrafo. O senhor Albuquerque era um homem de simplicidade modelar, caráter firme e perfil iluminado, que teve paternal zelo com os quatorze filhos. Ressalta seu velho amigo Boaventura Bonfim, “o seu Albuquerque é um dos maiores seres do universo que tive a ventura de conhecer”. Despiciendo frisar que teve influência decisiva no curriculum do filho. A veneração do rebento ao genitor se materializou em marcante homenagem: a rua em que reside o hoje desembargador Albuquerque, na Capital Alencarina, ostenta o nome de seu pai.

Os amigos da fase doirada da infância e dos janeiros ardentes da juventude, em Crateús, recordam duas facetas relevantes da personalidade de Emanuel Leite Albuquerque: junto aos colegas homens, era um “galo de briga”; diante das donzelas, se revelava um galanteador. Para aqueles, se pintava de índio guerreiro; para essas, se perfumava como um Don Juan.

A porção destemida o levou a ingressar, aos 17 anos, na Academia de Polícia Edgar Facó, onde iniciou portentosa carreira militar, chegando ao posto de Capitão. Nesse período, ocorreram dois eventos indeléveis na sua história pessoal: o primeiro foi ter servido, como Oficial, à Corte de Justiça que hoje integra; o segundo foi ter conhecido, numa blitz que realizava na região do Cariri, aquela com quem compartilharia a vida a dois. Neste caso, após ter resolvido uma questão, recebeu protestos de uma jovem insatisfeita com a solução que havia dado ao imbróglio. Seu nome: Teresa. E, tal e qual na poesia de Castro Alves, a vez primeira que fitou Teresa, como uma planta que a correnteza arrasta, a valsa do amor o levou no baile do olhar. Virou sua consorte e são pais de cinco filhos.

Bacharel em direito pela Universidade Federal do Ceará, fez concurso para Juiz e ingressou na magistratura no dia primeiro de setembro de 1986 na jurisdição de Reriutaba. Na seqüência, assumiu a Comarca de Redenção e, logo depois, a da sua terra natal, Crateús, onde presidiu as eleições de 1992. Nessa ocasião, conheceu a dor e a delícia de exercer a judicatura entre os conterrâneos.

Porém como quem é convocado para grandes vôos de ascensão profissional, assumiu, em Fortaleza, a 31ª Vara Cível, no período de 1993 a 1999, exercendo, também, o cargo de julgador da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais (JECCs) entre junho de 2003 e agosto de 2007.

Atuou na titularidade da 22ª Vara Cível de Fortaleza, de agosto de 1999 a setembro de 2009. Foi juiz eleitoral da 117ª Zona de Fortaleza, de março de 2007 a janeiro de 2009, e coordenador da propaganda política nas eleições de 2008. Levou tão a sério esse labor nas eleições de 2008 que, mercê dos votos de louvor recebidos, foi nomeado para compor o pleno do Tribunal Regional Eleitoral, na categoria de Juiz de Direito. Além de ocupar uma vice-presidência na Associação Cearense dos Magistrados (ACM), foi membro titular da Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional (CEJAI).

Como todo jurista que se preza, cultiva a dialética rotina de estudante e professor. Exibe curso de Especialização em Direito Constitucional e Direito Processual Constitucional pela UECE e Doutorado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidad Del Museo Social Argentino (UMSA) – de Buenos Aires, na Argentina. É professor do Curso de Direito da Faculdade de Fortaleza (FAFOR) e da Faculdade de Ensino e Cultura do Ceará (FAECE), lecionando a disciplina Direito Processual Civil.

Como um cônsul, adora receber os conterrâneos e compartilhar os bons momentos vividos no entorno onde cresceu, na Praça da Estação de Crateús.

É, hoje, uma locomotiva de estímulo, uma torre agregadora, um farol referencial para a comunidade onde foi gerado. Num momento em que as pessoas descuram dos valores essenciais, a saga do doutor Albuquerque é um impulso à busca da vitória pelo amor ao estudo, pela devoção ao labor honrado, pelo cultivo de hábitos decentes.

Em sua alma ressoam os hinos da vida dura do povo. Debaixo da ponte do seu coração sente o palpitar dos mais diversos sentimentos humanos, porque os experimentou no mais íntimo e profundo de si mesmo.

À Calamandrei, sabe que “a justiça é um fluido vivo, que circula nas fórmulas vazias da lei, como o sangue nas veias”. Porque labora com essa compreensão, permanece subindo com desenvoltura as escadarias das realizações compensadoras!


(Por Júnior Bonfim, publicado no Jornal Gazeta do Centro Oeste e na Revista Gente de Ação)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

AMANHÃ É DIA DE MAIS UMA EDIÇÃO DO JORNAL GAZETA DO CENTRO-OESTE!

FESTIVAL DE PANETONE EM BRASÍLIA


Dezembro já chegou,

Trazendo junto Natal.

Vou fazer a minha festa

E é no Distrito Federal.

Vou pegar minha família,

Vou direto pra Brasília

Não perco este festival.
.

A vida aqui anda cara

Está “um Deus nos acuda”

Em Brasília pelo menos

Tem o bondoso Arruda.

Que arrecada dinheiro,

Para o pobre brasileiro

Ter um Natal de fartura.

.

Nunca vi tanto dinheiro!

Mas mostrou a televisão.

Em cuecas, meias e bolsos

Foi farta a distribuição.

E os demais envolvidos

Ficaram tão comovidos

Que fizeram até oração.

.

O milagre da multiplicação

Pode até não acontecer.

Panetone virando pizza

Garanto vocês vão ver.

Pois são sempre absolvidos

Os políticos envolvidos

Em falcatruas no poder.


As eleições estão chegando,

Seja um honesto cidadão!

Vender e trocar seu voto

É incentivar a corrupção.

Vá à urna com consciência,

Para tirar dessa indecência,

Nosso Brasil, nossa nação.


(Por Dalinha Catunda)

sábado, 28 de novembro de 2009

DA FELICIDADE


Não há ninguém feliz

não há

— a paz —

que guarda o ser

(sem medo, sem carência)

ninguém provou

— a liberdade —

que solta o tempo

(sem peia, sem limite)

ninguém teve

— o amor —

que encanta o mundo

(sem mágoa, sem lacuna)

ninguém viveu.



É guerra, opressão, egoísmo:

—como responder ao apelo da terra?

—como realizar o destino do ser?



Não há ninguém feliz.



(Pelo menos até hoje).



Pedro Lyra

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

NOVA ORTOGRAFIA


Em casos como AUTOESTIMA o hífen cai. A sua que não pode cair.

Em algumas palavras, o acento desaparece, como em FEIURA.
Aliás, poderia desaparecer a palavra toda.

O acento também cai em IDEIA, só que dela a gente precisa. E muito!
O trema sumiu em todas as palavras, como em INCONSEQUÊNCIA, que também poderia sumir do mapa. Assim a gente ia viver com mais TRANQUILIDADE.

Mas nem tudo vai mudar.

ABRAÇO continua igual. E quanto mais apertado, melhor.

AMIZADE ainda é com "Z", como VIZINHO, FUTEBOLZINHO, BARZINHO.

Expressões como "EU TE AMO", continuam precisando de ponto. Se for de exclamação, é PAIXÃO, que continua com "X", como ABACAXI, que gostando ou não, a gente ainda vai ter alguns para descascar.

SOLITÁRIO ainda tem acento, como SOLIDÁRIO, que muda só uma letra, mas faz uma enorme diferença.

CONSCIÊNCIA ainda é com SC, como SANTA CATARINA, que precisa tocar a VIDA para frente.

E por falar em VIDA, bom essa muda o tempo todo, e é por isso que emociona tanto!!!

(Autor desconhecido)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

CONJUNTURA NACIONAL

Abro a coluna, hoje, com Pernambuco falando para o mundo. Duas historinhas mostram a performance de dois de seus atores.

Luís Pereira, pintor de parede, foi dormir com 200 votos. Acordou deputado federal. Era suplente de Francisco Julião, cassado. Chegou a Brasília de roupa nova e coração novinho, conforme a verve de Sebastião Nery. Murilo Melo Filho jogou a primeira lata de tinta no silêncio daquela provinciana fachada política:

- Deputado, como vai a situação?

- As perspectivas são piores do que as características.

Luiz Serafim, o Serafa, era presidente da Liga Camponesa de Vitória de Santo Antão. Um comício programado pedia a presença de Francisco Julião. Luiz Serafim foi encarregado de saudar o fundador das Ligas. Caprichou nas palavras:

- Francisco Julião é aquele que não claudica em suas reivindicações benévolas!

PESQUISAÇÃO

Chovem pesquisas. Mais uma, da CNT/Sensus, aparece para confirmar o que este consultor, há tempos, proclama: a queda de José Serra. Não há novidade nesta nova bateria. Apenas denota a tendência irretorquível: quem está muito na frente, cai, e quem está atrás sobe. O governador de São Paulo desceu alguns degraus da escada pelas seguintes razões: baixou a visibilidade, isolando-se no Palácio dos Bandeirantes; Dilma e Ciro expandiram suas aparições públicas; Luiz Inácio continua a fazer campanha desbragada para sua candidata, a mãe do PAC; as oposições perdem o eixo, a olhos vistos. Não sabem para onde ir.

SERRA E AÉCIO

Há um dado interessante nesta pesquisa. A chapa Serra/Aécio alcança 35,8% de intenção de voto; a chapa Aécio/Serra chega a 31%. Ou seja, os números estão muito próximos. Se fizermos a projeção de potenciais de crescimento, teremos, de um lado, um perfil mais jovem, em condições de cooptar maiores grupamentos partidários; de outro, teremos um perfil mais forte, hoje, porém sem condições de conseguir expandir a base partidária. Ou seja, a tese deste consultor é: Aécio reúne maior potencial de crescimento, comparado a José Serra. Ademais, Ciro Gomes tem tido e repetido: se o governador mineiro aparecer como candidato tucano, ele desiste de sua candidatura à presidência. Depois de tanta afirmação, Ciro não teria como recuar. Dedução: o neto de Tancredo apresenta-se como perfil em crescimento; Serra, apesar de mais experiente, encaixa-se na tendência do declínio.

A ECONOMIA NÃO ELEGE?

Não dá para acreditar que o governador paulista, que domina como poucos a matéria tributária, tenha dito esta semana: a economia não decide eleição. E cita Lula como exemplo em 2006. Que loucura. Apesar de a economia não exibir glórias naquela época, a situação do momento era comparada com os anos FHC. Lula ganhou disparado na comparação. Aliás, é o que Lula, de modo inteligente, quer repetir agora. Este consultor não tem dúvida: quem elege um candidato é o bolso do eleitor. Bolso vazio, necas; bolso cheio ou mais ou menos folgado, troco. Ou será que José Serra esqueceu o mote da campanha de Bill Clinton, em 1992, cravada pelo marqueteiro James Carville: "é a economia, estúpido".

CIRO SEM VEZ EM SP

Se Ciro Gomes tira votos de José Serra na área federal, não conseguiria puxar votos a ponto de ameaçar a vitória deste governador, caso fosse candidato à reeleição em São Paulo. E mais: não teria condições de levar a melhor no Estado mais forte da Federação. Ciro seria aqui destruído. De São Paulo, não deve conhecer 3% dos municípios. Seria mais fácil o sol não aparecer amanhã do que Ciro, com vida política no Ceará, ganhar o pleito para o governo paulista em 2010. Aposto uma dúzia de picolés. Contra uma goma de mascar.

DUTRA NO COMANDO PETISTA

José Eduardo Dutra comandará o PT nos próximos anos. O antigo grupo majoritário volta a dar as cartas. José Dirceu brilhará mais ainda no firmamento político eleitoral. Apesar do segundo lugar, garantido por outro José Eduardo, o Cardozo, o grupo de Tarso Genro passará uma temporada nas margens. Até porque seu titular se afastará para o desafio eleitoral no Rio Grande do Sul. Tarso tem alguma condição. Perdeu prestígio nos últimos tempos com suas posições mais radicais. Tarefa de Dutra: fechar as alianças nos Estados com o mínimo de dissenso. Missão impossível.

ARMADILHA, JÁ?

Perdão pelo jogo fonético: Ahmadinejad tem algo parecido com armadilha, já. Lula recebe com pompas o presidente do Irã, de nome Mahmoud, sugerindo nas linhas e entrelinhas que o Brasil quer ser já, já, Ahmadinejad, "potência mundiá". Quer ser mediador com voz forte no Oriente Médio, quer sentar de vez no Conselho de Segurança da ONU, quer dar recados retumbantes na Conferência de Mudança de Clima, de Copenhague, quer puxar a orelha de Obama e dar recados aos chineses. Quer, quer, quer... sei não. Vejo, com essas querências todas, o aluguel de muitas armadilhas. Que podem fisgar o Brasil no contrapé.

UMA NO CRAVO

Lula defendeu o direito do Irã de enriquecer o urânio para fins pacíficos.

OUTRA NA FERRADURA

Desde que haja compromissos com alguns princípios dos quais o Brasil não abre mão.

OLHANDO PRA CIMA

Na hora da ferradura, Luiz Inácio olhou para o teto. Isso ocorre sempre que o presidente divaga. Entra no perigoso terreno da abstração.

O SEMEADOR E O QUE SEMEIA

"Entre o semeador e o que semeia há muita diferença. Uma coisa é o soldado, e outra coisa é o que peleja; uma coisa é o governador, e outra coisa o que governa. Da mesma maneira uma coisa é o semeador, e outra o que semeia; uma coisa é o pregador, e outra o que prega. O semeador e o pregador, é nome; o que semeia e o que prega, é ação; e as ações são as que dão o ser ao pregador. Ter nome de pregador, ou ser pregador de nome, não importa nada; as ações, a vida, o exemplo, as obras, são as que convertem o mundo." (Sermão da Sexagésima, Padre Vieira)

DILMA NA ESPONTÂNEA

Pois bem, Lula conseguiu dar a Dilma Rousseff a visibilidade que não tinha. Na pesquisa espontânea, a ministra-chefe da Casa Civil está próxima a José Serra, ele com 9%, ela com 6%. Intenção espontânea de voto se deve, sobretudo, ao quesito conhecimento público.

PF COM MAIS PODER

A Polícia Federal terá maior poder para fiscalizar. As novas funções estão previstas em projeto de lei que permitirá à PF requisitar dados cadastrais de instituições e pessoas acusadas de crimes junto ao BC, Receita Federal e Conselho de Controle de Atividades Financeiras. Hoje, essa função é dificultada. Em compensação, haverá normas contra a espetacularização das investigações.

25% DOS ELEITORES

Só 25% dos eleitores brasileiros – cerca de 132 milhões de eleitores – expressam o nome de seu candidato.

PALAVRAS SEM OBRAS

"O melhor conceito que o pregador leva ao púlpito, qual é? É o conceito que de sua vida têm os ouvintes. Antigamente convertia-se o mundo: hoje por que não se converte ninguém? Porque hoje pregam-se palavras e pensamentos; antigamente pregavam-se palavras e obras. Palavras sem obras são tiro sem bala; atroam, mas não ferem. A funda de David derrubou o gigante; mas não o derrubou com o estalo, senão com a pedra. As vozes de sua harpa lançaram foram os demônios do corpo de Saul; mas não eram vozes pronunciadas com a boca, eram vozes formadas com a mão. Para falar ao vento bastam palavras; para falar ao coração são necessárias obras." (Sermão da Sexagésima, Padre Vieira)

FHC ESCONDIDO?

Essa é uma novidade ruim para o tucanato. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não está bem na fita. 49,3% não votariam de jeito nenhum em candidato indicado por ele.

DILMA REJEITADA

Dilma melhorou – um pouquinho – a posição no ranking da rejeição. De 37,6%, sua rejeição caiu para 34,4%. Próxima a de Marta Suplicy, por ocasião da última eleição para a prefeitura paulistana. Índice considerado razoável está em torno de 15%.

Requião e sua reunião

Em que deu a reunião de Roberto Requião? O governadorzão queria uma decisão em torno de um candidatão do seu partidão para a eleição presidencial de 2010. Perderá essa bênção na Convenção. Aposto um real contra um tostão.

CASCATAS DE LÁGRIMAS

Atenção, vendedores ambulantes de lenços. Preparem seus estoques. Nos próximos dias, cascatas de lágrimas serão derramadas nos escurinhos dos cinemas. Tudo por conta de "Lula, o Filho do Brasil", que mostra a saga do engraxate que virou presidente da República. As lágrimas aguarão os caminhos poeirentos que levam ao pleito de outubro de 2010. Para que dona Dilma Rousseff chegue às urnas com os sapatos molhados de votos.

EDINHO REELEITO

A reeleição de Edinho Silva para a presidência do PT paulista serve ao objetivo do presidente Lula: botar Ciro Gomes como candidato ao governo apoiado pelo PT. Ciro, diz Serra, é um pau mandado de Lula. É. Pode ser. Mas esse pau bate muito duro em sua cabeça.

DILMA, A EXPERT

A ministra-chefe da Casa Civil entende tanto de meio ambiente quanto Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, de minas, energia ou pré-sal. Mas a pré-candidata de Luiz Inácio à presidência da República será a chefe da delegação brasileira em Copenhague. Modo de impregnar seu perfil com o verde da sustentabilidade. Marina Silva, que se cuide.

TARSO, O EXAGERADO

Tarso Genro já foi melhor. Este consultor já chegou a afirmar, em tempos idos, que seu perfil estava entre os melhores do PT. Pelo menos, entre os mais preparados. Mas o ministro da Justiça é um poço de exageros. Diz, agora, que o STF tentou usurpar poder de Lula. Tudo por conta da novela Cesare Batistti. Que deixa Lula entre a cruz e a caldeirinha. Acusa o STF de tomar uma decisão ilegal. Tarso Genro está sentado no trono dos céus, ao lado de Deus.

O POSTE DE LULA

Quem ainda garante que Lula, apesar de registrar o maior prestígio no ranking dos presidentes da República, não consegue eleger um poste? Pois bem, confiram: o poste de Lula já ultrapassou a casa dos 20%.

RECEITA FEDERAL

O estilo discreto, porém eficiente, do Secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, começa a dar resultados. A RF resgata sua performance. A de outubro chega a um recorde por conta da transferência de R$ 5 bilhões em depósitos judiciais que estavam na CEF. Cartaxo havia prometido para novembro o reposicionamento das receitas aos altos níveis do passado. Deve atingir a meta. A RF entra nos eixos.

FIM DE ANO LOTADO

O fim de ano abre horizontes lotados. Lojas, supermercados, agências de viagem, companhias aéreas, empregos temporários natalinos. O bolso, se não está cheio, não passa por grandes apertos. O sorriso dos governistas vai de um canto a outro da boca.

CONSELHO AO PRESIDENTE LUIZ INÁCIO

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na edição passada, o espaço foi destinado ao ministro Edison Lobão. Hoje, volta sua atenção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

1. Administrar, de modo equilibrado, a grande confiança que lhe deposita a população brasileira, evitando atitudes arrogantes e o sentimento de que é onipotente.

2. Ter muito cuidado com a liturgia do poder e usar a força do governo, nos próximos meses, para corrigir desvios e distorções nos diversos campos da administração.

3. Evitar que a máquina administrativa seja utilizada a favor de candidatos, a partir de sua pré-candidata à presidência, Dilma Rousseff.

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(Por Gaudêncio Torquato)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

VENDEDORA DE SONHOS



Assim sou EU...

"Por fora tenho tantos anos que você nem acredita.
Por dentro, doze ou menos, e me acho mais bonita.

Por fora, óculos; algumas rugas, gordurinhas, prata nos tintos cabelos.
Por dentro sou dourada, Alma imaculada, corpo de modelo.

Por fora, em aluviões, batem paixões contra o peito.
Paixões por versos, pinturas, filosofia e amigos sem despeito.
Por dentro, sei me cuidar, vivo a brincar, meio sem jeito.

Não me derrota a tristeza; não me oprime a saudade; não me demoro padecente.

E é por viver contente que concluo sem demora:
é a menina que vive por dentro, que alegra a mulher de fora!"

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"Sou uma Mulher cheia de desejos...
e uma Menina cheia de sonhos...

Sou uma mulher que luta...
e uma Menina que tem medo...

Uma Mulher que briga...
E uma Menina que brinca...

Sou uma Mulher séria...
E uma Menina travessa...

Sou uma mulher correta...
E uma Menina louquinha...

Sou uma Mulher desejada...
e uma Menina sensível...

Sou simplesmente eu mesma...
Nos meus erros e acertos!!!!.."

Fatima Fontenelle

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Caro Júnior:

Não conhecia Fátima Fontenele, mas que poema!!!

Este é um dom que a gente já nasce com ele - o da poesia. Outro dom, também inato, é o dom de saber apreciar a poesia por todos os ângulos, inclusive quando até não entendemos mas vemos e sentimos a beleza dos versos.

Vida longa para Fátima Fontenele, de quem me tornei fã.

César Vale - jornalista

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Eu aprendi
a olhar para mim mesma e falar:
valeu a pena!
Eu aprendi
a dizer ao meu coração
que amar foi o melhor caminho;
Eu aprendi
Vê nos olhos das pessoas que amo
que de tudo fica algo indestrutível e belo;
Eu aprendi
que muitas vezes o silêncio,
signfica bem mais que palavras e gestos;
Eu aprendi
que às vezes é necessário o sofrimento
para crescermos interiormente;
Eu aprendi
que sonhar é o primeiro passo
para a realização de um sonho;
Eu aprendi
que muitas vezes amar significa sofrer
porque sofrendo a gente aprende a amar;
Eu aprendi
que nossos verdadeiros amigos
nos fazem fortes quando estamos fragilizados;
Eu aprendi
que ser amigo, é silenciar, é calar e compreender
quando emudecemos;
Eu aprendi
que muitas vezes nem sempre está só quer dizer,
está desacompanhado;
Eu aprendi
que é essencial e imprescindível
dizer eu te amo!
Eu aprendi
Que a vida é o nosso bem maior
e que DEUS é a nossa LUZ,
nossa FORÇA e nosso CAMINHO.

(fatima fontenelle)
Crato-CE

terça-feira, 24 de novembro de 2009

*MANGERIOBA-DO-PARÁ*


.

Na estação das chuvas

A caatinga se refaz.

Oferecendo aos olhos

A graça que a água traz.

Difícil fica esquecer

A magia do floresce

Cheio de um viço audaz.

.

Em meio ao mata-pasto,

Jurema, salsa e sabiá,

Feito ouro se destaca,

A mangerioba-do-pará.

Entre o verde e o amarelo,

Descubro o quanto é belo,

O rebrotar no meu Ceará.

.

Só mesmo quem conhece,

Tem a verdadeira noção,

Do que faz a falta de chuva

Com a flora do meu sertão.

Mas tudo se acaba em festa,

Quando o verde se manifesta,

Dando nova cor ao meu chão.

.
(Texto e foto de Dalinha Catunda)

sábado, 21 de novembro de 2009

PAULO EDUARDO MENDES


Em que pese fosse abrasado orador, escritor incansável, jurista consagrado, político militante, o que mais enternecia a alma e estremecia o coração do gênio multifacetário Ruy Barbosa era a sua condição de jornalista.

Certa feita proclamou: “E jornalista é que nasci, jornalista é que eu sou, de jornalista não me hão de demitir enquanto houver imprensa, a imprensa for livre (...)”

E foi mais além: “Cada jornalista é, para o comum do povo, ao mesmo tempo um mestre de primeiras letras e um catedrático de democracia em ação, um advogado e um censor, um familiar e um magistrado. Bebidas com o primeiro pão do dia, as suas lições penetram até ao fundo das consciências inexpertas, onde vão elaborar a moral usual, os rudimentos e os impulsos, de que depende a sorte dos governos e das nações.”

Desde algum tempo, sob o influxo da admiração curiosa leio aos sábados, na seção “Idéias” do Jornal Diário do Nordeste, uma coluna assinada por Paulo Eduardo Mendes, que se identifica apenas como jornalista.

Tempos depois, em evento na Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF), seu nome era submetido, juntamente com o da sua consorte Gilmaíse, à nossa apreciação para integrar aquele sodalício de letras. Despiciendo enfatizar que foram aclamados com louvor.

E assim fiquei conhecendo Paulo Eduardo Mendes, de cujas crônicas já era íntimo. Embora pouco tenhamos convivido, já conclui que seu fenótipo parece transparecer sua alma: homem de olhar sereno, leve como a pluma, postura equilibrada, voz ponderada, alma superior. Porque humilde de índole e manso de coração, parece exalar o orvalho da sabedoria por todos os poros.

Talvez por isso se explique o fato de omitir suas outras facetas, como a de magistrado modelar, homem devotado à família, doutor da honrosa causa do bem e da generosidade, jardineiro de flores filantrópicas e reitor da invisível universidade do espírito.

Na página 2 do Jornal Diário do Nordeste de hoje, na seção “Idéias”, o doutor Paulo Eduardo Mendes nos brinda com um comentário sobre o livro AMORES E CLAMORES DA CIDADE.


De coração, muito obrigado!


(Júnior Bonfim)

AMORES E CLAMORES

Estética na forma de escrever. Modulação de temas para orquestrar um canto de louvor à sua gleba natal.Assim observamos o que se contém no livro de Júnior Bonfim enfocado em “Amores e Clamores da Cidade”.

Crônicas para rádio e jornal emoldurando o município de Crateús. Produção de quem ama a sua cidade. Poema de vida num decantar de boa cepa literária. Júnior Bonfim consegue aliar seu preparo com a vocação ou pendor para escrever bem. Escreve de forma espontânea e analítica, sem rebuscar o texto. Diz de modo agradabilíssimo sobre os “Amores e Clamores” do que presenciou nos dias felizes da existência ali sob o céu de Crateús.

O autor consegue colocar na vitrina todo o esplendor do lugar onde nasceu e cresceu para a vida. A difusão de costumes, tempo, aura e desenvolvimento num complexo de enternecimento. Ah, se todos observassem a cidade de sua origem com a ternura contida em“Amores e Clamores da Cidade”! O mundo estaria, com certeza, em paz.

Júnior faz política de fraternidade através do seu texto misto de simplicidade e cultura amalgamada no interesse maior pelos estudos, pela leitura. A arte de escrever, com segurança, advém de uma cultura nascente na alma dos que sonham.

Júnior Bonfim sai da quimera para a realidade de produzir um livro que o situa no rol de escritores maduros. O seu perfil de poeta promove esse crescimento que o fez merecedor da Cadeira nº 18 da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza. A AMLEF tem o seu acadêmico José Bonfim de Almeida Júnior que nos encanta no trabalho literário com a assinatura de Júnior Bonfim.

“Amores e Clamores da Cidade” nos faz caminhar a céu aberto, no sol causticante de Crateús, sem buscar a sombra do repouso. Livro que se lê de uma assentada, numa audiência necessária para se conhecer o todo geográfico e antropológico de um povo lutador. O sertão na ousadia de pairar nos ares de boa metrópole.

Crateús cresceu no nosso conceito de simples leitor e comentarista de livros. Fizemos uma viagem sem sair da Capital. Méritos ao Júnior Bonfim que conseguiu, no foco do seu trabalho, ser o agente de turismo capaz de retratar tão bem sua terra berço.

(Paulo Eduardo Mendes – jornalista)

Publicado na página 2 do Diário do Nordeste deste sábado – 21.11.2009.

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Olá Júnior,

Fico feliz em vê-lo tão bem traduzido, neste belo texto do jornalista Paulo Eduardo Mendes.

Se seu livro e sua pessoa já despertavam curiosidade, tudo ficou mais crescente a partir deste texto que lhe fotografa de um ângulo bem especial.

Um abraço,

Dalinha Catunda

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

NOVOS DESEMBARGADORES


O Pleno do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) promoveu oito juízes de Direito de Entrância Final para o cargo de desembargador, sendo quatro pelo critério de merecimento e quatro por antiguidade. A escolha ocorreu nesta quarta-feira (18/11) em sessão extraordinária presidida pelo desembargador Ernani Barreira Porto, chefe do Poder Judiciário estadual.

"Foi, sem dúvida, uma festa que consagrou os princípios éticos e os elevados propósitos da Justiça cearense. A escolha dos novos membros desta Corte representa a concretização da política de ampliação do Judiciário, visando a um eficiente atendimento das expectativas sociais no que diz respeito à prestação jurisdicional", afirmou Ernani Barreira.

Pelo critério de antiguidade, foram escolhidos os juízes Clécio Aguiar Magalhães, da 14ª Vara de Família; Francisco Barbosa Filho, titular da 18ª Vara Cível; Francisco Auricélio Pontes, da 13ª Vara de Família; e Wilton Machado Carneiro, da 2ª Vara de Execuções Fiscais.

Por merecimento, houve a escolha dos juízes Francisco Suenon Mota, da 2ª Vara da Infância e da Juventude; Paulo Camelo Timbó, da 8ª Vara Criminal; Emanuel Leite Albuquerque, da 22ª Vara Cível; e Sérgia Maria Mendonça Miranda, titular da 19ª Vara Cível.

A nomeação dos novos desembargadores já foi publicada no Diário da Justiça de hoje. Os magistrados deverão integrar a 5ª e a 6ª Câmaras Cíveis, criadas por meio do Assento Regimental nº 31/2009, veiculado no DJ de 1º de outubro de 2009. As novas câmaras serão instaladas após a posse dos desembargadores e irão ocorrer às quartas-feiras pela manhã.


Entenda a distribuição das vagas

Das oito vagas, uma é decorrente da aposentadoria da desembargadora Gizela Nunes da Costa, por tempo de serviço, no último dia 22 de outubro. As outras sete foram criadas pela Lei Estadual nº 14.407, de 15 de julho de 2009, que alterou o Código de Divisão e Organização Judiciária do Estado do Ceará.

A nova legislação elevou o número de julgadores no Tribunal de Justiça de 27 para 43. Depois da posse dos desembargadores escolhidos nesta quarta-feira, o TJCE passará a contar com 34 magistrados.

O processo de preenchimento de uma das nove vagas restantes começará ainda este ano, pelo critério do Quinto Constitucional. O cargo caberá a um representante da Ordem dos Advogados do Brasil – secção Ceará (OAB-CE), que deverá elaborar uma lista sêxtupla e enviar ao TJCE.

Desses seis, o Tribunal escolherá uma lista tríplice para ser encaminhada ao governador do Estado, Cid Gomes. Caberá ao chefe do Poder Executivo escolher um dos três e nomear o representante da OAB-CE para integrar a composição plenária do TJCE.

Já em 2010, haverá a escolha dos outros oito desembargadores cujas vagas foram criadas pela Lei nº 14.407/2009.

(Fonte: TJ/CE)

CRATEÚS TEM MAIS OUTRO DESEMBARGADOR


Além de Byron Frota, Crateúe conta agora com outro conterrâneo ocupando uma cadeira no Tribunal de Justiça do Ceará: é o doutor Emanuel Leite Albuquerque, escolhido ontem por critério de merecimento (vide notícia abaixo).

O doutor Emanuel, que exerceu a magistratura em sua terra natal na década de 1990, é também integrante do Tribunal Regional Eleitoral.

Parabéns ao profícuo julgador!

Outros magistrados com vinculação aos sertões de Crateús também obtiveram êxito ontem: Paulo Timbó, de Tamboril, e Clécio Aguiar Magalhães, que foi juiz em Crateús por muitos anos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

NO DIA DE HOJE, EM 1930, ERA FUNDADA A OAB


As origens da OAB se enlaçam com o movimento que resultou na Independência do Brasil. Logo após 7 de setembro de 1822, iniciaram-se os debates na Assembléia Constituinte e, a seguir, na Assembléia Legislativa, objetivando a fundação dos cursos jurídicos. Com a lei de 11 de agosto de 1827, foram criados os dois primeiros cursos do país, um em São Paulo, outro em Olinda.

Na mesma época, no meio dos advogados, crescia a idéia de organizar uma entidade que reunisse a classe.

O Aviso de 7 de agosto de 1843, do Governo Imperial, concedeu a aprovação dos estatutos elaborados por uma comissão de advogados, nos seguintes termos:

"Sua Majestade o Imperador, deferindo benignamente o que lhe foi apresentado por diversos advogados desta Corte, manda pela Secretaria do Estado dos Negócios da Justiça aprovar os Estatutos do Instituto dos Advogados Brasileiros, que os Suplicantes fizeram subir à sua Augusta presença, e que com estes baixam, assinado pelo Conselho Oficial Maior da mesma Secretaria de Estado; com a cláusula, porém, de que será também submetida à Imperial Aprovação o regulamento interno de que tratam os referidos estatutos. Palácio do Rio de Janeiro, em 7 de agosto de 1843.
Honório Hermeto Carneiro Leão."

Dispunham os dois artigos iniciais do estatuto da nova instituição:

"Art. 1º - Haverá na capital do Império um Instituto com o título - Instituto dos Advogados Brasileiros - do qual serão membros todos os bacharéis de direito que se matricularem dentro do prazo marcado no regimento interno, onde igualmente se determinarão o número e qualificação dos membros efetivos, honorários e supranumerários residentes na Corte e nas províncias.

Art. 2º - O fim do Instituto é organizar a Ordem dos Advogados, em proveito geral da ciência da jurisprudência.


Tinha, então, o Instituto dos Advogados, entre suas missões, a de criar a Ordem dos Advogados, o que não seria uma tarefa fácil.

Em 1848, o Instituto deliberou recorrer à Câmara dos Deputados para que se satisfizesse o intuito estatutário; em 1850, Francisco Gê Acaiaba Montezuma, Presidente do Instituto, discursou justificando a criação da Ordem dos Advogados. Em 1851, o projeto foi aprovado pelo Senado, mas detido em seguida na Câmara dos Deputados. De 1852 a 1853, a questão voltou a ser discutida, permanecendo, entretanto, sem solução. Em 1857 é apresentado discurso frente ao Ministro da Justiça; em 1865, o Instituto representa ao Governo. Embora o Conselho de Estado apoie a petição, nada se consegue.

Em suas reuniões, o Instituto dos Advogados Brasileiros continuava a discutir o projeto de lei de criação do que seria a Ordem dos Advogados do Império, que nunca viria a existir, apesar de mais tentativas em 1866 e 1880. Esta última propunha a criação do Instituto da Ordem dos Advogados e dizia que as profissões de advogado e solicitador constituíam munus publico que só poderia ser exercido por cidadãos brasileiros e trataria das incompatibilidades, impedimentos e regime de inscrição. Ainda declarava que seriam membros do instituto todos que nos respectivos distritos exercessem legal e efetivamente a advocacia. O projeto não teve andamento. O império se extinguiria sem que fosse criada a Ordem dos Advogados.

Com a República, houve tentativas em 1904, em 1911 e, em 1915, o orador oficial do Instituto dos Advogados disse, em discurso:

"Entretanto, Senhores, não deixa de ser profundamente curioso que após setenta e dois anos de existência, não sejamos aquilo que já há muito deveríamos ter sido."

Novas tentativas de se criar a Ordem dos Advogados foram feitas. Sem êxito. Desta forma, também a República Velha se extinguiria sem que acontecesse a criação da instituição.

Apenas com a vitoriosa Revolução de 1930 - e instalado o Governo Provisório - seria criada, em 18 de novembro de 1930, a Ordem dos Advogados do Brasil pelo artigo 17 do Decreto 19.408.

(Fonte: OAB/RJ)

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PARA REFLETIR

Art. 3º O advogado deve ter consciência de que o Direito é um meio de mitigar as
desigualdades para o encontro de soluções justas e que a lei é um instrumento para garantir a igualdade de todos.
(Código de Ética e Disciplina da OAB)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

PANTA REI = TUDO MUDA





É um trabalho impressionante dos monges budistas que fazem as mandalas de sal colorido.

Feitas com o maior cuidado e com a maior dedicação, elas são desmanchadas logo depois de prontas para demonstrar a transitoriedade das coisas na vida, mesmo que elas exijam o maior esforço.

Assim é que nós devemos encarar o dia-a-dia. E sempre prontos para começar tudo de novo, se preciso for.

Perca o referencial de vez em quando.

Saia de sua zona de conforto.

Dê oportunidade ao imprevisível.

Nada é mais certo do que a incerteza.

As coisas têm o valor que nós damos a elas..

" Panta Rei" é uma expressão do pensador Heráclito,

que significa TUDO MUDA ( tudo flui, nada persiste ) -

e ele usava como metáfora filosófica a idéia de pisar num Rio,

que um milésimo de segundo depois de pisado,

já não era mais feito da mesma água.

A Saúde - A nossa maior dádiva!

A Oração - A solução para os dias atuais com a Terra em transição!

A PAZ - Busque-a na sua Energia Vital, no interior do seu ser!

O Amor - O elo, a razão e o entendimento para tudo!

O Perdão - A ascensão espiritual!

O Trabalho - É o nosso estímulo!

A Humildade - É a sabedoria!

O Orgulho - é a maior DOENÇA da ALMA!

sábado, 14 de novembro de 2009

COISAS QUE SE FORAM



De vez em quando me debruço sobre o passado para sentir a saudade das coisas boas que se foram e que não mais voltarão. Há pouco, próximo à estação de trem, lembrei-me do movimento intenso que víamos ali todos os dias. O vai e vem de carroças, caminhões e carreteiros levando tudo para o trem cargueiro. À noite, principalmente quando o trem de Fortaleza atrasava, grande movimento se fazia nas mercearias do seu Raimundo Carlos e Belmiro Venâncio, ali no beco da cachaça, ou no quiosque do Chico Soldado, iluminados pela luz forte de petromax, visto que a luz da Prefeitura só iluminava a cidade até as 22 horas.

Ouvia-se o barulho do trem durante as manobras se posicionando para a viagem do dia seguinte. Lembrei-me das bancas de café da dona Chaguinha e do seu Carneiro que vendiam panelada, café e cachaça, iluminadas por faróis e lamparinas e ali permaneciam por toda a noite. Fecho os olhos e lembro-me de um bule de café no fogareiro, a panelada servida à freguesia e, no ofício de carregar bagagens os carreteiros Gabriel, Antônio Pequeno Chagas Roldão, Lira, Cipriano e Marcelino. Eles também atuavam como despertadores das pessoas que iam viajar . Acordavam os clientes e conduziam suas bagagens à estação.

O silêncio da noite era quebrado pelo sino da estação anunciando as horas. Antes das quatro da madrugada eram acionadas as caldeiras da velha Maria Fumaça, abriam-se as bilheterias da estação, e o telegrafista Ananias iniciava a comunicação com outras estações utilizando o código morse. O movimento na estação ferroviária aumentava na proporção em que chegavam os viajantes para fazer o embarque de malas, caixões de madeira sacos, etc. Quando se abriam as portas dos vagões de primeira e segunda classe, os passageiros se posicionavam em poltronas ou cadeiras que se modificavam e permitiam que o passageiro viajasse olhando para frente ou para trás, conforme preferisse.

O trem fez história e trouxe o progresso para nós e para todas as cidades por onde passava. Em qualquer estação, proporcionalmente, o movimento era o mesmo, intenso e divertido. Até o início da década de 1960 a única alternativa de transporte para Fortaleza era o trem, pois não havia linha de ônibus aqui, e as rodovias eram carroçáveis e sem pontes, o que provocava atrasos nas viagens empreendidas por caminhões que, durante o inverno perdiam tempo esperando as águas dos rios baixarem para poder passar quando não se metiam em atoleiros.

O tempo passou e o progresso aos poucos foi chegando, trazendo facilidades e encurtando caminhos, porém, não se acaba em nós a saudade do trem tradicional que fez história em Crateús, como também em todo o País, desde os tempos do Visconde de Mauá.


(Por Flávio Machado, da Academia de Letras de Crateús)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

LIVROS EM ÁUDIO PARA PORTADORES DE DEFICIÊNCIA VISUAL

Prezados:

Tenho a seguinte relação de livros gravados em áudio (MP3).

São destinados a Portadores de Deficiência Visual.

Esse trabalho não fere a Lei do Direito Autoral, sendo garantida a divulgação sem ônus com essa finalidade.

Já distribuo esse material para várias instituições/audiotecas/bibliotecas em todo o Brasil, o que muito me honra.

Caso haja interesse, posso encaminhá-los a qualquer Instituição interessada, desde que sejam destinados exclusivamente a PDVs.

Trata-se de um trabalho voluntário. Dessa forma, não há nenhum custo para envio e gravação ou qualquer outro.

1. O PEQUENO PRÍNCIPE - ANTOINE DE SAINT EXUPÈRY
2. DOM QUIXOTE - MIGUEL DE CERVANTES (uma adaptação para o público infanto-juvenil)
3. ANIMORPHS - K A APPLEGATE (ficção científica infanto-juvenil)
4. HISTÓRIA DAS INVENÇÕES - MONTEIRO LOBATO
5. MENTES PERIGOSAS - ANA BEATRIZ BARBOSA SILVA
6. FELIZ ANO VELHO - MARCELO RUBENS PAIVA
7. OS 100 SEGREDOS DOS BONS RELACIONAMENTOS – DAVID NIVEN
8. COMÉDIAS DA VIDA PRIVADA – LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO
9. O SEGREDO – RHONDA BYRNE
10. CAPITÃES DE AREIA – JORGE AMADO
11. CASA DE PENSÃO – ALUÍSIO AZEVEDO
12. A VIDA ESCREVE – ESPÍRITO HILÁRIO SILVA, PSICOGRAFIA DE FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER E WALDO VIEIRA
13. O CHALAÇA - JOSÉ ROBERTO TORERO
14. DIVÃ – MARTHA MEDEIROS
15. 1968, O ANO QUE NÃO ACABOU - ZUENIR VENTURA
16. ANNA DE ASSIS – HISTÓRIA DE UM TRÁGICO AMOR – JEFERSON DE ANDRADE


Susana Atan Galan


susag@terra.com.br

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

CONJUNTURA NACIONAL

"NÃO SOU DEUS, MAS POSSO SER"

De um cantador das feiras do interior do nordeste arrematando o mote "Não sou Deus, mas posso ser", respondendo ao rival:

"O ano tem doze mês,
O dinheiro é quem faz guerra
Adão foi feito de terra,
Não se morre duas vez;
Um Reinaldo com dois reis
Não houve nem há de haver,
O homem não tem poder
De fazer outro feliz
Como é que este bruto diz:
Não sou Deus, mas posso ser?"

MÃO CHEINHA

Mão Cheinha era louco e muito querido no Ceará, conta Sebastião Nery. Um dia, levaram-no para o Sanatório Meduna, no Piauí. Mão Cheinha, muito vivo, acabou virando louco-chefe. Tomava conta dos outros e era respeitado por isso. No sanatório, havia um pé de mangueira que nunca dava fruta. Mão Cheinha achava que a mangueira tinha de produzir manga. Chamou oito loucos:

- Olha, minha gente, vocês todos são mangas maduras. Vão lá para cima. Quando eu gritar, as mangas vão caindo, porque manga madura cai. Manga madura sempre cai. Uma a uma. E chispem. Subam.

Os oito subiram. Mão Cheinha, de baixo do pé de mangueira, gritou:

- Manga um!

Pluf! O primeiro louco se esborrachou no chão aos gritos de "ai, ai, ai".

- Manga dois! Manga três! Manga quatro!

Iam se largando lá de cima e arrebentando-se cá embaixo. Gritos e mais gritos. O louco-chefe mandou:

- Manga sete!

Nada.

- Manga sete!

Nada.

- Manga sete, seu p...!

O sete respondeu:

- Mão Cheinha, chama manga oito, pois eu ainda estou verde!

A GRANDE DÚVIDA

A pergunta é recorrente: quem é o melhor candidato da oposição – José Serra ou Aécio Neves? Pois bem, responderei, antes dizendo que a análise leva em conta fatores e vetores da política, não preferências pessoais. Vejam. O ciclo Lula fará o possível para não perder as chances de eleger a(o) sucessora(or) do mandatário petista. Para tanto, fez e faz uma política voltada para preencher todos os espaços da pirâmide social. Demandas do A ao Z estão sendo preenchidas.

OS TIJOLOS DA PIRÂMIDE

Lula tem sido um mestre na arte de tapar buracos. Basta conferir. Bolsa Família (12 milhões de famílias), 46 milhões de brasileiros; Luz para Todos; Pronaf (Agricultura familiar), com 16 bilhões; Minha Casa, Minha Vida; redução do IPI para a linha branca e automóveis (subindo os degraus da pirâmide); auxílio bolsa estagiário; ProUni; Pré-Sal (simbolismo de Brasil Potência, auto-estima dos brasileiros); propaganda farta; máquina engordada com milhares de petistas em postos-chave da administração; Fundos de Pensão (só Previ dispõe de 200 cargos nas maiores empresas do país); Centrais Sindicais com os cofres cheios (R$ 116 milhões distribuídos só este ano); PAC, mesmo pobre de obras, mas com pulverização de serviços nas unidades federativas etc.

PLEBISCITO

Nunca na minha vida de consultor político, assisti a tamanha utilização e manipulação da máquina do Estado a serviço de um projeto eleitoral. O ciclo Lula vai querer – e não porque achar que não conseguirá – fazer a comparação entre os 8 anos de FHC e a era de prosperidade desenvolvida pelo lulopetismo. O eleitor decide sob a pressão do bolso, mais que sob a emoção. Pensará antes de dar seu voto: estou bem, prezo e defendo minha situação ou quero mudar? Essa pergunta será forte no ânimo eleitoral.

E O MENSALÃO?

Não haverá mensalão ou episódio de corrupção capaz de empanar os feitos do ciclo lulista. Até porque acho que o senador Eduardo Azeredo será inserido nas margens da crise do mensalão. Sob essa moldura, acho a eleição do governador paulista para presidente da República bastante difícil. Ao contrário, não tenho receio de dizer que a eleição estadual seria para José Serra um vôo tranqüilo; a eleição federal, um vôo muito arriscado.

QUEDA E SUBIDA

José Serra tende a cair nas pesquisas, até porque, hoje, seu alto índice de intenção de voto – que beira os 40% – reflete recall da alta visibilidade, de ontem e de hoje. E índice de recall não pode ser considerado seguro. Em uma campanha, valerá o índice da exposição e dos programas apresentados. Sempre pinço o exemplo de Gilberto Kassab. Como se recorda, ele, quando candidato, começou com 4%. Em abril de 2008, patinava baixo. Ganhou a campanha.

AÉCIO SOBE

Diante dessa moldura – ligeira, é claro – aconselho os leitores a uma reflexão. Aécio Neves não tem o que perder. Serra tem e muito. Se perder a campanha presidencial, encerra a carreira. A idade atrapalharia nova jornada. Aécio Neves poderia ser o candidato tucano, até porque tem o segundo colégio eleitoral do país nas mãos, o terceiro lhe seria simpático (Rio de Janeiro) e o nordeste poderia contar com um candidato que tem um pedaço do Estado sob o solo nordestino (o norte de Minas, Montes Claros está sob a égide da SUDENE).

MELHORES CHANCES

Por essa razão, vou à conclusão. O governador mineiro reúne o maior conjunto de fatores, condições e potenciais de crescimento. Quebraria a polarização entre os ciclos Lula e FHC. Racharia o PMDB de modo mais contundente como hoje o partido se apresenta. Já José Serra, pelo bom governo que realiza, teria condições efetivas de obter consagradora votação em São Paulo como candidato à reeleição. O momento da decisão não é agora. Pode ser que o quadro mude. E mude, até, a favor do governador paulista, de modo a destruir argumentos e posicionamentos que expressei acima.

HERMES, O BURRO

Depois de Nilo Peçanha, assume o governo o marechal Hermes da Fonseca (1910/1914). Levava fama de burro. Conta-se que nos 10 meses em que, sob o governo Hermes, o país viveu em estado de sítio, a Polícia proibiu que o jogo do bicho aceitasse palpite no burro. O burro poderia ser alusão ao marechal. Quem se der à tarefa de pesquisar os jornais da época, vai encontrar palpites nos outros 24 bichos da série, menos no burro.

1 MILHÃO DE EMPREGOS?

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anuncia com estardalhaço: o país criou um milhão de empregos. Nota triste de pano de fundo: nunca na história deste país, as relações do trabalho foram tão manietadas por uma gestão fechada, sob a égide de sindicatos e Centrais Sindicais que se movem à pecúnia.

DIANTEIRA

José Serra tomou decisão avançada. Assinou lei que estabelece como meta reduzir 20% da emissão de gases de efeito estufa em SP até 2020. Tomou a dianteira. Foi ousado. Serra tem dado bons exemplos.

ABANANDO A CABEÇA

Churchill estava sentado, sacudindo a cabeça de maneira tão vigorosa e perturbadora que o orador gritou exasperado:

- Quero lembrar ao nobre colega que estou apenas exprimindo minha própria opinião.

Churchill, raposa matreira, respondeu:

- E eu quero lembrar ao nobre orador que estou apenas abanando a minha própria cabeça.

QUADRO PAULISTA

Se José Serra não for o candidato à reeleição, em São Paulo, é mais provável que a vaga fique com Geraldo Alckmin. O ex-governador não é o candidato in pectore de Serra e de Kassab. Ambos, porém, são realistas. Se Geraldo for o perfil a sinalizar melhores condições de vitória, será ele o candidato. Aloysio Nunes Ferreira, o chefe da Casa Civil, poderia voltar à Câmara Federal. O vice de Alckmin caberia ao DEM e este, por sua vez, gostaria de indicar Guilherme Afif para compor a chapa.

CIRO UNE BASE

Da base oposicionista, em São Paulo, Ciro Gomes acena com o apoio do PT, PDT, PSB, PSL, PSC, PRB, PTN e PC do B. Por enquanto. Poderia agregar, ainda, PR, PP e parte do PTB. Ciro quer ser candidato ao governo e à presidência. A decisão será de Lula.

POVO É POVO

Alcides Carneiro veio ao Rio, procurou o coronel Massa, sogro do escritor José Lins do Rego, que foi chefe de Polícia na Paraíba e agora era senador.

- Sou apenas um jovem advogado. Mas, se o senhor me permite, acho que o senhor precisa dar um pouco mais de atenção ao povo.

- Ora, meu filho, esse negócio de povo ninguém entende mais do que eu. Povo só é povo quando é povo. Povo que não é povo não é povo.

QUÉRCIA E MICHEL

Orestes Quércia imagina que, até a convenção do PMDB, em junho, poderá reverter a atual tendência do partido na direção de uma aliança com a candidata do petismo/lulismo: Dilma Rousseff. Olhando para a frente, a leitura aponta para o fortalecimento da ministra da Casa Civil e consequente maior conjunto de forças a seu favor. Quércia, por exemplo, tem cerca de 60% dos convencionais de São Paulo contra 40% de Michel Temer. Daqui para a convenção, poderá, até, vir a perder a maioria em seu colégio eleitoral.

JUNG E O REI AFRICANO

Jung perguntou, uma vez, a um rei africano:

- Qual é a diferença entre o bem e o mal?

O rei meditou, meditou e respondeu às gargalhadas:

- Quando roubo as mulheres do meu inimigo, isso é bom. E quando ele rouba as minhas, isso é muito ruim.

SKAF VAI DE QUÊ?

Dúvida cruel: o presidente da FIESP, Paulo Skaf, vai de quê? De táxi, como candidato a deputado federal pelo PSB, ou de AeroSkaf, como candidato ao governo? O transporte dependerá de Ciro Gomes. Que, por sua vez, dependerá de Aécio Neves. Que, por sua vez, dependerá de José Serra. Que, por sua vez, dependerá do imponderável.

A LOIRA DA MINISSAIA

Geisy Villa Nova Arruda, 20 anos, estudante de turismo, é o pivô do caso mais estrambótico da história recente da discriminação no país. Mostrou as pernas, atiçou a turba, foi agredida e, pasmem, acabou sendo expulsa da Universidade por um dinossaurico reitor. Que mais parece réplica do Torquemada da Inquisição. E que, após muita pressão da Opinião Pública, recuou da decisão. A moça da minissaia abriu intensa polêmica. O affaire merece ligeira reflexão. Se fosse um marmanjo de cuecas, seria apupado? Se a galera aprecia pernas bonitas, por que o massacre? Não deveria ser aplaudida como em um desfile na passarela?

ELIAS CANETTI E A MASSA

Valho-me de Elias Canetti, o grande escritor e sociólogo, para buscar razões para a agressão. Pincemos características da turba. Massa exaltada. Que quer descarregar. Na descarga, diz Canetti, todas as separações são colocadas de lado. Todos se sentem iguais. Para atacar. Ferir. Apupar. Emerge um impulso de destruição. Que assume a forma de um ataque a todos os limites. A massa quer crescer. Até o infinito. O apupo se expande. O estado primitivo da massa chama a atenção. É o fogo da massa. A massa que incendeia julga-se irresistível. Tudo vai se incorporando a ela enquanto o fogo – o apupo – avança. A massa de fogo se expande. Sem limites.

GETÚLIO, EU FICO

Getúlio Vargas sempre conservou intenções continuístas. Um dia, foram procurá-lo para saber se era verdade. E ele:

- Não, meu candidato é o Eurico (marechal Eurico Gaspar Dutra); mas se houver oportunidade, eu mudo uma letra: Eu Fico.

CONSELHO A JOSÉ SERRA

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na edição passada, o espaço foi destinado à ministra Dilma. Hoje, volta sua atenção ao governador do Estado de São Paulo, José Serra:

1. Avalie com muita acuidade os potenciais de cada perfil, a partir do seu, alinhando os ouvidos com fatores positivos e negativos, sem considerar o palavrório farto dos áulicos.

2. Sua candidatura à reeleição é um pássaro na mão; a candidatura à presidência da República, em 2010, são dois pássaros voando.

3. Seja realista. O risco é maior se deixar para a última hora – maio/junho – a decisão de se candidatar. Dezembro/janeiro seria um tempo mais que suficiente.

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(Por Gaudêncio Torquato)

AUGUSTO DOS ANJOS

HOJE DIA 12 DE NOVEMBRO HÁ EXATOS 95 ANOS PASSADOS PARTIA O GRANDE POETA AUGUSTO DOS ANJOS.

PARA LEMBRARMOS, SEGUE ABAIXO PARTE DE UM SONETO AUGUSTIANO ANGÉLICO:

Idealização da Humanidade Futura


Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
– Homens que a herança de ímpetos impuros
Tornara etnicamente irracionais!

Não sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam! No húmus dos monturos,
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!

Como quem esmigalha protozoários
Meti todos os dedos mercenários
Na consciência daquela multidão...

E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação!

Augusto dos Anjos, in Eu, 1912

(Enviado por Vilemar F. Costa)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

OBSERVATÓRIO

Na campanha eleitoral de 1990, Manoel Veras e Sérgio Moraes polarizavam, no município de Crateús, a disputa por uma vaga à Assembléia Legislativa. Amigo de ambos, José Pereira de Sousa, o “Pereirinha”, figura leve e descontraída, encontrou uma solução para agradar os dois lados. Colocou em cada um dos bolsos os “santinhos” (fotos) dos dois candidatos. Quando encontrava partidários de Manoel Veras, ressaltava que era amigo de infância do candidato e puxava do bolso direito a foto de Veras. Ao se deparar com militantes de Sérgio, exaltava as virtudes do postulante e sacava do bolso esquerdo o ‘santinho’ do pleiteante. Certo dia, ao passar defronte à barbearia do senhor Joãozinho Freire, avistou Sérgio Moraes, que fazia a barba. Aproximou-se. Sabendo das peripécias de Pereira, Sérgio indagou incisivamente: - ‘E aí, Pereirinha, você está comigo mesmo?’ Nervoso, Pereirinha pôs a mão no bolso errado e respondeu, exibindo – sem se dar conta - a foto de Manoel Veras: - ‘Claro, meu chefe, inclusive ando sempre com o seu retrato prá fazer a propaganda’.


MUITOS NOMES

O Prefeito de Crateús, quiçá pensando no melhor para a sua gestão, laborou um gesto de sagacidade política que pode lhe trazer complicações: prometeu, para o pleito de 2010, apoio a vários candidatos a deputado federal diferentes. João Ananias está crente que será o nome oficial, ou seja, o mais votado no município. José Guimarães sonha sair de Crateús com algo em torno de dez mil votos. O comunista histórico Chico Lopes imagina que seu quinhão está assegurado. Gorete Pereira, pelas emendas que disponibilizou, está ciente que receberá uma resposta à altura dos ‘empenhos’ (em seu duplo sentido). Lúcio Alcântara, de quem o Prefeito sempre se disse ‘amigo’, acionou o filho Léo para viabilizar obras cuja contrapartida está apalavrada em retorno eleitoral. Como na política é difícil se agradar a vários senhores ao mesmo tempo, essa estratégia precisa ser reavaliada.

CÂMARA

Exemplo de quão complexa é a teia das articulações políticas foi o que ocorreu na Câmara Municipal. Visando obter maioria folgada, o Chefe do Executivo encetou um acerto político com um setor do PMDB local. Passou a contar com o voto de mais dois vereadores (Paulo Teles e Eudes) na sua pilastra de apoio. Resultado: dois integrantes de sua base original (Betinha e Nego do Bento) se rebelaram e se uniram aos três da oposição. No placar - como o Presidente só vota em caso de desempate ou em alguns casos de maioria qualificada – o resultado é cinco a quatro. Ou seja, trocou seis por meia dúzia.

ADMINISTRAÇÃO

Se o terreno político está minado por essas escaramuças, o pátio administrativo começa a reagir. Várias obras foram anunciadas como forma de reação ao desgaste. Os governos federal e estadual, de olho na refrega eleitoral vindoura, estão sendo generosos na liberação de recursos. E isso beneficiará, indubitavelmente, a Administração Municipal. Porém, o Município, para viabilizar a maioria dessas obras, tem que exibir contrapartida financeira. Ou seja, terá que comprovar dinheiro em caixa. E aí esbarra em outro inconveniente: disponibilidade financeira. Há muito tempo a Prefeitura sofre as agruras de viver sob o signo do aperto. As despesas crescem de maneira inversamente proporcional às receitas. Ao invés de tomar medidas corretivas e estancar essa crônica situação, a atual gestão a agravou. Alargou o já imenso ralo maior das despesas com pessoal, superando inclusive o limite legal estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Subiu, também, o volume de despesas correntes. Resultado: o déficit financeiro só aumenta. Segundo os balancetes, apenas com despesas empenhadas, a Prefeitura já registra um passivo superior a cinco milhões de reais.


A OPORTUNIDADE


Respaldado pelo maior tapete de apoio e entusiasmo popular que um candidato já obteve no município, o Prefeito assumiu as rédeas da Prefeitura com a faca e o queijo na mão. Soltou a faca e menosprezou o queijo. O sentimento generalizado que o levou à vitória sinalizava para uma alteração substantiva na forma de fazer política e, em especial, de gerenciar a coisa pública. Cansado das velhas práticas, o povo enxergou em Carlos Felipe o nome capaz de liderar uma revolução nos costumes políticos e na forma de administrar. E o que fez o Prefeito eleito, então? Ao invés de convocar a população para o grande debate e elaborar uma agenda agregadora sobre o essencial à municipalidade, enveredou pelo mesmo caminho que tanto criticou: reativou a roda da barganha política e repetiu os equívocos administrativos anteriores. Perdeu a oportunidade inicial. Como a esperança é imorredoura, espera-se que, ao cabo deste primeiro ano, seja feita uma auto-avaliação sincera e a rota, alterada.


NENEN

Por conta dos problemas acima e, sobretudo, porque inexiste um nome local competitivo, Nenen Coelho caminha célere para repetir ou superar a mesma vultosa votação para Deputado Estadual que obteve na eleição passada. Político habilidoso e disposto, Nenen, que já penetra com facilidade nas camadas populares, começa a fazer uma inflexão junto aos setores de classe média e à massa crítica do município, que sempre lhe foi hostil. Prova disso foi a sua presença, quinta-feira passada (05 de novembro), na solenidade de colação de grau das turmas da FAEC - Faculdade de Educação de Crateús. Ante um auditório superlotado, instou o Reitor da UECE, professor Araripe, a anunciar que estava destinando, através da sua cota de emenda individual, R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) para a FAEC. Foi ovacionado.

ACADEMIA

A Academia de Letras de Crateús (ALC) começa a saborear os primeiros frutos do seu trabalho. Inaugurou, no começo do mês, a sua página na internet: http://academiadeletrasdecrateus.blogspot.com/. Na reunião passada, deliberou que iria lutar com todas as forças para evitar a demolição da Biblioteca Pública Municipal Norberto Ferreira Filho (Ver Crônica ao lado). Na noite de sexta-feira (06.11), o acadêmico Lourival Veras recebeu uma ligação do vice-prefeito, Dr. Mauro Soares, comunicando que a administração municipal havia entrado em contato com o engenheiro responsável pelo projeto de reforma da Praça dos Pirulitos para que fosse suspensa a idéia de demolição da Biblioteca Municipal. Segundo o Vice-Prefeito, aquele prédio será preservado. Lourival credita esta vitória à Academia e aos esforços da família Norberto Ferreira.


PARA REFLETIR


"No Egito, as bibliotecas eram chamadas 'Tesouro dos remédios da alma'. De fato é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras." (Jacques-Bénigne Bossuet)


(Por Júnior Bonfim - na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro-Oeste)

BIBLIOTECA



As primeiras bibliotecas nasceram na Mesopotâmia cerca de 3.000 anos antes de Cristo, sob o húmus conceitual de guarda e manuseio de material escrito, que na época se constituía de placas de argila. Comenta-se que a biblioteca de Nínive, a primeira da história, chegou a abrigar mais de vinte e cinco mil dessas placas de argila. Depois, surgiram os rolos de pergaminho, os papiros... até chegarmos ao nosso atual papel.

“Diz-se que a alma das civilizações reside nas bibliotecas” – foi o que ouvi, mês passado, durante a solenidade de outorga da medalha Boticário Ferreira ao bibliófilo José Augusto Bezerra, meu confrade na Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, ao ser saudado pelo edil Paulo Facó, que acrescentou: “Amar os livros e construir bibliotecas figura entre as mais admiráveis propensões humanas”. Cícero, um dos maiores oradores da humanidade, asseverou: "Se tiveres um jardim perto da biblioteca, nada te faltará."

Sucede que esses espaços de ordenamento da sabedoria parecem se constituir verdadeiros afronta à insanidade humana, à ignorância feita arrogância, ao reinado do abuso e à fúria da ganância. É como se esses recintos que zelam a produção da virtude insuflassem permanentemente o embrutecimento das relações.

A mais famosa edificação de ordenação livresca e o maior referencial cientifico e cultural do Mundo Antigo, a biblioteca de Alexandria, era um lugar onde a jovem princesa Cleópatra, fascinada por leituras, se dirigia quase que diariamente a fim de revigorar o espírito. (Diferentemente do que muitos pensam, Cleópatra impressionava, além dos dotes físicos de beleza, pelo brilho cultural. E esse fulgor de sapiência foi decisivo na sedução ao imperador César). Pois bem, esse extraordinário espaço foi destruído pelo califa Omar.

A grande biblioteca de Atenas, a primeira de natureza pública que se tem ciência, foi saqueada por um rei Persa chamado Xerxes, também conhecido como Assuério.

Quando menino, mirava com admiração, ao lado da Catedral do Senhor do Bonfim, no meio da praça da matriz de Crateús, a Biblioteca Pública Municipal. (Inconscientemente, era como se estivéssemos relembrando a Grécia Clássica, onde as bibliotecas eram abrigadas nos templos). Um dia, a pretexto de se reformar e embelezar a praça, aquele prédio imponente e acolhedor foi destruído.

Passados vários anos, como que reparando o delito, um novo espaço foi erigido, juntamente com o Teatro Municipal, ao lado do Colégio Regina Pácis e da Casa de Cultura João Batista. Defronte à via de realização do carnaval popular, que faz da área o corredor cultural da urbe.

Teatro Rosa Morais, Biblioteca Norberto Ferreira Filho, o Ferreirinha. Justa homenagem ainda em vida a dois reitores da cultura e do saber, do magistério e da historiografia. Patrimônios da cidade.

Porém, a informação de que a Biblioteca Pública Municipal, na consecução do projeto de reforma da Praça na qual está inserida, poderia ser demolida, causou enorme comoção nos meios literários da cidade.

Seria mais uma contusão no miolo da cidadania, ainda ressentida, em sua sensibilidade ambiental, da derrubada de árvores centenárias na rua desembargador Olavo Frota. Cortar árvore e demolir biblioteca é como se esfaquear o coração cultural de uma comuna. É algo mais potencialmente lesivo do que uma mera dor física. Atinge os escaninhos da alma, o recôndito da consciência, a invisível gruta dos sentimentos.

Talvez lembrando da máxima de Samuel Johnson de que "nenhum lugar proporciona uma prova mais evidente da vaidade das esperanças humanas do que uma biblioteca pública" - a Academia de Letras de Crateús – ALC – tratou do assunto e constituiu uma comissão para fazer gestões no sentido de estancar essa descabida idéia.

O esforço vingou. A biblioteca, ao que se tem ciência, permanecerá incólume.

Do imbróglio poderemos extrair a lição: olhemos mais, vislumbremos melhor, aproveitemos mais a nossa modesta biblioteca. Pois, como bem ensinou Ralph Waldo Emerson: "Que imenso tesouro pode estar oculto em uma biblioteca pequena e selecionada! A companhia dos mais sábios e dignos indivíduos de todos os países, através de milhares de anos, pode tornar o resultado de seus estudos e de sua sabedoria acessíveis para nós."

(Por Júnior Bonfim - na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro-Oeste)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

AMANHÃ, MAIS UMA EDIÇÃO DO JORNAL GAZETA DO CENTRO OESTE

LOURIVAL VERAS


“O maior acontecimento de minha vida foi, sem sombra de dúvida, a biblioteca de meu pai”. Essa frase, comoventemente impactante e fascinantemente grandiosa, nasceu da boca do mais extraordinário poeta argentino, Jorge Luis Borges. Esse contagiante amor pelos livros acompanhou o escritor até os últimos dias de sua existência, quando já estava cego e dependente de amigos ou familiares que diariamente o realimentavam e rejuvenesciam através da leitura.

Em 1978, Borges completara vinte anos que havia perdido a visão. Fora convidado para proferir uma conferência na Universidade de Belgrano, em Buenos Aires. O tema? O LIVRO.

Cego – e só quem é privado da vista sabe a dimensão e a profundidade dessa experiência - Borges articulou ali uma das mais belas orações que conhecemos sobre o assunto. Ele, em pleno vôo de inventividade, espargindo a fertilidade imaginativa, recorre a figuras que sintetizam a sondagem do infinito e a captação das minúsculas partículas. Principia assim sua sinfonia reflexiva: “Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, sem dúvida, o livro. Os outros são extensões do corpo. O microscópio, o telescópio, são extensões da vista; o telefone é extensão da voz; temos o arado e a espada, extensões do braço. Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação”.

Em verdade, o livro liberta. Quem experienciou o gáudio de se relacionar com um bom enfeixe de folhas, sabe o olor revolucionário que dali exala.

Só capta o perfume libertário de um livro quem se deixa por ele envolver, num enlace de flerte, num lampejo de namoro, numa relação amorosa. Se, através da viagem singular e intima da leitura, descobrirmos o minério de paixão que o livro esconde, seremos capazes de rapidamente nos tornarmos ricos. Ricos, sim! Detentores daquele invejável patrimônio que sobrevive à corrosão das traças e ao desgaste do tempo.

Foi por isso que meu coração palpitou de alegria e minha alma se inebriou de satisfação quando o amigo Lourival Veras me enviou uma correspondência eletrônica avisando que, em Crateús, a SABi (Sociedade Amigos da Biblioteca Norberto Ferreira Filho) estava a desenvolver um Projeto batizado de “Circulando Livros”, uma inédita feira de livros combinada com a oferta de brindes culturais ao ar livre, tendo como lócus a área do anfiteatro da Praça da Matriz.

Porém, o mais auspicioso é que aquele convite/contato virtual me fez repassar, no trailer da memória, um período abrasado de minha vida. Fiquei relembrando o velho Lourival de guerras idílicas. Lourival Mourão Veras. Amigo com quem comparti muitos momentos de fosforescência intelectual e semeadura poética, que me provocou a deixar cair as escamas e me permitiu vislumbrar a lua de uma mulher noturna.

Carlos Drummond de Andrade, ao contemplar a plural singularidade do modus vivendi de Vinicius de Moraes, proclamou que ele tinha sido “o único poeta que viveu como poeta”.

Dos poetas crateuenses, Lourival é, talvez, o que mais tenha incorporado a mística essencial, a rota insana, o culto à desobediência e o fulgor telúrico que constituem a argamassa dos que renomeiam as coisas.

Abstenho-me hoje, como sempre faço nesta moldura louvativa, de alinhavar a cronologia existencial do referenciado, marcada pelos assombros espetaculares que quase invariavelmente acidentam a biografia dos transcendentais amantes da profundidade.

Pouco importa se foi ou é dirigente social, líder cultural, contista premiado, poeta laureado, fundador da Sabi e membro da Academia de Letras da terra natal.
O que é lisonjeiro, prestigioso ou elevado é que saboreou e saboreia vagarosa e intensamente a fruta da vida. Que se embrenhou pela vegetação das paixões arrebatadoras, percorreu a trilha íngreme das contestações, desceu à gruta secreta das novidades, tocou a pele selvagem do desejo, banhou-se na cachoeira do sonho e descobriu o olho d’água da fraternidade.

Sinto muito. Devo parar por aqui. De um poeta se deve evitar falar. Ante um poeta se deve silenciar, celebrar.

Ou lembrar Federico Garcia Lorca. Que, convidado para falar sobre poesia, limitou-se a estender as duas mãos abertas e dizer: “Eu não posso, eu não sei falar sobre poesia. Eu a tenho aqui em minhas mãos. Sei que está queimando minha pele. Porém, não sei o que é”.

Calemo-nos. Sintamos apenas o poeta. Ou a sua poesia. Queimando a sensibilidade da nossa pele, penetrando o recôndito da nossa alma, esparramando-se pelo córrego do nosso coração.

Aplausos à sociedade dos poetas vivos!

(Por Júnior Bonfim - publicado na Coluna "Gente Que Brilha" - da Revista GENTE DE AÇÃO)


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Amigo Júnior,

É costume meu acessar sempre seu blog, informar-me com quem entende dos assuntos de nossa cidade e país.

Jamais esperei fazer parte dele, e de uma forma tão carinhosa, tão repleta de sentimentos bons.

Embora envaidecido, sei que não sou merecedor. Credito isso ao amor que você sempre dedica aos filhos de nossa querida Crateús. Agradeço a lembrança.

E aproveito a oportunidade para agradecer também, e publicamente, todo o empenho que você tem dedicado à defesa da cultura de nossa cidade.

Obrigados (assim mesmo no plural).

Lourival Mourão Veras

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Júnior, depois da leitura do seu texto me aconteceu o seguinte:

"Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira."

[Carlos Drummond]

Karla Gomes

domingo, 8 de novembro de 2009

CONHECENDO O "SEU LUNGA"



Seu Lunga


Joaquim Rodrigues dos Santos (Caririaçu, 18 de agosto de 1927), mais conhecido como Seu Lunga, é um comerciante que se tornou conhecido no Brasil por seu temperamento forte.

Teve sete irmãos e viveu sua infância "no meio dos matos", afastado da cidade. O apelido lhe acompanha desde esta época, quando uma vizinha de sua família, que ele só identifica como preta velha, começou a lhe chamar de Calunga, que virou Lunga e pegou.

Começou a trabalhar na roça aos oito anos de idade, e admira a criação rígida que teve de seu pai, o que marca um aspecto psicossocial do homem Lunga.

Aos 16 anos mudou-se para Juazeiro do Norte, passando a ser ourives por dois anos. Depois começou a comercializar no Mercado Público da cidade e a trabalhar no comércio com sua loja de sucata.

Casado em 1951, teve treze filhos, que, apesar da pouca instrução, conseguiu manter-lhes pelo menos com a educação básica. A pouca instrução de "Lunga", por outro lado, não o impediu de candidatar-se a vereador da cidade de Juazeiro em 1988, eleição que não ganhou.


Alguns de seus "causos" (não sei quais são apócrifos ou não:

Seu Lunga estava na sua casa com sede. E manda seu sobrinho lhe trazer um pouco de leite. Daí o pobre do garoto
pergunta:
- No copo, Seu Lunga?
E seu Lunga responde:
- Não. Bota no chão e vem empurrando com o rodo, fi de rapariga!!!


O funcionário do banco veio avisar:
- Seu Lunga, a promissória venceu.
- Meu filho, pra mim podia ter perdido ou empatado. Não torço por nenhuma promissória.


Seu Lunga entrando em uma agropecuária.
-Tem veneno pra rato?
-Tem! Vai levar? - Pergunta o balconista.
-Não, vou trazer os ratos pra comer aqui!!! - responde seu Lunga.

Seu Lunga, no elevador (no subsolo-garagem). Alguém pergunta:
- Sobe?
Seu Lunga:
- Não, esse elevador anda de lado.


Seu Lunga vai saindo da farmácia, quando alguém pergunta:
- Tá doente, Seu Lunga?
- Quer dizer que seu fosse saindo do cemitério, eu tava morto???


Seu Lunga dava uma bela surra no filho e o menino gritava:
- Tá bom, pai! Tá bom, pai! Tá bom, pai!
- Tá bom? Quando tiver ruim, você me avisa, que eu paro.

O amigo de seu Lunga o cumprimenta:
- Olá, seu Lunga! Tá sumido! Por onde tem andado?
- Pelo chão, não aprendi a voar ainda...


Na década de 70, Seu Lunga chega num bar e fala pro atendente:
- Traz uma cerveja e bota o disco de Luiz Gonzaga pra eu ouvir!
- Desculpe seu Lunga, não posso botar música hoje...
- Mas por que??
- Meu avô morreu!
- E ele levou os discos, foi?

Durante a madrugada, a mulher do seu Lunga passa mal:
- Lunga! Ta me dando uma coisa...
- Receba!
- Mas é uma coisa ruim!
- Então devolva!!

O telefone toca. Seu Lunga:
- Alô!
- Bom dia! Mas quem está falando?
- Você!

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Olá Júnior,

Adoro esta ignorância engraçada reinante nas cidades do interior.

Cada cidadezinha tem um seu lunga a fazer suas graças, são figuras como estas que enriquecem e diferenciam as pequenas cidades.

Um abraço,

Dalinha