segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

EM 12 DE JANEIRO NASCEU RUBEM BRAGA


"Sempre tenho confiança de que não serei maltratado na
porta do céu, e mesmo que São Pedro tenha ordem
para não me deixar entrar, ele ficará indeciso
quando eu lhe disser em voz baixa:
"Eu sou lá de Cachoeiro..."

Na noite de segunda-feira, 17 de dezembro de 1990, o escritor Rubem Braga reuniu um pequeno grupo de amigos, cada vez mais selecionados por ele, na sua cobertura em Ipanema. Foi uma visita silenciosa, mas claramente subentendida pelos amigos Moacyr Werneck de Castro, Otto Lara Resende e Edvaldo Pacote. Às 23h30 da noite de quarta-feira, sedado num quarto do Hospital Samaritano, Rubem Braga morreu, sozinho como desejara e pedira aos amigos.

A causa da morte foi uma parada respiratória em conseqüência de um tumor na laringe que ele preferiu não operar nem tratar quimicamente.

Rubem Braga, considerado por muitos o maior cronista brasileiro desde Machado de Assis, nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, ES, a 12 DE JANEIRO DE 1913. Iniciou seus estudos naquela cidade, porém, quando fazia o ginásio, revoltou-se com um professor de matemática que o chamou de burro e pediu ao pai para sair da escola. Sua família o enviou para Niterói, onde moravam alguns parentes, para estudar no Colégio Salesiano. Iniciou a faculdade de Direito no Rio de Janeiro, mas se formou em Belo Horizonte, MG, em 1932, depois de ter participado, como repórter dos Diários Associados, da cobertura da Revolução Constitucionalista, em Minas Gerais — no front da Mantiqueira conheceu Juscelino Kubitschek de Oliveira e Adhemar de Barros.
Na capital mineira se casou, em 1936, com Zora Seljan Braga, de quem posteriormente se desquitou, mãe de seu único filho Roberto Braga.

Foi correspondente de guerra do Diário Carioca na Itália, onde escreveu o livro "Com a FEB na Itália", em 1945, sendo que lá fez amizade com Joel Silveira. De volta ao Brasil morou em Recife, Porto Alegre e São Paulo, antes de se estabelecer definitivamente no Rio de Janeiro, primeiro numa pensão do Catete, onde foi companheiro de Graciliano Ramos; depois, numa casa no Posto Seis, em Copacabana, e por fim num apartamento na Rua Barão da Torre, em Ipanema.

Sua vida no Brasil, no Estado Novo, não foi mais fácil do que a dos tempos de guerra. Foi preso algumas vezes, e em diversas ocasiões andou se escondendo da repressão.

Seu primeiro livro, "O Conde e o Passarinho", foi publicado em 1936, quando o autor tinha 22 anos, pela Editora José Olympio. Na crônica-título, escreveu: "A minha vida sempre foi orientada pelo fato de eu não pretender ser conde." De fato, quase tanto como pelos seus livros, o cronista ficou famoso pelo seu temperamento introspectivo e por gostar da solidão. Como escritor, Rubem Braga teve a característica singular de ser o único autor nacional de primeira linha a se tornar célebre exclusivamente através da crônica, um gênero que não é recomendável a quem almeja a posteridade. Certa vez, solicitado pelo amigo Fernando Sabino a fazer uma descrição de si mesmo, declarou: "Sempre escrevi para ser publicado no dia seguinte. Como o marido que tem que dormir com a esposa: pode estar achando gostoso, mas é uma obrigação. Sou uma máquina de escrever com algum uso, mas em bom estado de funcionamento."
Foi com Fernando Sabino e Otto Lara Resende que Rubem Braga fundou, em 1968, a editora Sabiá, responsável pelo lançamento no Brasil de escritores como Gabriel Garcia Márquez, Pablo Neruda e Jorge Luis Borges.

Segundo o crítico Afrânio Coutinho, a marca registrada dos textos de Rubem Braga é a "crônica poética, na qual alia um estilo próprio a um intenso lirismo, provocado pelos acontecimentos cotidianos, pelas paisagens, pelos estados de alma, pelas pessoas, pela natureza."

A chave para entendermos a popularidade de sua obra, toda ela composta de volumes de crônicas sucessivamente esgotados, foi dada pelo próprio escritor: ele gostava de declarar que um dos versos mais bonitos de Camões ("A grande dor das coisas que passaram") fora escrito apenas com palavras corriqueiras do idioma. Da mesma forma, suas crônicas eram marcadas pela linguagem coloquial e pelas temáticas simples.
Como jornalista, Braga exerceu as funções de repórter, redator, editorialista e cronista em jornais e revistas do Rio, de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife. Foi correspondente de "O Globo" em Paris, em 1947, e do "Correio da Manhã" em 1950. Amigo de Café Filho (vice-presidente e depois presidente do Brasil) foi nomeado Chefe do Escritório Comercial do Brasil em Santiago, no Chile, em 1953. Em 1961, com os amigos Jânio Quadros na Presidência e Affonso Arinos no Itamaraty, tornou-se Embaixador do Brasil no Marrocos. Mas Braga nunca se afastou do jornalismo. Fez reportagens sobre assuntos culturais, econômicos e políticos na Argentina, nos Estados Unidos, em Cuba, e em outros países. Quando faleceu, era funcionário da TV Globo. Seu amigo Edvaldo Pacote, que o levou para lá, disse: "O Rubem era um turrão, com uma veia extraordinária de humor. Uma pessoa fechada, ao mesmo tempo poeta e poético. Era preciso ser muito seu amigo para que ele entreabrisse uma porta de sua alma. Ele só era menos contido com as mulheres. Quando não estava apaixonado por uma em particular, estava apaixonado por todas. Eu o levei para a Globo... Ele escrevia todos os textos que exigiam mais sensibilidade e qualidade, e fazia isto mantendo um grande apelo popular."

Bibliografia:

CRÔNICAS:

- O Conde e o Passarinho, 1936
- O Morro do Isolamento, 1944
- Com a FEB na Itália, 1945
- Um Pé de Milho, 1948
- O Homem Rouco, 1949
- 50 Crônicas Escolhidas, 1951
- Três Primitivos, 1954
- A Borboleta Amarela, 1955
- A Cidade e a Roça, 1957
- 100 Crônicas Escolhidas, 1958
- Ai de ti, Copacabana, 1960
- O Conde e o Passarinho e O Morro do Isolamento, 1961
- Crônicas de Guerra - Com a FEB na Itália, 1964
- A Cidade e a Roça e Três Primitivos, 1964
- A Traição das Elegantes, 1967
- As Boas Coisas da Vida, 1988
- O Verão e as Mulheres, 1990
- 200 Crônicas Escolhidas
- Casa dos Braga: Memória de Infância (destinado ao público juvenil)
- Uma fada no front
- Histórias do Homem Rouco
- Os melhores contos de Rubem Braga (seleção Davi Arrigucci)
- O Menino e o Tuim
- Recado de Primavera
- Um Cartão de Paris
- Pequena Antologia do Braga

ROMANCES:

- Casa do Braga

ADAPTAÇÕES:

- O Livro de Ouro dos Contos Russos
- Os Melhores Poemas de Casimiro de Abreu (Seleção e Prefácio)
- Coleção Reencontro Audiolivro - Cirano de Bergerac - Edmond Rostand
- Coleção Reencontro: As Aventuras Prodigiosas de Tartarin de Tarascon Alphonse Daudet
- Coleção Reencontro: Os Lusíadas - Luis de Camões (com Edson Braga)

TRADUÇÃO:

Antoine de Saint-Exupéry - Terra dos Homens.

SOBRE O AUTOR:

- Na Cobertura de Rubem Braga - João Castello
- Rubem Braga - Jorge de Sá
- Rubem Braga - Um cigano fazendeiro do ar - Marco Antonio de Carvalho

No volume publicado, também de crônicas, "As Coisas Boas da Vida", em 1988, Rubem Braga enumera, no texto que dá título ao livro "as dez coisas que fazem a vida valer a pena". A última delas: "Pensar que, por pior que estejam as coisas, há sempre uma solução, a morte — o assim chamado descanso eterno".

(Dados obtidos em sítios da Internet, livros do autor e em trabalhos realizados por Luciano Trigo e João Máximo no jornal "O Globo").



QUEM FOI RUBEM BRAGA EM 20 PEQUENAS LIÇÕES

1 - EXCEÇÃO - Há mulheres tão lindas e estranhas que só acontecem pela madrugada em um grande aeroporto internacional.

2 - SILVA - Algumas pessoas importantes usaram e usam o nosso nome. É por engano. Os Silvas somos nós. Não temos a mínima importância. /A família Silva e a família de Tal são a mesma família. / Até as mulheres que não são de família pertencem à família Silva. / Nossa família faz pedra, faz telhas, laça os bois, levanta os prédios, conduz os bondes, o tapete do circo, enche os porões dos navios, dinheiro dos bancos, faz os jornais, serve no Exército e na Marinha. Nossa família é feito Maria Polaca: faz tudo

3 - CALÚNIA - Falar do inferno, por exemplo, é mau. Dante e outros espalharam muitas notícias falsas a respeito, e a pior delas é que para lá vão os culpados.

4 - DEFINIÇÃO - Entendo por vida o fato de um homem viver fumando nos três primeiros bancos e falando ao motorneiro.

5 - ATRAÇÃO - Nunca precisei usar sistematicamente o bonde Praia Vermelha, mas sempre fui simpatizante.

6 - DESENCONTRO - Quando vier a grande hora do nosso destino nós teremos saído há uns cinco minutos para tomar café. Vamos. Vamos tornar um cafezinho.

7 - DISCUSSÃO - Discutir com adjetivos é muito fácil.

8 - EGOCÊNTRICA - Ligue para minha casa, pergunte se eu estou, se não estiver diga que já vou, e se estiver diga para eu não sair.

9 - ESCOLHA - Devo confessar preliminarmente que, entre um conde e um passarinho, prefiro um passarinho. (Motivou o rompimento – empregado e patrão – entre Rubem e Chatô. O conde era o multimilionário Matarazzo)

10 - FRUSTRAÇÃO - Não sou cangaceiro por motivos geográficos e mesmo por causa do meu reumatismo.

11 - FÉ - Glória ao padeiro, que acredita no pão.

12 - INTIMIDADE - A gente sempre sabe, de um casal de amigos, um pouco mais do que cada um dos membros do casal imagina.

13 - MADRUGADA PAULISTANA - Boceja na rua o último cidadão que passou a noite inteira fazendo esforço para ser boêmio.

14 - OUTSIDERS - Eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis.

15 - POLIGLOTA - Falo francês como quem cospe pedras.

16 – RISCO - Sempre corro o perigo de cumprimentar efusivamente, quando encontro, de súbito, um desafeto qualquer: antes de me dar conta de quem se trata, eu o saúdo porque é uma cara conhecida.

17 - TESE - Filosofar é, antes de tudo, cuspir.

18 - TENTAÇÃO Nesta varanda alta, sobre os veículos e os transeuntes matinais, tenho a vontade insensata de fazer um discurso.

19 – CONTÁGIO - Devia ser com certeza uma dessas doenças que a gente adquire lendo Seleções e tem um nome tão interessante que dá vontade de mandar botar na cartão de visitas.

20 – DIPLOMACIA - Tomei o partido de falar pouco, beber muito e exprimir os tradicionais laços de amizade que ligam Cachoeiro de Itapemirim à Casa Branca.

sábado, 10 de janeiro de 2009



MAYSA

O BRASIL INTEIRO ESTÁ DISCUTINDO MAYSA. EIS UM POUCO SOBRE ESSA VANGUARDISTA:

* Maysa Figueira Monjardim nasceu no dia 6 de junho de 1936, no Rio de Janeiro.

* Maysa pertencia a uma família tradicional do Espírito Santo. Seu pai, Alcebíades Guaraná Monjardim, era advogado e boêmio.

* Maysa estudou em um colégio de freiras francesas.

* A música "Adeus" foi a primeira composição de Maysa, aos 15 anos.

* Casou-se com o milionário André Matarazzo, em 24 de janeiro de 1955. Na época, Maysa tinha 18 anos e André, 37. A cantora fez questão de que seu casamento fosse com separação total de bens.

* O casamento entrou em crise depois do lançamento do primeiro disco "Convite para ouvir Maysa", lançado em 1956. Ela se separou de André em 1958, em uma época em que o divórcio era considerado tabu pela sociedade brasileira.

* O único filho de Maysa e André, o diretor Jayme Monjardin Matarazzo, nasceu no dia 19 de maio de 1956. O diretor tinha 7 anos quando o pai morreu e Maysa decidiu mandá-lo para um colégio interno na Espanha - de onde só saiu aos 17 anos.

* Jayme Monjardin soube da notícia do falecimento da mãe por um programa de rádio. Ele tinha acabado de chegar de viagem quando tocou a música "Ouça" no rádio. Ao final da música, o locutor anunciou "Acaba de falecer a cantora Maysa".

* Em 1979, dirigiu o documentário "Simplesmente Maysa", sobre a vida da mãe. Sua estréia televisiva foi um especial sobre Maysa na TV Bandeirantes, em 1983.

* No dia 11 de fevereiro de 1958, Maysa tentou se matar, cortando o pulso esquerdo em uma banheira. Foi a terceira tentativa de suicídio da cantora.

* Dona de uma personalidade forte, a cantora protagonizou diversos escândalos pessoais, envolvendo bebedeiras, crises de depressão e brigas com outras celebridades.

* Maysa quebrou uma garrafa na cabeça de um homem que fez uma piada de mau gosto.

* Nos anos 60, Maysa jogou uma garrafa de uísque na cantora Elis Regina depois de uma discussão em uma boate. As duas cantoras tiveram uma relação conflituosa até o fim.

* Nos anos 50, Maysa foi estrela de dois programas televisivos - um na Record e outro na TV Rio.

* Com suas músicas tristes, Maysa era conhecida como "Rainha da Fossa". No exterior, seu apelido era "Condessa Descalça". A cantora tinha o costume de tirar os sapatos para cantar.

* Maysa foi uma das cantoras responsáveis por popularizar internacionalmente a Bossa Nova. Seu envolvimento com a Bossa Nova passou pelo relacionamento com o músico Ronaldo Bôscoli, compositor do gênero.

* A cantora fez participações especiais nas novelas "O Cafona"(1971) e "Bravo!"(1975).

* O poeta Manuel Bandeira escreveu um poema para Maysa, publicado em 1973 no livro "Estrela da Vida Inteira".

* Maysa morreu em um acidente de carro na ponte Rio-Niterói, no dia 22 de janeiro de 1977, aos 40 anos. Seu carro, uma Brasília azul, bateu em uma pilastra. Acredita-se que uma forte rajada de vento tenha feito Maysa perder o controle do automóvel.

* A última anotação feita por Maysa em seu diário particular, um mês antes de morrer, foi: "Tenho 40 anos, 20 de carreira. Sou uma mulher só. O que dirá o futuro?"

* A atriz gaúcha Larissa Maciel interpreta Maysa na minissérie que está no ar pela Rede Globo. O autor Manoel Carlos classificou o trabalho de Larissa como "impecável".

* Nascida no mesmo ano da morte de Maysa, a atriz chamou atenção do público pela incrível semelhança física com a cantora. Larissa Maciel declarou que nunca tinha se considerado parecida com a cantora e que a semelhança era mérito da equipe de caracterização.

* Diretor da minissérie "Maysa - Quando fala o coração", Jayme Monjardim é filho único da cantora com o empresário André Matarazzo. O papel do próprio Jayme na minissérie ficou a cargo de seus filhos - André Matarazzo, de 10 anos, e Jayme Matarazzo Filho, de 23. No início, o diretor foi contra a presença dos filhos no elenco, por considerá-la "nepotismo".

* A minissérie "Maysa - Quando fala o coração" estreiou no dia 5 de janeiro deste ano. O capítulo de estréia da minissérie deu recorde de ibope à Globo. A audiência oscilou entre 29 e 32 pontos, considerada a melhor estréia de uma minissérie da Globo nesta década.

Maysa - Ne me quitte pas

UM POEMA DE MANUEL BANDEIRA PARA MAYSA



Um dia pensei um poema para Maísa
“Maísa não é isso
Maísa não é aquilo
Como é então que Maísa me comove me sacode me buleversa me hipnotiza?

Muito simplesmente
Maísa não é isso mas Maísa tem aquilo
Maísa não é aquilo mas Maísa tem isto
Os olhos de Maísa são dois não sei quê dois não sei como diga dois Oceanos Não-Pacíficos


A boca de Maísa é isto isso e aquilo
Quem fala mais em Maísa a boca ou os olhos?
Os olhos e a boca de Maísa se entendem os olhos dizem uma coisa e a boca de Maísa se condói se contrai se contorce como a ostra viva em que se pingou uma gota de limão
A boca de Maísa escanteia e os olhos de Maísa ficam sérios
meu Deus como os olhos de Maísa podem ser sérios e como a boca de Maísa pode ser amarga!
Boca da noite (mas de repente alvorece num sorriso infantil inefável)”

Cacei imagens delirantes
Maísa podia não gostar
Cassei o poema.

Maísa reapareceu depois de longa ausência
Maísa emagreceu
Está melhor assim?

Nem melhor nem pior
Maísa não é um corpo
Maísa são dois olhos e uma boca
Essa é a Maísa da televisão
A Maísa que canta
A outra eu não conheço não
Não conheço de todo
Mas mando um beijo para ela.

(Manuel Bandeira in “Estrela da Vida Inteira”, 3ª edição, Livraria José Olympio Editora, 1973.)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

EXPRESSÕES LATINAS

• Pange, lingua, gloriosi/ Corporis mysterium - "Celebra, língua, o mistério do corpo glorioso" - S. Tomás de Aquino

• Parcere subjectis - "Poupar os vencidos" - Joaquim Nabuco

• Parce sepultis - "Poupa aos mortos" - Eça de Queirós

• Pari passu - "A passo igual" , "acompanhando lado a lado"

• Pars pro toto - "A parte pelo todo"

• Parturient montes, nascetur ridiculus mus - "As montanhas estão com as dores do parto, (mas) nascerá (apenas) um ridículo camundongo" - Versos de Horácio

• Parva domus, (sed) magna quies - "A casa (é) pequena, mas o sossego é grande"
• Parva, sed apta mihi, sed nulli obnoxia, sed non/ Sordida; parta meo sed tamen aere domus - "Pequenas, mas suficiente para mim, mas não dependente de ninguém, mas não imunda; entretanto (esta) casa (foi) adquirida com o meu dinheiro" - Inscrição redigida por Lodovico Ariosto

• Parvis componere magna - "Comparar (coisas) grandes às pequenas" - Virgílio

• Parvum parva decent - "Ao pequeno convêm coisas pequenas" - Horácio

• Pascendi - "De pascer" - Primeira palavra de uma encíclica do Papa Pio X

• Passim - "Aqui e ali"

GRANDES JULGAMENTOS EM PAUTA NO STF



Depois de um ano de relevantes decisões por parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal, 2009 não deve ser muito diferente. Temas de grande importância para a sociedade estão prontos para ser julgados pelo Plenário da Corte, a começar pela conclusão da demarcação da área indígena Raposa Serra do Sol/RR, previsto para voltar ao Pleno nas primeiras sessões de fevereiro.

Na seqüência, devem ser julgados pelo colegiado outros processos sobre áreas indígenas, matérias de Direito Tributário – ICMS na base de cálculo da Cofins, substituição tributária e o Simples Nacional, e temas sociais como cotas raciais, interrupção da gravidez de fetos anencéfalos, Lei de Imprensa, diploma para jornalistas, monopólio dos Correios e o poder de investigação do Ministério Público, entre tantos outros.

CAUSA INDÍGENA

Na análise da Petição 3388, oito ministros já se pronunciaram pela demarcação contínua da área da reserva indígena Raposa Serra do Sol, localizada no estado de Roraima. O ministro Marco Aurélio pediu vista do processo, e disse que pretende trazer seu voto no início de fevereiro de 2009. Ao concluir o julgamento, previsto para o começo do ano, os ministros devem discutir uma série de condições impostas pelo ministro Carlos Alberto Menezes Direito, e que podem nortear outros julgamentos sobre áreas indígenas, bem como sinalizar processos de demarcação em andamento no Poder Executivo.

Sobre o mesmo tema, o STF deve concluir, em 2009, a discussão sobre a demarcação da reserva indígena Caramuru Catarina Paraguaçu, no estado da Bahia, que envolve a etnia Pataxó Hã-hã-hãe. O julgamento da ACO 312 foi interrompido em setembro por um pedido de vista do ministro Menezes Direito.

É possível que, depois de concluído o julgamento da Raposa Serra do Sol, os processos que tramitam na Corte sobre demarcação de áreas indígenas sejam resolvidos com maior celeridade. Aguardam na fila, além da ACO 312, processos sobre a área indígena Parabure, em Mato Grosso (ACO 304) e Kaigang, no Rio Grande do Sul (ACO 469).

TRIBUTÁRIOS

Depois de deferir, em agosto de 2008, a liminar para suspender todos os processos que tramitam na Justiça sobre a legalidade da inclusão de ICMS na base de cálculo da Cofins, o Plenário prometeu julgar definitivamente a ADC 18, que discute a questão, em até 180 dias daquela data.

A discussão sobre a constitucionalidade da restituição de ICMS pago antecipadamente, no regime conhecido como substituição tributária, foi suspensa em fevereiro de 2007, com cinco votos para cada umadas teses. A questão, debatida nas ADIns 2675 e 2777, aguarda apenas o voto de desempate do ministro Carlos Ayres Britto.

O Simples Nacional, dispositivo do estatuto da microempresa que isenta micro e pequenas empresas do pagamento de contribuição sindical patronal, também está em discussão na Corte Suprema. Depois do voto do relator na ADI 4033, ministro Joaquim Barbosa, que considerou legal a contribuição questionada, votando pela improcedência da ação, o ministro Marco Aurélio pediu vista.

PODER DE INVESTIGAÇÃO DO MP

A competência – ou não –, do Ministério Público para realizar investigações em inquéritos criminais é uma questão que envolve muitos processos penais em tramitação em várias instâncias do país.

São muitos os habeas corpus que chegam ao Supremo, pedindo a nulidade de processos, alegando exatamente que o MP realizou investigações sem ter essa competência. A questão está em debate na Corte, tendo como "leading case" o HC 84548, ajuizado em favor de Sérgio Gomes da Silva – conhecido como "Sombra", acusado de ser o mandante do assassinato do ex-prefeito de Santo André/SP Celso Daniel, do PT.

Até o momento dois ministros se pronunciaram sobre o tema. O relator, ministro Marco Aurélio, considera que o MP não tem competência para realizar investigação. Já o ministro aposentado Sepúlveda Pertence votou no sentido contrário, entendendo que o MP tem como atribuição, também, realizar investigações. O julgamento deverá ser retomado com o voto-vista do ministro Cezar Peluso.

STF SOCIAL

Questões sociais continuam fazendo parte da agenda de decisões do STF em 2009. Depois de realizar uma audiência pública para ouvir a sociedade sobre a possibilidade de interrupção da gravidez de fetos anencéfalos, o ministro Marco Aurélio, relator da ADPF 54, chegou a dizer aos jornalistas, em diversas ocasiões, que pretendia levar a questão para julgamento pelo Plenário no final de 2008 ou no primeiro semestre de 2009.

A questão das cotas raciais incluídas no ProUni, para concessão de bolsas de estudo nas universidades públicas para estudantes negros, começou a ser discutida pelo Plenário em abril de 2008, com o voto do relator, ministro Carlos Ayres Britto.

Ele considerou constitucional o Programa Universidade para Todos, incluindo as cotas previstas para negros e índios e carentes. O julgamento deve ser retomado com o voto-vista do ministro Joaquim Barbosa.

Diversos dispositivos da Lei da Imprensa foram suspensos por 180 dias pelo Plenário do STF em fevereiro de 2008, no julgamento da medida cautelar na ADPF 130. Em setembro, os ministros prorrogaram por mais seis meses o prazo para que a Corte possa julgar o mérito da ação. Com essa decisão, ainda no primeiro semestre do ano o STF deve definir a situação da Lei 5.250/67.

Na decisão de fevereiro, o STF autorizou os juízes de todo o país a utilizar, quando cabível, regras dos Códigos Penal e Civil para julgar processos sobre os dispositivos da lei que foram suspensos. Ao todo, estão sem eficácia 22 dispositivos da Lei de Imprensa, entre artigos, parágrafos e expressões contidos na norma.

A necessidade de apresentação de diploma de jornalista para exercer a profissão em veículos de comunicação é o tema do RE 511.961, que já está pronto para ser levado a plenário. O relator do processo é o ministro Gilmar Mendes, que deferiu liminar na AC 1406 para manter em atividade os profissionais que já atuavam na área.

O chamado monopólio dos Correios, em discussão por meio da ADPF 46, também teve seu julgamento suspenso este ano. A ação questiona a constitucionalidade da Lei 6.538/78, que regulamenta os serviços postais no país. A intenção da Associação Brasileira de Empresas de Distribuição - Abraed é restringir o monopólio postal da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos à entrega de cartas, limitando seu conceito a papel escrito, envelopado, selado, enviada de uma parte a outra com informações de cunho pessoal, produzido por meio intelectual, e não mecânico.

Até o momento, os ministros Gilmar Mendes e Carlos Ayres Britto votaram pela manutenção de parte dos serviços sob exclusividade estatal e pela privatização de outros. O ministro Marco Aurélio, relator, é favorável à privatização do serviço postal. E a ministra Ellen Gracie julgou que o serviço postal deve ser mantido exclusivamente pela União, da mesma forma que os ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa e Cezar Peluso. Restam ainda quatro ministros para votar.

UNIÃO HOMOAFETIVA

Em 2009, outra questão de grande impacto social pode ser decidida pelo STF, na análise da ADPF 132, proposta pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, em março deste ano, sobre a questão da união homossexual. Cabral pede que o Supremo aplique o regime jurídico das uniões estáveis, previsto no artigo 1.723 do Código Civil, às uniões homoafetivas de funcionários públicos civis do estado.

Os mesmos direitos dados a casais heterossexuais devem ser dados aos casais homossexuais em relação a dispositivos do Estatuto dos Servidores Públicos Civis do Estado do Rio de Janeiro que tratam sobre concessão de licença, previdência e assistência (incisos II e V do artigo 19 e artigo 33 do Decreto-Lei 220/75), sustenta o governador fluminense.

OUTROS TEMAS

Além destes julgamentos, outros processos de grande relevância para o conjunto da sociedade podem chegar ao Plenário do Supremo Tribunal Federal. Entre eles, diversas ADIs contra a abertura de créditos orçamentários por meio de decretos, a constitucionalidade da chamada Lei Seca (ADIn 4103), que proíbe motoristas de dirigir sob o efeito de bebidas alcoólicas; a possibilidade do uso, no Brasil, de amianto (ADIn 4066 e 3357); a possibilidade de importação de pneus usados (ADPF 101); e a constitucionalidade da Lei de Interceptações Telefônicas (ADIn 4112) e da prisão temporária (ADIn 4109).


Fonte : STF

STJ PROMETE JULGAMENTOS DE GRANDE REPERCUSSÃO



Com a abertura do novo ano judiciário prevista para o próximo dia 2 de fevereiro, o STJ se prepara para realizar julgamentos de interesse da sociedade brasileira. Processos como o do Idec, no qual ele busca garantir o direito de pedir coletivamente desconto em mensalidades escolares, e o do empresário russo Boris Abramovich Berezovsky, tentando impedir a remessa de dados de seu computador para a Federação Russa, estão previstos para entrar em pauta logo no primeiro semestre.

Alguns novos temas envolvendo a Lei dos Recursos Repetitivos também estão na expectativa de julgamento ainda nos primeiros meses de 2009, como o exame, pela Corte Especial, do processo que trata da legitimidade da transferência de precatórios.

Confira o que vem por aí.

PRECATÓRIOS

A legitimidade das operações de compra e venda de precatórios está próxima de ser definida pela Corte Especial do STJ. O colegiado vai julgar um processo em que se discute a legalidade da transferência dos títulos mesmo sem a concordância do poder público. Na disputa, um posto de gasolina paulista recorreu para obter o reconhecimento de legitimidade na aquisição de um precatório expedido contra a caixa beneficente da Polícia Militar do estado. O caso foi declarado como "repetitivo" nos termos da Lei n. 11.672/2008. A relatora é a ministra Maria Thereza de Assis Moura (REsp 1091443).

AQUISIÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS

A Primeira Seção do STJ vai julgar recurso no qual o BCN e Bradesco S/A discutem a legalidade da decisão do Cade que determinou a aplicação complementar da Lei Bancária (4.595/65) e da Lei Antitruste (8.884/94). Para ambos os bancos, o Cade não teria competência para analisar operações de aquisição de instituições financeiras. É o primeiro recurso que discute a compra de um banco por outro. A relatora do processo é a ministra Eliana Calmon (REsp 1094218).

SERVIDOR

A Terceira Seção do Tribunal vai examinar um mandado de segurança impetrado pelo Sindsep que questiona a legalidade de portarias do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão que permitiram a contratação, sem concurso público, de quase cinco mil servidores. Segundo argumenta o Sindsep, as portarias violam os preceitos constitucionais que regulamentam esse tipo de seleção e o termo de conciliação judicial celebrado entre o Ministério Público do Trabalho e a Advocacia Geral da União. Em sua defesa, o Ministério afirma que as contratações temporárias somente foram permitidas no caso de situações excepcionais, transitórias e de interesse público e não para preenchimento de cargos permanentes da Administração Pública. O relator é o ministro cearense Napoleão Nunes Maia Filho (MS 13779).

IDEC

O instituto pede que seja declarada a sua legitimidade para propor ação com o objetivo de obter desconto em mensalidades escolares para pais que tenham mais de um filho na mesma escola. A ação é contra os colégios Pio XII e Aquarius, de São Paulo. O relator do caso, ministro Luís Felipe Salomão, da Quarta Turma do STJ, votou pela legitimidade do Idec, entendendo que se trata de interesse individual homogêneo, alcançado pelo CDC e passível de ação civil pública. O ministro João Otávio de Noronha pediu vista (REsp 184986).

CHIMPANZÉS

O proprietário e fiel depositário de dois chimpanzés (Lili e Megh) Rubens Forte recorreu ao STJ contra a decisão do TRF3 que determinou fossem os animais retirados do cativeiro e introduzidos na natureza. Ao julgar o caso, o relator, ministro Castro Meira, da Segunda Turma, disse ser incabível a impetração de habeas-corpus em favor de animais, admitindo a concessão da ordem apenas para seres humanos. O processo está com o ministro Herman Benjamin (HC 96344).

PATENTES

O pedido de vista do ministro Ari Pargendler interrompeu o julgamento, pela Terceira Turma do Tribunal, de uma disputa judicial entre o INPI e a empresa DuPont, que tenta reconhecer a vigência do prazo de 20 anos da patente de um herbicida utilizado na soja, depositada em 1983. A relatora, ministra Nancy Andrighi, entendeu que a vigência de 20 anos só é dada às patentes concedidas após a criação da Lei n. 9.279/96 (. O recurso é da empresa (REsp 960728).

BORIS ABRAMOVICH

O empresário russo pede a suspensão de uma decisão da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo que autorizou o envio das cópias do hard disk de seu computador para a Federação russa. Ele responde a processo por lavagem de dinheiro e pelo investimento da MSI no Sport Club Corinthias Paulista. Para o ministro Teori Albino Zavascki, relator, a cooperação internacional é um instrumento importante no controle da criminalidade, sendo legal a concessão do pedido feito pelo Ministério russo. O processo está com o ministro Ari Pargendler, na Corte Especial do STJ (RCL 2645).

ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA

A Quarta Turma do STJ começou a discutir alienação fiduciária decorrente da aquisição de um veículo, utilizado em sua atividade profissional, que apresentou defeitos. A compradora pleiteou a rescisão dos contratos de compra e venda e também o de financiamento. Em primeira instância, o pedido foi julgado procedente para condenar o banco e a concessionária, solidariamente, a restituir o valor de todas as parcelas de financiamento à compradora, inclusive as que venceram durante o trâmite do processo. Além disso, condenou a concessionária ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil.

O TJ/DF manteve a sentença. No STJ, o relator, ministro João Otávio de Noronha, declarou válido e eficaz, em todos os seus efeitos, o contrato de financiamento celebrado entre o banco e a compradora. O ministro Fernando Gonçalves pediu vista do processo (REsp 1014547).

TV MANCHETE

A Rede TV (TV Omega) pode ser considerada sucessora da extinta TV Manchete ou está isenta de qualquer ônus ou dívida trabalhista? A discussão ocorre em dois conflitos de competência que chegaram à Segunda Seção do STJ. Para o relator, ministro Fernando Gonçalves, não cabe ao Tribunal nem a outro ramo de jurisdição, inclusive trabalhista, pretender alterar o pronunciamento da Justiça carioca – já confirmado pelo STF – no sentido de reconhecer a ausência de responsabilidade da TV Omega quanto aos débitos trabalhistas e tributários, já que não há a chamada sucessão de empresas. O ministro Massami Uyeda pediu vista (CC 91276; CC 90009).

APOSTA EM TURFE

A Terceira Turma do Tribunal começou a discutir se a dívida oriunda de aposta em turfe feita por telefone após concessão de empréstimo ao jogador pode ser cobrada em juízo. Segundo a relatora, ministra Nancy Andrighi, a questão traz peculiaridades ainda não abordadas pelos precedentes do STJ. Os ministros Massami Uyeda e Sidnei Beneti divergiram da relatora, que entendeu ser uma prática claramente abusiva o Jockey Club conceder empréstimo ao jogador, sendo vedada pelo CDC. Assim, a ministra pediu vista regimental do processo (REsp 1070316).

USUCAPIÃO

O pedido de vista do desembargador federal convocado Carlos Mathias interrompeu a discussão, pela Quarta Turma, se imóvel originariamente pertencente à União e posteriormente incorporado pela Rede Ferroviária S.A. estaria ou não sujeito ao usucapião. Para o relator, ministro Luís Felipe Salomão, uma vez desativada a via férrea e, conseqüentemente, afastado o bem de sua destinação de interesse público, o que ficou comprovado nos autos, o imóvel perdeu o caráter especial, motivo pelo qual passou a ter natureza de bem particular pertencente à sociedade de economia mista, portanto passível de usucapião (REsp 242073).

Fonte STJ

sábado, 3 de janeiro de 2009

SABER VIVER


Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar.

(Cora Coralina)

Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985) foi uma poetisa e contista brasileira.

Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.
Filha de Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto, desembargador nomeado por D. Pedro II, e de Jacinta Luísa do Couto Brandão, Ana nasceu e foi criada às margens do rio Vermelho, em casa comprada por sua família no século XIX, quando seu avô ainda era uma criança. Estima-se que essa casa foi construída em meados do século XVIII, tendo sido uma das primeiras edificações da antiga Vila Boa de Goiás.

Começou a escrever os seus primeiros textos aos quatorze anos de idade, publicando-os nos jornais locais apesar da pouca escolaridade, uma vez que cursou somente as primeiras quatro séries, com Mestra Silvina. Publicou nessa fase o seu primeiro conto, Tragédia na Roça.

Casou-se em 1910 com o advogado Cantídio Tolentino Bretas, com quem se mudou, no ano seguinte, para o interior de São Paulo. Viveria no estado de São Paulo por quarenta e cinco anos, inicialmente nas cidades de Avaré e Jaboticabal, e depois na cidade de São Paulo, para onde se mudaria em 1924. Ao chegar à capital, teve que permanecer algumas semanas trancada num hotel em frente à Estação da Luz, uma vez que os revolucionários de 1924 haviam parado a cidade. Em 1930, presenciou a chegada de Getúlio Vargas à esquina da rua Direita com a praça do Patriarca. Um de seus filhos participou da Revolução Constitucionalista de 1932.

Com a morte do marido, passou a vender livros. Posteriormente mudou-se para Penápolis, no interior do estado, onde passou a produzir e vender lingüiça caseira e banha de porco. Mudou-se em seguida para Andradina, até que, em 1956, retornou para Goiás.

Ao completar cinqüenta anos de idade, a poetisa relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como "a perda do medo". Nesta fase, deixou de atender pelo nome de batismo e assumiu o pseudônimo que escolhera para si muitos anos atrás.
Durante esses anos, Cora não deixou de escrever poemas relacionados com a sua história pessoal, com a cidade em que nascera e com ambiente em que fora criada.

Cora Carolina morreu em Goiânia. A sua casa na Cidade de Goiás foi transformada num museu em homenagem à sua história de vida e produção literária.

CARTA DE ANO BOM



Entre um ano que se vai
E outro que se inicia,
Há sempre nova esperança,
Promessas de Novo Dia...

Considera, meu amigo,
Nesse pequeno intervalo,
Todo o tempo que perdeste
Sem saber aproveitá-lo.

Se o ano que se passou
Foi de amargura sombria,
Nosso Pai Nunca está pobre
Do pão de luz da alegria.

Pensa que o céu não esquece
A mais ínfima criatura,
E espera resignado
O teu quinhão de ventura.

Considera, sobretudo
Que precisas, doravante,
Encher de luz todo o tempo
Da bênção de cada instante.

Sê na oficina do mundo
O mais perfeito aprendiz,
Pois somente no trabalho
Teu ano será feliz.

Não esperes recompensas
Dos bens da vida terrestre,
Mas, volve toda a esperança
A paz do Divino Mestre.

Nas lutas, nunca te esqueça
Deste conceito profundo:
O reino da luz de Cristo
Não reside neste mundo.

Não olhes faltas alheias,
Não julgues o teu irmão,
Vive apenas no trabalho
De tua renovação.

Quem se esforça de verdade
Sabe a prática do bem,
Conhece os próprios deveres
Sem censurar a ninguém.

Ano Novo!... Pede ao Céu
Que te proteja o trabalho,
Que te conceda na fé
O mais sublime agasalho.

Ano Bom!... Deus te abençoe
No esforço que te conduz
Das sombras tristes da Terra
Para as bênçãos de Jesus.

(Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier)

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

UM ILUMINADO E PACÍFICO ANO NOVO!!!





FELIZ ANO NOVO

FELIZ AÑO NUEVO

FELIZ ANINOVO

FELICE NUOVO ANNO

GLÜCKLICHES NEUES JAHR

NYTAR

FELICIGAN NOVAN JARON

HEUREUSE NOUVELLE ANNÉE

SHANÁ TOVÁ

HAPPY NEW YEAR

AKEMASHITE OMEDETOU GOZAIMASU

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

RECEITA DE ANO NOVO


(Carlos Drummond de Andrade)

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)


Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

ORAÇÃO DO JOVEM INQUIETO



Querido Jesus, sou um jovem razoável,
Tão razoável quanto as pedras regulares.
Isto me desagrada. Não aceito este destino.

Quero, Senhor, mãos fraternais, voz penetrante, olhos atraentes,
Mente luminosa, raízes profundas, espírito novo, corpo pascal!

Quero que em meu punho fechado brilhe
A força pura para atravessar o tempo escuro,
A coragem ardente para romper os tabus.

Quero que a minha linguagem
Seja cortante como as facas,
Partindo no meio as contradições
E revelando a essência da vida.

Menino Jesus, quero que meus olhos
Derramem uma ternura tão vasta quanto o Oceano,
Porque os pobres são inumeráveis.
E eles precisam muito de ternura.

Poeta do Pai, que no céu dos meus pensamentos
Voe o Pássaro Sagrado do Evangelho,
Cantando a profunda canção do firme amor.

Árvore da vida, que minhas raízes
Perfurem o chão da vida dos Oprimidos,
Que suba em meu caule a seiva nova do combate,
A valente esperança prá resistência,
E que em plena batalha
No jardim do meu coração brotem flores,
Flores azuis de liberdade,
Rosas vermelhas de revolução!

(Júnior Bonfim, in Poesias Adolescentes e Maduras)

domingo, 28 de dezembro de 2008

HOJE É O DIA DO ANIVERSÁRIO DE RIO BRANCO, CAPITAL DO ACRE








A mais populosa cidade do Acre (com mais da metade da população do Estado) foi fundada em 28 de dezembro de 1882 pelo cearense Neutel de Maia. A princípio o lugar recebeu o nome de Seringal Empresa e, em 1904, elevou-se à categoria de vila, ao tornar-se sede do departamento do Alto Acre.

Em 1909, seu nome foi mudado para Penapólis, em homenagem ao então presidente Afonso Pena, para em 1912 receber definitivamente a denominação de Rio Branco, numa forma de homenagear o chanceler brasileiro Barão do Rio Branco.

Tornou-se município no ano de 1913 e em 1920, capital do território do Acre. Em 1962, é elevada à posição de capital do estado.

Cortada pelo rio Acre, que divide a cidade em duas partes – 1o e 2o distritos – Rio Branco é hoje o centro administrativo, econômico e cultural da região.

ÀS MARGENS DO RIO ACRE

Rio Branco foi uma das primeiras cidades a surgir às margens do rio Acre – margem direita especificamente. Conta a lenda que, em fins de 1882, uma frondosa árvore, a Gameleira, chamou de tal forma a atenção de exploradores que navegavam pelo rio, que eles resolveram abrir novos seringais por ali.

Aquela mesma Gameleira, que viria a ser testemunha da luta entre revolucionários acreanos e tropas bolivianas, presenciou também o fim da disputa, que tornou o Acre parte do Brasil, no início do século XX.

Com a ação diplomática do chanceler brasileiro, Barão do Rio Branco, resultando na assinatura do Tratado de Petrópolis, a recém chamada “Villa Rio Branco” firmou-se como o principal centro urbano de todo o vale: o mais rico e produtivo do território do Acre.

AS DUAS MARGENS

A rua surgida a partir da Gameleira, na margem direita do rio Acre, era o centro da vida comercial e urbana, onde se encontravam bares, cafés, cassinos e os principais representantes do comércio em geral, como também as famílias da elite, formada por profissionais liberais e funcionários públicos.

Com o tempo, a administração política do território foi sendo transferida para a margem esquerda do rio, mais alta e sem inundação. Mesmo assim, a direita permanecia como pólo comercial da cidade.

Foi a partir da década de 50 que a margem direita passou a viver um processo de decadência econômica, passando a ser chamada de 2o distrito, enquanto a margem esquerda (1o distrito) atraiu cada vez mais para si as casas comerciais, as principais repartições públicas e as famílias mais importantes do lugar.

PONTOS TURÍSTICOS

Horto florestal – possui algumas espécies da flora amazônica, além de um lago de 50 metros de extensão e locais para piqueniques. Ambiente bucólico numa área de 17 hectares.

Parque Ambiental Chico Mendes – 52 hectares de floresta e lazer. Metade do parque é de vegetação exuberante e fauna diversificada. A outra parte é composta de equipamentos adequados de diversão e turismo. Na floresta, as trilhas são ideais para uma relaxante caminhada.

Parque Zoobotânico – o parque fica no Campus da Universidade Federal do Acre/UFAC e desenvolve inúmeras atividades voltadas para o estudo, manejo, preservação e reposição de fauna e flora regionais. Contém, além de um trecho de floresta virgem, diversas espécies vegetais da floresta tropical.

Rio Acre – nasce no Peru, desemboca no Rio Purus (Amazonas) e banha a cidade de Rio Branco, dividindo-a em dois distritos. Suas águas barrentas e piscosas são propícias para banhos e esportes náuticos no período que vai de julho a setembro. Ao longo do seu curso, formam-se nessa época várias praias, como a Praia do Amapá e a Praia do Riozinho do Rolo, entre outras.

Parque Capitão Ciríaco – localizado no 2o distrito de Rio Branco, o parque tem dezenas de seringueiras nativas e espécies da flora amazônica. É bastante visitado pela comunidade local.

(Fonte: www.ibge.br)

OS ESTATUTOS DO HOMEM

Em louvor à Amazônia, posto hoje este poema de um cantor tão amplo quanto o Rio Amazonas.

O poeta Amadeu Thiago de Mello, nasceu em 30/3/1926, na cidade de Barreirinha, Amazonas. Foi preso político e exilado no Chile, quando escreveu "Estatutos do Homem". Traduziu Pablo Neruda, Ernesto Cardenal, Cesar Vallejo, Nícolás Guillén. Prêmio Jabuti 2001 com "Campo de Milagres".

O poema "Os Estatutos do Homem" se consagrou como um dos mais famosos da literatura brasileira. O grande poeta chileno Pablo Neruda - profundamente comovido pelos Estatutos, traduziu-os de maneira única e maravilhosa.

Esta poesia é uma afirmação dos valores eternos do homem, da fé no amanhã, da confiança na alegria, da vocação pela paz.

É prá ler, internalizar e praticar!



OS ESTATUTOS DO HOMEM (ATO INSTITUCIONAL PERMANENTE)
A Carlos Heitor Cony


Artigo I

Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II

Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III

Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV

Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:

O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V

Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI

Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII

Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII

Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX

Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X

Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI

Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII

Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:

Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII

Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.

Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.


Thiago de Mello em Santiago do Chile, abril de 1964

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL!

GENTE QUE BRILHA - ANTONIO DOS SANTOS



Outro dia, no aeroporto Juscelino Kubistchek, em Brasília, deparei-me com a inconfundível figura do conterrâneo. Com seu olhar entusiasmado e jeito extrovertido, me cumprimenta e diz para o doutor Wilson Vicentino, que estava ao seu lado: - “Wilson, o pai dele, Jesomar, votou comigo; ele, não. Mas... nunca soube deste rapaz falando mal de mim!”

Este é Antonio dos Santos Soares Cavalcante, um sujeito que ejeta cometas de bom humor por onde passa, que faz da leve e envolvente ironia um pão de todo dia, que impressiona pela entonação solene da voz, que vive com a alma permanentemente em festa. Em verdade, quem aperta sua mão sem a luva do preconceito ideológico, descobre que está diante de uma criatura do bem e da paz, da concórdia e da alegria. É presença requisitada em significativas rodas da sociedade fortalezense.

Até hoje inexiste registro de outro parlamentar crateuense com vida eleitoral tão portentosa quanto Antonio dos Santos. Enquanto foi candidato, obteve êxito em todas as refregas. Encarnando uma harmoniosa combinação de estrela popular e carismático pastor de massas, Santos desenvolveu um discurso intimista e parabólico que se hospedava com facilidade no coração da gente simples de sua terra. Desde 1970, quando pela vez primeira abiscoitou um assento no Legislativo Estadual, foi sempre se reelegendo com votação crescente. No inicio da década de 1980, ocupou galantemente a Presidência da Assembléia e, por interinidade, segurou nas mãos o leme do Governo Estadual. Em 1990, substituindo o sogro Furtado Leite, foi guindado duas vezes à Câmara Federal.

Dessa época, recordo-me de um episódio que se deu conosco. Andando pelos corredores do Congresso, ouvi sua voz forte: - ‘Júnior Bonfim, meu conterrâneo! Como vai você? Dê-me o prazer de uma visita ao meu gabinete!’ - instigou de braços abertos. Em lá chegando, fez uso da loquacidade característica e argumentou: - Júnior, eu não espicho bode na feira, eu não tenho máquinas para fazer estradas, não possuo firma de construção. A única coisa que sei fazer é política. Por isso, me sinto bem quando vejo uma pessoa da minha terra. Fique à vontade. O que quiser dispor de mim pode falar. Confirmei ali a essência desse ser gregário por natureza, amante da boa conversa, apreciador de rodas de bate papo, escravo da liberdade de conviver. (Outro dia, encontrei-o numa caminhada matinal pela beira-mar e confirmei essa qualidade que ainda cultiva. Diferentemente da maioria dos transeuntes, que caminhavam ou corriam sem se importar com o que se passava ao derredor, Santos parava para cumprimentar conhecidos, indagava ao vendedor se o queijo ali exposto era tão gostoso quanto o que vinha da região de Crateús etc...).

Esse magnetismo arrebatador é uma marca inata do filho do comerciante João Melo e D. Leonor, respeitado casal da ribeira do Poty. Desde quando fitou este mundo originalmente em primeiro de novembro de 1943, Dos Santos foi bafejado pela celestial aura da agregação. Ainda na fase infanto-juvenil, como a maioria dos filhos bem-nascidos da cidade, foi enviado ao Seminário Menor de Sobral. Já na auto-apresentação inicial, destacou-se pelo jeito desconcertantemente agradável. Magérrimo e narigudo, postou-se imponentemente na frente de D. José Tupinambá da Frota e proclamou: “Eu sou Antonio dos Santos Soares Cavalcante. O mais feio, porém o mais inteligente!” Entrava já conquistando a todos, inclusive o severo prelado. Quando deixou o Seminário, ingressou na Faculdade de Direito. Durante as férias, cativou a juventude crateuense comandando um programa na Rádio Educadora denominado “Alô, Brotos!” Daí, foi um passo para aportar no território complexo da política, para onde levou também a figura do candidato cantor.

A versatilidade para contornar as situações mais embaraçosas é uma marca registrada sua. Juarez Leitão conta que, na condição de Deputado e buscando melhoramentos, engendrou uma peripécia que foi batizada de a presepada do queijo: Certa verba, destinada à construção de um hospital, estava dependendo da assinatura de um figurão da república para ser liberada. Dada a demora, Antonio teve que apelar para o método do queijo. Preparou uma boa quantia de dinheiro num pacote e cortou um queijo de igual tamanho, embrulhando-o num papel idêntico. Fez uma visita ao funcionário levando os dois pacotes e, no meio da troca de simpatias, disse que lhe trouxera de presente um queijo, pequena amostra da produção leiteira de sua terra. Despediu-se e entregou nas mãos do doutor o pacote do “agrado”, saindo com o do queijo. Deixou passar dois dias e então telefonou para o homem, preparado para, caso houvesse melindrado seus brios éticos, acudir que se enganara de pacote: - “Então, gostou do presente?” Gostei muito – disse o outro – seu “queijinho chegou em boa hora. E a verba foi liberada.

Do entrelaçamento afetivo com Ana dos Santos advieram Antoniana, João Jorge e Mariana. Já sentiu no coração o pulsar redobrado da condição de avô. Hoje mais dedicado ao mundo dos negócios e ao afeto familiar, prossegue no labor comercial a partir da empresa Sanctorum, raiz latina do seu nome.

Antonio, que continues sendo esse dínamo que acende o farol do bom diálogo, suando a alma com a conversação benfazeja de irmão camarada, cavalgando sobre a larga pista da fraternidade política e exibindo o sedutor talismã da solicitude servidora de um amigo de fé!

Por Júnior Bonfim
(Publicado na edição de hoje da Revista Gente de Ação)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

OBSERVATÓRIO

(Por Júnior Bonfim)

Poucos dias após assumir a Secretaria de Educação de Crateús, fui informado, em meio a uma reunião com coordenadores pedagógicos, que meu pai (de saudosa memória) insistia em ser recebido. Com a tranqüilidade que sempre procurei cultivar, respondi que era impossível atendê-lo naquele momento. Uma das coordenadoras ponderou que, caso eu interrompesse a reunião para recebê-lo, todos compreenderiam. Afinal, era meu genitor. Mantive-me firme na recusa. Ele se retirou extremamente magoado comigo. Aquele gesto era emblemático. Queria demonstrar que, a despeito do afeto filial, a coisa pública não era um espaço alcançado pela hierarquia familiar. Aliás, durante todo o período em que vesti o fardão de agente político jamais pedi uma portaria sequer para alguém da minha prole. Sempre tive bem claro na mente a idéia de que a família habita o território inviolável da nossa intimidade. Ao contrário, o exercício de função pública, como o próprio nome indica, se estende pelo vale devassável ao sabor da vontade popular. Misturá-los pode gerar uma combinação explosiva.

O PESO DA FAMÍLIA I

Senti, nos últimos dias, certa apreensão das pessoas em relação ao grau de influência dos familiares do Prefeito eleito na gestão do município. Ouvi opiniões preocupadas, inclusive entre profissionais da saúde, quanto ao grau de ousadia dos irmãos de Carlos Felipe em dar pitacos sobre o futuro do seu governo. Falam que, como conseqüência dessa influência, já se produziu a primeira e significativa baixa na equipe governamental: o ex-prefeito de Viçosa do Ceará, Evaldo Soares, que seria um misto de chefe da contabilidade e eminência parda em assuntos administrativos, decidiu bater em retirada e não mais integrará os quadros da futura gestão. Sua saída fragiliza o esquema hegemônico montado por Elder Leitão, que tinha em Evaldo uma das pilastras principais.

O PESO DA FAMÍLIA II

O doutor Felipe é homem do lar, que aprecia e cultua o respeito à família. Deve ser delicado para ele administrar essa paradoxal situação de compatibilizar a harmonia doméstica com a sintonia ao compromisso popular. Foi eleito segurando o mastro da bandeira de uma vida nova para Crateús, que suplantaria todas as velhas práticas, inclusive as de nepotismo. Já nomeou a esposa, que é uma qualificada técnica, para a Secretaria da Assistência Social. Malgrado isso não caracterizar, pela dicção legal, prática nepotista, houve quem reclamasse. O seqüencial desse filme está em suas mãos.

DIPLOMAÇÃO

Causou estranheza, na solenidade de diplomação dos eleitos, a verve do douto Promotor de Justiça José Arteiro Goiano. Com a desenvoltura de um militante partidário, fez estátua se mover. A contundência da fala (antipática ao cenário atual e simpática ao futuro) incomodou até mesmo o sempre frio e impávido prefeito que sai, doutor José Almir Claudino Sales. Obviamente, nada há de estranho nisso. Antes de ser membro do Ministério Público e empunhar o escudo de fiscal da lei, doutor Arteiro é filho da terra. Difícil imaginar que seja impermeável aos sentimentos da polis, vez que em sua veia corre sangue político. Sucede que, por imperativo da função que exerce, há que evitar excessos.

BETINHA

Ainda caminhando sobre o tapete azul da maior consagração urnística para o Parlamento Mirim de Crateús no último pleito, a Vereadora Betinha Machado persiste na luta pela Chefia do Legislativo Municipal. Versátil e midiática (foi capa de recente edição da Revista Gente de Ação), Betinha tem na retaguarda o trabalho de duas importantes famílias - Machado e Leitão - ambas com tradição política e experiência no traquejo das disputas intestinas da Câmara Municipal. A bem da verdade, o grupo que representa esteve na linha de frente das articulações que resultaram na eleição de Carlos Felipe. A estrutura que o PR colocou à disposição do candidato comunista foi decisiva para que a candidatura deslanchasse na fase inicial de campanha. Parafraseando outro candidato, talvez considere que é hora do reconhecimento.

GRUPO ITA

Mesmo em meio à aparente letargia em que se encontra a nossa urbe, há pessoas empreendedoras e obstinadas que continuam acreditando no potencial mercadológico da terra. O grupo ITA, capitaneado pelo empresário Lourival Rodrigues, apresentou à cidade de Crateús, na última quinta-feira, dia 18, as modernas instalações do seu mais recente empreendimento: um laboratório e uma farmácia de manipulação, localizado no cruzamento das ruas Moura Fé com Desembargador Olavo Frota.

BYRON

Por falar em Frota, o desembargador Byron Frota (filho de José Olavo de Rodrigues Frota) foi eleito pelos seus pares do Tribunal de Justiça como o novo Corregedor-Geral daquela Casa Julgadora. Único crateuense a integrar a mais alta Corte de Justiça cearense, onde dirige atualmente a Escola Superior da Magistratura do Estado do Ceará (ESMEC), doutor Byron é figura respeitada mercê do invejável currículo que lapidou ao longo de décadas de coerente labor. Embora de ascendência sobralense, à beira do Poty enterrou o umbigo e recebeu as primeiras luzes do saber, precisamente no Instituto Santa Inês, dirigido pelas educadoras Francisca de Araújo Rosa e Leonor Rosa Veras. Orador meritório, foi ele quem proferiu o discurso de saudação a Dom Fragoso na solenidade de posse ocorrida no dia nove de agosto de 1964, em palanque armado no pátio da Catedral do Senhor do Bonfim. No último dia 15, tive o prazer de encontrá-lo na solenidade de posse de novos acadêmicos da AMLECE, academia que integro, ocasião em que foi prestigiar o seu colega desembargador José Claudio Nogueira e o amigo de banco escolar na juventude, Ubiratan Aguiar (este foi homenageado e aquele estava ingressando na Arcádia). Confessou-me ser leitor assíduo do jornal Gazeta do Centro Oeste. Parabéns ao ilustre magistrado e sucesso na nova empreitada.

PARA REFLETIR

“O segredo da justiça está em sua humanidade sempre maior e em uma proximidade humana sempre maior entre advogados e juízes, na luta comum contra a dor. De fato, o processo, e não só o processo penal, de per si é uma pena, que juízes e advogados devem abreviar, administrando justiça”. (Piero Calamandrei)


(Publicado na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste)

O NATAL E A ENERGIA DA CIDADE



(Por Júnior Bonfim)

“Crateús parece que foi atingida por uma bomba. A cidade está como que toda devastada. Veja a quantidade de buracos pelas ruas principais!” – disse-me um amigo recentemente.

De fato, a cidade, soma de humanos, extensão de cada um de nós, também possui uma volúpia sentimental, um vulcão de desejos, uma carga de energia. Assim como cada um de nós é notado pelos outros quando olvidamos de zelar o nosso corpo e cuidar da alma ou vice versa, igual avaliação crítica recai sobre a urbe.

A ética carrega em sua essência uma variável estética. Cuidar de si mesmo de forma agradável e prazerosa, cultuar o belo em suas dimensões externa e interna (estética) é também uma forma de bem querer ao outro, um modo de respeito ao próximo (ética).

Compreender essa dimensão da realidade é essencial para realizarmos a recepção da energia vital, capaz de alterar para melhor o estado em que estamos. O período natalino é uma dessas épocas em que ficamos mais receptivos aos influxos energéticos externos.

Segundo Graziella Marraccini, em 25 de Dezembro o mundo católico e cristão festeja o Santo Natal. Mesmo que não sejamos católicos e que não cultuemos o nascimento de Jesus, podemos sentir como a energia desta data acaba contagiando a todos nós como uma onda de renovação e esperança, que melhora nosso humor e contagia nossos relacionamentos pessoais e sociais.

O Natal coincide com o Solstício de Verão no nosso hemisfério. O Solstício acontece em 21 de Dezembro às 09h03min e o Sol ingressa no signo de Capricórnio, em conjunção exata com Plutão!

A mudança de paradigma está chegando, não é possível recuar mais! O Sol chega ao máximo de sua inclinação no Hemisfério Sul (a 23°45 tocando o Trópico de Capricórnio) e marca para nós o Solstício de Verão. Sol-stício quer dizer Sol estacionado: na verdade, o Sol 'parece estacionar' por algum tempo no nosso hemisfério nos oferecendo o máximo de calor.

Do mesmo modo ele marca o início do Solstício de Inverno no hemisfério norte. Os povos antigos daquele hemisfério costumavam marcar esta data com rituais destinados a pedir aos céus a volta da energia solar que se afastava com o longo inverno que iniciava. Eram feitos cerimoniais em todos os ritos, com cantos e implorações, cerimônias de acasalamento para simbolizar a fertilização da terra. Os homens, em sintonia com os céus, pediam aos deuses que não deixassem a Terra perecer sob o frio inverno e que enviasse novamente o Sol para renovar a vida que logo iria ressurgir sob a dura camada de neve. A Igreja católica aproveitou esses festejos pagãos para incorporá-los em sua liturgia, e fez de maneira que o Natal coincidisse com o nascimento de Jesus.

Assim os festejos do período natalino estão a indicar que, no momento em que a vida parece morta, a Terra torna-se gélida e fria e as árvores estão sem frutos, devemos manter a esperança do retorno da Luz, elevando nossas preces aos céus para pedir uma renovação da energia vital. Nossas rezas e rituais se parecem com os rituais antigos e também indicam a renovação de vida. Desta maneira, nos sintonizando com a energia solar, podemos renovar nossas esperanças e fazer com que nossos pedidos subam aos céus com uma energia especial, intensa, sincera, universal.

As pessoas e o seu coletivo, que são as cidades, carecem dessa sintonia renovadora.

Albert Einstein conta uma experiência interessante que serve para esse momento. Estava num jardim e dois meninos brincavam. Num dado momento, um deles foi até uma fogueira quase extinta e com dois pauzinhos pegou uma brasa ainda incandescente e falou para o outro: quero que você carregue essa brasa, para outro lugar. O outro menino observou e ficou pensando.

Einstein, observador, também ficou olhando e esperando o que o menino faria diante daquela situação que se apresentava como uma possibilidade de dor, de sofrimento. Eram amigos e seria difícil dizer não a uma pessoa querida.

Então, para surpresa do cientista, o outro menino pegou na fogueira um pouco de cinza já fresquinha, colocou uma quantidade na palma da mão e disse carinhosamente ao amigo: vamos, coloque a brasa aqui em minha mão. E seguiram os dois pelo caminho. A brasa, protegida pela cinza, não queimava a mão do amigo. É isso: talvez a gente esteja necessitando dessa inteligência e amizade, para poder nos proteger da agudeza da vida.

Mesmo nos momentos mais conturbados, como o que a nossa cidade vive atualmente, haverá sempre na fogueira de nossas dores e angústias um pouco de cinza fresca. Colocada em nossa alma, nos permitirá carregar nossos sonhos e projetos sem sofrimento.

E o Natal pode ser essa oportunidade!

(Publicada na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

AMANHÃ SAI MAIS UMA EDIÇÃO DO JORNAL GAZETA DO CENTRO OESTE

CIRO ADMITE FICAR CONTRA O PT



No O Globo de ontem, o deputado federal cearense Ciro Ferreira Gomes, do PSB, dá suas primeiras declarações mais enfáticas no sentido de, na disputa presidencial de 2010, estar contra uma candidatura da base do governo Lula.

O seu argumento, pouco claro, é de que estará de outro lado político da disputa se o PT apresentar uma candidatura que esteja em desacordo com os "interesses do País". Dá alguma pista de que se sente incomodado com a simpatia clara do presidente Lula pela ministra Dilma Rousseff, mesmo que reforce os adjetivos elogiosos com que costuma brindar o próprio Lula.

Ciro acredita que o candidato do governo em 2010, seja quem for, enfrentará os efeitos da atual crise sobre a economia brasileira. "Eles ainda não foram sentidos", diz o parlamentar cearense, "mas virão". Ao nominá-los, cita a queda na messa salarial e o aumento no nível de desemprego.

A entrevista, que é longa, abre espaço para que Ciro Gomes fale da personagem "Flora", interpretada pela sua mulher, a atriz Patrícia Pillar. Mesmo dizendo-se contrário à pena de morte, ele sugere uma pena exemplar para a vilã de "A Favorita", que estaria precisando "pagar muito caro" pelas maldades diariamente protagonizadas na novela gloibal.

(Por Guálter George)

SOB CRISE, GOVERNO JÁ INJETOU R$ 363 BI NA ECONOMIA



O Planalto e a Fazenda têm ojeriza pelo vocábulo "pacote". Brasília foge da palavra como o gato que, escaldado, esquiva-se da água fria.

Em reação à marolinha, o governo prefere manusear o conta-gotas. Uma liberação de compulsório aqui, uma linha de crédito ali, uma mexida tributária acolá...

De pacotinho em pacotinho, já se chegou a um pacotão. Injetaram-se na economia algo como R$ 363,3 bilhões. Deve-se o levantamento à equipe da Agência Brasil.

É a mão visível do Estado tapando os buracos cavados pela mão invisível do mercado. E o diabo é que parece não haver outro remédio.

Até o FMI, velho defensor do torniquete fiscal, agora receita a abertura de comportas.

Ouça-se, a propósito, o diretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn:

"Estou particularmente preocupado com o fato de que nossa previsão, já muito negativa, vai ser ainda mais negativa se um estímulo fiscal apropriado não for colocado em prática".

Ele se refere à economia mundial, não só à brasileira. De cara com o pior, ele diz que, para evitar o muito pior, seria preciso um superpacote equivalente a 2% do PIB global.

Coisa de US$ 1,2 trilhão. Ou, em reais, R$ 2,9 trilhões.

Escrito por Josias de Souza

HOJE É O DIA DA CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA!




Uma sociedade consciente e bem educada não gera lixo e sim materiais para reciclar. Selecionando o lixo, você vai ajudar a diminuir a poluição do ar, solo e água, bem como vai reduzir a necessidade de novas áreas para aterros sanitários. Tal atitude, também vai ajudar a diminuir a proliferação de insetos e roedores, responsáveis pela transmissão de várias doenças. Os recursos naturais vão ser poupados, pois o lixo separado vai ser reciclado e transformado pelas indústrias em matéria-prima novamente, baixando assim os custos do produto final por nós consumido.

O lixo gerado por nós é apenas uma pequena parte da "montanha" gerada todos os dias, composta também por resíduos industriais, de construção civil, de mineração, de agricultura e outros. De todo lugar sai lixo. O que não podemos ignorar é que o lixo precisa ser devidamente separado e coletado, reaproveitado ou reciclado antes de ser descartado.

Lixo é basicamente todo e qualquer resíduo sólido proveniente das atividades humanas ou gerado pela natureza em aglomerações urbanas. No entanto, o conceito mais atual é o de que lixo é aquilo que ninguém quer ou que não tem valor comercial. Neste caso, pouca coisa jogada fora pode ser chamada de lixo.

REDUZIR, REUTILIZAR E RECICLAR

São conceitos fundamentais para um bom gerenciamento dos Resíduos Sólidos, ou seja, do Lixo. São conceitos que devem ser absorvidos, praticados e divulgados.

Podemos REDUZIR a geração do lixo consumindo menos e melhor, isto é, racionalizando o uso de materiais no nosso cotidiano.

Como reduzir?
» Preferir produtos com embalagens retornáveis
» Preferir produtos com embalagens recicláveis
» Combater o desperdício de produtos e alimentos planejando bem as compras
» Pegar carona sempre que possível
» Não deixar as torneiras pingando
» Assinar jornais e revistas em conjunto com outras pessoas
» Escrever em papel reciclado


Podemos REUTILIZAR diversos produtos antes de descartar, usando-os para a mesma função original ou criando novas formas de utilização.

Como reutilizar?
» Separar sacolas, sacos de papel, vidros, caixas de ovos, papel de embrulho que podem ser reutilizados.
» Usar o verso das folhas de papel já utilizadas para rascunho.
» Pensar em conservar e consertar objetos antes de jogar fora.
» Doar ou vender tudo o que possa ser reaproveitados por outros.
» Não jogar no lixo aparelhos : podem ser vendidos ao “ferro velho” ou desmontados para o reaproveitamento de peças.

E podemos RECICLAR o lixo quando o retornamos ao ciclo da produção, seja ele industrial, agrícola ou artesanal.

Como reciclar?

» Fazer compostagem doméstica com seus restos de jardim e de cozinha.
» Separar materiais recicláveis (plásticos, vidros, metais e papéis), para os programas de coleta seletiva.

Depois de tomar a sua melhor cerveja, não esqueça de reciclar a latinha, mas lembre:

a cerveja mais saborosa é aquela que vem no casco de vidro retornável - a gente sempre tem que tomar com mais alguém; e
que mesmo para produzir a latinha a partir de material reciclável é necessário o consumo de energia.

(Fonte: Caroline Dutra)

VOCÊ SABIA QUE...



Em pouco mais de três anos de coleta seletiva, os moradores de Florianópolis separaram 6,5 mil toneladas de lixo. Com o reaproveitamento do papel, metal, vidro e plástico recolhidos na cidade foram evitados o corte de pelo menos 140 mil árvores, a retirada de 750 toneladas de ferro e de 1050 toneladas de areia da natureza e produzidos 2,8 milhões de novos potes plásticos. A natureza e as gerações futuras agradecem.

Todo o material recolhido pela Coleta Seletiva de Florianópolis vai para a Estação de Triagem do Itacorubi, onde é separado por tipos (papel, vidro, metal, plástico) e então é vendido para a indústria da reciclagem e a partir daí transforma-se em novos produtos, poupando recursos naturais.

De todo o material arrecadado, o vidro tem sua verba destinada ao GAPA - Grupo de Apoio e Proteção à AIDS. O restante do total arrecadado financia a manutenção do próprio sistema de Coleta Seletiva.

A energia economizada com a reciclagem de uma única garrafa de vidro é suficiente para manter uma lâmpada de 100 Watts por 5 horas e meia, ou manter uma televisão ligada por 3 horas; ou, ainda, é igual a 9 litros de gasolina?

Cada tonelada de alumínio reciclado economiza a extração de 5 toneladas de bauxita.

Se a fração orgânica de todo o lixo domiciliar brasileiro fosse utilizada para gerar energia elétrica, seria possível implantar usinas termelétricas com potência de cerca de 5000MW.

Para fabricar 1 tonelada de papel reciclado são usados 2.000 litros de água. Para produzir a mesma quantidade a partir da madeira gastam-se 100.000 litros.

Atualmente já se fabricam tecidos que trazem em sua composição 20% de fios de plástico obtidos das garrafas de refrigerante (cuja origem são as resinas de Polietileno Tereftalato – PET). O plástico convertido em fios, também é utilizado na fabricação de vassouras e escovas.

Para se fabricar 1 kg de vidro (= 3 garrafas de litro) é necessária a extração de 1,3 kg de areia de dunas e rios e com 1 kg de vidro quebrado se faz exatamente 1 kg de vidro novo.

(Fonte: Caroline Dutra)

EM 22 DE DEZEMBRO DE...

1849
Minutos antes de ser executado, o escritor russo Fiodor Dostoievski tem sua pena reduzida para exílio. Décadas depois, ele escreveria suas suas principais obras, Os Irmãos Karamazov e Crime e Castigo.
1894
Em um julgamento irregular, o capitão francês Alfred Dreyfus, judeu, foi condenado por traição e recebeu a sentença de prisão perpétua por passar segredos militares à Alemanha. Dreyfus foi declarado inocente em 1906.
1968
Vários músicos, entre eles Caetano Veloso e Gilberto Gil, foram presos na boate Sucata, no Rio de Janeiro.
1975
Carlos, o Chacal, junto com outros terroristas árabes, fizeram um ataque em Viena, na Áustria. Eles assassinaram três pessoas e fizeram outras 70 de reféns num encontro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo.
1981
O atleta João do Pulo, um dia depois de ter sido eleito como o maior desportista latino-americano do ano, sofreu um grave acidente de carro e teve a perna direita amputada.
1986
Um decreto-lei instituiu o 13º salário para funcionários civis e militares da União.
1988
O seringueiro e ecologista Chico Mendes foi assassinado no quintal de sua casa por um tiro disparado pelo fazendeiro Darcy Alves da Silva Pereira.
1989
O exército romeno aderiu às manifestações populares e derrubou o ditador comunista Nicolae Ceaucescu.
1990
Lech Walesa tomou posse como presidente da Polônia, o primeiro não-comunista a assumir o cargo desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
1994
O locutor esportivo Osmar Santos sofreu um grave acidente de carro. O traumatismo craniano decorrente da batida resultou em lesões cerebrais que o impediram de voltar a falar normalmente, levando-o a abandonar sua carreira.

PARA REFLETIR

"Julgue um homem pelas suas perguntas, não pelas suas respostas." (Voltaire)

domingo, 21 de dezembro de 2008

GOOGLE



# O site de busca de páginas e informações na internet foi criado pelos norte-americanos Larry Page e Sergey Brin em 1996. Na verdade, eles idealizaram o endereço a partir de um projeto de doutorado desenvolvido para a Universidade de Stanford.

# O nome Google vem da expressão googol, que representa o número 1 seguido de 100 zeros.

# Apesar de terem registrado o domínio google.com em 1997, Page e Brin fundaram sua empresa em 1998. Para isso, contaram com um investimento inicial de 100 mil dólares. Já naquele ano o sistema conseguiu reunir 25 milhões de páginas da internet.

# Segundo uma pesquisa realizada em 2004, o site possuía indexadas mais de 4 bilhões de páginas web. Também tinha uma listagem de 880 milhões de imagens.

# Além do serviço de busca, o Google oferece um parte de diários online (Blooger) e o site de relacionamento Orkut.

# O logotipo com 6 letras coloridas do Google foi criado pela brasileira Ruth Kedar, em 1999.

# Ruth Kedar é da cidade de Campinas, em São Paulo e mora nos Estados Unidos desde 1985. Ela trabalhava como professora de desenho gráfico na Universidade californiana de Stanford quando um aluno encomendou um logotipo para sua nova empresa. O aluno era Larry Page, um dos fundadores do Google.

# Ruth diz que se inspirou no sentimento de "satisfação de descobrir coisas novas" para escolher as cores alegres do logo.

# As cores das letras da palavra "Google" são azul (G), vermelho (O), amarelo (O), azul (G), verde (L) e vermelho (E).

GENÉRICOS



Basta digitar o nome do remédio desejado no site abaixo, e você terá também
os genéricos e os similares de todas as marcas com os respectivos preços
em todo o Território Nacional. Como tudo que é bom não é divulgado,
peço-lhes que divulguem aos seus.

É bom deixar guardado na lista de Favoritos :

http://www.consultaremedios.com.br/

(Enviado por Robson Martins)

21 DE DEZEMBRO

* 1903 - É realizada a primeira edição do Prêmio Goncourt de literatura francesa.
* 1968 - É lançada a missão Apollo 8.
* 1991 - Termina o regime da União Soviética.

Nasceram neste dia...

* 1878 - Josef Stalin, político soviético (m. 1953).
* 1956 - Joaquim Leitão, cineasta português.
* 1959 - Florence Griffith-Joyner, atleta norte-americana (m. 1998).

Morreram neste dia...

* 1375 - Giovanni Boccaccio, escritor e humanista italiano (n. 1313).
* 1805 - Bocage , poeta português (n. 1765).
* 1980 - Nélson Rodrigues, dramaturgo e escritor brasileiro. (n. 1912).

PARA REFLETIR

Cada criatura, ao nascer, traz-nos a mensagem de que Deus ainda não perdeu a esperança nos homens.

(Rabindranath Tagore, dramaturgo, poeta e filósofo indiano)