sábado, 6 de março de 2010

ROUPA NOVA E CLAUDIA LEITE

video

sexta-feira, 5 de março de 2010

EM HOMENAGEM ÀS MULHERES


Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, o Cine Poty irá apresentar neste domingo "A hora da estrela" - filme baseado no romance homônimo de Clarice Lispector. Dirigido por Suzana Amaral e protagonizado por Marcélia Cartaxo (Urso de Prata no Festival de Berlim), o filme narra as desventuras de Macabéa, que representa o aviltamento por que passa o ser humano, quando sua vida é barateada. Ela representa todos os perdidos retirantes nordestinos que se movem alienamente numa metrópole.

Macabéa, uma jovem órfa, só no mundo, aos 19 anos. Analfabeta, ingênua e virgem, vem do nordeste tentar a vida em São Paulo. O filme mostra a história do encontro patético deste ser humano com as artimanhas da cidade grande. Macabéa é tão desastrada que o tempo todo ela dói por dentro. Não sabe, como os outros, que esta dor tem de ser dissimulada por baixo das máscaras sociais. Toma aspirinas para ver se passa. Veste então as máscaras, mas não lhe caem bem.

Embora a história de Macabea seja profundamente dramática, a narrativa é toda permeada de muito humor e ironia. Mas não se iludam. Desprovida de beleza, saber e ambição, Macabéa nos inspira por seu último ato: a ousadia de sonhar. A hora da estrela é um filme que nos faz querer ser melhor.

Também no elenco, José Dumont e Fernanda Montenegro. Ele o namorado, ela a cartomante.

(Do blog da Sabi)

quarta-feira, 3 de março de 2010

CONJUNTURA NACIONAL

HISTORINHA DA PARAÍBA

Aloísio Campos foi candidato a senador três vezes e três vezes foi derrotado por Ruy Carneiro. Em 66, o governador João Agripino encarregou Ivan Machado e Osvaldo Trigueiro do Vale de coordenarem a campanha de Aloísio na capital. Já no fim, planejaram uma grande concentração popular no bairro da Torre, onde o candidato faria o pronunciamento final. Ivan e Osvaldo desdobraram-se. No dia, nove da noite, João Agripino e Aloísio dirigiram-se para o bairro da Torre. Uma decepção. Palanque, luzes, escola de samba, tudo lá, mas povo quase nenhum. Aloísio mandou chamar Osvaldo:

- Tudo bem, Osvaldo?

- Tudo bem, senador. Tudo arrumado, como o senhor mandou.

- Mas, e o povo, Osvaldo?

- Ora, doutor, eu consegui escola de samba, armei o palanque, fiz iluminação, preparei a lista de oradores. Agora, se ainda tivesse de trazer o povo, o candidato era eu.

Não houve comício. Nem voto para Aloísio. Historinha contada por Sebastião Nery.

DILMA DECOLOU

Quem acompanha esta coluna não teve surpresas. Dilma Rousseff decolou nas pesquisas. Alcançou 28% no Datafolha, que é um instituto de grande credibilidade. Encostou em Serra. Claro, ela faz campanha há mais de um ano. Serra, até hoje, mostra-se indefinido. Apesar de sabermos que o governador de SP já não tem condições de abortar seu avião, que já decolou. Serra caiu 5 pontos. E pode-se esperar mais ainda : na próxima pesquisa, Dilma estará colada em Serra, se não já ultrapassando a marca dos 35%.

EIXOS DE DILMA

Previ essa situação há um bom tempo. E cheguei até a escrever, no domingo passado, sobre as potencialidades da ministra chefe da Casa Civil. Meu artigo no Estadão levantava as quatro abordagens que formam a identidade de Dilma: a técnica, a política, a feminina e a histórica. A identidade técnica canibaliza a identidade política. Por isso, se ela ganhar a eleição precisará de um forte articulador político, tipo Michel Temer, por exemplo. Mas a identidade técnica será vantajosa no que diz respeito ao comando da máquina. Impõe autoridade. Ou seja, não admitirá monitoramento/patrulhamento do PT.

"A melhor maneira de fazer entrar um cidadão na ordem – é fazê-lo entrar no cemitério." (Eça de Queirós)

MULHER E GUERRILHEIRA

O fato de ser mulher não atrapalhará. As mulheres conquistaram a simpatia dos eleitores. Há mulheres na política por toda a parte. Empresárias, prefeitas, vereadoras, deputadas estaduais e federais e senadoras. Há mulheres presidentes, inclusive aqui pertinho. Michelle Bachelet, que deixa agora a presidência do Chile, e Cristina Kirchner, na Argentina. Dilma, aliás, tem um perfil de gerentona, mandona, exprimindo até certa arrogância. Por isso, o eixo histórico ainda é lembrado. Fosse mais suave, a história da guerrilheira seria apenas mera curiosidade. De qualquer maneira, não afetará sua campanha.

LULA, O GRANDE ELEITOR

O fato é que Dilma já é tão conhecida quanto Serra. E, na pesquisa espontânea, atinge um índice maior do que o do governador paulista. Isso é importante. Outro índice que deve estar causando perplexidade é o da rejeição. Serra aumentou em 5 pontos percentuais a rejeição. Chegou aos 26%. Dilma tem rejeição menor. Olhem para esse dado. Pode ser o calcanhar de Aquiles do candidato. O que de fato aconteceu?

CAMPANHA MACIÇA

Ora, Dilma corre o país com Lula subindo em palanques, abraçando o povo, inaugurando obras. Serra encastela-se no Palácio dos Bandeirantes. Vai, vez ou outra, a um Estado. Mas é paft-puft. Passa pouco tempo. Não esquenta os climas ambientais. Serra se acha o máximo. É o dono da perfeição. Só ouve o que sua boca fala. Deve, agora, ter tomado um grande susto. As más línguas dizem que vai anunciar a candidatura dia 1º de abril. Dia da Mentira. Dilma, enquanto isso, continuará navegando pelas ondas dos pacotes assistencialistas de Lula.

______________

Seu Lunga, apertando o botão do elevador, passa um mané.

- Seu Lunga, esperando o elevador?

E ele:

- Não... tô esperando que o apartamento desça.

______________

LÓGICA GANHA CAMPANHA?

A lógica dá vitória no pleito de outubro a Dilma Rousseff. Os mais de 20 programas que Lula implantou para "comprar" - cooptar - as bases da pirâmide, o meio e o topo, não podem ser desprezados. O Bolsa Família agarra 46 milhões de brasileiros. Outros milhões estão cobertos pelos Programas Luz Para Todos; Minha Casa, Minha Vida; assistência aos pequenos agricultores; isenções fiscais para carros, geladeiras e fogões (a festa da cozinha dos pobres); auxílio estudante; cotas e, agora, a campanha do Pré-Sal, que eleva a auto-estima com essa ideia de potência petrolífera. Essa é a lógica que poderá dar a Dilma uma grande vitória.

"Uma onça de paz vale mais que uma libra de vitória." (Machado de Assis)

BOLSO E ESTÔMAGO

Tenho dito e repetido. Quem ganha uma campanha é o eleitor influenciado pelo estômago. E o estômago é alimentado pelo bolso. Quanto mais grana no bolso, mais barriga cheia. Pois eu acho que as barrigas dos brasileiros estão cheias. Não vejo calamidade social. Comércio cheio, shoppings centers estourando de gente, supermercados bombando, economia inflada. Ora, essa moldura social e econômica favorece a candidata governista. O que Serra poderá fazer para desconstruir esse tecido?

SE FICAR O BICHO PEGA

Se Serra disser que as coisas estão indo mal, perderá. O eleitor sabe que não é bem assim. Por isso, o discurso sobre as ruindades deve ser seletivo. Escolher alvos. Por exemplo, em matéria de saúde pública, o governo Lula vai mal. Em matéria de segurança social, o país não vai bem. A criminalidade assola. Em matéria de educação, apesar do grande esforço do ministro Fernando Haddad, as coisas caminham de maneira capenga. Se o governador paulista se concentrar em alguns focos, acertará. Mas a comparação entre a era Lula e o ciclo FHC dará vantagem ao primeiro. Por isso, o bicho vai pegar para Serra.

______________

Um velho amigo de Seu Lunga, depois de muito tempo, o encontra e logo faz aquela alegria:

- Luuungaaa! Quanto tempo...! Por onde você tem andado?

Responde ele com sua delicadeza:

- Pelo chão! Num aprendi a voar ainda!

______________

E SE CORRER O BICHO COME

Se José da Mooca, aliás Serra, disser que não vai mudar mas vai melhorar, precisará de criatividade para se expressar. Como fazer isso? Melhorar é um verbo muito abstrato. Genérico. Genérico que funciona é remédio, o qual, aliás, nasceu na gestão Serra no Ministério da Saúde. O governador paulista é considerado, ainda, uma pessoa arredia aos interesses de outras regiões. A cara dele é a projeção de SP, razão pela qual carece de um banho nas periferias do país.

CIRO VAI OU VEM?

Já não tenho paciência para interpretar os movimentos de Ciro Gomes. Uma hora, o pindacearense diz que vai. Desfralda sua candidatura ao Palácio do Planalto. Outra hora, premido pelas circunstâncias, e agora acuado pela pesquisa que mostra a autosuficiência de Dilma, Ciro sinaliza que pode vir. Desfralda, então, a bandeira da candidatura ao governo de SP. Será uma campanha contundente. Pegará pesado contra o candidato tucano, possivelmente Geraldo Alckmin. Mas fará o jogo de Lula, que é o de abrir palanque forte para Dilma em SP.

AÉCIO, VICE? NÃO APOSTEM

Aécio Neves está comemorando os 100 anos do avô Tancredo. MG embandeirada. Em festa. Sorriso de Juscelino. Cara de Tancredo pelas ruas. Aécio surge como chefe, herdeiro do espólio político. Sob essa moldura, não dá para apostar em Aécio na segundona. Como vice. Neves fora da chapa de Serra. Aécio dentro do pleito para o Senado. Quer eleger Anastasia governador. Será possível. Eleito senador, elege-se presidente do Senado, ganha status. E será candidato na próxima eleição. Em um cenário ainda dominado pelas bandeiras vermelhas do PT.

"O abdômen é a expressão mais positiva da gravidade humana." (Machado de Assis)

PMDB INDICARÁ VICE?

Tudo indica que o PMDB indicará o vice na chapa de Dilma. É claro que algumas alas petistas temem a aliança com um PMDB forte. Lula, até, pode não desejar que Michel Temer seja o vice de Dilma. Receia que o presidente do PMDB e da Câmara, passando a morar no Palácio do Jaburu, passe a ser um vice-presidente de peso. Recebendo caravanas de políticos. Michel, no entanto, por seu perfil cordato, não cometeria o deslize de fazer um governo paralelo como temem alguns petistas. Há de considerar, ainda, que se Dilma ganhar vai precisar do apoio do PMDB. E se o PMDB não indicar o vice, será que entregará este apoio com tanta facilidade? Mesmo com ministérios e cargos postos à disposição do partido?

Os vícios do poder

"Os vícios do poder são fundamentalmente quatro: atrasos, corrupção, brutalidade e fraqueza. Para evitar atraso dá facilmente acesso, cumpre os prazos fixados, não deixes de concluir o processo que te chegou às mãos, e não mistures negócios senão por necessidade. Para evitar a corrupção, não basta que prendas as tuas mãos e as dos teus servidores para que não tomem o alheio, mas prende também as dos solicitadores para que nada possam oferecer. Procede com integridade para com os primeiros; mas integridade declarada, e com manifesta repulsa pelo suborno quando se tratar dos outros; não evites somente a falta, mas também a suspeita." (Francis Bacon)

DEM AOS PEDAÇOS

O DEM está despedaçado. Os quadros que sobrarão de um partido em crise procurarão recompor as bases do edifício DEMolido. Paulo Bornhausen, líder na Câmara; Zé Agripino, líder no senado; Demóstenes Torres, Ronaldo Caiado e mais um grupo de 8 a 10 farão esforço extraordinário para reacender as luzes partidárias. Apagadas pelo Arrudagate.

KASSAB E AS CHUVAS

Kassab é a grande esperança do partido. Para resgatar a imagem, terá de enxotar as chuvas e reabrir canais de simpatia com a sociedade. Ele perambula pelos bairros periféricos. Tem dado grande ajuda aos desvalidos. Chuvas e enchentes batem em SP há mais de dois meses. Continuarão a fustigar a cidade até abril. Este ano, a natureza apresenta sua fatura. Serra também sofre as consequências do clima. A capital fica enervada. Congestionamentos. Nervosismo por todos os lados. Imprecações. Votos contrários.

CONSELHO A JOSÉ SERRA

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos juízes de primeira instância. Hoje, volta sua atenção ao governador José Serra:

1. Diga logo, logo, que será o candidato do PSDB. Apresse esse anúncio.

2. Mesmo antes da campanha começar, não tenha receio em correr o país para abrir campos de visibilidade, viabilizar acordos e firmar alianças.

3. Junte um repertório de pessoas de alta capacidade técnica em todos os campos de atividade. Convoque-as e peça a elas um programa de alta envergadura para o Brasil.

____________


* Gaudêncio Torquato

terça-feira, 2 de março de 2010

SOBRE O CINE POTY

chico Pascoal deixou um novo comentário sobre a postagem "CINE POTY ESTRÉIA HOJE":

Saudades o Cine Poty onde pela segunda vez vi a sétima arte ( a primeira foi no muro do grupo escolar de ibiapaba onde eu cursava o primeiro ano).

Chico Pascoal
Contista crateuense, radicado em São Paulo.

ADVOGAR EXIGE RACIOCÍNIO RÁPIDO E INTELIGÊNCIA



Na Inglaterra um réu estava sendo julgado por assassinato...

Havia evidências indiscutíveis sobre a culpa do réu, mas o cadáver não aparecera.

Quase ao final da sua sustentação oral, o advogado, temeroso de que seu cliente fosse condenado, recorreu à um truque:

- "Senhoras e senhores do júri, senhor Juiz, eu tenho uma surpresa para todos!" - disse o advogado olhando para o seu relógio...
- "Dentro de dois minutos, a pessoa que aqui se presume assassinada, entrará na sala deste Tribunal."

E olhou para a porta.

Os jurados, surpresos, também ansiosos, ficaram olhando para a porta.

Decorreram-se dois longos minutos e nada aconteceu.

O advogado, então, completou:

- "Realmente, eu falei e todos vocês olharam para a porta com a expectativa de ver a suposta vítima. Portanto, ficou claro que todos têm dúvida neste caso, se alguém realmente foi morto. Por isso insisto para que vocês considerem o meu cliente inocente".
(In dubio pro reu).

Os jurados, visivelmente surpresos, retiraram-se para a decisão final.

Alguns minutos depois, o júri voltou e pronunciou o veredicto:

- "Culpado!"


- "Mas como?" perguntou o advogado... "Eu vi todos vocês olharem fixamente para a porta, é de se concluir que estavam em dúvida! Como condenar na dúvida?"

E o juiz esclareceu:

- "Sim, todos nós olhamos para a porta, menos o seu cliente..."


"MORAL DA HISTÓRIA: NÃO ADIANTA SER UM BOM ADVOGADO SE O CLIENTE FOR BURRO".

(Enviado por Thiago Pontes)

segunda-feira, 1 de março de 2010

CIDADE QUE ME SEDUZ



Cidade tão magnífica,

De incontáveis encantos,

Tua formosura natural

Inspira todos os cantos.

Da boca dos trovadores

Receberás os louvores,

Tu és fonte de encantos.



No alto do corcovado

Magnânimo nas alturas,

Com seu amplo abraço,

Em forma de escultura,

Destaca-se o criador

Nosso Cristo Redentor

Rei de todas as criaturas.



No cimo do Pão de Açúcar,

Encanta qualquer olhar

O Bondinho que trafega,

Passando pra lá e pra cá

Levando ledos turistas

Mostrando a bela vista,

Que é mesmo espetacular.



O Futebol nem se fala...

É um espetáculo a parte.

O desempenho da torcida

Traz um cenário de arte.

Só sei que é mesmo bonito

Ver a torcida com seu grito

Ecoando por toda parte.



Terra de gente bonita,

Da beleza bronzeada.

Terra bem hospitaleira,

Terra de gente animada.

Terra do bom Carnaval

O Rio é um cartão postal

Que me deixa arrebatada.



A violência que existe,

Não é privilégio carioca.

Em toda grande cidade,

A violência faz sua toca.

Vivo há muito nesta cidade,

E com muita felicidade

Aqui fiz minha maloca


(Dalinha Catunda, em homenagem ao Rio de Janeiro, que hoje faz aniversário)

O ADEUS A JOSÉ MINDLIN


José Ephim Mindlin ergueu um império literário em sua própria casa. Ele dedicou sua vida à busca por obras raras em viagens pelo Brasil e Exterior. A procura incansável acabou ontem, quando o bibliófilo e empresário morreu em São Paulo, aos 95 anos.

Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Mindlin estava internado havia aproximadamente um mês no Hospital Albert Einstein para tratar uma pneumonia. O enterro ocorreu no Cemitério Israelita da Vila Mariana, zona sul da cidade. Casado por 68 anos com Guita Mindlin, já falecida, teve quatro filhos: a antropologa Betty, a designer Diana, o engenheiro Sérgio e a socióloga Sônia.

Nascido em São Paulo, em 8 de setembro de 1914, era filho de judeus nascidos em Odessa (Ucrânia), que vieram para o Brasil. Estudou Direito na Universidade de São Paulo (USP) e fez cursos de extensão universitária na Universidade de Columbia, em Nova York. Advogou até 1950, quando deixou a atividade para fundar a empresa Metal Leve SA, que se destacou no setor de peças para automóveis e hoje é controlada pela multinacional alemã Mahle. Permaneceu na companhia até 1996.

Aos 32 anos, financiado por um empresário, conseguiu um sócio e fundou a livraria Parthenon, em São Paulo. Iniciou assim seu périplo em busca de obras raras para sua biblioteca particular.

Acervo inclui raridades de autores nacionais


A paixão pela literatura fez com que acumulasse cerca de 40 mil volumes, colecionados desde os anos 30. Era considerado o dono da maior biblioteca privada do país. O acervo inclui raridades, como a primeira edição de Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, documentos do século 16 com as primeiras impressões que padres jesuítas tiveram do Brasil, jornais anteriores à Independência e manuscritos que resgatam a gênese literária de grandes obras, como Sagarana, de Guimarães Rosa, e Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Ele doou grande parte do seu acervo para a USP, transformando-o na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin.

Mindlin ocupou a cadeira 29 da ABL. Foi eleito em 20 de junho de 2006, sucedendo o escritor Josué Montello. É o autor de Uma Vida entre Livros – Reencontros com o Tempo e Memórias Esparsas de uma Biblioteca. Em 2007, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Passo Fundo (UPF).

Em nota, o presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Marcos Vilaça, afirmou que “Mindlin era um emblema do livro, tinha com ele uma relação orgânica”.

(Do Jornal Zero Hora)

++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++


MINDLIN: O EMPRESÁRIO ILUMINISTA, O DOADOR DE LIVROS

Nunca vou me esquecer da reunião da Fiesp em que, de repente, José Mindlin se aproximou e puxou assunto.

O tema na reunião da Fiesp era um pedido de empréstimos subsidiados, a proteção contra setores que não conseguiam competir com produtos importados. Sei lá. Alguma coisa assim. Na verdade, era um desses assuntos que não merecem ficar na memória, de tanta mesmice. O novo, o diferente, foi a conversa de Mindlin sobre a Semana de Arte de 22. Tive uma aula. Esqueci os outros empresários e fiquei dando atenção àquela conversa afável, cheia de novidades, de Oswald e Mário de Andrade, da publicação de A Revista que ele acabara de fazer. Sai entusiasmada e mais surpresa fiquei quando recebi em casa uma coleção de A Revista que ele me mandou.

Mindlin era doce e interessante. Mindlin era iluminado e iluminista. Mindlin era diferente.

Fui algumas vezes vê-lo. Nunca perdi um minuto nessas conversas. Dele saia um fluxo, em corrente contínua, de informações sobre livros. Não havia descrente que não entrasse para a religião dele sobre livro. Guita era igual. Os dois, um par perfeito.

Anos atrás, pedi à Globonews para fazer como primeiro programa do ano uma entrevista com ele, em sua biblioteca. Naquela tarde inesquecível, eu o entrevistei junto com Paulo Marcelo Sampaio. Só que cheguei horas mais cedo. Nenhum jornalista jamais chegou tão cedo para uma entrevista. Nem saiu tão tarde. E eles me pediram para ler para eles. Eu li para ele e Guita. Às vezes tropeçava e eles, de memória, corrigiam. Li poesias de Drummond. Li vários outros trechos que eles se lembravam de cor.

Falamos da paixão por livros que embalou minha infância, me socorreu na adolescência, me acompanha vida afora. Paixão que fez Mindlin gastar um dinheiro incontável juntando livros que doou para o Brasil.

Lembro de quando ele ganhou o Faz Diferença do Globo. Há uma escada para subir ao palco do Copacabana Palace. Eu pedi às meninas do cerimonial que me dessem a honra. Desci do palco com Ancelmo - nós dois fazemos a apresentação do prêmio - e o amparamos na subida. E ele não pesava mais do que a mão de uma criança. Firme ainda aos 90 anos.

No dia da entrevista em sua casa, Guita me contou que um dia houve uma tempestade em São Paulo, ela estava sozinha em casa, e ficou preocupada: que livro salvaria se a enchente entrasse na casa?

- Que livro salvaria? perguntei

- Os poemas de Petrarca.

Manuseei o livro favorito de Guita com temor reverencial. E Mindlin abriu o livro e me mostrou que alguns poemas tinham sido censurados pela Inquisição. Os censores medievais passaram uma tinta em cima. O tempo apagou a tinta e fez reaparecerem os poemas censurados. Me contou que, certa vez, tinha ido a Praga e lá se encontrou com um professor que tinha acabado de sair da prisão decretada pelo governo comunista. O professor estava deprimido, achando que a opressão soviética nunca acabaria. E ele consolou o professor contando a história da vitória de Petrarca sobre a censura. O professor triste era Vaclav Havel, que depois governou a livre República Tcheca.

Eu brinquei:

-Você me contou uma história com dois finais felizes.

O consolo no momento em que o Brasil perde o gigante dos livros é saber que ele se encontrará com sua Guita e juntos falarão os poemas de Petrarca, ou lembrarão as histórias de 22, ou pensarão juntos em como tornar o Brasil, um dia, um país de leitores.


(Por Miriam Leitão)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

CINE POTY ESTRÉIA HOJE


A Sociedade Amigos da Biblioteca Municipal Norberto Ferreira Filho (SABi) convida a todos para a abertura do Cine Poty neste domingo, 28.02.2010, às 19:00 horas, na Casa de Arte e Cultura João Batista, situada à rua Francisco Sá, 148, Centro – ao lado do Colégio Estadual Regina Pacis.

O filme de estréia é “A Marvada Carne”, estrelado por Fernanda Torres, Adilson Barros e Regina Casé, entre outros, no qual a “comida é mola-mestre da ação: o caipira Nhô Quim sonha em comer carne de boi e sai pela mata à procura do bicho. De quebra, ainda quer uma mulher com quem possa se casar. É através do contato de Quim e de sua futura esposa, Carula, que o diretor André Klotzel vai explorar o universo ao redor deles.

“Mais que isso: Quim e Carula, e todos os demais personagens que os cercam, são partes intrínsecas desse universo. Para reafirmar a idéia presente ao longo de todo o filme, Klotzel filma os atores sempre em contato direto com o ambiente, e o ambiente a todo instante em conflito com os atores. Seja por meio de crendices populares (o curupira, o rio sem peixe, o nariz colado ao contrário, a negociação com o diabo) ou da simples captação de um cotidiano comum (a construção do casebre que será palco de festas, os almoços na beira da terra, os animais que rodeiam a fazenda), A marvada carne é composto por toda uma gama de símbolos nos quais Quim, Carula, Nhô Totó e Nhá Tomasa são integrantes indissociáveis.” (*)

Venha, traga os amigos. É grátis, e todos serão bem-vindos. Sim, tem pipoca!

(*) Marcelo Miranda, crítico de cinema.

(Do blog da Sabi)