Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
sábado, 12 de outubro de 2013
PAULO NAZARENO: "FELIZ CUMPLEAÑOS!"
HOJE É O NATALÍCIO DE PAULO NAZARENO SOARES ROSA!
O acaso protegeu Paulo. Além de o registro batismal assentar o místico “Nazareno”, incluiu o lusitano “Soares” (sinônimo de ousadia, espírito competitivo, força de vontade, originalidade) e, por fim, ”Rosa”, lírica expressão do perfumado desabrochar da vida!
Como se fosse pouco, ainda inaugurou sua presença neste mundo no Dia das Crianças!
Por isso vive teimando contra o tempo. Alheio à ação envelhecedora dos anos, mantém-se criança, rejuvenescendo as idéias e atualizando os dias. É rosa: murcha e ressuscita – simples, sim! – e mantém incólume a sedução do jardim.
Um feliz aniversário! Segue, endoscopista de almas, amante da natureza, aviador natural, apreciador da boa música, estudioso dos grandes temas, visionário trabalhador! Segue, com o estandarte desbravador do convertido “Paulo”, transformando água em vinho (como o “Nazareno”), mantendo a vocação pastoril dos “Soares” e escrevendo, nas pedras do caminho, o suave nome da “Rosa”.
Como dizem os latino-americanos, feliz cumpleaños!
(Por Júnior Bonfim)
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
PARA REFLETIR
"A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão.
É uma questão de consciência."
(Mahatma Gandhi)
É uma questão de consciência."
(Mahatma Gandhi)
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
CONJUNTURA NACIONAL
Peibufo, o maior assassino
Abro a Coluna com uma historinha de PE.
Em um mês "bro", setembro de 1998, o economista e professor Joel de Hollanda, ex-secretário da Educação de PE, fazia campanha pela reeleição a deputado Federal pelo PFL, hoje DEM. Corria pelas estradas poeirentas de São José do Egito, entre 12 e 13 horas. Calor infernal, margeando os 40ºC. Transpirava por todos os poros. Chegando à cidade, refugiou-se à sombra de frondosa árvore na praça da matriz. Ao seu lado, sentado no banco, um sujeito amarelo, muito magro, miúdo, fala mansa. Diante da figura e cheio de cansaço, arrastou um papo. Pescava um votinho. Neste instante, seu cabo eleitoral, voltando com uma garrafa de água, viu a cena e ficou pálido. Começou a fazer sinal para o deputado. Disfarçava para o amarelinho não perceber a agonia. Joel entendeu, disfarçou e pediu licença ao companheiro de banco para se retirar. Foi ao encontro do cabo eleitoral. Mais que depressa, este abriu a boca para confessar:
- Deputado, este cara é o Peibufo, o maior assassino da região. Tem na cartucheira mais de 100 mortes gravadas. Mata qualquer um por qualquer trocado. Pelo amor de Deus, se afaste desse cangaceiro antes que ele se enfastie do senhor e lhe meta chumbo.
Joel ouviu com atenção. Fixou os olhos no sujeito e, confiando na lábia de educador e político calejado, voltou ao banco e foi direto ao assunto.
- Moço! Como é que o senhor tem coragem de matar uma pessoa?
De pronto, Peibufo resmungou:
- Doutor, eu não mato por coragem, não! Só mato por costume!
(Historinha contada por Carlos Alberto Pereira de Albuquerque)
Essa ninguém previa
Pois é, a entrada de Marina no PSB foi a bomba política do ano. Poderia até ter sido uma estratégia articulada ao longo dos últimos meses, mas a decisão, tomada no último minuto do segundo tempo do jogo, pegou todos de surpresa. É claro que Marina, na entrevista dada pouco antes, apontara uma pista : desejava quebrar a polarização entre tucanos e petistas. Ou seja, seria candidata. A pista se mostrou correta. Quer romper a polarização, mas com Eduardo Campos sendo o candidato. Ela como candidata a vice. Conseguirá? Vamos à análise.
Transferência? Coisa complicada
Vota-se nessas plagas em pessoas, muito pouco em partidos. Portanto, há de se distinguir um voto em Marina do voto de Eduardo Campos. Cada qual com seu bornal de votos. E a transferência de votos dela para ele? Pouco provável. Digamos que uns 10% a 15% de votos sejam transferidos para o conjunto da chapa. E os outros? Parcela boa da votação de Marina tende a migrar para Dilma Rousseff. Consideremos, nesse caso, a esfera ideológica em que ela e Dilma se abrigam. É a mesma, entre centro-esquerda e esquerda. Eduardo Campos também está circunscrito nesse espaço. Mas a tendência maior é a de migração de votos para a presidente. Principalmente em um ciclo de economia sob controle, inflação abaixo dos dois dígitos e empregabilidade mantida.
Aécio, maior perdedor
Quem perde mais no jogo que está sendo jogado é Aécio Neves. Encarna mais a oposição do que Eduardo Campos, que pertencia, até pouco tempo atrás, ao governo Dilma. Campos fala em melhorar, fazer melhor as coisas. Aécio prega mudança mais radical. Não há um clamor geral por mudanças radicais. As exigências apontam para a qualificação de serviços públicos, principalmente nas áreas da saúde, educação, transportes urbanos e segurança pública. Portanto, a tendência é a de manutenção das vigas macroeconômicas. Aécio quer polarizar.
Eduardo cresce?
Pode haver crescimento de Eduardo Campos, sim, mas em um contexto de insatisfação crescente. Vai depender, ainda, da visibilidade que alcance. Antes, precisa arrumar os parafusos da aliança com Marina. Primeiro, os empresários que simpatizam com sua candidatura continuarão com ele ? Não aceitam por completo Marina Silva. Esta, por seu lado, teve uma decepção com parte da bancada do PSB, que votou contra sua visão no projeto do Código Florestal. Os socialistas de Campos fecharam questão com a bancada ruralista. Campos vai precisar de Marina para se infiltrar nos colégios eleitorais do Sudeste. Um desafio e tanto.
Uma inversão na chapa?
É possível haver uma inversão na chapa. Digamos que, no primeiro trimestre de 2014, Marina continue com alta visibilidade e bons índices de intenção de voto, algo como 25%; e Eduardo Campos, mesmo sob o empuxo de Marina, não consiga uma alavancagem que o posicione como segundo colocado. Será que a chapa se mantém? A lógica, nesse caso, aponta para uma inversão, com Marina assumindo a cabeça da chapa?
Lula, metamorfose
Há, ainda, Lula. Que já prometeu ser a metamorfose ambulante da campanha. Puxará as massas para o espaço de Dilma. No Nordeste, tende a ser o maior puxador de votos de sua pupila. Seu imbróglio maior será SP, o maior colégio eleitoral do país, e que tem um voto menos emotivo e mais racional. As classes médias paulistas têm um canal muito estreito com o tucanato, apesar da sensação de esgotamento do ciclo tucano. 20 anos de poder corroem os melhores materiais.
Black blocs
Pelo andar da carruagem, as manifestações de rua tendem a continuar. Se hoje, fazem barulho nos centros do RJ e SP, imaginemos os meados de 2014. O imprevisível estará na esfera desses grupamentos mascarados, que se intitulam de black blocs. Os movimentos de rua começam pacíficos e acabam com depredações de patrimônios público e privado. As polícias reagem tardiamente, quando o quebra-quebra assume proporções fantásticas. Não há prevenção e isso é um grande erro. Governos parem tíbios e tímidos, denotando receio de fazer uma repressão mais dura. O Brasil vive efetivamente uma crise de autoridade.
Enxugamento na Petrobras
Petrobras era um gigante. Hoje, um gigante que vê buracos por todos os lados. Esfacela-se. A última nota da Petrobras é sobre o enxugamento de sua estrutura. Fechará 38 escritórios no exterior. Velhos tempos de glórias. Novos tempos de aflição.
A moldura partidária
A migração partidária apenas balanceou as bancadas, sem alterar as fisionomias situacionista e oposicionista na Câmara. O governo Dilma continua com o rolo compressor, formado por 384 parlamentares. Sobram 129 na base oposicionista, se considerarmos que o PSB, de Eduardo Campos, com 22, tende a formar com o bloco de oposição. Quem esperava uma debandada na direção oposicionista ficou a ver navios.
O novo quadro
1. Governo
PT, de 87, ficou com 86; PMDB, de 83, ficou com 77; PSD, de 48, ficou com 41; PP, de 40, ficou com 43; PR, de 37, ficou com 36; PDT, de 28, ficou com 19; PSB, de 19, ficou com 22; PTB, de 17, ficou com 18; PSC, de 16, ficou com 14; PC do B permaneceu com 13; PV, de 10, ficou com 9; PRB, de 10, ficou com 11; PT do B permaneceu com 3; PRP permaneceu com 2; PHS, de 1, ficou com nenhum.
2. Oposição
PSDB, de 50, ficou com 46; DEM, de 27, ficou com 25; PPS, de 11, ficou com 8; PSOL permaneceu com 3; PMN permaneceu com 3; PEN, de 1, ficou com nenhum.
3. Novos
Solidariedade - 21
PROS - 14
Na Academia de História
Registro, com alegria, meu ingresso, ontem, na Academia Paulista de História. Assumo a vaga deixada pelo grande professor de psicologia, Samuel Pfromm Netto, que conheci, desde os idos de 1975, quando a Proal, empresa da qual era sócio, promoveu um Simpósio sobre TV e Criança. Fui o coordenador desse evento. Hoje, nossas histórias novamente se cruzam. O patrono da Cadeira nº 7, que ocupo, é Alexandre de Gusmão, o criador do Tratado de Madri, pelo qual o Brasil ganhou sua atual configuração geográfica. Gusmão é considerado o "avô da diplomacia brasileira".
Canuto
Canuto, rei dos vândalos, mandando justiçar uma quadrilha, e pondo um deles embargos de que era parente Del-Rei, respondeu:
- Pois se provar ser nosso parente razão é que lhe façam a forca mais alta.
(Padre Manuel Bernardes)
PS. Os vândalos, hoje, são de outra espécie.
Conselho a Eduardo Campos
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado às oposições. Hoje, volta sua atenção ao governador de PE, Eduardo Campos:
1. Vossa Excelência merece congratulações pela jogada de mestre, como pode ser interpretada a parceria com Marina Silva. Mas não pense que transferência de votos ocorre de maneira natural entre parceiros. Será muito difícil que os votos de Marina sejam depositados em seu bornal.
2. Procure aproveitar a parceria com a ícone da Sustentabilidade para entrar em espaços que ainda não o conhecem bem, como as regiões Sudeste e Sul. Mas deixe para tomar uma decisão sobre a real composição de sua chapa mais adiante, no primeiro trimestre de 2014.
3. Se Marina continuar como segunda colocada e Vossa Excelência em quarto lugar, o lógico seria ceder o espaço à acreana. Seria um gesto de boa política e boas práticas.
(Gaudêncio Torquato)
Abro a Coluna com uma historinha de PE.
Em um mês "bro", setembro de 1998, o economista e professor Joel de Hollanda, ex-secretário da Educação de PE, fazia campanha pela reeleição a deputado Federal pelo PFL, hoje DEM. Corria pelas estradas poeirentas de São José do Egito, entre 12 e 13 horas. Calor infernal, margeando os 40ºC. Transpirava por todos os poros. Chegando à cidade, refugiou-se à sombra de frondosa árvore na praça da matriz. Ao seu lado, sentado no banco, um sujeito amarelo, muito magro, miúdo, fala mansa. Diante da figura e cheio de cansaço, arrastou um papo. Pescava um votinho. Neste instante, seu cabo eleitoral, voltando com uma garrafa de água, viu a cena e ficou pálido. Começou a fazer sinal para o deputado. Disfarçava para o amarelinho não perceber a agonia. Joel entendeu, disfarçou e pediu licença ao companheiro de banco para se retirar. Foi ao encontro do cabo eleitoral. Mais que depressa, este abriu a boca para confessar:
- Deputado, este cara é o Peibufo, o maior assassino da região. Tem na cartucheira mais de 100 mortes gravadas. Mata qualquer um por qualquer trocado. Pelo amor de Deus, se afaste desse cangaceiro antes que ele se enfastie do senhor e lhe meta chumbo.
Joel ouviu com atenção. Fixou os olhos no sujeito e, confiando na lábia de educador e político calejado, voltou ao banco e foi direto ao assunto.
- Moço! Como é que o senhor tem coragem de matar uma pessoa?
De pronto, Peibufo resmungou:
- Doutor, eu não mato por coragem, não! Só mato por costume!
(Historinha contada por Carlos Alberto Pereira de Albuquerque)
Essa ninguém previa
Pois é, a entrada de Marina no PSB foi a bomba política do ano. Poderia até ter sido uma estratégia articulada ao longo dos últimos meses, mas a decisão, tomada no último minuto do segundo tempo do jogo, pegou todos de surpresa. É claro que Marina, na entrevista dada pouco antes, apontara uma pista : desejava quebrar a polarização entre tucanos e petistas. Ou seja, seria candidata. A pista se mostrou correta. Quer romper a polarização, mas com Eduardo Campos sendo o candidato. Ela como candidata a vice. Conseguirá? Vamos à análise.
Transferência? Coisa complicada
Vota-se nessas plagas em pessoas, muito pouco em partidos. Portanto, há de se distinguir um voto em Marina do voto de Eduardo Campos. Cada qual com seu bornal de votos. E a transferência de votos dela para ele? Pouco provável. Digamos que uns 10% a 15% de votos sejam transferidos para o conjunto da chapa. E os outros? Parcela boa da votação de Marina tende a migrar para Dilma Rousseff. Consideremos, nesse caso, a esfera ideológica em que ela e Dilma se abrigam. É a mesma, entre centro-esquerda e esquerda. Eduardo Campos também está circunscrito nesse espaço. Mas a tendência maior é a de migração de votos para a presidente. Principalmente em um ciclo de economia sob controle, inflação abaixo dos dois dígitos e empregabilidade mantida.
Aécio, maior perdedor
Quem perde mais no jogo que está sendo jogado é Aécio Neves. Encarna mais a oposição do que Eduardo Campos, que pertencia, até pouco tempo atrás, ao governo Dilma. Campos fala em melhorar, fazer melhor as coisas. Aécio prega mudança mais radical. Não há um clamor geral por mudanças radicais. As exigências apontam para a qualificação de serviços públicos, principalmente nas áreas da saúde, educação, transportes urbanos e segurança pública. Portanto, a tendência é a de manutenção das vigas macroeconômicas. Aécio quer polarizar.
Eduardo cresce?
Pode haver crescimento de Eduardo Campos, sim, mas em um contexto de insatisfação crescente. Vai depender, ainda, da visibilidade que alcance. Antes, precisa arrumar os parafusos da aliança com Marina. Primeiro, os empresários que simpatizam com sua candidatura continuarão com ele ? Não aceitam por completo Marina Silva. Esta, por seu lado, teve uma decepção com parte da bancada do PSB, que votou contra sua visão no projeto do Código Florestal. Os socialistas de Campos fecharam questão com a bancada ruralista. Campos vai precisar de Marina para se infiltrar nos colégios eleitorais do Sudeste. Um desafio e tanto.
Uma inversão na chapa?
É possível haver uma inversão na chapa. Digamos que, no primeiro trimestre de 2014, Marina continue com alta visibilidade e bons índices de intenção de voto, algo como 25%; e Eduardo Campos, mesmo sob o empuxo de Marina, não consiga uma alavancagem que o posicione como segundo colocado. Será que a chapa se mantém? A lógica, nesse caso, aponta para uma inversão, com Marina assumindo a cabeça da chapa?
Lula, metamorfose
Há, ainda, Lula. Que já prometeu ser a metamorfose ambulante da campanha. Puxará as massas para o espaço de Dilma. No Nordeste, tende a ser o maior puxador de votos de sua pupila. Seu imbróglio maior será SP, o maior colégio eleitoral do país, e que tem um voto menos emotivo e mais racional. As classes médias paulistas têm um canal muito estreito com o tucanato, apesar da sensação de esgotamento do ciclo tucano. 20 anos de poder corroem os melhores materiais.
Black blocs
Pelo andar da carruagem, as manifestações de rua tendem a continuar. Se hoje, fazem barulho nos centros do RJ e SP, imaginemos os meados de 2014. O imprevisível estará na esfera desses grupamentos mascarados, que se intitulam de black blocs. Os movimentos de rua começam pacíficos e acabam com depredações de patrimônios público e privado. As polícias reagem tardiamente, quando o quebra-quebra assume proporções fantásticas. Não há prevenção e isso é um grande erro. Governos parem tíbios e tímidos, denotando receio de fazer uma repressão mais dura. O Brasil vive efetivamente uma crise de autoridade.
Enxugamento na Petrobras
Petrobras era um gigante. Hoje, um gigante que vê buracos por todos os lados. Esfacela-se. A última nota da Petrobras é sobre o enxugamento de sua estrutura. Fechará 38 escritórios no exterior. Velhos tempos de glórias. Novos tempos de aflição.
A moldura partidária
A migração partidária apenas balanceou as bancadas, sem alterar as fisionomias situacionista e oposicionista na Câmara. O governo Dilma continua com o rolo compressor, formado por 384 parlamentares. Sobram 129 na base oposicionista, se considerarmos que o PSB, de Eduardo Campos, com 22, tende a formar com o bloco de oposição. Quem esperava uma debandada na direção oposicionista ficou a ver navios.
O novo quadro
1. Governo
PT, de 87, ficou com 86; PMDB, de 83, ficou com 77; PSD, de 48, ficou com 41; PP, de 40, ficou com 43; PR, de 37, ficou com 36; PDT, de 28, ficou com 19; PSB, de 19, ficou com 22; PTB, de 17, ficou com 18; PSC, de 16, ficou com 14; PC do B permaneceu com 13; PV, de 10, ficou com 9; PRB, de 10, ficou com 11; PT do B permaneceu com 3; PRP permaneceu com 2; PHS, de 1, ficou com nenhum.
2. Oposição
PSDB, de 50, ficou com 46; DEM, de 27, ficou com 25; PPS, de 11, ficou com 8; PSOL permaneceu com 3; PMN permaneceu com 3; PEN, de 1, ficou com nenhum.
3. Novos
Solidariedade - 21
PROS - 14
Na Academia de História
Registro, com alegria, meu ingresso, ontem, na Academia Paulista de História. Assumo a vaga deixada pelo grande professor de psicologia, Samuel Pfromm Netto, que conheci, desde os idos de 1975, quando a Proal, empresa da qual era sócio, promoveu um Simpósio sobre TV e Criança. Fui o coordenador desse evento. Hoje, nossas histórias novamente se cruzam. O patrono da Cadeira nº 7, que ocupo, é Alexandre de Gusmão, o criador do Tratado de Madri, pelo qual o Brasil ganhou sua atual configuração geográfica. Gusmão é considerado o "avô da diplomacia brasileira".
Canuto
Canuto, rei dos vândalos, mandando justiçar uma quadrilha, e pondo um deles embargos de que era parente Del-Rei, respondeu:
- Pois se provar ser nosso parente razão é que lhe façam a forca mais alta.
(Padre Manuel Bernardes)
PS. Os vândalos, hoje, são de outra espécie.
Conselho a Eduardo Campos
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado às oposições. Hoje, volta sua atenção ao governador de PE, Eduardo Campos:
1. Vossa Excelência merece congratulações pela jogada de mestre, como pode ser interpretada a parceria com Marina Silva. Mas não pense que transferência de votos ocorre de maneira natural entre parceiros. Será muito difícil que os votos de Marina sejam depositados em seu bornal.
2. Procure aproveitar a parceria com a ícone da Sustentabilidade para entrar em espaços que ainda não o conhecem bem, como as regiões Sudeste e Sul. Mas deixe para tomar uma decisão sobre a real composição de sua chapa mais adiante, no primeiro trimestre de 2014.
3. Se Marina continuar como segunda colocada e Vossa Excelência em quarto lugar, o lógico seria ceder o espaço à acreana. Seria um gesto de boa política e boas práticas.
(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 8 de outubro de 2013
OBSERVATÓRIO
“A Constituição mudou na sua elaboração, mudou na definição dos poderes, mudou restaurando a federação, mudou quando quer mudar o homem em cidadão. E só é cidadão quem ganha justo e suficiente salário, lê e escreve, mora, tem hospital e remédio, lazer quando descansa.” Com uma oração heróica e histórica, Ulysses Guimarães anunciou, em 5 de outubro de 1988, a nova Carta Magna Brasileira. No dia em que celebrava os 25 anos da Constituição Cidadã o mundo político nacional foi surpreendido com a filiação da ex-senadora Marina Silva ao Partido Socialista Brasileiro, o PSB. Esse gesto também foi permeado de simbolismos.
MARINA
Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima, nascida em 8 de fevereiro de 1958 na pequena comunidade de Breu Velho, no Seringal Bagaço, Acre, possui uma biografia que fala por si mesma. Seus pais, de raízes nordestinas, tiveram 11 filhos, dos quais três faleceram. A mãe morreu quando Marina tinha apenas 15 anos. A vida no seringal era difícil. Marina conta que “acordava sempre às 4h da manhã, cortava uns gravetos, pegava uns pedaços de seringuins, acendia o fogo, fazia o café e uma salada de banana perriá com ovo. Esse era o nosso café da manhã”. Seu histórico de saúde ainda inclui hepatite aos 16 anos (a primeira das três que foi acometida), cinco malárias e uma leishmaniose. Destoando da aparente fragilidade, é detentora de uma grande força espiritual e poder de superação. Por tudo isso se tornou a principal líder sócio-ambiental do País.
MARINA II
Marina se notabilizou nacionalmente na eleição passada ao obter uma votação que superou todos os prognósticos. Inseriu-se, com leveza e liberdade, no pesado e amarrado cenário do debate político. Sentindo o apelo popular por uma nova política, desprovida das vicissitudes que grassam na prática convencional, Marina iniciou um movimento pela criação do partido Rede Sustentabilidade. Teve o projeto frustrado pela ação de boicote de adversários políticos combinada com uma decisão judicial que priorizou a forma (burocracia) em detrimento do conteúdo (democracia).
MARINA III
Mulher de extrema fé, Marina exala espiritualidade sem fazer proselitismo religioso. Isso a faz protagonista de um estilo político que privilegia o desprendimento, o desapego aos caminhos convencionais e, sobretudo, uma maneira toda especial de dialogar com os opositores. Marina trata os que estão em trincheiras opostas à dela com respeito e sem a ira característica dos contendores políticos. Foi por isso que, sábado passado, publicamente reconheceu méritos em Fernando Henrique e Lula, algo que os aliados de ambos não fazem. Que falta faz esse tipo de postura!!!...
CÂMARA
Precedida de intensa movimentação nos bastidores, a Câmara Municipal de Crateús apreciou o Projeto de Lei que trata da mudança de regime jurídico dos servidores municipais. Os servidores, por meio dos Sindicatos dos Servidores e Professores, se uniram nos protestos. A cidade parou para assistir. Por maioria os senhores Vereadores rejeitaram o Projeto do Executivo Municipal. Votaram a favor: Arimilson, Cleber Bonfim, João de Deus, Paulo Teles, Adriano das Flores e Aldairton Carvalho. Votaram contra: Conegundes Soares, Arnaldo Minelvino e Antônio Luiz Jr (DEM), Alesson Coelho e Cabo Bonfim, do PSDB, Bibi Apolônio (PMDB), José Humberto (PCdoB), Eva (PSL) e Toré (PV). Para quem está distante, soa estranho o resultado: ganhou a manutenção do regime celetista (CLT) em detrimento do regime estatutário. Em tese, os doutrinadores são de opinião favorável a que o regime mais adequado aos entes públicos é o estatutário. Por que a derrota, então?
A RAIZ
Não se pode analisar esse assunto isoladamente. Na raiz desse problema está uma questão maior: a frustração do povo de Crateús com os rumos da gestão. Quando foi eleito a primeira vez, em 2008, o doutor Carlos Felipe era a encarnação da novidade, o caudatário das aspirações superiores da gente crateuense por uma nova política, higienizada e alvissareira. Ele, porém, imaginou que acumulando índices de volumes de obras superiores aos que o antecederam se firmaria para a história. Ledo engano. O desejo do povo era – e continua sendo – ver um Prefeito que, além de fazer as obras materiais necessárias, faça sobretudo a renovação das práticas, a revolução dos costumes.
A RAIZ II
Um dos primeiros testes a que o atual Prefeito foi submetido ocorreu logo no início do primeiro mandato: os professores o procuraram em busca de discutir a pauta anual de reivindicações. Ao invés de ouvi-los respeitosamente, o Prefeito resolveu impor a própria opinião. Imaginou que a larga maioria de votos obtida era um cheque em branco para os quatro anos. Substituiu a conversação pela imposição. Enfrentou uma greve dolorosa e, desde então, os servidores passaram a lhe olhar com desconfiança. Aquele episódio – e outros que o sucederam - criou feridas ainda não cicatrizadas. A lição que fica é: há uma crise de credibilidade da gestão!
A RAIZ III
Em momento posterior à votação, o Prefeito se pronunciou através de uma emissora de rádio. Fez uma fala um tanto amarga, carregada de ressentimentos e reveladora do poço de contradições em que se encontra mergulhado. Sem reconhecer equívocos, culpou o PSOL pela derrota. Falou que o Município ia ter um prejuízo de quinhentos mil reais. De onde? Do pagamento de FGTS. Paciência, isso não é prejuízo, mas conquista social do trabalhador. Todos os Prefeitos anteriores pagaram sem reclamar. Aliás, é obrigação legal no regime celetista. Disse que não era perseguidor, mas revelou que ia tratar de maneira diferenciada os vereadores. Ou seja, vai privilegiar os ‘fiéis’ e castigar os ‘infiéis’. Isso, por óbvio, é perseguição. Ora, o Chefe do Executivo não é o Prefeito de uma parte das pessoas, mas de todos. Ele não pode discriminar nenhum cidadão, muito menos os representantes do povo. Todos nós temos erros, defeitos e caímos em contradição. Necessitamos, vez por outra, de um momento de introspecção: reconhecer as falhas e buscar a superação. Um pouco de humildade faz bem ao coração. O prefeito, também, precisa exercitar essa lição.
PARA REFLETIR
“Quero o amor por razão./ Sendo assim não terei arma,/ Só assim não farei a guerra./ E assim fará sentido/ Meu passar por esta terra./ Sou o arco, sou a flecha,/ Sou todo em metades,/ Sou as partes que se mesclam/ Nos propósitos e nas vontades./ Sou o arco por primeiro,/ Sou a flecha por segundo,/ Sou a flecha por primeiro,/ Sou o arco por segundo./ Buscai o melhor de mim/ E terás o melhor de mim./ Darei o melhor de mim/ Onde precisar o mundo.” (Marina Silva)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
CÉSAR VALE: FELIZ ANIVERSÁRIO!
No dia 30 de novembro de 1895, ao proferir mais uma de suas primorosas peças de oratória, em solenidade realizada no maior órgão de imprensa à época – o Jornal do Comércio - Ruy Barbosa assim inicia: “SENHORES: Em um desses processos famosos, cujos autores a história arquiva, o interrogatório começou por este diálogo entre o réu e o presidente do tribunal: ‘- Acusado, vosso nome? - Francisco Renato, Visconde de Chateaubriand. – Vossa profissão? – Jornalista. ’ É deste modo que se qualificava, em 1833, à barra do júri, o grande poeta, o grande artista, o grande regenerador literário, o maior dos modernos escritores franceses, o homem que escrevera O Gênio do Cristianismo, traduzira Milton e arrostara Bonaparte. Tão múltipla era a sua atividade, em tantas esferas da inteligência era primaz o escritor, o historiador, o diplomata, o administrador, o antigo par de França, tantos títulos tinha, e de todos se esqueceu, para se condecorar, perante os seus juízes, com o de simples jornalista”.
Fazia Ruy esse intróito para externar o frescor de encanto que o sacudia por se encontrar na condição de confrade no círculo ilustre dos homens de imprensa de sua geração, mercê da distinção que lhe era conferida. Três foram os púlpitos em que o genial baiano forjou sua trajetória: nas páginas da Imprensa, nas barras dos Tribunais e na Tribuna do Congresso. A Liberdade, o Direito e a Justiça foram a trinca de unidade que abrasou sua vida laboriosa. De todas, porém, o jornalismo era a estrela mais radiosa: "E jornalista é que eu nasci, jornalista é que eu sou, de jornalista não me hão de demitir enquanto houver imprensa, a imprensa for livre, e este resto de liberdade nos indicar que a pátria respira".
Dedilho estas sílabas sob a envolvente brisa da Serra das Matas, onde estou por dever de ofício. Aqui, no antigo Arraial da Telha, hoje Monsenhor Tabosa, nasceu em 07 de outubro de 1939, filho de Antônio do Vale Filho e Ignez Aguiar Vale, um jornalista de nome nobre e filiado à plêiade de Chateaubriand e Ruy: Sebastião César Aguiar Vale!
Em verdade, pouco tempo depois do seu nascimento, a família foi residir em Crateús, cidade que o acolheu como filho e à qual está sentimental e literalmente filiado. Na terra do Senhor do Bonfim, desfrutou os anos doirados da infância, brincando de jogar pião e castanha, pega-pega, “mãos ao alto”, pitéu recheado de cera de abelha e enfeitado com tampinhas de refrigerantes e muitas outras travessuras. Teceu o linho de inúmeras amizades nessas manhãs memoráveis e armazenou, na caixa de memória da alma, fatos que hoje recompõe nas páginas da Gazeta do Centro Oeste, noticioso que compila sob a linotipia do coração e que transformou no mais longevo periódico das tórridas plagas do Poty.
Discípulo de D. José Tupinambá da Frota no Seminário de Sobral, meditou por boa estação pelos pórticos eclesiais, onde apreendeu a sabedoria monasterial e se enamorou do Latim, cujas locuções essenciais acalenta com habilidade oracular. Serviu como acólito na Igreja Matriz de Crateús quando era vigário o Padre Bonfim. Com o desassombro de um bandeirante da fé, peregrinou muitas vezes na garupa da moto do meu parente sacerdote em incursões missionárias, visitas pastorais e, em especial, para levar aos enfermos o sacramento da extrema unção, costume da época. Por falar em moto, no vigor dos seus dezessete anos um trágico episódio testaria sua força e resistência. Atropelado por uma motocicleta na Praça do Mercado, próximo à atual Rádio Educadora, amargou pesado choque em uma das pernas, que foi fraturada em três partes. Encaminhado para Fortaleza, em 1957, ficou meses internado na antiga Policlínica sem conseguir a reabilitação. Para agravar a situação, os seus rins foram seriamente afetados por enormes cálculos renais. Teve que buscar auxílio médico no Hospital das Clínicas, na cidade de São Paulo, onde permaneceu por um ano. Nesse hospital, enfrentou duas cirurgias: uma nos rins - que lhe deixou uma marca permanente - e outra na perna fraturada, inclusive com enxerto no calcanhar. Como um indomável guerreiro, de tudo se reergueu altivo para sorver o cálice da superação.
Em Fortaleza, onde se estabeleceu depois dessa batalha, laborou por muitos anos em atividades comerciais e se bacharelou em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará. Seu pendor jornalístico reluziu nas páginas do renomado Jornal O Povo.
Desde que retornou a Crateús, com um cetro de bravura, resistência e heroísmo mantém de pé o Jornal GAZETA DO CENTRO OESTE, circulando quinzenalmente pelos mais longínquos rincões da nossa pátria verde-amarela, azul e branca. Já enfrentou pesadas tempestades. Sua pena, não raro, vira uma peixeira afiada para lavar a honra da cidadania aviltada ou uma simples palha de carnaúba, que desdenha com incomparável ironia a arrogância fútil dos espíritos medíocres.
Degustador de vinhos e livros, aprecia a boa prosa e o convívio fraterno, sobretudo com a família. Do primeiro enlace matrimonial com Leda Montenegro Vale (in memorian), é pai de Maria Tereza, Claudio César e Danielle. Com Leudinha, atual esposa, rejuvenesceu o coração ao ver nascer Tereza Danielle, que enche de enlevo o cotidiano do casal.
Ave, César, militante da audácia, imperador da fortuna que a traça não corrói, atleta que conduz a pira olímpica do jornalismo combatente, oleiro que manuseia a argila preciosa do pensamento libertário, talentoso escriba das sílabas independentes! Ave, César, conserva teu reino: uma invisível gleba de terra, escriturada em papel real e virtual, que acolhe o brado do mundo e faz germinar jitiranas de luz!
(Júnior Bonfim, em 2009)
domingo, 6 de outubro de 2013
MANIFESTO DE FILIAÇÃO DEMOCRÁTICA DA REDE AO PSB
“Os partidos Rede Sustentabilidade e Partido Socialista Brasileiro decidiram neste sábado, 5 de outubro, formar uma coligação política e eleitoral em torno de um programa para a disputa das eleições de 2014.
Ambos os partidos reafirmam a legitimidade da integridade e da identidade partidária do outro.
Nas circunstâncias criadas por recente decisão da Justiça Eleitoral, o caminho para construir essa coalizão é a filiação democrática e transitória das lideranças e da militância da Rede ao PSB. A filiação democrática e transitória é uma tradição brasileira nas situações em que correntes políticas são impedidas de se organizar formalmente e de participar com sua própria legenda dos processos políticos e eleitorais.
O objetivo central da aliança entre o PSB e a Rede é aprofundar a democracia e construir as bases para um ciclo duradouro de desenvolvimento sustentável, os dois pilares da verdadeira soberania nacional.
A luta da sociedade brasileira tem alcançado importantes conquistas nas últimas décadas: a redemocratização, a estabilidade econômica, a redução das desigualdades sociais. A única forma de manter e aprofundar essas conquistas é avançar. Por isso estamos unindo forças para apresentar uma alternativa ao Brasil.
A convergência programática entre a Rede e o PSB, que será desdobrada num calendário apropriado, é uma contribuição para superar velhos hábitos e vícios da política brasileira. Chegou a hora de a política ser colocada a serviço da sociedade e de o Estado ser finalmente comandado pelo povo brasileiro.
O ato político de hoje é o início de um processo. A aliança entre PSB e Rede será construída de baixo para cima nas escolas, locais de trabalho, municípios, Estados, no diálogo permanente e democrático com as organizações da sociedade.
Esse é o nosso compromisso.”
Ambos os partidos reafirmam a legitimidade da integridade e da identidade partidária do outro.
Nas circunstâncias criadas por recente decisão da Justiça Eleitoral, o caminho para construir essa coalizão é a filiação democrática e transitória das lideranças e da militância da Rede ao PSB. A filiação democrática e transitória é uma tradição brasileira nas situações em que correntes políticas são impedidas de se organizar formalmente e de participar com sua própria legenda dos processos políticos e eleitorais.
O objetivo central da aliança entre o PSB e a Rede é aprofundar a democracia e construir as bases para um ciclo duradouro de desenvolvimento sustentável, os dois pilares da verdadeira soberania nacional.
A luta da sociedade brasileira tem alcançado importantes conquistas nas últimas décadas: a redemocratização, a estabilidade econômica, a redução das desigualdades sociais. A única forma de manter e aprofundar essas conquistas é avançar. Por isso estamos unindo forças para apresentar uma alternativa ao Brasil.
A convergência programática entre a Rede e o PSB, que será desdobrada num calendário apropriado, é uma contribuição para superar velhos hábitos e vícios da política brasileira. Chegou a hora de a política ser colocada a serviço da sociedade e de o Estado ser finalmente comandado pelo povo brasileiro.
O ato político de hoje é o início de um processo. A aliança entre PSB e Rede será construída de baixo para cima nas escolas, locais de trabalho, municípios, Estados, no diálogo permanente e democrático com as organizações da sociedade.
Esse é o nosso compromisso.”
ARCO E FLECHA - POEMA DE MARINA SILVA
Do arco que empurra a flecha,
Quero a força que a dispara.
Da flecha que penetra o alvo
Quero a mira que o acerta.
Do alvo mirado
Quero o que o faz desejado.
Do desejo que busca o alvo
Quero o amor por razão.
Sendo assim não terei arma,
Só assim não farei a guerra.
E assim fará sentido
Meu passar por esta terra.
Sou o arco, sou a flecha,
Sou todo em metades,
Sou as partes que se mesclam
Nos propósitos e nas vontades.
Sou o arco por primeiro,
Sou a flecha por segundo,
Sou a flecha por primeiro,
Sou o arco por segundo.
Buscai o melhor de mim
E terás o melhor de mim.
Darei o melhor de mim
Onde precisar o mundo.
(Autoria: Marina Silva)
Quero a força que a dispara.
Da flecha que penetra o alvo
Quero a mira que o acerta.
Do alvo mirado
Quero o que o faz desejado.
Do desejo que busca o alvo
Quero o amor por razão.
Sendo assim não terei arma,
Só assim não farei a guerra.
E assim fará sentido
Meu passar por esta terra.
Sou o arco, sou a flecha,
Sou todo em metades,
Sou as partes que se mesclam
Nos propósitos e nas vontades.
Sou o arco por primeiro,
Sou a flecha por segundo,
Sou a flecha por primeiro,
Sou o arco por segundo.
Buscai o melhor de mim
E terás o melhor de mim.
Darei o melhor de mim
Onde precisar o mundo.
(Autoria: Marina Silva)
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
CONJUNTURA NACIONAL
Cuidado com a montaria
Quintino Cunha, famoso advogado e poeta, participava de um júri em Quixeramobim/CE. O promotor berrava na tribuna:
- Senhores jurados, estou montado na lei.
Quintino pede um aparte:
- V. Exa. tenha cuidado para não cair, porque está montado em um animal que não conhece.
O promotor se calou.
(Da lavra do amigo Sebastião Nery, em Folclore Político)
Está chegando a hora
Dia 5/10 cai no sábado. Portanto, quem quiser mudar de partido o fará até sexta, 4/10. O TSE também deve dar o veredicto ao partido de Marina, a Rede Sustentabilidade. O clima é de dúvidas. Faltam entre 30 a 40 mil assinaturas para o partido marineiro se firmar. Mas o Tribunal poderá decidir formalizar a sigla e pedir diligências sobre as assinaturas não validadas pelos cartórios. Ocorre que o MP pediu ao TSE que não aceite a formalização do partido. O vice-procurador Eugênio Aragão foi taxativo: "continua sem condições de ser atendido. Criar o partido com vistas, apenas, a determinado escrutínio [eleições de 2014] é atitude que o amesquinha, o diminui aos olhos dos eleitores", escreveu ele em seu parecer. O pessimismo voltou a imperar. Marina com um pé fora?
32 partidos
Existem 32 partidos no Brasil. Partido é parte, parcela do pensamento social. Parcelas: direita, centro-direita, centro, centro-esquerda, esquerda. Há 32 partes no espectro social do pensamento?
A estampa
Se a Rede fosse estendida, teríamos esta moldura : Dilma, candidata à reeleição; Marina, candidata independente, com um toque de oposição; Aécio Neves, candidato do tucanato e das oposições clássicas (PSDB e DEM), e ainda com o apoio deste novo partido, Solidariedade, liderado por Paulinho da Força; e Eduardo Campos, candidato que ensaia um discurso de mudança, mas ainda tem o perfil frappé, meio lá, meio cá, café com leite. José Serra saiu da crise existencial que o sufocava. Decidiu ficar no PSDB.
Casamentos
Geralmente, as parcerias ocorrem na esteira de defesa comum de pontos de vista entre siglas. No Brasil, as parcerias fogem à lógica. Casamento de touro com cabra passa a ser coisa normal.
Com Marina
Marina candidata, poderia atrair segmentos dispersos, que não estão contentes com a situação e que não simpatizam com os tucanos. Para tanto, precisa ter uma forte visibilidade. Esse seria seu maior desafio. Sem mídia massiva, carecerá de ampla mobilização de seus adeptos pelas redes sociais e meios alternativos. Teria chances de expandir bem os votos - quase 20 milhões - que ganhou no pleito de 2010. Tira votos de Aécio Neves e Eduardo Campos. A mais cotada para entrar no segundo turno se encontra a um passo fora da corrida. Quem herdará seu espólio?
Ingovernabilidade
Marina teria condições de governar, caso fosse candidata e, mais, se fosse vitoriosa? Pergunta feita a 10 formadores de opinião. 8 disseram: não. 2 responderam: teria de mudar a personalidade.
Sem Marina
Sem Marina, o pleito tomará outro rumo. Eduardo Campos seria o mais favorecido por representar setores e núcleos que pleiteiam avanços e novidades. Mais que Aécio, o governador de PE expressa inovação, mudança. Mas ele não fazia parte da base governista? Essa é a questão que será colocada na mesa do debate. Sim, mas o eleitor tende a fugir da polarização entre situação e oposição. Selecionará aquele perfil que lhe traduza maior possibilidade de realizar mudanças. Campos é menos conhecido. Tem boa estampa. E boa expressão. Seu potencial de crescimento é maior do que o de Aécio. É possível que ambos, com boas votações, consigam empurrar a campanha para o segundo turno. Desafio maior sem a presença de Marina.
Com quem?
Houvesse um segundo turno, Aécio com Dilma, com quem ficaria E. Campos? Lula diria: Dilma. Grupo de Campos diria: Aécio. Segundo turno, com E. Campos e Dilma, com quem ficaria Aécio: E. Campos.
Triângulo das Bermudas
A performance da presidente Dilma, como é sabido, será melhor nas regiões Nordeste, Norte, Centro Oeste, onde os braços governistas se fazem muito fortes. Mas é possível que sua performance na região Sudeste também surpreenda, principalmente se 2014 for soprado com os ventos da temperança econômica. O Triângulo das Bermudas decidirá a campanha : SP, com mais de 30 milhões de votos; MG, com cerca de 15 milhões e RJ, com mais de 12 milhões. Em SP, tudo vai depender da campanha estadual. O governador Alckmin conseguirá emplacar a reeleição? Este consultor levanta a hipótese de corrosão de material. 20 anos de tucanato entopem artérias eleitorais. Hoje, ele é o favorito.
MG e Rio
Em Minas, o governador Anastasia conseguirá eleger seu candidato ? Aécio, em sua terrinha, terá, evidentemente, a maior votação. Mas o ministro Fernando Pimentel deverá contar com a parceria do PMDB, onde acaba de entrar o empresário de sucesso, da Coteminas, Josué Gomes da Silva, filho do ex-presidente José Alencar, falecido. No Rio, a situação de Sérgio Cabral não é boa. O PT, do senador Lindbergh, tem boas condições para liderar a parada.
Bombas
Há algumas bombas que podem explodir sobre Lindbergh. Coisas de quando era prefeito. Caso no STF.
O fator Lula
Dilma conta com o maior cabo eleitoral do país: Lula. Que tem dito: serei uma metamorfose ambulante. Se ela for para o Norte, eu vou para o Sul; se for para o Oeste, irei ao Nordeste. Ou seja, Lula se diz candidato. Porque ele é Dilma e Dilma é ele. Essa simbiose pode dar certo. Os centros eleitorais - classes médias tradicionais - não embarcarão nessa canoa. Mas a lábia tem grandes chances de engabelar as massas periféricas. O fator Lula é o maior diferencial da candidata Dilma.
Quanto mais?
O fator Lula pesa quanto? 10% a mais? 20% a mais? 30% a mais? É o cálculo.
Profusão de leis
De 2000 a 2010, o país criou 75.517 leis, somando legislações ordinárias e complementares estaduais e Federais, além de decretos Federais. Isso dá 6.865 leis por ano - o que significa que foram criadas 18 leis a cada dia, desde 2000. Das leis criadas entre 2000 e 2010, 68.956 são estaduais e 6.561, Federais. MG foi o maior legislador do período: criou 6.038 leis. Em seguida, BA, criadora de 4.467 leis; RS, com 4.281; SC, com 4.114; e SP, com 4.111. O RJ criou 2.554 leis nesse período.
Oposições sem discurso
As oposições, por sua vez, ainda não encontraram o fio da meada. Falta eixo no discurso. O que se ouve e se vê é uma expressão adjetivada, não substantivada. Quais são as ideias das oposições, os programas, os projetos ? Mudar é uma promessa genérica. Falta escopo. Conteúdo. O adjetivo só gera eficácia em ambiente de muita devastação econômica, inflação alta, desemprego em massa. Nesse caso, a indignação invade os espíritos e a campanha entra em largas estradas emotivas. A essa altura, os prognósticos não são catastróficos. O país não desceria o despenhadeiro.
Despenhadeiro
País no despenhadeiro seria: inflação acima de dois dígitos; desemprego em massa; categorias nas ruas exigindo aumento de salários; greves gerais.
O programa "Mais Médicos"
O programa Mais Médicos terá o peso do Bolsa Família no governo Lula. Esse Bolsa Cabeça será apresentado como a alternativa aprovada pelo povão. Vamos ver nos programas eleitorais da candidata muitos depoimentos de gente humilde, falando da generosidade, do bom atendimento, da disposição dos médicos estrangeiros. Os médicos brasileiros serão cabos eleitorais das oposições, mas apenas reforçarão a convicção de eleitores que já não votariam no PT. Esse programa pavimentará a estrada do médico Alexandre Padilha, candidato ao governo de SP. Aqui, o PT conseguirá seus tradicionais 30% de votos. Poderá, até, subir de patamar. Tudo vai depender do clima econômico.
Efeito sanfona
O programa Mais Médicos provocará o efeito sanfona: das extremidades para o centro. Alta aprovação de Dilma nas margens fazendo pressão sobre o centro.
Goiás e Paraná
GO e PR são dois colégios eleitorais importantes. Administrados por governadores tucanos, seriam, teoricamente, redutos de grandes votações para o candidato Aécio Neves. As campanhas estaduais, porém, contarão com candidatos oposicionistas com forte diferencial. No PR, a candidatura da ministra, senadora Gleisi, se apresenta como novidade. Em GO, a candidatura do empresário Junior, do Friboi, que está no PMDB, simboliza o novo. Não será fácil para o PSDB.
Nordeste
A hipótese é a de que o governador Eduardo Campos consiga uma grande votação no Nordeste. Mais uma vez, as correntes eleitorais seguirão as ondas avolumadas pelas candidaturas estaduais. No CE, por exemplo, os irmãos Cid e Ciro Gomes, que devem entrar no PROS ou no PDT (cuja vantagem é a de estar estruturado no Estado), engrossarão a corrente da presidente Dilma, seja qual for o candidato que apoiarão ao governo do Estado. Eles dominam a política cearense. Como já salientei acima, a região nordestina é o paraíso dos votos do governismo Federal.
Lula lá
E Lula, hein? Como será o palanque de Lula em sua terrinha, que é a mesma do governador Eduardo Campos? Este consultor tem a impressão de que Lula apagará um bocado de votos que iria para a conta de Dudu Beleza. Que anda anunciando ter chegado a hora de "fazer diferente".
A imagem de Hollande
François Hollande, presidente da França, passou por uma grande mudança de imagem. Consultou o jornalista Claude Sérillon sobre como remodelar sua imagem. Este buscou o conselho de dois peritos. Três soluções foram apresentadas: vigiar sua linguagem (por exemplo, jamais dizer "eu creio"); cuidar da atitude corporal (por exemplo, dando atenção à preparação física e bebendo água em lugar de álcool); e atentar para a roupa (por exemplo, evitar o nó de gravata simples e a aparência negligenciada.
Caráter
"Aquele que domina a sua cólera, domina seu pior inimigo". Kung FuTse, Confucio
"Aquele que não tem caráter não é um homem: é uma coisa". Nicolás-Sebastien Roch Chamfort
"O talento se cultiva na solidão; o caráter se forma nas tempestuosas voltas do mundo". Johann Wolfgang von Goethe
"O verdadeiro caráter sempre aparece nas grandes circunstâncias". Napoleão Bonaparte
"Tentar modificar o caráter de um homem é como tentar ensinar a uma ovelha como se atirar de um carro". Georg C. Lichtenberg
"A firmeza de caráter se traça através de uma regra de conduta". Guillermo Palau
Conselho às oposições
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos empresários. Hoje, dirige-se às oposições:
1. Oposição significa contraponto, alternativa, outra visão na política. Pressupõe, no caso dos partidos de oposição, a produção de um programa para o país, com estratégias de desenvolvimento no curto, médio e longo prazos.
2. Pouco adiantará expressar um discurso, pretensamente de oposição, com generalidades e adjetivos genéricos. Mudanças de estilos e avanços em programas implicam conteúdos densos em todos os campos: economia, política, social, cultural, gestão e administração, etc.
3. Ser de oposição significa ter coragem de enfrentar desafios, de não se submeter às pressões de grupamentos corporativos, ter independência para decidir e escolher as vias necessárias ao bem-estar da Nação.
____________
(Gaudêncio Torquato)
Quintino Cunha, famoso advogado e poeta, participava de um júri em Quixeramobim/CE. O promotor berrava na tribuna:
- Senhores jurados, estou montado na lei.
Quintino pede um aparte:
- V. Exa. tenha cuidado para não cair, porque está montado em um animal que não conhece.
O promotor se calou.
(Da lavra do amigo Sebastião Nery, em Folclore Político)
Está chegando a hora
Dia 5/10 cai no sábado. Portanto, quem quiser mudar de partido o fará até sexta, 4/10. O TSE também deve dar o veredicto ao partido de Marina, a Rede Sustentabilidade. O clima é de dúvidas. Faltam entre 30 a 40 mil assinaturas para o partido marineiro se firmar. Mas o Tribunal poderá decidir formalizar a sigla e pedir diligências sobre as assinaturas não validadas pelos cartórios. Ocorre que o MP pediu ao TSE que não aceite a formalização do partido. O vice-procurador Eugênio Aragão foi taxativo: "continua sem condições de ser atendido. Criar o partido com vistas, apenas, a determinado escrutínio [eleições de 2014] é atitude que o amesquinha, o diminui aos olhos dos eleitores", escreveu ele em seu parecer. O pessimismo voltou a imperar. Marina com um pé fora?
32 partidos
Existem 32 partidos no Brasil. Partido é parte, parcela do pensamento social. Parcelas: direita, centro-direita, centro, centro-esquerda, esquerda. Há 32 partes no espectro social do pensamento?
A estampa
Se a Rede fosse estendida, teríamos esta moldura : Dilma, candidata à reeleição; Marina, candidata independente, com um toque de oposição; Aécio Neves, candidato do tucanato e das oposições clássicas (PSDB e DEM), e ainda com o apoio deste novo partido, Solidariedade, liderado por Paulinho da Força; e Eduardo Campos, candidato que ensaia um discurso de mudança, mas ainda tem o perfil frappé, meio lá, meio cá, café com leite. José Serra saiu da crise existencial que o sufocava. Decidiu ficar no PSDB.
Casamentos
Geralmente, as parcerias ocorrem na esteira de defesa comum de pontos de vista entre siglas. No Brasil, as parcerias fogem à lógica. Casamento de touro com cabra passa a ser coisa normal.
Com Marina
Marina candidata, poderia atrair segmentos dispersos, que não estão contentes com a situação e que não simpatizam com os tucanos. Para tanto, precisa ter uma forte visibilidade. Esse seria seu maior desafio. Sem mídia massiva, carecerá de ampla mobilização de seus adeptos pelas redes sociais e meios alternativos. Teria chances de expandir bem os votos - quase 20 milhões - que ganhou no pleito de 2010. Tira votos de Aécio Neves e Eduardo Campos. A mais cotada para entrar no segundo turno se encontra a um passo fora da corrida. Quem herdará seu espólio?
Ingovernabilidade
Marina teria condições de governar, caso fosse candidata e, mais, se fosse vitoriosa? Pergunta feita a 10 formadores de opinião. 8 disseram: não. 2 responderam: teria de mudar a personalidade.
Sem Marina
Sem Marina, o pleito tomará outro rumo. Eduardo Campos seria o mais favorecido por representar setores e núcleos que pleiteiam avanços e novidades. Mais que Aécio, o governador de PE expressa inovação, mudança. Mas ele não fazia parte da base governista? Essa é a questão que será colocada na mesa do debate. Sim, mas o eleitor tende a fugir da polarização entre situação e oposição. Selecionará aquele perfil que lhe traduza maior possibilidade de realizar mudanças. Campos é menos conhecido. Tem boa estampa. E boa expressão. Seu potencial de crescimento é maior do que o de Aécio. É possível que ambos, com boas votações, consigam empurrar a campanha para o segundo turno. Desafio maior sem a presença de Marina.
Com quem?
Houvesse um segundo turno, Aécio com Dilma, com quem ficaria E. Campos? Lula diria: Dilma. Grupo de Campos diria: Aécio. Segundo turno, com E. Campos e Dilma, com quem ficaria Aécio: E. Campos.
Triângulo das Bermudas
A performance da presidente Dilma, como é sabido, será melhor nas regiões Nordeste, Norte, Centro Oeste, onde os braços governistas se fazem muito fortes. Mas é possível que sua performance na região Sudeste também surpreenda, principalmente se 2014 for soprado com os ventos da temperança econômica. O Triângulo das Bermudas decidirá a campanha : SP, com mais de 30 milhões de votos; MG, com cerca de 15 milhões e RJ, com mais de 12 milhões. Em SP, tudo vai depender da campanha estadual. O governador Alckmin conseguirá emplacar a reeleição? Este consultor levanta a hipótese de corrosão de material. 20 anos de tucanato entopem artérias eleitorais. Hoje, ele é o favorito.
MG e Rio
Em Minas, o governador Anastasia conseguirá eleger seu candidato ? Aécio, em sua terrinha, terá, evidentemente, a maior votação. Mas o ministro Fernando Pimentel deverá contar com a parceria do PMDB, onde acaba de entrar o empresário de sucesso, da Coteminas, Josué Gomes da Silva, filho do ex-presidente José Alencar, falecido. No Rio, a situação de Sérgio Cabral não é boa. O PT, do senador Lindbergh, tem boas condições para liderar a parada.
Bombas
Há algumas bombas que podem explodir sobre Lindbergh. Coisas de quando era prefeito. Caso no STF.
O fator Lula
Dilma conta com o maior cabo eleitoral do país: Lula. Que tem dito: serei uma metamorfose ambulante. Se ela for para o Norte, eu vou para o Sul; se for para o Oeste, irei ao Nordeste. Ou seja, Lula se diz candidato. Porque ele é Dilma e Dilma é ele. Essa simbiose pode dar certo. Os centros eleitorais - classes médias tradicionais - não embarcarão nessa canoa. Mas a lábia tem grandes chances de engabelar as massas periféricas. O fator Lula é o maior diferencial da candidata Dilma.
Quanto mais?
O fator Lula pesa quanto? 10% a mais? 20% a mais? 30% a mais? É o cálculo.
Profusão de leis
De 2000 a 2010, o país criou 75.517 leis, somando legislações ordinárias e complementares estaduais e Federais, além de decretos Federais. Isso dá 6.865 leis por ano - o que significa que foram criadas 18 leis a cada dia, desde 2000. Das leis criadas entre 2000 e 2010, 68.956 são estaduais e 6.561, Federais. MG foi o maior legislador do período: criou 6.038 leis. Em seguida, BA, criadora de 4.467 leis; RS, com 4.281; SC, com 4.114; e SP, com 4.111. O RJ criou 2.554 leis nesse período.
Oposições sem discurso
As oposições, por sua vez, ainda não encontraram o fio da meada. Falta eixo no discurso. O que se ouve e se vê é uma expressão adjetivada, não substantivada. Quais são as ideias das oposições, os programas, os projetos ? Mudar é uma promessa genérica. Falta escopo. Conteúdo. O adjetivo só gera eficácia em ambiente de muita devastação econômica, inflação alta, desemprego em massa. Nesse caso, a indignação invade os espíritos e a campanha entra em largas estradas emotivas. A essa altura, os prognósticos não são catastróficos. O país não desceria o despenhadeiro.
Despenhadeiro
País no despenhadeiro seria: inflação acima de dois dígitos; desemprego em massa; categorias nas ruas exigindo aumento de salários; greves gerais.
O programa "Mais Médicos"
O programa Mais Médicos terá o peso do Bolsa Família no governo Lula. Esse Bolsa Cabeça será apresentado como a alternativa aprovada pelo povão. Vamos ver nos programas eleitorais da candidata muitos depoimentos de gente humilde, falando da generosidade, do bom atendimento, da disposição dos médicos estrangeiros. Os médicos brasileiros serão cabos eleitorais das oposições, mas apenas reforçarão a convicção de eleitores que já não votariam no PT. Esse programa pavimentará a estrada do médico Alexandre Padilha, candidato ao governo de SP. Aqui, o PT conseguirá seus tradicionais 30% de votos. Poderá, até, subir de patamar. Tudo vai depender do clima econômico.
Efeito sanfona
O programa Mais Médicos provocará o efeito sanfona: das extremidades para o centro. Alta aprovação de Dilma nas margens fazendo pressão sobre o centro.
Goiás e Paraná
GO e PR são dois colégios eleitorais importantes. Administrados por governadores tucanos, seriam, teoricamente, redutos de grandes votações para o candidato Aécio Neves. As campanhas estaduais, porém, contarão com candidatos oposicionistas com forte diferencial. No PR, a candidatura da ministra, senadora Gleisi, se apresenta como novidade. Em GO, a candidatura do empresário Junior, do Friboi, que está no PMDB, simboliza o novo. Não será fácil para o PSDB.
Nordeste
A hipótese é a de que o governador Eduardo Campos consiga uma grande votação no Nordeste. Mais uma vez, as correntes eleitorais seguirão as ondas avolumadas pelas candidaturas estaduais. No CE, por exemplo, os irmãos Cid e Ciro Gomes, que devem entrar no PROS ou no PDT (cuja vantagem é a de estar estruturado no Estado), engrossarão a corrente da presidente Dilma, seja qual for o candidato que apoiarão ao governo do Estado. Eles dominam a política cearense. Como já salientei acima, a região nordestina é o paraíso dos votos do governismo Federal.
Lula lá
E Lula, hein? Como será o palanque de Lula em sua terrinha, que é a mesma do governador Eduardo Campos? Este consultor tem a impressão de que Lula apagará um bocado de votos que iria para a conta de Dudu Beleza. Que anda anunciando ter chegado a hora de "fazer diferente".
A imagem de Hollande
François Hollande, presidente da França, passou por uma grande mudança de imagem. Consultou o jornalista Claude Sérillon sobre como remodelar sua imagem. Este buscou o conselho de dois peritos. Três soluções foram apresentadas: vigiar sua linguagem (por exemplo, jamais dizer "eu creio"); cuidar da atitude corporal (por exemplo, dando atenção à preparação física e bebendo água em lugar de álcool); e atentar para a roupa (por exemplo, evitar o nó de gravata simples e a aparência negligenciada.
Caráter
"Aquele que domina a sua cólera, domina seu pior inimigo". Kung FuTse, Confucio
"Aquele que não tem caráter não é um homem: é uma coisa". Nicolás-Sebastien Roch Chamfort
"O talento se cultiva na solidão; o caráter se forma nas tempestuosas voltas do mundo". Johann Wolfgang von Goethe
"O verdadeiro caráter sempre aparece nas grandes circunstâncias". Napoleão Bonaparte
"Tentar modificar o caráter de um homem é como tentar ensinar a uma ovelha como se atirar de um carro". Georg C. Lichtenberg
"A firmeza de caráter se traça através de uma regra de conduta". Guillermo Palau
Conselho às oposições
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos empresários. Hoje, dirige-se às oposições:
1. Oposição significa contraponto, alternativa, outra visão na política. Pressupõe, no caso dos partidos de oposição, a produção de um programa para o país, com estratégias de desenvolvimento no curto, médio e longo prazos.
2. Pouco adiantará expressar um discurso, pretensamente de oposição, com generalidades e adjetivos genéricos. Mudanças de estilos e avanços em programas implicam conteúdos densos em todos os campos: economia, política, social, cultural, gestão e administração, etc.
3. Ser de oposição significa ter coragem de enfrentar desafios, de não se submeter às pressões de grupamentos corporativos, ter independência para decidir e escolher as vias necessárias ao bem-estar da Nação.
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(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 1 de outubro de 2013
POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL
2014: Dólar para cima. Juros também - 1
Os diversos segmentos do mercado financeiro mundial estão relativamente estáveis, inclusos os tais emergentes, dadas as informações provenientes da última reunião do Fed que manteve inalterada a expansão monetária que sustenta as atuais taxas de juros negativas nos EUA. Vale dizer que, a despeito desta informação, é certo que este período de forte expansão das emissões de dólares está chegando ao fim, depois de cinco anos desde a crise de meados de setembro de 2008. Isso significa que o dólar norte-americano vai se valorizar com a alta dos juros básicos daquela economia, bem como devido ao próprio fato de que a atividade econômica está em clara expansão nos EUA. O euro e o iene sentirão os efeitos decorrentes deste processo, mas serão as moedas de países em desenvolvimento aquelas que mais perceberão os efeitos do dólar americano mais caro. Neste sentido, Índia e China já se preparam claramente para este cenário. A Rússia opera olhando mais para o preço do petróleo e o Brasil está aumentando os juros, mas a inflação também sobe - este também é o caso da Turquia, para citar uma dentre as economias mais secundárias.
2014: Dólar para cima. Juros também - 2
Há, obviamente, a opção de os países emergentes, dentre os quais o Brasil, de não subir os juros e aceitar passivamente a desvalorização cambial. Isso significará muito provavelmente uma equivalente alta da inflação. No caso brasileiro há o agravante de que o governo represou uma série de preços públicos, dentre os quais a energia elétrica (esta sofreu uma desoneração, mas as tarifas estão artificialmente baixas) e os combustíveis. Ou seja, os riscos de inflação são muito maiores. Portanto, na medição entre juros mais altos versus inflação mais alta o governo deve optar pelo controle da inflação. O que, por sua vez, significa atividade econômica muito modesta, ao redor dos 2%. Note-se que não há no horizonte nenhuma alteração estrutural que nos tire desta sina do "voo de galinha", outrora propalado pelos que hoje detêm o poder. No caso da Índia e China, ambos os países com taxas de produtividade crescentes, o PIB pode crescer menos, mas não a ponto de se envergonhar perante seus "colegas". O caso do Brasil é de dar vergonha até mesmo perante o continente abaixo do Equador, local onde há o mito de que não há pecado.
2014: Dilma e o PIBinho
Até agora está claro o favoritismo da presidente na corrida presidencial. O fato de produzir resultados pífios na governança e na economia não a impede de bons índices de popularidade por força do emprego alto e a renda estável. É possível e, até mesmo provável, que persista este cenário por mais tempo. Porém, temos de reconhecer que o cenário no médio prazo está cada vez mais comprometido. A indústria brasileira está capenga, acumulando dia a dia mais necessidades de "vantagens" para sobreviver. Depende de um câmbio mais favorável, de desonerações tributárias permanentes, de incrementos de novas tecnologias, de maior eficiência na logística de produção e distribuição... e assim vai. Não à toa o Brasil, pouco a pouco retorna ao seu destino de país agrícola (e abençoado por Deus, neste particular). As elites industriais e financeiras pouco esforço despendem do ponto de vista político para frear este destino. O próprio ativismo governamental está voltado para o crédito de setores atrasados para um processo de acumulação capitalista digno do nome de "moderno". A política está afeita cada vez mais para a gestão de conjunturas de curto prazo e, nesse quesito, devemos reconhecer que governo e oposição são semelhantes. Em havendo semelhança, o povo escolhe o que mais conhece. No caso Dilma, assessorada diuturnamente por seu padrinho-palestrante Lula da Silva. É o que se verifica até agora.
México tenta ajuste
O presidente mexicano Enrique Peña Nieto lançou no último dia 8 um plano para ajustar o déficit público em 1,4% do PIB. Atualmente, o déficit é da ordem de 3,5% do PIB, o maior nos últimos 24 anos. A recepção do plano foi péssima e reuniu das classes laborais até os empresários mais discretos. Este ajuste ocorre no exato momento em que o país sofre os efeitos da forte saída de recursos estrangeiros, os quais estão retornando, sobretudo, para os EUA. Comenta-se que as agências de classificação de risco consideram reduzir a nota do país o que adicionaria maior turbulência ao mercado de títulos soberanos e privados. Investidores em mercados emergentes comentam que as dificuldades do México podem ser semelhantes aos eventuais ajustes/ reformas no Brasil, especialmente na área da previdência social, onde o déficit deve se aproximar de 1% do PIB este ano, cerca de R$ 40 bi. Em 10 anos este déficit deve ser de cerca de 3% do PIB.
Time quase completo
Dilma, de um lado amparada por um larguíssimo suporte de partidos políticos, de um partido comunista até um partido sob a influência de Paulo Maluf, símbolo do regime militar e de práticas cross border que faria até Obama corar. De outro lado, uma oposição fraca de ideias e ação, representada por Aécio Neves e (talvez) Marina Silva. Estes últimos tentam e tentam mais alianças políticas de olho nas eleições estaduais e do Congresso, além do famigerado horário de rádio e TV. Em meio aos principais candidatos surge Eduardo Campos, apostador no longo prazo. Sai agora debaixo das saias do governo pensando em conveniências de 2018. Afinal, é jovem e formou uma boa base em seu Estado PE e no Nordeste. Nada tem a acrescentar em termos de discurso. Pegará o que lhe parecer mais razoável e empenhará alguma bandeira mudancista. Por fim, temos José Serra, sobre quem ninguém sabe muito, pois para ele tudo é tão estratégico que parece discutido com um único personagem : ele mesmo. Ao que parece vai ficar no PSDB, voltado para um seguro mandato de deputado Federal. Terá o que falar no Congresso. Resta saber quem o escutará. Este deve ser o cenário. No final da semana esgota-se o prazo para indecisões.
Marina esbarra no óbvio
Tão certo quanto a torcida para que Marina fique sem partido é o fato de que "a sustentável" demonstrou pouca capacidade operacional para liderar um partido novo. Que existe má vontade dos corredores do aparelho estatal com a "Rede" até as pedras do Pão de Açúcar podem imaginar. Todavia, para quem teve pelo menos quatro anos para tomar um rumo, Marina Silva deixa muito a desejar. É possível que consiga formar o seu partido, mas a marca de inoperante precisa ser observada com redobrado cuidado. Ademais, a "postura" de manter-se eventualmente fora da luta política de 2014 em nome de "princípios" soa mais ainda como "fraqueza". Ninguém, em prol do Brasil, pode pregar "práticas fisiológicas", mas também deixar de articular para propor algo novo ao país parece mais "fuga" que postura. Cerca de 1/5 dos eleitores esperam algo de Marina Silva. Simplesmente virar as costas para este segmento e dizer "até 2018" parece coisa de artista consagrado que se retira da vida pública. Não é o caso de Marina que ainda necessita se provar viável enquanto alternativa de poder.
Difícil de explicar, difícil de entender
Filustrias legais à parte, será difícil explicar para o eleitor, mesmo os esclarecidos, como Marina não conseguiu formar seu partido e dois partidos voltados para a compra e venda - todos sabem do quê - se fizeram de pé até com facilidade. Esse episódio diz muito do sistema partidário brasileiro, da política de um modo geral e de um tal certo "garantismo" que em determinados momentos empolga a Justiça brasileira. Não dá para ninguém lavar as mãos nesse triste recorde mundial de partidos que o Brasil caminha para bater em breve. Todos estão interessados na existência dessas legendas de aluguel. E foi o STF que acabou com a cláusula de barreira (ou de desempenho) que poderia assustar alguns aventureiros. E foi também a Justiça quem disse que um partido novo pode herdar o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão e o fundo partidário referente ao número de deputados Federais que conquistar Deus e o Brasil inteiro sabem lá como. Liberou geral e agora não adianta chorar.
Eduardo Campos, moderno?
Será muito curioso verificar qual será o discurso do governador Eduardo Campos. É jovem, fala bem e parece querer transitar entre o moderno e o arcaico no que tange à economia. De seus respeitáveis índices de aprovação Campos manifesta-se pelo país e governo que "podem mais". Se pensa em 2018, por que não anuncia planos estruturais? Por que não denuncia o atraso no qual o país mergulha e prevalece a letargia política? Como explicará que foi sócio do primeiro time dos projetos lulistas e dilmistas e agora quer ser um oposicionista? Se tudo se circunscrever apenas ao "tático", por ora, é possível que Campos possa se inserir no cenário político, mas será necessário que ele vá além de suas alianças regionais e seus bate-papos com Dilma e Aécio. O que se conhece nacionalmente de Eduardo Campos foi sua atuação para assentar sua mãe Ana Arraes no TCU. Há dois anos fez contatos e acordos de norte a sul para garantir o assento da genitora. Venceu com 222 votos contra 149 do atual ministro dos esportes Aldo Rebelo. Apoiou-se em Lula, Kassab, no PTB de Roberto Jefferson e assim foi. Seria este um sinal de como atua politicamente? Em tempo: Campos não pode nem de longe passar a impressão de que começa a correr em 2014 para se preparar para 2018. Se o eleitor desconfiar disso, ele terá uma votação pífia. Afinal, porque votar agora num cara que só quer chegar em quatro anos?
Celso de Mello, Poder Estatal e o povo - 1
É consagrado o princípio que conceituou o Poder Estatal como único, dado que a sua fonte é o próprio Estado formado por um caráter volitivo originário dos interesses de um povo. A Constituição dá forma à organização do Estado e aos limites para a sua ação. A "separação de poderes", a partir desta premissa, foi o modo funcional construído socialmente a partir do século XVII para que o Poder uno do Estado fosse contido de forma "harmônica e equilibrada". Portanto, a "separação" é uma ficção útil à sociedade, evitando-se a tirania. A existência do Legislativo, Executivo e Judiciário é uma garantia cuja fonte é um "parcelamento" do Poder em prol do povo e que guarda graus variados de interdependência. A "separação" é uma garantia que, de outro lado, não deve excluir a influência de seu constituinte, o povo. Trata-se de conceito básico que muitas vezes precisa ser relembrado para que seja relativizada a independência de cada um deles, especialmente, o Judiciário, o mais supremo detentor das decisões estatais. Além do fato de que todas as instâncias do Poder Estatal estão sujeitas às críticas.
Celso de Mello, Poder Estatal e o povo - 2
Afirma o eminente ministro Celso de Mello, na coluna da jornalista Mônica Bergamo da Folha de S.Paulo do último dia 26 que "em 45 anos de atuação na área jurídica, nunca presenciei um comportamento tão ostensivo dos meios de comunicação buscando subjugar um juiz. (...) Abordagens passionais descaracterizam a racionalidade inerente ao discurso jurídico. É fundamental que o juiz julgue de modo independente". Ao que parece o ministro do STF esqueceu-se de alguns aspectos fundamentais ao fazer o seu desabafo. O povo, a sociedade, das quais a imprensa é parte, tem sim o direito de ser incisivo e ostensivo. Tem o direito de tentar influenciar as decisões estatais, em geral, e as do Judiciário em particular. Afinal, assim ocorre, por diferentes meios, com o Executivo e o Legislativo, também detentores do Poder Estatal. Mais : não pode haver "constrangimento" quando as vozes se pronunciam sobre temas que lhe são caros, dentre os quais, as imoralidades do chamado "mensalão" (cujo nome já soa desagradável). Diante disso não há tentativas de "subjugação". No caso da AP 470, por sinal, a decisão foi tomada e aceita, sem que houvesse nenhum atentado aos juízes e às suas sentenças.
Celso de Mello, Poder Estatal e o povo - 3
O ministro Celso de Mello, ao pronunciar o seu voto, estava desempatando um processo decisório onde havia e há mais dúvidas do que certezas. Não pense o eminente juiz da Corte máxima que o seu voto recheado de citações, embora muito respeitável, seja fonte de sabedoria superior nesta ação penal. Fosse assim cabalaria para si outros votos, afinal estes podiam ser mudados até o encerramento do resultado, não é mesmo? Se é verdade que a aceitação dos embargos infringentes é tortuosa, melindrosa e cheia de corredores analíticos, é verdade também que o distinto povo está "subjugado" por mazelas como a corrupção e o abuso do Poder uno do Estado. Ao povo não falta paciência com a "racionalidade do discurso jurídico". Especialmente quando se vê o tal do "mensalão" se arrastando por anos e os poderosos protegidos por um Estado de Direito que não agasalha sequer a maioria do povo. Não pode esperar o digníssimo magistrado que o povo distinga todas as facetas e particularidades de um processo, especialmente na Suprema Corte. Não resta dúvida que foi isso que a imprensa refletiu nas suas reportagens. Não se pode chamar isso de "paixão". Diga-se que nem sempre a imprensa reflete legitimamente e eficazmente os sentimentos do povo, mas neste caso a "racionalidade" de Celso de Mello deveria reconhecer que foi o caso. O Judiciário é uma garantia contra a tirania do Poder uno do Estado, mas não pode ser impermeável à fonte que lhe dá este Poder.
O "x" de Guido Mantega
O ministro da Fazenda Guido Mantega declarou em um evento na FGV/SP que "isso [a crise do grupo X] continua atrapalhando o desempenho da economia brasileira, que na Bolsa é muito boa. Mas claro que você pode ter uma empresa que não tenha desempenho suficiente e nos atrapalhe". Trata-se de uma declaração curiosa, especialmente vindo da boca do presidente do Conselho de Administração da Petrobras, o que lhe credencia como especialista no setor. Será que tal crise não era previsível? O que terá feito o governo para evitá-la? E por que o BNDES emprestou tantos recursos para este Grupo? Não deveria o banco ter sido mais prudente? Sobre estas perguntas não se sabe o que pensa o ministro.
Ainda Dilma na ONU
Cabe a um presidente de um país como o Brasil se indignar diante das revelações sobre a espionagem promovida pela maior potência do mundo em comunicações públicas e privadas de governantes. Tal indignação pode ser manifestada de diversas formas e ocasiões, mas no mundo da realpolitik é preciso tomar cuidado para não ultrapassar certos limites, incluso o do ridículo. A arena internacional não permite amadorismo. Veja o caso do governo Obama em relação à crise Síria. Vladimir Putin deu um nó diplomático no departamento de Estado e no próprio presidente que não restou alternativa aos EUA senão o recuo de suas pretensões intervencionistas. O que ocorreu em seguida ? O secretário John Kerry se recompôs, apertou a gravata e voltou a negociar com a Rússia e outros países que compõem o Conselho de Segurança da ONU. A União Europeia, também vítima da política de Obama, viu-se constrangida em verificar que sofreu espionagem no exato momento em que negocia um amplo acordo comercial com os EUA. O que ocorreu a seguir? A vida seguiu e as negociações também. A pergunta que resta é como Dilma e seu governo seguirão em relação aos EUA? Será que a presidente consultará o seu ministro sem pasta João Santana, conselheiro eleitoral da presidente, para saber o que fazer?
O sumiço de Mercadante
Nota-se em Brasília que o ministro da Educação Aloizio Mercadante está menos atuante nos assuntos fora de sua pasta. Não se sabe se isso é efeito de suas proposições sobre plebiscito e reforma política durante as manifestações de junho e julho passados. A conferir.
Por quê nem todos acreditam?
Lula tem feito louváveis esforços para dissuadir as viúvas do lulismo, no PT e na base aliada, de que não passa por sua cabeça voltar ao Palácio do Planalto. Pelo menos em 2014 não, o lugar, ele reafirma sempre que pode, é de Dilma. Em 2018, quem sabe, talvez... Mas cada vez que Lula abre a boca para jurar sua fidelidade a Dilma, mais as dúvidas sobre suas reais intenções persistem. Talvez por um erro de escolha de palavras e ênfases. Foi assim duas vezes nos últimos dias. No meio da semana passada, em entrevista à imprensa ligada ao PT, sua declaração de que "está no jogo" assanhou os lulistas mais radicais. No "Correio Braziliense" de domingo, o fogo pegou novamente: Lula disse que estará nos palanques como se fosse ele o candidato. Junte-se a isto críticas veladas a Dilma, inclusive no caso do rompimento político com o PSB, e está formado o caldo de cultura para alimentar um pouco mais o "volta Lula" que ele tenta abafar. Foram apenas escorregões verbais ou recados cheios de malícia política?
Por que eles não acreditam?
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, descobriu mais um responsável pela desconfiança no exterior a respeito da economia brasileira: o empresário Eike Batista, outros incensado no mundo oficial como o empreender dos novos tempos (ver nota acima).
De ilusões também se vive
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, talvez por um lapso mental, deu a chave do início desse descrédito, no road show que a presidente Dilma Rousseff comandou nos Estados Unidos para atrair investidores para o Programa de Investimentos em Logística (PIL): o modo como foi conduzida a renovação dos contratos do setor elétrico. A queda começou aí. Não foi à toa que o tom da peroração da presidente Dilma Rousseff foi o de que o Brasil é um país que cumpre contratos.
Por quê é tão difícil de convencer?
O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton passou maus bocados para tentar convencer os jornalistas especializados que acompanham o dia a dia do BC, que a política fiscal do governo Dilma caminha para a neutralidade, como a autoridade monetária escreveu no boletim trimestral de inflação divulgado ontem. Não é mesmo fácil emplacar esta tese depois de o superávit primário de agosto ter batido em apenas R$ 87 milhões e o governo, via Ministério da Fazenda, está contando com receitas extraordinárias, inclusive das concessões e infraestrutura e do pré-sal para cumprir sua promessa de economia de recursos este ano.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
Os diversos segmentos do mercado financeiro mundial estão relativamente estáveis, inclusos os tais emergentes, dadas as informações provenientes da última reunião do Fed que manteve inalterada a expansão monetária que sustenta as atuais taxas de juros negativas nos EUA. Vale dizer que, a despeito desta informação, é certo que este período de forte expansão das emissões de dólares está chegando ao fim, depois de cinco anos desde a crise de meados de setembro de 2008. Isso significa que o dólar norte-americano vai se valorizar com a alta dos juros básicos daquela economia, bem como devido ao próprio fato de que a atividade econômica está em clara expansão nos EUA. O euro e o iene sentirão os efeitos decorrentes deste processo, mas serão as moedas de países em desenvolvimento aquelas que mais perceberão os efeitos do dólar americano mais caro. Neste sentido, Índia e China já se preparam claramente para este cenário. A Rússia opera olhando mais para o preço do petróleo e o Brasil está aumentando os juros, mas a inflação também sobe - este também é o caso da Turquia, para citar uma dentre as economias mais secundárias.
2014: Dólar para cima. Juros também - 2
Há, obviamente, a opção de os países emergentes, dentre os quais o Brasil, de não subir os juros e aceitar passivamente a desvalorização cambial. Isso significará muito provavelmente uma equivalente alta da inflação. No caso brasileiro há o agravante de que o governo represou uma série de preços públicos, dentre os quais a energia elétrica (esta sofreu uma desoneração, mas as tarifas estão artificialmente baixas) e os combustíveis. Ou seja, os riscos de inflação são muito maiores. Portanto, na medição entre juros mais altos versus inflação mais alta o governo deve optar pelo controle da inflação. O que, por sua vez, significa atividade econômica muito modesta, ao redor dos 2%. Note-se que não há no horizonte nenhuma alteração estrutural que nos tire desta sina do "voo de galinha", outrora propalado pelos que hoje detêm o poder. No caso da Índia e China, ambos os países com taxas de produtividade crescentes, o PIB pode crescer menos, mas não a ponto de se envergonhar perante seus "colegas". O caso do Brasil é de dar vergonha até mesmo perante o continente abaixo do Equador, local onde há o mito de que não há pecado.
2014: Dilma e o PIBinho
Até agora está claro o favoritismo da presidente na corrida presidencial. O fato de produzir resultados pífios na governança e na economia não a impede de bons índices de popularidade por força do emprego alto e a renda estável. É possível e, até mesmo provável, que persista este cenário por mais tempo. Porém, temos de reconhecer que o cenário no médio prazo está cada vez mais comprometido. A indústria brasileira está capenga, acumulando dia a dia mais necessidades de "vantagens" para sobreviver. Depende de um câmbio mais favorável, de desonerações tributárias permanentes, de incrementos de novas tecnologias, de maior eficiência na logística de produção e distribuição... e assim vai. Não à toa o Brasil, pouco a pouco retorna ao seu destino de país agrícola (e abençoado por Deus, neste particular). As elites industriais e financeiras pouco esforço despendem do ponto de vista político para frear este destino. O próprio ativismo governamental está voltado para o crédito de setores atrasados para um processo de acumulação capitalista digno do nome de "moderno". A política está afeita cada vez mais para a gestão de conjunturas de curto prazo e, nesse quesito, devemos reconhecer que governo e oposição são semelhantes. Em havendo semelhança, o povo escolhe o que mais conhece. No caso Dilma, assessorada diuturnamente por seu padrinho-palestrante Lula da Silva. É o que se verifica até agora.
México tenta ajuste
O presidente mexicano Enrique Peña Nieto lançou no último dia 8 um plano para ajustar o déficit público em 1,4% do PIB. Atualmente, o déficit é da ordem de 3,5% do PIB, o maior nos últimos 24 anos. A recepção do plano foi péssima e reuniu das classes laborais até os empresários mais discretos. Este ajuste ocorre no exato momento em que o país sofre os efeitos da forte saída de recursos estrangeiros, os quais estão retornando, sobretudo, para os EUA. Comenta-se que as agências de classificação de risco consideram reduzir a nota do país o que adicionaria maior turbulência ao mercado de títulos soberanos e privados. Investidores em mercados emergentes comentam que as dificuldades do México podem ser semelhantes aos eventuais ajustes/ reformas no Brasil, especialmente na área da previdência social, onde o déficit deve se aproximar de 1% do PIB este ano, cerca de R$ 40 bi. Em 10 anos este déficit deve ser de cerca de 3% do PIB.
Time quase completo
Dilma, de um lado amparada por um larguíssimo suporte de partidos políticos, de um partido comunista até um partido sob a influência de Paulo Maluf, símbolo do regime militar e de práticas cross border que faria até Obama corar. De outro lado, uma oposição fraca de ideias e ação, representada por Aécio Neves e (talvez) Marina Silva. Estes últimos tentam e tentam mais alianças políticas de olho nas eleições estaduais e do Congresso, além do famigerado horário de rádio e TV. Em meio aos principais candidatos surge Eduardo Campos, apostador no longo prazo. Sai agora debaixo das saias do governo pensando em conveniências de 2018. Afinal, é jovem e formou uma boa base em seu Estado PE e no Nordeste. Nada tem a acrescentar em termos de discurso. Pegará o que lhe parecer mais razoável e empenhará alguma bandeira mudancista. Por fim, temos José Serra, sobre quem ninguém sabe muito, pois para ele tudo é tão estratégico que parece discutido com um único personagem : ele mesmo. Ao que parece vai ficar no PSDB, voltado para um seguro mandato de deputado Federal. Terá o que falar no Congresso. Resta saber quem o escutará. Este deve ser o cenário. No final da semana esgota-se o prazo para indecisões.
Marina esbarra no óbvio
Tão certo quanto a torcida para que Marina fique sem partido é o fato de que "a sustentável" demonstrou pouca capacidade operacional para liderar um partido novo. Que existe má vontade dos corredores do aparelho estatal com a "Rede" até as pedras do Pão de Açúcar podem imaginar. Todavia, para quem teve pelo menos quatro anos para tomar um rumo, Marina Silva deixa muito a desejar. É possível que consiga formar o seu partido, mas a marca de inoperante precisa ser observada com redobrado cuidado. Ademais, a "postura" de manter-se eventualmente fora da luta política de 2014 em nome de "princípios" soa mais ainda como "fraqueza". Ninguém, em prol do Brasil, pode pregar "práticas fisiológicas", mas também deixar de articular para propor algo novo ao país parece mais "fuga" que postura. Cerca de 1/5 dos eleitores esperam algo de Marina Silva. Simplesmente virar as costas para este segmento e dizer "até 2018" parece coisa de artista consagrado que se retira da vida pública. Não é o caso de Marina que ainda necessita se provar viável enquanto alternativa de poder.
Difícil de explicar, difícil de entender
Filustrias legais à parte, será difícil explicar para o eleitor, mesmo os esclarecidos, como Marina não conseguiu formar seu partido e dois partidos voltados para a compra e venda - todos sabem do quê - se fizeram de pé até com facilidade. Esse episódio diz muito do sistema partidário brasileiro, da política de um modo geral e de um tal certo "garantismo" que em determinados momentos empolga a Justiça brasileira. Não dá para ninguém lavar as mãos nesse triste recorde mundial de partidos que o Brasil caminha para bater em breve. Todos estão interessados na existência dessas legendas de aluguel. E foi o STF que acabou com a cláusula de barreira (ou de desempenho) que poderia assustar alguns aventureiros. E foi também a Justiça quem disse que um partido novo pode herdar o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão e o fundo partidário referente ao número de deputados Federais que conquistar Deus e o Brasil inteiro sabem lá como. Liberou geral e agora não adianta chorar.
Eduardo Campos, moderno?
Será muito curioso verificar qual será o discurso do governador Eduardo Campos. É jovem, fala bem e parece querer transitar entre o moderno e o arcaico no que tange à economia. De seus respeitáveis índices de aprovação Campos manifesta-se pelo país e governo que "podem mais". Se pensa em 2018, por que não anuncia planos estruturais? Por que não denuncia o atraso no qual o país mergulha e prevalece a letargia política? Como explicará que foi sócio do primeiro time dos projetos lulistas e dilmistas e agora quer ser um oposicionista? Se tudo se circunscrever apenas ao "tático", por ora, é possível que Campos possa se inserir no cenário político, mas será necessário que ele vá além de suas alianças regionais e seus bate-papos com Dilma e Aécio. O que se conhece nacionalmente de Eduardo Campos foi sua atuação para assentar sua mãe Ana Arraes no TCU. Há dois anos fez contatos e acordos de norte a sul para garantir o assento da genitora. Venceu com 222 votos contra 149 do atual ministro dos esportes Aldo Rebelo. Apoiou-se em Lula, Kassab, no PTB de Roberto Jefferson e assim foi. Seria este um sinal de como atua politicamente? Em tempo: Campos não pode nem de longe passar a impressão de que começa a correr em 2014 para se preparar para 2018. Se o eleitor desconfiar disso, ele terá uma votação pífia. Afinal, porque votar agora num cara que só quer chegar em quatro anos?
Celso de Mello, Poder Estatal e o povo - 1
É consagrado o princípio que conceituou o Poder Estatal como único, dado que a sua fonte é o próprio Estado formado por um caráter volitivo originário dos interesses de um povo. A Constituição dá forma à organização do Estado e aos limites para a sua ação. A "separação de poderes", a partir desta premissa, foi o modo funcional construído socialmente a partir do século XVII para que o Poder uno do Estado fosse contido de forma "harmônica e equilibrada". Portanto, a "separação" é uma ficção útil à sociedade, evitando-se a tirania. A existência do Legislativo, Executivo e Judiciário é uma garantia cuja fonte é um "parcelamento" do Poder em prol do povo e que guarda graus variados de interdependência. A "separação" é uma garantia que, de outro lado, não deve excluir a influência de seu constituinte, o povo. Trata-se de conceito básico que muitas vezes precisa ser relembrado para que seja relativizada a independência de cada um deles, especialmente, o Judiciário, o mais supremo detentor das decisões estatais. Além do fato de que todas as instâncias do Poder Estatal estão sujeitas às críticas.
Celso de Mello, Poder Estatal e o povo - 2
Afirma o eminente ministro Celso de Mello, na coluna da jornalista Mônica Bergamo da Folha de S.Paulo do último dia 26 que "em 45 anos de atuação na área jurídica, nunca presenciei um comportamento tão ostensivo dos meios de comunicação buscando subjugar um juiz. (...) Abordagens passionais descaracterizam a racionalidade inerente ao discurso jurídico. É fundamental que o juiz julgue de modo independente". Ao que parece o ministro do STF esqueceu-se de alguns aspectos fundamentais ao fazer o seu desabafo. O povo, a sociedade, das quais a imprensa é parte, tem sim o direito de ser incisivo e ostensivo. Tem o direito de tentar influenciar as decisões estatais, em geral, e as do Judiciário em particular. Afinal, assim ocorre, por diferentes meios, com o Executivo e o Legislativo, também detentores do Poder Estatal. Mais : não pode haver "constrangimento" quando as vozes se pronunciam sobre temas que lhe são caros, dentre os quais, as imoralidades do chamado "mensalão" (cujo nome já soa desagradável). Diante disso não há tentativas de "subjugação". No caso da AP 470, por sinal, a decisão foi tomada e aceita, sem que houvesse nenhum atentado aos juízes e às suas sentenças.
Celso de Mello, Poder Estatal e o povo - 3
O ministro Celso de Mello, ao pronunciar o seu voto, estava desempatando um processo decisório onde havia e há mais dúvidas do que certezas. Não pense o eminente juiz da Corte máxima que o seu voto recheado de citações, embora muito respeitável, seja fonte de sabedoria superior nesta ação penal. Fosse assim cabalaria para si outros votos, afinal estes podiam ser mudados até o encerramento do resultado, não é mesmo? Se é verdade que a aceitação dos embargos infringentes é tortuosa, melindrosa e cheia de corredores analíticos, é verdade também que o distinto povo está "subjugado" por mazelas como a corrupção e o abuso do Poder uno do Estado. Ao povo não falta paciência com a "racionalidade do discurso jurídico". Especialmente quando se vê o tal do "mensalão" se arrastando por anos e os poderosos protegidos por um Estado de Direito que não agasalha sequer a maioria do povo. Não pode esperar o digníssimo magistrado que o povo distinga todas as facetas e particularidades de um processo, especialmente na Suprema Corte. Não resta dúvida que foi isso que a imprensa refletiu nas suas reportagens. Não se pode chamar isso de "paixão". Diga-se que nem sempre a imprensa reflete legitimamente e eficazmente os sentimentos do povo, mas neste caso a "racionalidade" de Celso de Mello deveria reconhecer que foi o caso. O Judiciário é uma garantia contra a tirania do Poder uno do Estado, mas não pode ser impermeável à fonte que lhe dá este Poder.
O "x" de Guido Mantega
O ministro da Fazenda Guido Mantega declarou em um evento na FGV/SP que "isso [a crise do grupo X] continua atrapalhando o desempenho da economia brasileira, que na Bolsa é muito boa. Mas claro que você pode ter uma empresa que não tenha desempenho suficiente e nos atrapalhe". Trata-se de uma declaração curiosa, especialmente vindo da boca do presidente do Conselho de Administração da Petrobras, o que lhe credencia como especialista no setor. Será que tal crise não era previsível? O que terá feito o governo para evitá-la? E por que o BNDES emprestou tantos recursos para este Grupo? Não deveria o banco ter sido mais prudente? Sobre estas perguntas não se sabe o que pensa o ministro.
Ainda Dilma na ONU
Cabe a um presidente de um país como o Brasil se indignar diante das revelações sobre a espionagem promovida pela maior potência do mundo em comunicações públicas e privadas de governantes. Tal indignação pode ser manifestada de diversas formas e ocasiões, mas no mundo da realpolitik é preciso tomar cuidado para não ultrapassar certos limites, incluso o do ridículo. A arena internacional não permite amadorismo. Veja o caso do governo Obama em relação à crise Síria. Vladimir Putin deu um nó diplomático no departamento de Estado e no próprio presidente que não restou alternativa aos EUA senão o recuo de suas pretensões intervencionistas. O que ocorreu em seguida ? O secretário John Kerry se recompôs, apertou a gravata e voltou a negociar com a Rússia e outros países que compõem o Conselho de Segurança da ONU. A União Europeia, também vítima da política de Obama, viu-se constrangida em verificar que sofreu espionagem no exato momento em que negocia um amplo acordo comercial com os EUA. O que ocorreu a seguir? A vida seguiu e as negociações também. A pergunta que resta é como Dilma e seu governo seguirão em relação aos EUA? Será que a presidente consultará o seu ministro sem pasta João Santana, conselheiro eleitoral da presidente, para saber o que fazer?
O sumiço de Mercadante
Nota-se em Brasília que o ministro da Educação Aloizio Mercadante está menos atuante nos assuntos fora de sua pasta. Não se sabe se isso é efeito de suas proposições sobre plebiscito e reforma política durante as manifestações de junho e julho passados. A conferir.
Por quê nem todos acreditam?
Lula tem feito louváveis esforços para dissuadir as viúvas do lulismo, no PT e na base aliada, de que não passa por sua cabeça voltar ao Palácio do Planalto. Pelo menos em 2014 não, o lugar, ele reafirma sempre que pode, é de Dilma. Em 2018, quem sabe, talvez... Mas cada vez que Lula abre a boca para jurar sua fidelidade a Dilma, mais as dúvidas sobre suas reais intenções persistem. Talvez por um erro de escolha de palavras e ênfases. Foi assim duas vezes nos últimos dias. No meio da semana passada, em entrevista à imprensa ligada ao PT, sua declaração de que "está no jogo" assanhou os lulistas mais radicais. No "Correio Braziliense" de domingo, o fogo pegou novamente: Lula disse que estará nos palanques como se fosse ele o candidato. Junte-se a isto críticas veladas a Dilma, inclusive no caso do rompimento político com o PSB, e está formado o caldo de cultura para alimentar um pouco mais o "volta Lula" que ele tenta abafar. Foram apenas escorregões verbais ou recados cheios de malícia política?
Por que eles não acreditam?
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, descobriu mais um responsável pela desconfiança no exterior a respeito da economia brasileira: o empresário Eike Batista, outros incensado no mundo oficial como o empreender dos novos tempos (ver nota acima).
De ilusões também se vive
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, talvez por um lapso mental, deu a chave do início desse descrédito, no road show que a presidente Dilma Rousseff comandou nos Estados Unidos para atrair investidores para o Programa de Investimentos em Logística (PIL): o modo como foi conduzida a renovação dos contratos do setor elétrico. A queda começou aí. Não foi à toa que o tom da peroração da presidente Dilma Rousseff foi o de que o Brasil é um país que cumpre contratos.
Por quê é tão difícil de convencer?
O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton passou maus bocados para tentar convencer os jornalistas especializados que acompanham o dia a dia do BC, que a política fiscal do governo Dilma caminha para a neutralidade, como a autoridade monetária escreveu no boletim trimestral de inflação divulgado ontem. Não é mesmo fácil emplacar esta tese depois de o superávit primário de agosto ter batido em apenas R$ 87 milhões e o governo, via Ministério da Fazenda, está contando com receitas extraordinárias, inclusive das concessões e infraestrutura e do pré-sal para cumprir sua promessa de economia de recursos este ano.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
ESMERINO OLIVEIRA ARRUDA COELHO
Esmerino Arruda se desprendeu do nosso convívio. Nos últimos anos, tive a alegria de desfrutar da fraterna amizade que dele emergia. Confundia-se com a máxima de Confúcio: “É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão.” A vela era o seu símbolo essencial, o mimo pessoal, o rótulo escorreito, o talismã do peito, a luz da fronte, a bandeira na ponte.
Enigmático e constelado, macambúzio e extrovertido, belicoso e afetuoso, florido e espinhoso, Esmerino era uma divertida encarnação da permanente germinação, uma palmeira imperial em pleno universo de carnaúbas do litoral.
Cedo concluiu que a política, musa que consumiu sua longeva existência, tinha mais de arte do que de ciência. Ela exige, além do constante fervor, o tempero sedutor da ação com emoção. Esmerino foi um olímpico campeão no jogo da política enquanto praça de sedução.
Como Sir Winston Churchill sabia que a “política é quase tão excitante quanto a guerra, e quase tão perigosa”. Por isso, quando entrava na pista, virava um estrategista. Nas campanhas agia com argúcia, mergulhando na minúcia. Do terreno mais áspero fazia brotar flores; era pródigo em surpreender os contendores. Em mais de sessenta anos de ativa militância e engenhos notáveis, protagonizou fatos e cousas memoráveis. Conheceu e foi conhecido dos mais fulgurantes nomes da política nacional. Na década de cinqüenta, em Sobral, aconselhou o Padre Palhano, então candidato a Prefeito em terceiro lugar nas pesquisas, que imitasse Ademar de Barros e criasse um fato capaz de comover a população. O piloto Padre Palhano tomou um avião e sumiu. Espalhou-se a notícia de que o sacerdote havia falecido. Três dias depois, Padre Palhano ressurgiu, triunfante, para o gáudio dos fiéis, que fielmente o elegeram.
Em Camocim, no ano 2004, apostou no candidato Chico Vaulino contra a tradicional família Aguiar, que reinava absoluta no município. Um belo dia a cidade amanheceu inundada de panfletos com impropérios contra o candidato que Esmerino apoiava. Imediatamente ele mobilizou a militância, fez um discurso inflamado e organizou uma carreata. Foi o início da virada. Chico Vaulino ganhou a eleição. No churrasco da vitória, o líder Granjense fez uma revelação que deixou o eleito embasbacado: os injuriosos panfletos apócrifos tinham sido elaborados pelo próprio Esmerino... Há muito tinha incorporado a lição de Henry Ford: "os homens hão de aprender que a política não é a moral e que se ocupa apenas do que é oportuno."
Conhecia, por experiência própria, as trilhas ingratas da selva em que estava metido. Certa feita me contou que, em um dia de 1958, ele e Álvaro Lins, então Deputados Federais pelo Ceará, encontravam-se em um restaurante do Rio de Janeiro e compartilhavam uma mesa com os líderes Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. Era uma prosa política. Falavam sobre eleição, favores, nomeações de correligionários e... ingratidão. A certa altura, Ulysses proferiu a seguinte frase: “Em política, o dia do benefício é a véspera da traição”.
É inesgotável o patrimônio de ensinamentos portentosos que Esmerino acumulou ao longo da sua dinâmica e vibrante existência. Desceu na nonagenária estação com o fulgor de um adolescente em ebulição. No trem da vida, à sua inconfundível maneira, sempre sentava na cadeira da classe primeira. Com glamour e élan, era um ‘bon vivant’. Colecionador de obras de arte, apreciava o talento em toda parte. Era um artista quando erguia uma dose de Black & White, o uísque que sempre conduzia na bagagem, como que a resumir nossa paradoxal passagem.
ESMERINO OLIVEIRA ARRUDA COELHO. Um nome com registro produtivo, um canteiro de significações. Coelho, símbolo pascal da fertilidade; Oliveira, fonte do melhor azeite, bíblica árvore da longevidade; Arruda, cujos raminhos abençoados fazem espargir a água-benta que espanta o mau-olhado; Esmerino, do esmero, o primor feito requinte, ou de esmeria, pendente de revisão.
Nesses últimos dias, como que pressentindo a partida, estava aberto à dimensão profunda: encarou a alameda da verdade, apreciando a sombra fresca e suave da espiritualidade. Se a tivesse incorporado antes, naturalmente teria evitado inúteis dissabores. Certamente, em uma próxima encarnação, surgirá magicamente da cartola do sonho, um Coelho azeitado na melhor Oliveira, distribuindo ramos de Arruda com impecável Esmero e sem pendência de revisão. Assim seja!
(Júnior Bonfim, poeta e advogado, é membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza – AMLEF)
EM LOUVOR AOS NOVENTA E UM ANOS DE VIDA
Falar, neste momento, do Sr. Esmerino,
Significa, antes de tudo, louvar a vida,
Pois ele tinha a astúcia de um menino
E merece ser lembrado além da despedida.
Celebrou sua existência com intensidade,
Ao colocar sentimento em cada ação;
Deixou um ensino para posteridade
De que vivemos mais quando há emoção.
Sua infalível memória era digna de admiração,
Assim como sua notável capacidade de liderar;
A bela arte sempre chamou sua atenção,
Mas foi na política que veio se consagrar.
Ele foi protagonista de diversas histórias
E com a esposa Carmem, seu porto seguro,
Plantou sessenta anos de sua trajetória
E deixou os seus frutos para o futuro.
Que o Senhor receba, em paz, seu espírito
E o Evangelho de Jesus acalente toda dor,
Mantendo a fé de que todos somos infinitos,
Atados eternamente pelos laços do amor.
SILVIA MELO
sábado, 28 de setembro de 2013
PERFIL
No campo da literatura um plantio de cultura lídima. Livros, jornais e revistas florescendo em textos de harmonia no jardim da vida.
Observações que pinçamos do artigo de Júnior Bonfim, da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza ao traçar um perfil para desenhar de corpo inteiro personalidades do "Tempo dos Franciscos". Aproveitamento integral das sementes do saber que tanto empolgam pelo vocabulário fértil. Júnior Bonfim mostra a grandeza das "Pequenas Histórias de Francisco" ao comentar o expressivo livro de Francisco Castro de Sousa outro advogado e escritor da Amlef.
Revela as sutilezas da simplicidade do "Tempo dos Franciscos". A forma espontânea como o Castro disserta sobre sua família na evolução conceitual de gente de bem.
O academicismo das letras interliga os verdadeiros defensores da Língua Portuguesa através dos bons textos. A revista "Gente de Ação" mescla gama de excelentes artigos e traz gente que brilha com a naturalidade do desabrochar de flores e frutos do plantio das letras.
Júnior Bonfim consegue ser o jardineiro que sabe cuidar dos adornos da literatura capaz de encantar. O vocabulário elegante dentro da simplicidade natural dos fonemas bem aplicados são réstias de sol iluminando a vida.
No perfil tão bem desenhado para destacar as "Pequenas Histórias de Francisco" o Bonfim excedeu as expectativas e trouxe o Castro, Francisco Castro, como personagem de um relato comovedor e exemplar.
Feliz modo de como regar as flores da existência usando a força da esperança para sustentar o lado belo das vitórias que florescem pela pertinácia e força de vontade.
Paulo Eduardo Mendes
Jornalista
(No Jornal Diário do Nordeste, edição de hoje, página 02)
Observações que pinçamos do artigo de Júnior Bonfim, da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza ao traçar um perfil para desenhar de corpo inteiro personalidades do "Tempo dos Franciscos". Aproveitamento integral das sementes do saber que tanto empolgam pelo vocabulário fértil. Júnior Bonfim mostra a grandeza das "Pequenas Histórias de Francisco" ao comentar o expressivo livro de Francisco Castro de Sousa outro advogado e escritor da Amlef.
Revela as sutilezas da simplicidade do "Tempo dos Franciscos". A forma espontânea como o Castro disserta sobre sua família na evolução conceitual de gente de bem.
O academicismo das letras interliga os verdadeiros defensores da Língua Portuguesa através dos bons textos. A revista "Gente de Ação" mescla gama de excelentes artigos e traz gente que brilha com a naturalidade do desabrochar de flores e frutos do plantio das letras.
Júnior Bonfim consegue ser o jardineiro que sabe cuidar dos adornos da literatura capaz de encantar. O vocabulário elegante dentro da simplicidade natural dos fonemas bem aplicados são réstias de sol iluminando a vida.
No perfil tão bem desenhado para destacar as "Pequenas Histórias de Francisco" o Bonfim excedeu as expectativas e trouxe o Castro, Francisco Castro, como personagem de um relato comovedor e exemplar.
Feliz modo de como regar as flores da existência usando a força da esperança para sustentar o lado belo das vitórias que florescem pela pertinácia e força de vontade.
Paulo Eduardo Mendes
Jornalista
(No Jornal Diário do Nordeste, edição de hoje, página 02)
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
MOACIR SOARES, PARABÉNS!
Técnico de escol, boa índole, profissional dedicado, Moacir Soares é um dos melhores quadros gerados no seio da Administração Pública de Crateús na década passada. Incompreendido pela intolerância política local, cumpriu aquela antiga assertiva bíblica: foi ser profeta fora de sua terra.
Em Moacir convivem, sob o mesmo corpo, o executivo de sucesso e um sujeito sedutor e surpreendente.
Jardineiro das tulipas que encantam a existência, Moacir está sempre nos convidando para caminhar pelas alamedas da superação. A despeito das cinzas, conserva na retina o brilho da curiosidade que aprende, apreende e acrescenta.
É difícil distinguir onde esse cidadão brilha com mais glamour: na excelência profissional, na dedicação paternal ou na generosidade da camaradagem!
Após esses setembros todos que te conheço, amigo, aflorou uma certeza: em todas as passarelas da interação humana em que tens a oportunidade de pisar, baila a nobreza de tua alma!
Parabéns!
(Júnior Bonfim)
Em Moacir convivem, sob o mesmo corpo, o executivo de sucesso e um sujeito sedutor e surpreendente.
Jardineiro das tulipas que encantam a existência, Moacir está sempre nos convidando para caminhar pelas alamedas da superação. A despeito das cinzas, conserva na retina o brilho da curiosidade que aprende, apreende e acrescenta.
É difícil distinguir onde esse cidadão brilha com mais glamour: na excelência profissional, na dedicação paternal ou na generosidade da camaradagem!
Após esses setembros todos que te conheço, amigo, aflorou uma certeza: em todas as passarelas da interação humana em que tens a oportunidade de pisar, baila a nobreza de tua alma!
Parabéns!
(Júnior Bonfim)
CONJUNTURA NACIONAL
Zé Quebra Panela
Abro a coluna com um matutinho matreiro.
Zé Quebra Panela era um sujeito comprido, zarolho e desdentado, mas portador de uma sagacidade e de incrível capacidade de enganar o semelhante. Andava bem vestido e calçava sapatos de duas cores. Vendia e comprava tudo, mas gostava mesmo era de negociar com fumo de rolo nas feiras. Zé achava que Deus vivia lhe chamando pra outra missão mais nobre do que envenenar os pulmões dos desgraçados que lhe compravam fumo. Meteu-se a fazer imagem de santo. Passou a viver nas caatingas, juntando troncos secos de imburana, com os quais fazia as imagens de feições grotescas. Um dia, na feira, comercializava os produtos, o fumo e as imagens de santos. Chegou uma velhinha com cara de rezadeira e perguntou:
- Meu senhor, eu conheço um magote de santo, já "frequentei" muita novena, igreja, o diabo a quatro - Já paguei muita promessa, mas estou aqui "mei atrapaiada"; isto aqui é São José ou Santo Antônio?
Zé explicou:
- Olhe, o santo se tiver com o menino no braço direito, é São José, se tiver no braço esquerdo, é Santo Antônio; agora se o bicho tiver um par de chifres, um rabo e um espeto comprido na mão, não chegue nem perto que isso aí é o satanás!
A velhinha se escafedeu. Outra vez, em uma de suas transações, um cabra mais sabido "empurrou-lhe" dois rolos de um fumo muito ruim que ele não conseguia vender de jeito nenhum. Um dia, botou tudo num saco e danou-se para a feira de Sertânia. Usou o marketing pessoal.
- Óia, pessoá, quem comprar desse meu fumo agora, vai tudim pro Juazeiro comigo, eu levo tudim pra o Juazeiro do meu Padim Ciço!
Não demorou muito e lá se foram os dois rolos de fumo. Um pedaço aqui, outro ali, e vendeu aquela mercadoria de péssima qualidade. Até que chegou uma velhinha apressada:
- Ô, meu senhor, adonde tá o caminhão mode nóis ir botando os troços em riba?
Zé, na bucha:
- Que caminhão que nada, dona Maria, aonde foi que a senhora já viu pagar promessa de caminhão? O meu "Padim" não gosta de caminhão chegando lá não! Nóis vamo tudo é a pé. Promessa é promessa!
(Historinha de Zelito Nunes)
Folhas soltas ao vento
A imagem é esta: depois do terremoto, que abalou o edifício, destruindo paredes, despedaçando os andares, fazendo jorrar cimento e pedra por todos os lados, a paisagem deixa ver milhares de folhas saindo de gavetas escancaradas, dançando ao vento poluído de poeira e pousando lentamente sobre os entulhos das ruas. É o cenário nacional depois do tsunami de junho, que inundou as ruas das grandes e médias cidades com milhares de pessoas. Onde estão as massas? Observando uns poucos que ainda ousam fazer ecoar seu grito. E por que não se motivam a voltar às ruas se os pleitos e demandas de junho continuam no ar ? Porque temem ser rechaçados por grupos radicais, cujos braços se voltam para a quebra de lojas e destruição de ambientes públicos. Os black blocs são a água que apaga as chamas da fogueira social. Portanto, propiciam o bumerangue. O Brasil se encolhe em silêncios. Infelizmente.
Paisagens do amanhã
Não é de todo improvável que as coisas voltem a acontecer na onda de manifestações calorosas e massivas. É possível que o animus animandi da população resgate a participação cívica, cuja inspiração maior era (e é) a de melhorar os padrões éticos, morais e elevados da política e exigir melhoria da qualidade dos serviços públicos, a partir dos sistemas de mobilidade urbana. Nas proximidades eleitorais, as chances de mobilizações pontuais ou mesmo abrangentes são maiores, em função da motivação para puxões de orelha e recados que o povo quer dar aos seus representantes. A conferir.
O juiz de Bacon
"O juiz deve preparar o caminho para uma justa sentença, como Deus costuma abrir o seu caminho elevando vales e abaixando montanhas; de maneira que, se aparecer, de um lado uma das partes, um braço poderoso, uma pressão violenta, astuciosas vantagens, combinações, poderes, grandes conselhos, nesse caso a virtude do juiz consiste em nivelar as desigualdades, para poder fundar a sua sentença num terreno plano". Francis Bacon, filósofo inglês, 1561/1626.
Alguns juízes do Brasil
19 altos ministros do TST assinaram uma carta contra um PL, o 4.330, relativo à Terceirização. Sabíamos, até então, que o ofício do juiz é jus dicere e não jus dare, interpretar leis e não fazer leis nem dar leis. Juízes fazendo prejulgamento? Meu Deus, que país é este?
As bases governista e oposicionista
A base governista, formada pela pletora de partidos (cerca de 15), que dá apoio à administração comandada pela presidente Dilma, tende a ser menor. Calcula-se que partidos insatisfeitos com o acolhimento dado pelo governo deixarão a base situacionista para se integrar às bandas das oposições. Duas bandas. Teremos a banda das oposições tradicionais, formadas principalmente pelo PSDB e pelo DEM, e nova banda, esta a ser constituída pelos partidos que deixarão o situacionismo, a começar pelo PSB, com eventual participação de outras siglas. A incógnita fica por conta da Rede Sustentabilidade, de Marina Silva. Não se sabe se conseguirá formalização até 5/10. A aprovação do Solidariedade, do Paulinho da Força, e do PROS, Partido Republicano da Ordem Social, ontem pelo TSE, abre maiores chances para o partido de Marina.
O affaire Campos
Demorou, demorou, demorou, mas o governador pernambucano, Eduardo Campos, tomou a decisão: deixar a base governista. Entregou os cargos do PSB na administração. Lula ainda tentará um último esforço para segurar o ímpeto de Dudu Beleza. Vai ter mais uma conversa com ele. Por enquanto, pede que os petistas não entreguem os cargos nos governos comandados pelo PSB. Tentativa de por panos quentes. Mas o governador está sendo levado pela onda mais forte do seu partido para o lado da candidatura própria. E é evidente que, nesse caso, assumirá postura de oposição. Não se cogitaria de um candidato frapé, café com leite, nem lá, nem cá. Disputa eleitoral é guerra. A favor e contra.
Estradas de PE
Eis o que pincei de um vídeo que vi na internet sobre as estradas de PE: "A repórter Roberta Soares e o fotógrafo Guga Matos, guiados pelo motorista Reginaldo Araújo, pegaram a estrada durante 22 dias de viagem para constatar essa verdade e mostrá-la no especial multimídia Descaminhos. Rodaram 10 mil quilômetros, dos 12,5 mil que compõem a malha rodoviária pernambucana, a quarta maior do Nordeste. Pelas estradas, descobriu que são muitos os descaminhos de PE. Encontraram um Estado de rodovias ruins, as Federais e principalmente as estaduais. Um PE ainda sem inúmeras ligações, que em pleno século 21 deixa parte do seu povo isolado de tudo, dependendo exclusivamente da fé do nordestino, tão presente e conformadora no interior mais distante. No percurso, o JC passou por 100 das 142 rodovias estaduais e 11 das 13 estradas Federais existentes no Estado". Com a palavra, o governador Eduardo Campos.
A resposta do Sindeepres
O Sindicato dos Empregados em Empresas de Prestadoras de Serviços (Sindeepres), a maior entidade de trabalhadores terceirizados do país, em carta aos deputados, contesta pontos expressos por ministros do TST no PL 4.330. "São graves e infundadas, ainda que pareçam coerentes, as acusações dos ministros do TST que prevêem um quadro sombrio para os trabalhadores após a aprovação do PL 4.330, conhecido como lei de Proteção ao Trabalhador Terceirizado. São argumentos de quem fez uma leitura incompleta, apressada ou equivocada do PL. Eles partem de premissas erradas para construir um quadro dramático. Infelizmente não levam em conta a realidade atual do trabalhador terceirizado. E o péssimo ambiente econômico, de insegurança jurídica para empresas e trabalhadores, criado pelo atual conjunto de leis e regras, incluindo a súmula 331 do próprio TST". E passa a contestar ponto por ponto.
Aécio em SP
Geraldo Alckmin tentará puxar a caravana de Aécio Neves em SP. Assim como Beto Richa tentará fazer a mesma coisa no PR. O mais certo, porém, é apostar que MG dará a maior vantagem ao mineiro. Massa de votos nada desprezível. MG tem o segundo maior colégio eleitoral do país, cerca de 15 milhões de votos. Em SP, a campanha ainda terá certa polarização entre o PSDB e o PT, fenômeno antigo e em final de ciclo. 20 anos de tucanato é muita coisa. E o PT, por sua vez, contará com a rejeição da classe média paulista, a maior do país. Nessa classe, o PT nunca entrou de sola, principalmente nos densos colégios eleitorais do interior.
Solas gastas
A polarização entre tucanos e petistas não se guiará mais pelos caminhos do passado. Tende a ser atenuada face aos novos tempos. O eleitor parece trilhar a vereda aberta por Nietzsche : "novos caminhos sigo; uma nova fala me empolga. Não quer mais o meu espírito caminhar com solas gastas".
Empresários em dúvidas
Na Era Lula, o carismático líder era um imã. Atraía tudo e todos. Das massas periféricas à elite empresarial. Hoje, a elite empresarial é simpática a Eduardo Campos. Vê a presidente Dilma com certa desconfiança. E parece distante de Aécio Neves. Acham Marina uma flor no pântano.
Cronograma pré-eleitoral
Outubro - mês das novidades, migrações partidárias (caso se confirmem os novos partidos), camadas políticas revoltas; novembro - conversas para fechamento de alianças, combinações e primeiras apostas no amanhã; dezembro - recesso, férias, prospecção das bases, Brasil político se encontra com o Brasil real; janeiro - cura da ressaca do final de ano, reinício das negociações, pesquisas indicativas para mapeamento do quadro decisório; fevereiro - reinício das atividades congressuais, fechamento de acordos, primeiras grandes definições; março/abril - dois meses de preparação para a maior competição eleitoral da contemporaneidade. Maio/junho - convenções, acertos finais.
As melhores leis?
Perguntaram a Sólon, um dos sete sábios da Grécia antiga, se havia produzido boas leis para os atenienses. Respondeu: "dei-lhes as melhores leis que podiam suportar". Perguntaram ao barão de Montesquieu, o grande formulador da teoria da separação dos poderes : que boas leis um país deve ter? Respondeu: "quando vou a um país, não examino se há boas leis, mas se são executadas as que existem, pois há boas leis por toda a parte".
Mensalão e eleição
Não serão desastrosos os efeitos do mensalão sobre a eleição. Até lá, estarão metabolizados condimentos, temperos e produtos que, por anos e meses, frequentaram a mesa das conversas e debates. Cada ano com suas motivações. Operação BO+BA+CO+CA, essa, sim, continuará a ditar os rumos da política. Bolso, Barriga, Coração, Cabeça. Economia indo bem, estômago estará satisfeito; coração ficará agradecido e pede para a cabeça votar nos patrocinadores do bolso cheio.
Dilma na ONU
Como se esperava, Dilma fez duro discurso na ONU contra a espionagem. Um atentado à soberania. Um recado para Barack Obama no palco mais visível do mundo. Recado dado, recado ouvido.
Bismarck
Bismarck, o maior estadista alemão do século XIX, dizia que "nunca se mente tanto antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma pescaria".
Conselho aos empresários
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à presidente Dilma. Hoje, volta sua atenção aos empresários:
1. É muito comum ouvir o refrão de que o Brasil está em crise, os horizontes são sombrios e teremos um amanhã pior que o hoje. Tendência nacional a cantar hinos catastróficos.
2. Urge ter esperança e acreditar que o nosso país, com sua dimensão continental e berço de riquezas naturais, está circunscrita no mapa das potências do amanhã. Isso requer confiança em nossos potenciais.
3. Se mudanças se fazem necessárias - principalmente na frente política - ao empresariado cabe a missão de se posicionar na vanguarda desse processo, fazendo pressão, abrindo canais de articulação e participação. O papel cívico do empresário deve se somar ao papel do empreendedor.
____________
(Gaudêncio Torquato)
Abro a coluna com um matutinho matreiro.
Zé Quebra Panela era um sujeito comprido, zarolho e desdentado, mas portador de uma sagacidade e de incrível capacidade de enganar o semelhante. Andava bem vestido e calçava sapatos de duas cores. Vendia e comprava tudo, mas gostava mesmo era de negociar com fumo de rolo nas feiras. Zé achava que Deus vivia lhe chamando pra outra missão mais nobre do que envenenar os pulmões dos desgraçados que lhe compravam fumo. Meteu-se a fazer imagem de santo. Passou a viver nas caatingas, juntando troncos secos de imburana, com os quais fazia as imagens de feições grotescas. Um dia, na feira, comercializava os produtos, o fumo e as imagens de santos. Chegou uma velhinha com cara de rezadeira e perguntou:
- Meu senhor, eu conheço um magote de santo, já "frequentei" muita novena, igreja, o diabo a quatro - Já paguei muita promessa, mas estou aqui "mei atrapaiada"; isto aqui é São José ou Santo Antônio?
Zé explicou:
- Olhe, o santo se tiver com o menino no braço direito, é São José, se tiver no braço esquerdo, é Santo Antônio; agora se o bicho tiver um par de chifres, um rabo e um espeto comprido na mão, não chegue nem perto que isso aí é o satanás!
A velhinha se escafedeu. Outra vez, em uma de suas transações, um cabra mais sabido "empurrou-lhe" dois rolos de um fumo muito ruim que ele não conseguia vender de jeito nenhum. Um dia, botou tudo num saco e danou-se para a feira de Sertânia. Usou o marketing pessoal.
- Óia, pessoá, quem comprar desse meu fumo agora, vai tudim pro Juazeiro comigo, eu levo tudim pra o Juazeiro do meu Padim Ciço!
Não demorou muito e lá se foram os dois rolos de fumo. Um pedaço aqui, outro ali, e vendeu aquela mercadoria de péssima qualidade. Até que chegou uma velhinha apressada:
- Ô, meu senhor, adonde tá o caminhão mode nóis ir botando os troços em riba?
Zé, na bucha:
- Que caminhão que nada, dona Maria, aonde foi que a senhora já viu pagar promessa de caminhão? O meu "Padim" não gosta de caminhão chegando lá não! Nóis vamo tudo é a pé. Promessa é promessa!
(Historinha de Zelito Nunes)
Folhas soltas ao vento
A imagem é esta: depois do terremoto, que abalou o edifício, destruindo paredes, despedaçando os andares, fazendo jorrar cimento e pedra por todos os lados, a paisagem deixa ver milhares de folhas saindo de gavetas escancaradas, dançando ao vento poluído de poeira e pousando lentamente sobre os entulhos das ruas. É o cenário nacional depois do tsunami de junho, que inundou as ruas das grandes e médias cidades com milhares de pessoas. Onde estão as massas? Observando uns poucos que ainda ousam fazer ecoar seu grito. E por que não se motivam a voltar às ruas se os pleitos e demandas de junho continuam no ar ? Porque temem ser rechaçados por grupos radicais, cujos braços se voltam para a quebra de lojas e destruição de ambientes públicos. Os black blocs são a água que apaga as chamas da fogueira social. Portanto, propiciam o bumerangue. O Brasil se encolhe em silêncios. Infelizmente.
Paisagens do amanhã
Não é de todo improvável que as coisas voltem a acontecer na onda de manifestações calorosas e massivas. É possível que o animus animandi da população resgate a participação cívica, cuja inspiração maior era (e é) a de melhorar os padrões éticos, morais e elevados da política e exigir melhoria da qualidade dos serviços públicos, a partir dos sistemas de mobilidade urbana. Nas proximidades eleitorais, as chances de mobilizações pontuais ou mesmo abrangentes são maiores, em função da motivação para puxões de orelha e recados que o povo quer dar aos seus representantes. A conferir.
O juiz de Bacon
"O juiz deve preparar o caminho para uma justa sentença, como Deus costuma abrir o seu caminho elevando vales e abaixando montanhas; de maneira que, se aparecer, de um lado uma das partes, um braço poderoso, uma pressão violenta, astuciosas vantagens, combinações, poderes, grandes conselhos, nesse caso a virtude do juiz consiste em nivelar as desigualdades, para poder fundar a sua sentença num terreno plano". Francis Bacon, filósofo inglês, 1561/1626.
Alguns juízes do Brasil
19 altos ministros do TST assinaram uma carta contra um PL, o 4.330, relativo à Terceirização. Sabíamos, até então, que o ofício do juiz é jus dicere e não jus dare, interpretar leis e não fazer leis nem dar leis. Juízes fazendo prejulgamento? Meu Deus, que país é este?
As bases governista e oposicionista
A base governista, formada pela pletora de partidos (cerca de 15), que dá apoio à administração comandada pela presidente Dilma, tende a ser menor. Calcula-se que partidos insatisfeitos com o acolhimento dado pelo governo deixarão a base situacionista para se integrar às bandas das oposições. Duas bandas. Teremos a banda das oposições tradicionais, formadas principalmente pelo PSDB e pelo DEM, e nova banda, esta a ser constituída pelos partidos que deixarão o situacionismo, a começar pelo PSB, com eventual participação de outras siglas. A incógnita fica por conta da Rede Sustentabilidade, de Marina Silva. Não se sabe se conseguirá formalização até 5/10. A aprovação do Solidariedade, do Paulinho da Força, e do PROS, Partido Republicano da Ordem Social, ontem pelo TSE, abre maiores chances para o partido de Marina.
O affaire Campos
Demorou, demorou, demorou, mas o governador pernambucano, Eduardo Campos, tomou a decisão: deixar a base governista. Entregou os cargos do PSB na administração. Lula ainda tentará um último esforço para segurar o ímpeto de Dudu Beleza. Vai ter mais uma conversa com ele. Por enquanto, pede que os petistas não entreguem os cargos nos governos comandados pelo PSB. Tentativa de por panos quentes. Mas o governador está sendo levado pela onda mais forte do seu partido para o lado da candidatura própria. E é evidente que, nesse caso, assumirá postura de oposição. Não se cogitaria de um candidato frapé, café com leite, nem lá, nem cá. Disputa eleitoral é guerra. A favor e contra.
Estradas de PE
Eis o que pincei de um vídeo que vi na internet sobre as estradas de PE: "A repórter Roberta Soares e o fotógrafo Guga Matos, guiados pelo motorista Reginaldo Araújo, pegaram a estrada durante 22 dias de viagem para constatar essa verdade e mostrá-la no especial multimídia Descaminhos. Rodaram 10 mil quilômetros, dos 12,5 mil que compõem a malha rodoviária pernambucana, a quarta maior do Nordeste. Pelas estradas, descobriu que são muitos os descaminhos de PE. Encontraram um Estado de rodovias ruins, as Federais e principalmente as estaduais. Um PE ainda sem inúmeras ligações, que em pleno século 21 deixa parte do seu povo isolado de tudo, dependendo exclusivamente da fé do nordestino, tão presente e conformadora no interior mais distante. No percurso, o JC passou por 100 das 142 rodovias estaduais e 11 das 13 estradas Federais existentes no Estado". Com a palavra, o governador Eduardo Campos.
A resposta do Sindeepres
O Sindicato dos Empregados em Empresas de Prestadoras de Serviços (Sindeepres), a maior entidade de trabalhadores terceirizados do país, em carta aos deputados, contesta pontos expressos por ministros do TST no PL 4.330. "São graves e infundadas, ainda que pareçam coerentes, as acusações dos ministros do TST que prevêem um quadro sombrio para os trabalhadores após a aprovação do PL 4.330, conhecido como lei de Proteção ao Trabalhador Terceirizado. São argumentos de quem fez uma leitura incompleta, apressada ou equivocada do PL. Eles partem de premissas erradas para construir um quadro dramático. Infelizmente não levam em conta a realidade atual do trabalhador terceirizado. E o péssimo ambiente econômico, de insegurança jurídica para empresas e trabalhadores, criado pelo atual conjunto de leis e regras, incluindo a súmula 331 do próprio TST". E passa a contestar ponto por ponto.
Aécio em SP
Geraldo Alckmin tentará puxar a caravana de Aécio Neves em SP. Assim como Beto Richa tentará fazer a mesma coisa no PR. O mais certo, porém, é apostar que MG dará a maior vantagem ao mineiro. Massa de votos nada desprezível. MG tem o segundo maior colégio eleitoral do país, cerca de 15 milhões de votos. Em SP, a campanha ainda terá certa polarização entre o PSDB e o PT, fenômeno antigo e em final de ciclo. 20 anos de tucanato é muita coisa. E o PT, por sua vez, contará com a rejeição da classe média paulista, a maior do país. Nessa classe, o PT nunca entrou de sola, principalmente nos densos colégios eleitorais do interior.
Solas gastas
A polarização entre tucanos e petistas não se guiará mais pelos caminhos do passado. Tende a ser atenuada face aos novos tempos. O eleitor parece trilhar a vereda aberta por Nietzsche : "novos caminhos sigo; uma nova fala me empolga. Não quer mais o meu espírito caminhar com solas gastas".
Empresários em dúvidas
Na Era Lula, o carismático líder era um imã. Atraía tudo e todos. Das massas periféricas à elite empresarial. Hoje, a elite empresarial é simpática a Eduardo Campos. Vê a presidente Dilma com certa desconfiança. E parece distante de Aécio Neves. Acham Marina uma flor no pântano.
Cronograma pré-eleitoral
Outubro - mês das novidades, migrações partidárias (caso se confirmem os novos partidos), camadas políticas revoltas; novembro - conversas para fechamento de alianças, combinações e primeiras apostas no amanhã; dezembro - recesso, férias, prospecção das bases, Brasil político se encontra com o Brasil real; janeiro - cura da ressaca do final de ano, reinício das negociações, pesquisas indicativas para mapeamento do quadro decisório; fevereiro - reinício das atividades congressuais, fechamento de acordos, primeiras grandes definições; março/abril - dois meses de preparação para a maior competição eleitoral da contemporaneidade. Maio/junho - convenções, acertos finais.
As melhores leis?
Perguntaram a Sólon, um dos sete sábios da Grécia antiga, se havia produzido boas leis para os atenienses. Respondeu: "dei-lhes as melhores leis que podiam suportar". Perguntaram ao barão de Montesquieu, o grande formulador da teoria da separação dos poderes : que boas leis um país deve ter? Respondeu: "quando vou a um país, não examino se há boas leis, mas se são executadas as que existem, pois há boas leis por toda a parte".
Mensalão e eleição
Não serão desastrosos os efeitos do mensalão sobre a eleição. Até lá, estarão metabolizados condimentos, temperos e produtos que, por anos e meses, frequentaram a mesa das conversas e debates. Cada ano com suas motivações. Operação BO+BA+CO+CA, essa, sim, continuará a ditar os rumos da política. Bolso, Barriga, Coração, Cabeça. Economia indo bem, estômago estará satisfeito; coração ficará agradecido e pede para a cabeça votar nos patrocinadores do bolso cheio.
Dilma na ONU
Como se esperava, Dilma fez duro discurso na ONU contra a espionagem. Um atentado à soberania. Um recado para Barack Obama no palco mais visível do mundo. Recado dado, recado ouvido.
Bismarck
Bismarck, o maior estadista alemão do século XIX, dizia que "nunca se mente tanto antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma pescaria".
Conselho aos empresários
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à presidente Dilma. Hoje, volta sua atenção aos empresários:
1. É muito comum ouvir o refrão de que o Brasil está em crise, os horizontes são sombrios e teremos um amanhã pior que o hoje. Tendência nacional a cantar hinos catastróficos.
2. Urge ter esperança e acreditar que o nosso país, com sua dimensão continental e berço de riquezas naturais, está circunscrita no mapa das potências do amanhã. Isso requer confiança em nossos potenciais.
3. Se mudanças se fazem necessárias - principalmente na frente política - ao empresariado cabe a missão de se posicionar na vanguarda desse processo, fazendo pressão, abrindo canais de articulação e participação. O papel cívico do empresário deve se somar ao papel do empreendedor.
____________
(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 24 de setembro de 2013
PABLO NERUDA
Há quarenta anos o mundo perdia Pablo Neruda, a mais expressiva voz da poesia chilena! O coração de Neruda não resistiu ao pranto que invadiu a sua pátria após o golpe de estado que destruiu o governo popular de Salvador Allende.
Neruda, chileno contemplado com o Nobel de Literatura, foi o mais fértil, fulgurante e fascinante dos cantores nascidos naquela terra mágica, pequeno e fino fio de terra entre o frio da cordilheira e as ondas do Pacífico.
No centenário de seu nascimento, desenhei este Soneto:
Primeiro, uma garrafa de vinho chileno.
Depois, um litro de cachaça do Ceará.
Apenas isto, e todo pó do idílio terreno,
Para o centenário de Neruda celebrar.
Poeta de todos os sonhos, viajor genial,
Voaste do amor fugaz, da desesperada canção,
Para a ardente paz da luta. A trincheira social
Da Espanha em guerra mudou teu coração.
Que fio azul une o meu mágico e quente sertão
À tua vinhateira, delgada e fria região austral?
-“O silencioso mistério, a solenidade essencial,
A clareza de horizonte, a inexplicável resistência,
A sublime condição, a humilde imponência...”
Um brinde, pois, ao mais portentoso cantor geral!
(Júnior Bonfim)
Neruda, chileno contemplado com o Nobel de Literatura, foi o mais fértil, fulgurante e fascinante dos cantores nascidos naquela terra mágica, pequeno e fino fio de terra entre o frio da cordilheira e as ondas do Pacífico.
No centenário de seu nascimento, desenhei este Soneto:
Primeiro, uma garrafa de vinho chileno.
Depois, um litro de cachaça do Ceará.
Apenas isto, e todo pó do idílio terreno,
Para o centenário de Neruda celebrar.
Poeta de todos os sonhos, viajor genial,
Voaste do amor fugaz, da desesperada canção,
Para a ardente paz da luta. A trincheira social
Da Espanha em guerra mudou teu coração.
Que fio azul une o meu mágico e quente sertão
À tua vinhateira, delgada e fria região austral?
-“O silencioso mistério, a solenidade essencial,
A clareza de horizonte, a inexplicável resistência,
A sublime condição, a humilde imponência...”
Um brinde, pois, ao mais portentoso cantor geral!
(Júnior Bonfim)
POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL
Para além da mera conjuntura - 1
Os substantivos problemas pelos quais o Brasil atravessa têm sido sistematicamente tratados, seja do alto da maior autoridade brasileira, seja dos analistas, como "conjunturais" na ausência de outra palavra no vernáculo. Ocorre que o país está acumulando problemas de natureza estrutural sem que estes tenham encaminhamento estratégico. Agrava-se esta constatação com o lançamento de factóides que contribuem para a formulação dos discursos oficiais com vista às próximas eleições. A maioria das políticas governamentais ou das críticas a estas não subsiste a um exame mais demorado, mais estrutural. Como não está instalado na sociedade e no governo um sentimento de "emergência" tudo vai sendo empurrado por uma monumental barriga. Assim, com efeito pirotécnico, tudo fica como sempre e sem solução.
Para além da mera conjuntura - 2
Pode-se fazer uma longa lista ou uma "agenda" para comprovar a "dança do ventre" da sociedade e do governo cujo efeito é a paralisia nas soluções. Selecionamos alguns dos itens mais importantes: (i) considerada a atual taxa de câmbio e o chamado "custo-país" (tributação, regras trabalhistas, taxa de juros, etc.), o Brasil não é competitivo perante um mundo, incluso o emergente, altamente competitivo; (ii) nada de relevante ocorreu no país nos últimos 15 anos que tenha sido relevante para alterar as ineficiências da infraestrutura nacional. Das estradas até o balcão dos cartórios dos tribunais, tudo conspira contra o desenvolvimento econômico e social (veja as notas sobre os recentes leilões de concessões); (iii) a larga maioria dos programas sociais se reduz a uma estrita visão eleitoral. Do Bolsa-Família ao "Mais Médicos" nota-se a ausência de uma visão estratégica suficiente para em algumas décadas superar-se a pobreza e o subdesenvolvimento; (iv) em matéria de desenvolvimento tecnológico e educacional a coisa vai de mal a pior. Somos, de fato, um país sem possibilidade de incorporar parcelas importantes de avanços tecnológicos e, de um modo geral, sobram analfabetos funcionais.
Para além da mera conjuntura - 3
Alguém poderia argumentar que "as coisas sempre foram assim" e mesmo assim o Brasil se desenvolveu. Esta duvidosa argumentação, em geral, não considera o fato de que as mudanças dos padrões de competitividade das últimas três décadas jogaram o país num quadro de estupendos desafios. É preciso recuperar rapidamente o que deixamos de fazer naquilo que é o "básico" para jogar o jogo e, ao mesmo tempo, dar arrancadas tecnológicas que permitam ao país ser ao menos competitivo dentre seus pares "emergentes". Para isto, a arte de governar teria de reformar o Estado no sentido de torná-lo eficiente no cumprimento de suas tarefas na formulação de políticas modernas e atrair o capital para mover a máquina do desenvolvimento. Para isto o governo tem de ser fonte de estabilidade e confiança, pois até o mundo mineral sabe que o capital é covarde. Ora, o que se vê no governo é o jorro de bravatas e a incapacidade, digamos, operacional, de fazer o país seguir em frente. Afora, outros aspectos mais nebulosos como a corrupção e a trágica criminalidade. Por toda esta argumentação já não existe, a nosso ver, "conjuntura" e "estrutura". Há uma emergência que embora não aflorada, faz um país muito além de suas próprias possibilidades.
Câmbio: "parada técnica" ou "mudança de tendência"?
O Federal Reserve preservou a sua estratégia de expansão monetária com o objetivo de estimular o "lado real" da economia norte-americana e, com efeito, manter o mercado laboral em aquecimento. Observados os indicadores de atividade da maior economia do mundo, o que se vê é que a demanda está, a cada dia, mais aquecida e, em menor medida, sustentada pela expansão do crédito. O que é certo é que o pior já passou e a direção dos capitais mudou, da periferia para o centro capitalista. Neste sentido, o dólar mantém intacta a tendência de valorização frente às demais moedas. O ritmo desta valorização haverá de ser maior ou menor na medida em que o Fed aponte quando "mudará" a sua política. Todavia, a autoridade monetária americana está mais próxima de mudá-la que de mantê-la. Quando isto ficar mais claro a volatilidade cambial voltará a se exacerbar e os movimentos serão mais bruscos. Até lá, parece muito mais seguro permanecer investido no dólar que em outra moeda. A transição parece ter ficado mais longa, mas a tendência permanece clara.
Privatizações: os fatos e as versões - 1
A primeira versão é que a presidente Dilma Rousseff está irritada como o que classifica como insucesso dos primeiros leilões de privatização de rodovias Federais em seu governo e de exploração do primeiro campo de pré-sal, o de Libra, colocado em hasta pública. Insucesso porque o governo acreditava que haveria uma enxurrada de concorrentes nas duas ofertas e o que se viu foi a ausência de qualquer proposta para a rodovia BR-262; um consórcio vencedor da disputa pela BR-050 formado por nove empresas de porte médio, o que agitou outro fantasma que já assombrou a presidente, os resultados dos leilões do aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília; e o aparecimento de apenas 11 - inclusa a Petrobras - companhias e não as 40 imaginadas, ainda com a desistência de cinco gigantes petrolíferas, na disputa do pré-sal.
Privatizações: os fatos e as versões - 2
Foi demais para Dilma - ela reagiu como se não soubesse que isto poderia ter acontecido. Ou não lê jornais, uma vez que não conversa com quem não pensa como ela e aceita suas ideias, ou não foi bem informada por seus assessores. Especialistas nesses setores, de diversos matizes ideológicos, alertaram para esse risco, em função dos modelos que foram elaborados para as concessões (palavra que o governo prefere à privatização), não dessas duas áreas agora, mas também do que vem por aí como os aeroportos, portos e ferrovias. O governo demorou anos para aceitar a necessidade de chamar o setor privado para ajudá-lo a atacar nossos problemas de infraestrutura. Havia um ano e meio de gestão quando a presidente lançou o Programa de Investimentos em Logística (PIL), em agosto de 2013. Entre a descoberta dos primeiros campos de pré-sal, as mudanças no modelo de concessão para partilha e o anúncio da oferta do campo de Libra, passaram-se seis anos.
Privatizações: os fatos e as versões - 3
Quando o livro foi aberto percebeu-se que o governo queria conceder sem conceder de fato, mantendo interferências e controles sobre o processo que tornavam, para o capital privado, o negócio pouco atraente. Várias correções foram feitas, já comentadas aqui, com o objetivo de aumentar a rentabilidade nas concessões rodoviárias e reduzir os correspondentes riscos. Mesmo assim a coisa não pegou. E não pegou tanto nas estradas como nos poços de petróleo por uma coisa que está sendo chamada de "risco-governo". O Palácio do Planalto procurou encontrar agentes externos de variadas conotações para explicar o insucesso. Empresários chegaram a ser chamados a Brasília para receber um "pito" da ministra Gleisi Hoffmann. A presidente, enquanto isso, ordenou a seus auxiliares uma revisão de todo o processo, para ver onde estão os gargalos. É incrível que, depois de tanto tempo, o governo ainda precise fazer ajustes no seu programa. É sinal da soberba palaciana, de ouvir pouco e ordenar muito. Faltou o chamado "juízo crítico", normalmente uma mercadoria escassa nos palácios governamentais. Que empresa privada gostaria de ter no seu calcanhar uma sócia, a nova estatal criada para o pré-sal, que não investirá um mísero dólar no consórcio, mas terá total poder de veto nas decisões estratégicas? Se não olhar para dentro e fizer um mea culpa, se não perceber que o Brasil não é o único lugar no mundo onde há bons negócios para o capital privado, a presidente Dilma pode colher outros frutos amargos na sua "privatização envergonhada" - "que nem jiló" como diz a música de Luis Gonzaga.
Dilma/PSB: as versões e os fatos - 1
Outra surpresa, confessada por ela mesma, que assaltou a presidente Dilma Rousseff, foi a decisão do governador de PE e presidente do PSB, Eduardo Campos, de entregar a ela os dois ministérios e cargos de peso no segundo escalão Federal ocupados pelo partido. Houve sim a surpresa, mas apenas pelo gesto de Campos - ninguém esperava nas esferas oficiais e petistas tal gesto de "desprendimento" com certo cheiro eleitoral. Na realidade, Dilma se preparava para ser a condutora do processo de afastamento PSB e acabou sendo "trucada" pelo governador pernambucano. Era visível até para os mais leigos em política, que Campos e o PSB, desde que ficou mais ou menos claro que ele pretendia concorrer de fato à presidência da República em 2014, estavam sendo "fritados".
Dilma/PSB: as versões e os fatos - 2
A "fritura" tinha por objetivo humilhar o concorrente, pespegando nele pechas de "oportunista" e "fisiológico", por estar fazendo um discurso de oposição, com críticas à política econômica, para preparar sua candidatura presidencial e, ao mesmo tempo, não largar o osso dos bons cargos Federais. Nessa linha, preparava-se o desembarque do PSB do governo por decisão presidencial. O PT, como bom menino que é, defendia abertamente a saída de Campos e do PSB. O PMDB, menino glutão, seguia na mesma linha, de olho nos cargos que vagarão. Já está até trucidando pelo Ministério da Integração Nacional. De duas semanas para cá, o jornais e sites começaram a publicar reportagens e notinhas, sem fontes identificadas, mas facilmente perceptíveis a olho nu, que Dilma tiraria os ditos socialistas de sua equipe quando outubro chegasse. Dilma deixou que se espalhasse a versão de que ficou furibunda com o encontro amigável de Eduardo Campos com Aécio Neves.
Dilma/PSB: as versões e os fatos - 3
Houve até uma reunião em Brasília, do "Conselho Eleitoral" de Dilma, na qual o ex-presidente Lula compareceu, quando o tema foi tratado. A versão é que o ex-presidente teria aconselhado Dilma a não atacar Campos para não queimar as pontes com o PSB e jogá-lo nos braços de Marina ou Aécio. É improvável que Lula e Dilma não soubessem de tais manobras. E que, se quisessem, facilmente calariam o PT o PMDB e desmentiriam publicamente e veementemente as notícias que levavam à "fritura" de Campos. Como diz o popular, foram buscar lã e saíram tosquiados. Agora correm para conter os prejuízos, pois os sinais de que Eduardo Campos saiu contrariado - quem sabe, furibundo - desse episódio são muito claros. Dilma pediu um tempo ao ministro renunciante Fernando Bezerra e pediu a seu auxiliar para intermediar uma nova conversa dela com Campos. Lula também entrou em campo. O governador de PE aceitou falar com Dilma outra vez sobre o tema. Mas não tem volta com o PSB ficando no governo, sob pena de se desmoralizar irremediavelmente. O máximo que se pode agora é ajustar a funilaria, reparar os estragos e não ter Eduardo Campos como um inimigo declarado. Sem Lula por perto, normalmente a operação política da presidente Dilma é um desastre. Desta vez, como Lula estava no mesmo barco para arpoar Eduardo Campos, o jogo se revelou lastimável.
E a faxineira?
Nos últimos 15 dias houve demissões de funcionários graduados, em cargos comissionados, de confiança, por razões não ecumênicas, no Ministério do Trabalho, no Ministério da Previdência Social e no Ministério das Relações Institucionais. No entanto, os titulares das pastas em ebulição, respectivamente Manoel Dias/PDT, Garibaldi Alves/PMDB e Ideli Salvatti/PT, continuam impávidos colossos em seus postos. Cientes de que a teoria do "domínio dos fatos" é filustria jurídica para o STF. Manoel Dias ainda com um agravante : em entrevista do jornal "O Globo" avisou que se for retirado do Ministério não vai ficar calado. Teria coisas "impublicáveis" para contar.
Sem insinuação, porém...
Contrasta a facilidade com que o ex-prefeito Gilberto Kassab conseguiu montar no ano passado o seu PSD, feito sob medida para esvaziar partidos de oposição em Brasília, e as dificuldades que Marina Silva está encontrando para montar seu Rede Sustentabilidade, partido pelo qual pretende disputar a presidência da República contra Dilma Rousseff. Um teve todo o amparo oficial, o outro, todo o boicote possível. Não é nada, não é nada, é muito estranho.
Um pequeno ruído oposicionista
O programa eleitoral do PSDB na quinta-feira, estrelado pelo provável (cada vez mais) candidato do partido ao Palácio do Planalto, deu o tom do que poderá ser a campanha tucana no ano que vem: menos espetaculosa, mais crítica, em tom didático e de conversa com o eleitor - e sem promessas. Trata-se de uma mudança no estilo de marketing político-eleitoral brasileiro, de extração publicitária, na base da venda de um "produto" desenhado a partir de pesquisas de opinião. Parece ser um texto. A questão é: funcionará? O comando da campanha resistirá às pressões para adotar o modelo edulcorado, caso a campanha não deslanche? Porém, apenas isto não basta - e a observação vale para outros candidatos também, inclusive para a presidente Dilma: os candidatos deverão apresentar aos eleitores programas de governos concretos, não fantasiosos, factíveis. O aperto que os prefeitos empossados em janeiro estão enfrentando - estão praticamente os mais importantes com a popularidade em baixa - se deve à incapacidade de cumprir as promessas - na maioria, mirabolantes, que fizeram durante a campanha. As não suficientemente analisadas manifestações juninas demonstraram isto.
A infringência dos embargos - política
Em nome da solidariedade pessoal aos réus condenados, foi de júbilo, apesar de contido, no governo e no PT, a decisão do ministro Celso de Mello, do STF, com o voto de desempate, de considerar possível a apresentação de embargos infringentes por quem teve - 12 no total - pelo menos quatro votos contra sua condenação. O comedimento público das reações tem uma explicação a partir desta pergunta: será bom para a campanha e Dilma e do PT a exibição pública do mensalão, com toda a sua história repisada, no ano que vem?
A infringência dos embargos - jurídica
O mundo jurídico oficial, STF à frente, e o Legislativo precisam mergulhar mais profundamente sobre os embargos infringentes nas ações penais como o mensalão. O ministro Celso de Mello deu um voto de desempate, concluindo que eles estão vigentes no ordenamento político nacional. Todavia, Celso de Mello, por mais elevado que seja o seu saber jurídico, não é um oráculo, persistem dúvidas sérias sobre a aplicação desta norma. Como mostraram os cinco votos contrários - é uma divergência "significativa" - e várias interpretações de juristas renomados. Não é, como se diz, uma questão vencida. Está vencida para o caso do mensalão, não para outros casos que venham a surgir. Dependendo da composição da corte a decisão pode ser distinta daquela de quarta-feira passada. Como disse a ministra Carmem Lúcia em seu sereno e substancial voto, o sistema não fecha.
A infringência dos embargos - a desculpa
Com seu voto, o ministro Celso de Mello botou abaixo um dos argumentos dos advogados e defesa dos réus - e discurso permanente dos "mensaleiros" - de que eles estavam sendo vítimas de um julgamento de exceção, de que não estavam tendo direito pleno de defesa. Pelo menos para os 12 com direito a embargos declaratórios, o duplo grau de jurisdição foi estabelecido. Não para os outros condenados.
País de cultura
Aos olhos da mais mortal das criaturas parece razoável que o Erário de um país, via Lei Rouanet, financie o Rock in Rio, o musical Billy Elliot e desfiles de moda em Paris?
Renovação política
Viu-se na imprensa: José Sarney deve se aposentar em 2015 aos 85 anos. Deixará um herdeiro político em seu lugar e deve disputar a presidência da Academia Brasileira de Letras. Há muita expectativa sobre tudo isso. É preciso se preparar. FHC, em seu discurso de posse na ABL, pronunciou: "O grande desafio dos caminhos da política é evitar a tentação do doutor Fausto e não vender a alma ao demônio". Investiga-se a intenção da frase, mas não há resultados por ora...
Opinião pública
Em tempos de discussão sobre opinião pública, voz das ruas e coisas tais, vale lembrar duas lições sobre o assunto. Do filósofo espanhol Miguel Unamuno: "Eu sou eu e minhas circunstâncias". Do "filósofo" português Conselheiro Acácio, criação de Eça de Queiros em "O Primo Basílio": "O problema é que as consequências vêm sempre depois".
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
Os substantivos problemas pelos quais o Brasil atravessa têm sido sistematicamente tratados, seja do alto da maior autoridade brasileira, seja dos analistas, como "conjunturais" na ausência de outra palavra no vernáculo. Ocorre que o país está acumulando problemas de natureza estrutural sem que estes tenham encaminhamento estratégico. Agrava-se esta constatação com o lançamento de factóides que contribuem para a formulação dos discursos oficiais com vista às próximas eleições. A maioria das políticas governamentais ou das críticas a estas não subsiste a um exame mais demorado, mais estrutural. Como não está instalado na sociedade e no governo um sentimento de "emergência" tudo vai sendo empurrado por uma monumental barriga. Assim, com efeito pirotécnico, tudo fica como sempre e sem solução.
Para além da mera conjuntura - 2
Pode-se fazer uma longa lista ou uma "agenda" para comprovar a "dança do ventre" da sociedade e do governo cujo efeito é a paralisia nas soluções. Selecionamos alguns dos itens mais importantes: (i) considerada a atual taxa de câmbio e o chamado "custo-país" (tributação, regras trabalhistas, taxa de juros, etc.), o Brasil não é competitivo perante um mundo, incluso o emergente, altamente competitivo; (ii) nada de relevante ocorreu no país nos últimos 15 anos que tenha sido relevante para alterar as ineficiências da infraestrutura nacional. Das estradas até o balcão dos cartórios dos tribunais, tudo conspira contra o desenvolvimento econômico e social (veja as notas sobre os recentes leilões de concessões); (iii) a larga maioria dos programas sociais se reduz a uma estrita visão eleitoral. Do Bolsa-Família ao "Mais Médicos" nota-se a ausência de uma visão estratégica suficiente para em algumas décadas superar-se a pobreza e o subdesenvolvimento; (iv) em matéria de desenvolvimento tecnológico e educacional a coisa vai de mal a pior. Somos, de fato, um país sem possibilidade de incorporar parcelas importantes de avanços tecnológicos e, de um modo geral, sobram analfabetos funcionais.
Para além da mera conjuntura - 3
Alguém poderia argumentar que "as coisas sempre foram assim" e mesmo assim o Brasil se desenvolveu. Esta duvidosa argumentação, em geral, não considera o fato de que as mudanças dos padrões de competitividade das últimas três décadas jogaram o país num quadro de estupendos desafios. É preciso recuperar rapidamente o que deixamos de fazer naquilo que é o "básico" para jogar o jogo e, ao mesmo tempo, dar arrancadas tecnológicas que permitam ao país ser ao menos competitivo dentre seus pares "emergentes". Para isto, a arte de governar teria de reformar o Estado no sentido de torná-lo eficiente no cumprimento de suas tarefas na formulação de políticas modernas e atrair o capital para mover a máquina do desenvolvimento. Para isto o governo tem de ser fonte de estabilidade e confiança, pois até o mundo mineral sabe que o capital é covarde. Ora, o que se vê no governo é o jorro de bravatas e a incapacidade, digamos, operacional, de fazer o país seguir em frente. Afora, outros aspectos mais nebulosos como a corrupção e a trágica criminalidade. Por toda esta argumentação já não existe, a nosso ver, "conjuntura" e "estrutura". Há uma emergência que embora não aflorada, faz um país muito além de suas próprias possibilidades.
Câmbio: "parada técnica" ou "mudança de tendência"?
O Federal Reserve preservou a sua estratégia de expansão monetária com o objetivo de estimular o "lado real" da economia norte-americana e, com efeito, manter o mercado laboral em aquecimento. Observados os indicadores de atividade da maior economia do mundo, o que se vê é que a demanda está, a cada dia, mais aquecida e, em menor medida, sustentada pela expansão do crédito. O que é certo é que o pior já passou e a direção dos capitais mudou, da periferia para o centro capitalista. Neste sentido, o dólar mantém intacta a tendência de valorização frente às demais moedas. O ritmo desta valorização haverá de ser maior ou menor na medida em que o Fed aponte quando "mudará" a sua política. Todavia, a autoridade monetária americana está mais próxima de mudá-la que de mantê-la. Quando isto ficar mais claro a volatilidade cambial voltará a se exacerbar e os movimentos serão mais bruscos. Até lá, parece muito mais seguro permanecer investido no dólar que em outra moeda. A transição parece ter ficado mais longa, mas a tendência permanece clara.
Privatizações: os fatos e as versões - 1
A primeira versão é que a presidente Dilma Rousseff está irritada como o que classifica como insucesso dos primeiros leilões de privatização de rodovias Federais em seu governo e de exploração do primeiro campo de pré-sal, o de Libra, colocado em hasta pública. Insucesso porque o governo acreditava que haveria uma enxurrada de concorrentes nas duas ofertas e o que se viu foi a ausência de qualquer proposta para a rodovia BR-262; um consórcio vencedor da disputa pela BR-050 formado por nove empresas de porte médio, o que agitou outro fantasma que já assombrou a presidente, os resultados dos leilões do aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília; e o aparecimento de apenas 11 - inclusa a Petrobras - companhias e não as 40 imaginadas, ainda com a desistência de cinco gigantes petrolíferas, na disputa do pré-sal.
Privatizações: os fatos e as versões - 2
Foi demais para Dilma - ela reagiu como se não soubesse que isto poderia ter acontecido. Ou não lê jornais, uma vez que não conversa com quem não pensa como ela e aceita suas ideias, ou não foi bem informada por seus assessores. Especialistas nesses setores, de diversos matizes ideológicos, alertaram para esse risco, em função dos modelos que foram elaborados para as concessões (palavra que o governo prefere à privatização), não dessas duas áreas agora, mas também do que vem por aí como os aeroportos, portos e ferrovias. O governo demorou anos para aceitar a necessidade de chamar o setor privado para ajudá-lo a atacar nossos problemas de infraestrutura. Havia um ano e meio de gestão quando a presidente lançou o Programa de Investimentos em Logística (PIL), em agosto de 2013. Entre a descoberta dos primeiros campos de pré-sal, as mudanças no modelo de concessão para partilha e o anúncio da oferta do campo de Libra, passaram-se seis anos.
Privatizações: os fatos e as versões - 3
Quando o livro foi aberto percebeu-se que o governo queria conceder sem conceder de fato, mantendo interferências e controles sobre o processo que tornavam, para o capital privado, o negócio pouco atraente. Várias correções foram feitas, já comentadas aqui, com o objetivo de aumentar a rentabilidade nas concessões rodoviárias e reduzir os correspondentes riscos. Mesmo assim a coisa não pegou. E não pegou tanto nas estradas como nos poços de petróleo por uma coisa que está sendo chamada de "risco-governo". O Palácio do Planalto procurou encontrar agentes externos de variadas conotações para explicar o insucesso. Empresários chegaram a ser chamados a Brasília para receber um "pito" da ministra Gleisi Hoffmann. A presidente, enquanto isso, ordenou a seus auxiliares uma revisão de todo o processo, para ver onde estão os gargalos. É incrível que, depois de tanto tempo, o governo ainda precise fazer ajustes no seu programa. É sinal da soberba palaciana, de ouvir pouco e ordenar muito. Faltou o chamado "juízo crítico", normalmente uma mercadoria escassa nos palácios governamentais. Que empresa privada gostaria de ter no seu calcanhar uma sócia, a nova estatal criada para o pré-sal, que não investirá um mísero dólar no consórcio, mas terá total poder de veto nas decisões estratégicas? Se não olhar para dentro e fizer um mea culpa, se não perceber que o Brasil não é o único lugar no mundo onde há bons negócios para o capital privado, a presidente Dilma pode colher outros frutos amargos na sua "privatização envergonhada" - "que nem jiló" como diz a música de Luis Gonzaga.
Dilma/PSB: as versões e os fatos - 1
Outra surpresa, confessada por ela mesma, que assaltou a presidente Dilma Rousseff, foi a decisão do governador de PE e presidente do PSB, Eduardo Campos, de entregar a ela os dois ministérios e cargos de peso no segundo escalão Federal ocupados pelo partido. Houve sim a surpresa, mas apenas pelo gesto de Campos - ninguém esperava nas esferas oficiais e petistas tal gesto de "desprendimento" com certo cheiro eleitoral. Na realidade, Dilma se preparava para ser a condutora do processo de afastamento PSB e acabou sendo "trucada" pelo governador pernambucano. Era visível até para os mais leigos em política, que Campos e o PSB, desde que ficou mais ou menos claro que ele pretendia concorrer de fato à presidência da República em 2014, estavam sendo "fritados".
Dilma/PSB: as versões e os fatos - 2
A "fritura" tinha por objetivo humilhar o concorrente, pespegando nele pechas de "oportunista" e "fisiológico", por estar fazendo um discurso de oposição, com críticas à política econômica, para preparar sua candidatura presidencial e, ao mesmo tempo, não largar o osso dos bons cargos Federais. Nessa linha, preparava-se o desembarque do PSB do governo por decisão presidencial. O PT, como bom menino que é, defendia abertamente a saída de Campos e do PSB. O PMDB, menino glutão, seguia na mesma linha, de olho nos cargos que vagarão. Já está até trucidando pelo Ministério da Integração Nacional. De duas semanas para cá, o jornais e sites começaram a publicar reportagens e notinhas, sem fontes identificadas, mas facilmente perceptíveis a olho nu, que Dilma tiraria os ditos socialistas de sua equipe quando outubro chegasse. Dilma deixou que se espalhasse a versão de que ficou furibunda com o encontro amigável de Eduardo Campos com Aécio Neves.
Dilma/PSB: as versões e os fatos - 3
Houve até uma reunião em Brasília, do "Conselho Eleitoral" de Dilma, na qual o ex-presidente Lula compareceu, quando o tema foi tratado. A versão é que o ex-presidente teria aconselhado Dilma a não atacar Campos para não queimar as pontes com o PSB e jogá-lo nos braços de Marina ou Aécio. É improvável que Lula e Dilma não soubessem de tais manobras. E que, se quisessem, facilmente calariam o PT o PMDB e desmentiriam publicamente e veementemente as notícias que levavam à "fritura" de Campos. Como diz o popular, foram buscar lã e saíram tosquiados. Agora correm para conter os prejuízos, pois os sinais de que Eduardo Campos saiu contrariado - quem sabe, furibundo - desse episódio são muito claros. Dilma pediu um tempo ao ministro renunciante Fernando Bezerra e pediu a seu auxiliar para intermediar uma nova conversa dela com Campos. Lula também entrou em campo. O governador de PE aceitou falar com Dilma outra vez sobre o tema. Mas não tem volta com o PSB ficando no governo, sob pena de se desmoralizar irremediavelmente. O máximo que se pode agora é ajustar a funilaria, reparar os estragos e não ter Eduardo Campos como um inimigo declarado. Sem Lula por perto, normalmente a operação política da presidente Dilma é um desastre. Desta vez, como Lula estava no mesmo barco para arpoar Eduardo Campos, o jogo se revelou lastimável.
E a faxineira?
Nos últimos 15 dias houve demissões de funcionários graduados, em cargos comissionados, de confiança, por razões não ecumênicas, no Ministério do Trabalho, no Ministério da Previdência Social e no Ministério das Relações Institucionais. No entanto, os titulares das pastas em ebulição, respectivamente Manoel Dias/PDT, Garibaldi Alves/PMDB e Ideli Salvatti/PT, continuam impávidos colossos em seus postos. Cientes de que a teoria do "domínio dos fatos" é filustria jurídica para o STF. Manoel Dias ainda com um agravante : em entrevista do jornal "O Globo" avisou que se for retirado do Ministério não vai ficar calado. Teria coisas "impublicáveis" para contar.
Sem insinuação, porém...
Contrasta a facilidade com que o ex-prefeito Gilberto Kassab conseguiu montar no ano passado o seu PSD, feito sob medida para esvaziar partidos de oposição em Brasília, e as dificuldades que Marina Silva está encontrando para montar seu Rede Sustentabilidade, partido pelo qual pretende disputar a presidência da República contra Dilma Rousseff. Um teve todo o amparo oficial, o outro, todo o boicote possível. Não é nada, não é nada, é muito estranho.
Um pequeno ruído oposicionista
O programa eleitoral do PSDB na quinta-feira, estrelado pelo provável (cada vez mais) candidato do partido ao Palácio do Planalto, deu o tom do que poderá ser a campanha tucana no ano que vem: menos espetaculosa, mais crítica, em tom didático e de conversa com o eleitor - e sem promessas. Trata-se de uma mudança no estilo de marketing político-eleitoral brasileiro, de extração publicitária, na base da venda de um "produto" desenhado a partir de pesquisas de opinião. Parece ser um texto. A questão é: funcionará? O comando da campanha resistirá às pressões para adotar o modelo edulcorado, caso a campanha não deslanche? Porém, apenas isto não basta - e a observação vale para outros candidatos também, inclusive para a presidente Dilma: os candidatos deverão apresentar aos eleitores programas de governos concretos, não fantasiosos, factíveis. O aperto que os prefeitos empossados em janeiro estão enfrentando - estão praticamente os mais importantes com a popularidade em baixa - se deve à incapacidade de cumprir as promessas - na maioria, mirabolantes, que fizeram durante a campanha. As não suficientemente analisadas manifestações juninas demonstraram isto.
A infringência dos embargos - política
Em nome da solidariedade pessoal aos réus condenados, foi de júbilo, apesar de contido, no governo e no PT, a decisão do ministro Celso de Mello, do STF, com o voto de desempate, de considerar possível a apresentação de embargos infringentes por quem teve - 12 no total - pelo menos quatro votos contra sua condenação. O comedimento público das reações tem uma explicação a partir desta pergunta: será bom para a campanha e Dilma e do PT a exibição pública do mensalão, com toda a sua história repisada, no ano que vem?
A infringência dos embargos - jurídica
O mundo jurídico oficial, STF à frente, e o Legislativo precisam mergulhar mais profundamente sobre os embargos infringentes nas ações penais como o mensalão. O ministro Celso de Mello deu um voto de desempate, concluindo que eles estão vigentes no ordenamento político nacional. Todavia, Celso de Mello, por mais elevado que seja o seu saber jurídico, não é um oráculo, persistem dúvidas sérias sobre a aplicação desta norma. Como mostraram os cinco votos contrários - é uma divergência "significativa" - e várias interpretações de juristas renomados. Não é, como se diz, uma questão vencida. Está vencida para o caso do mensalão, não para outros casos que venham a surgir. Dependendo da composição da corte a decisão pode ser distinta daquela de quarta-feira passada. Como disse a ministra Carmem Lúcia em seu sereno e substancial voto, o sistema não fecha.
A infringência dos embargos - a desculpa
Com seu voto, o ministro Celso de Mello botou abaixo um dos argumentos dos advogados e defesa dos réus - e discurso permanente dos "mensaleiros" - de que eles estavam sendo vítimas de um julgamento de exceção, de que não estavam tendo direito pleno de defesa. Pelo menos para os 12 com direito a embargos declaratórios, o duplo grau de jurisdição foi estabelecido. Não para os outros condenados.
País de cultura
Aos olhos da mais mortal das criaturas parece razoável que o Erário de um país, via Lei Rouanet, financie o Rock in Rio, o musical Billy Elliot e desfiles de moda em Paris?
Renovação política
Viu-se na imprensa: José Sarney deve se aposentar em 2015 aos 85 anos. Deixará um herdeiro político em seu lugar e deve disputar a presidência da Academia Brasileira de Letras. Há muita expectativa sobre tudo isso. É preciso se preparar. FHC, em seu discurso de posse na ABL, pronunciou: "O grande desafio dos caminhos da política é evitar a tentação do doutor Fausto e não vender a alma ao demônio". Investiga-se a intenção da frase, mas não há resultados por ora...
Opinião pública
Em tempos de discussão sobre opinião pública, voz das ruas e coisas tais, vale lembrar duas lições sobre o assunto. Do filósofo espanhol Miguel Unamuno: "Eu sou eu e minhas circunstâncias". Do "filósofo" português Conselheiro Acácio, criação de Eça de Queiros em "O Primo Basílio": "O problema é que as consequências vêm sempre depois".
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
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