terça-feira, 19 de janeiro de 2010

ENTREVISTA


Ontem estive em Crateús.

Em meio aos compromissos, fui convidado pelo repórter Helvécio Martins para conceder uma entrevista à Rádio Príncipe Imperial, onde inicialmente ele me indagou a respeito da eleição da OAB e, em seguida, sobre política local e estadual.

Respondi-lhe que nutro enorme esperança quanto ao futuro da OAB no Ceará. O presidente Valdetário Monteiro é uma pessoa que exibe uma virtuosa trajetória de vida, tem atitude, determinação e garra para impulsionar positivamente os destinos da entidade. Será, indubitavelmente, uma gestão operosa.


Sobre a conjuntura, esclareci que as eleições no Chile exibem um fenômeno que precisa ser mais bem avaliado. Por que a Presidente Chilena, Michelle Bachelet, que detém uma popularidade tão expressiva quanto a do Presidente Lula no Brasil, amargou uma derrota? Certamente é porque hoje o peso da transferência de voto mudou. Até bem pouco tempo um líder forte e bem avaliado elegia facilmente o indicado. Hoje é diferente. Prova disso é o próprio Brasil, onde há mais de um ano o presidente exibe uma candidata que continua atrás nas pesquisas.

No que pertine à eleição estadual, enfatizei a importância do estado do Ceará reeleger Tasso Jereissati, o único homem público cearense a governar o estado por três mandatos, sempre eleito pelo voto popular. Além de reconhecimento ao seu trabalho, trata-se de ato de justiça.

Instado a fazer uma avaliação do governo municipal, respondi:

1. A eleição de Carlos Felipe foi emblemática. Embora tenha votado no candidato concorrente, reconheço que Carlos Felipe catalisou as esperanças da população. O povo votou nele sob o forte desejo de que ele promovesse uma profunda alteração nos costumes políticos e na condução administrativa. Infelizmente faltou-lhe aquilatar a real dimensão e o alcance histórico do seu papel. Ao invés de iniciar o seu governo conclamando a inteligência da cidade, pela mediação dos segmentos organizados, e as lideranças indistintamente para a construção de uma agenda de transformações sustentáveis, preferiu repetir os velhos modelos: cooptação de vereadores, ações revanchistas, discurso discriminatório. Perdeu a oportunidade inicial da inovação.

2. Além de uma mudança relacional, era imperiosa a promoção de um choque de gestão: corte nas gorduras, enxugamento da máquina, racionalização de procedimentos e constituição de uma robusta poupança. Na ânsia imediatista de mostrar resultado, iniciou obras sem folga de contrapartida e começa a enfrentar problemas (a reforma da Praça da Estação está prestes a completar um ano e inconclusa). No lugar de um programa eficaz de desenvolvimento sustentável, temos uma série atabalhoada de ações desconexas ao sabor da conjuntura externa.

3. No meio da entrevista, um ouvinte ligou perguntando o que o PSDB tinha feito para ajudar a administração do Prefeito Carlos Felipe. Respondi que é preciso distinguir: uma coisa é ajudar a Administração; outra, ajudar a população. O PSDB tem ajudado a população do município. Exemplo é que muitos ações de saneamento e pavimentação da cidade era fruto de emendas do deputado do PSDB Nenen Coelho. Outro exemplo foi a destinação de recursos (R$ 200.000,00) para a Faculdade de Educação de Crateús – FAEC, além de uma infinidade de projetos em execução. A ajuda à Administração depende de quem está à frente desta. O prefeito nunca fez qualquer sinal de querer uma relação saudável e elevada com os setores que lhe fazem oposição. Nesse quesito, repete a velha e anacrônica política pendular de transitar sobre os dois extremos: ou as pessoas, por cooptação, o acompanham submissamente ou procura esmagar quem insiste em lhe fazer contraponto. Como se fosse impossível seguir outro caminho.

4. Por fim, reiterei a esperança de que, na dialética do debate, possamos avançar no rumo de, um dia, atingirmos o ideal de vivermos numa cidade que respire sob uma atmosfera diferenciada nos seus aspectos político e administrativo.


(Por Júnior Bonfim)

2 comentários:

lb disse...

Luís Carlos Prestes
(Político e líder comunista brasileiro)
3-1-1898, Porto Alegre (RS)
7-3-1990, Rio de Janeiro (RJ)


wikipedia

Comandante de uma extraordinária e revolucionária marcha, a Coluna Prestes, e líder do Partido Comunista Brasileiro (PCB) por mais de 50 anos, Luís Carlos Prestes foi uma das figuras da América Latina mais perseguidas do século XX. Nascido em Porto Alegre (RS), cursou a Escola Militar do Rio de Janeiro. Transferido para o Rio Grande do Sul, liderou no Estado uma revolta tenentista contra o governo de Arthur Bernardes em 1924. Compostos por jovens oficiais do Exército, os "tenentes" pretendiam levantar a população contra o poder da oligarquia governante e, por meio da revolução, exigir reformas políticas e sociais, como a renúncia de Bernardes, a convocação de uma Assembléia Constituinte e o voto secreto. Depois de vários combates, os gaúchos foram ao encontro das tropas paulistas rebeldes comandadas por Isidoro Dias Lopes e por Miguel Costa, em Foz do Iguaçu (PR), formando a Coluna Prestes, com o propósito de percorrer o Brasil para propagar as idéias tenentistas. Os integrantes da Coluna realizaram uma incrível marcha pelo interior do país, percorrendo, a pé e a cavalo, cerca de 25 mil km. A marcha terminou em 1927, quando os revoltosos se exilaram na Bolívia. Nesse país, Prestes conheceu Astrogildo Pereira, um dos fundadores do PCB. Convertido à ideologia marxista, viajou para Moscou (ex-URSS) em 1931. Retornou clandestinamente ao Brasil em 1935, casado com a comunista judia alemã Olga Benário. Depois de comandar o fracassado golpe conhecido como Intentona Comunista (1935), com o intuito de derrubar o então presidente Getúlio Vargas e instalar um governo socialista, foi preso e sua mulher entregue à Gestapo (polícia política nazista) e deportada grávida para a Alemanha, onde morreu em um campo de concentração (1942). Após ser solto com o processo de redemocratização (1945), Prestes elegeu-se senador pelo PCB. Com a cassação do registro do partido (1947), teve a prisão preventiva decretada e foi obrigado a retornar à clandestinidade. Sua prisão preventiva foi revogada em 1958, mas, com o golpe militar de 1964, o líder comunista voltou a ser perseguido. Em 1971, conseguiu sair do país e se exilou na antiga URSS. Com a anistia de 1979, retornou, mas afastou-se do PCB.


Nota: Carlos Prestes foi motivado pela conjuntura politica daquela epoca, nada com o MAO, MAU.

Lauro Bonfim disse...

Enviado por Ricardo Noblat - 20.1.2010| 14h05m
Deu na Folha de S. Paulo
Lá para cá diferenças há

A máquina e o peso do governo não foram fatores eleitorais no Chile; no Brasil de Lula, são o principal fator

De Janio de Freitas:

Era fatal: se o candidato da direita perdesse a eleição no Chile, consolidaria a tese de que um presidente com alta aprovação transfere votos ao candidato governista; se vencesse, como Sebastián Piñera venceu, seria uma advertência para Lula, que "já está preocupado" enquanto "a oposição se regozija".

As deduções se repetem. Mas em nenhum dos casos se justifica qualquer equivalência entre a disputa chilena e a perspectiva eleitoral brasileira.

Duas de várias razões já asseguram a incompatibilidade das situações de lá e de cá. A primeira delas é a atitude mantida por Michelle Bachelet, que cumpriu sem desvio algum o preceito de que aos presidentes cabe presidir as eleições. Permitiu-se no máximo, já no segundo turno, uma palavra de eleitora favorável a Eduardo Frei, de cuja escolha como candidato Bachelet nem participou.

Detentora da melhor avaliação entre todos os presidentes das Américas, com 85% de aprovação pessoal, Bachelet não conseguiu fazer um governo de sucesso. Tal como se dera com seu antecessor, o respeitado Ricardo Lagos.

As resistências dos setores influentes projetaram dificuldades políticas que mantiveram o governo, sempre, aquém das expectativas da população. Dois problemas muito sérios no Chile, que são a previdência social e o sistema educacional deformados no tempo de Pinochet, não receberam as esperadas reformas e foram causa permanente de agitação, até com violência. E as camadas de pobreza e miséria não foram satisfeitas pelo chamariz do assistencialismo.

Em resumo, a máquina e o peso do governo não foram fatores eleitorais no Chile. No Brasil de Lula, são o principal fator.