sábado, 3 de agosto de 2013

TEMPO DOS “FRANCISCOS”


A extraordinária beleza da paisagem moderna reside no fato de que, paralelo ao filme das grandes vias de infortúnios e mazelas que chocam a humanidade, eclode uma exuberante passarela de álamos, um imenso jardim de flamejante esperança. Em contraponto ao exibicionismo da crueldade, surgem protagonistas da bondade, dóceis criaturas que carregam ramos de ternura e enfrentam as trevas da dureza conduzindo estrelas de delicadeza. Um expoente dessa estirpe que pratica a benevolência ativa é, sem embargo, Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, nome escolhido em reverência a um amante da biocracia nascido em Assis, na Itália.

Para quem costuma cantar a Oração da Paz, Francisco é mais que um nome. É um emblema azul, um roteiro existencial, uma profissão de fé no altruísmo, um voto de amor ao despojamento, uma apaixonada aliança com os mais expressivos valores evangélicos.

Francisco é o humano sintonizado com o Divino, adulto que se conserva menino, mortal que descobre o transcendental. Por isso, constantemente temos que suplicar ao Onipotente para que nos prodigalize com a abertura de coração e a serenidade de espírito, a fim de que possamos distinguir, em qualquer edificação do gênio humano, a argamassa do bem.

Quando adquirimos a liberdade dos pássaros, somos capazes de perceber essa elétrica carga de bondade que perpassa os fios de todas as crenças, convicções, idéias e religiões. Esse campo magnético do Inefável pode ser identificado em um terreiro de Umbanda ou em uma Igreja Evangélica, no espaço de um Centro Espírita ou no altar de um Templo Católico. O que o define não é a massa da construção material, mas a corrente que movimenta a arquitetura imaterial. Nas palavras do Dalai Lama, “a melhor religião é aquela que te faz melhor. Aquilo que te faz mais compassivo, aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável... A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião...”

No dia 12 de junho estávamos, eu e minha consorte, aguardando horário de vôo no aeroporto Pinto Martins. De repente, soou a informação de atraso no embarque. Como hoje sei que nada ocorre por acaso, resolvi exercitar a tolerância. Isso é teste à paciência, raciocinei. Começo a ler um livro quando me chega um colega da AMLEF: Francisco, de sobrenome Castro. Fluiu, então, um diálogo leve e prazeroso. Francisco fez um resumo envolvente deste livro, PEQUENAS HISTÓRIAS DE FRANCISCO, síntese da sua vida. Já tinha informações, embora esparsas, da sua virtuosa história. Nunca imaginei, no entanto, quão imenso era o acervo patrimonial escriturado no seu cartório existencial.

Ele não é apenas o filho de uma mulher simples e guerreira, o órfão de pai ainda criança, exposto à selva de concreto da adversidade urbana e que se firmou como um cidadão letrado, possuidor de mais de um diploma universitário, respeitado e vitorioso.

Este “Francisco” é um condor livre e de benignos costumes, que atravessou com tranqüilidade o salão dos passos perdidos da era profana, praticou as quatro viagens essenciais, lapidou o granito bruto da alma humana, construiu cárceres para o vício e erigiu portais à virtude.

Eis um artífice da rotatória do companheirismo: passou na prova quádrupla, caminha diariamente pelas avenidas do serviço à humanidade, exibe a estética de construir relações negociais com ética e descobriu o sentido de dar de si antes de pensar em si.

Atentem bem: este Francisco, dito Castro, é um hospedeiro da ciência, um sementeiro da sabedoria, um insuflador da bondade! Sabe que sobre nossas consciências paira uma inteligência suprema, causa fundante de todas as coisas e que atua soberanamente com lastro na justiça e na paz.

É despiciendo dizer, porém vou repisar: com a leitura dessa obra, a admiração que nutro por ele se robusteceu.
Suponho não ser vanglória ou soberba afirmar que o mundo se reclina, consciente e reverentemente, ao despojado império da humildade, personificado naqueles que sobrepõem a prática à prédica.

Vivemos a era dos “Franciscos”, seres encantados e encantadores que batem com ternura à porta do nosso coração para nos brindar com flores de gratidão e apontar a vereda da evolução! Este Francisco é um deles!

(Júnior Bonfim, na Revista GENTE DE AÇÃO deste mês)

quarta-feira, 31 de julho de 2013

CONJUNTURA NACIONAL

"Oi, nós, hein, falano ingrês"

Brejo das Freiras é uma Estância Termal nos confins da Paraíba, perto de Uiraúna e Souza. Trata-se de um lugar para relaxamento e repouso. O governo da PB tinha (não sei se ainda tem) um hotel, com uma estrutura para banhos em águas quentes. Década de 70. Apolônio, o garçom, velho conhecido dos fregueses da região, recebe, certo dia, um hóspede de outras plagas. Pessoa desconhecida. Lá pelas tantas, quase terminando a refeição, o senhor levanta a mão, chama Apolônio e pede:

- Meu caro, quero H2O.

Susto e surpresa. Anos e anos de serviços ali no restaurante e ninguém, até aquele momento, havia pedido aquilo. Que diabo seria H2O? Apolônio, solícito:

- Pois não, um instante!

Aflito, correu na direção da única pessoa que, no hotel, poderia adivinhar o pedido do hóspede. Tratava-se de Luiz Edilson Estrela, apelidado de Boréu (por causa dos olhos grandes de caboré), contumaz boêmio, acostumado aos salamaleques da vida.

- Boréu, tem um senhor ali pedindo H2O. Que diabo é isso?

Desconfiado, pego sem jeito, Boréu coça o queixo, olha pro alto, tenta se lembrar de algo parecido com a fonética. Desanimado, manda ver:

- Apolônio, sei não. Consulte o Freitas.

Freitas era o diretor do Grupo Escolar, o respeitado intelectual da região. Localizado, o professor tirou a dúvida no ato:

- H2O é água, seus imbecis. Quer dizer água.

Apressado, Apolônio levou ao freguês uma jarra do líquido. Depois, no corredor, glosando o feito, gritou em direção a Boréu:

- Ah, ah, ah, esse sujeito achava que nós não sabia ingrês. Lascou-se!

A passagem de Francisco

O papa Francisco fez história no Brasil. Sua passagem de uma semana nesses trópicos ficará marcada no calendário da Igreja Católica, no coração dos jovens e de milhões de brasileiras e brasileiros de todos os espaços e profissões, e, também na cabeça dos políticos. O pontífice, com sua simplicidade, encantou a todos. E abriu uma locução muito fértil, que certamente ficou gravada nos sistemas cognitivos. Pregou uma igreja mais despojada do fausto e da burocracia; uma igreja capaz de sair da casca onde se abriga para ir de encontro aos pobres e marginalizados. Abençoou multidões. Beijou criancinhas. Não esmoreceu um minuto. O papa até pareceu o milagre que um país devastado pelo desencanto ganhou.

Puxão de orelhas

O papa deu um puxão de orelhas - por mais que tenha sido suave, como se apresenta - na igreja burocrática, que se afastou das periferias, e nos políticos. Incitou os padres e bispos a reencontrarem o caminho das ovelhas perdidas. Fez uma bela peroração nessa direção. E condenou a corrupção, a ambição pelo dinheiro, a vida escravizada pelo consumismo desvairado. Puxou a orelha dos atores da velha política, incitando-os a abrir espaço aos jovens. Foi bem claro: "a nossa geração se demonstrará à altura da promessa contida em cada jovem quando souber abrir-lhe espaço". Um recado adequado no momento oportuno para a platéia certa.

Cabral e a humildade

Sérgio Cabral, o governador que recebe o maior tiroteio das ruas, mostra-se, agora, humilde. Diz que aprendeu lições de humildade com o Papa Francisco. Viva.

Os jovens

Ao lembrar que a juventude é a "janela pela qual o futuro entra no mundo", no discurso que abriu sua agenda no país, o Papa Francisco quis ressaltar o motivo de sua peregrinação - presença na Jornada Mundial da Juventude - e também alertar os políticos que aos jovens devem ser dadas condições para exercer de maneira condigna seu papel na sociedade. A população jovem brasileira soma 51 milhões de pessoas - 10 milhões entre 15 a 17 anos, 23,1 milhões entre 18 a 24 anos e 17,5 milhões entre 25 a 29 anos - sendo, nos últimos tempos, o motor da mobilização social nas grandes e médias cidades do país. Como agrupamento mais descontente com a classe política, desfralda o simbolismo citado pelo carismático pontífice para fustigar as fortalezas do poder e, à sua maneira, aplainar os caminhos de um amanhã que se lhe apresenta sombrio, uma existência que ameaça ser mais sofrida que a de seus pais.

Meus limites

"Os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo". Wittgenstein.

Proximidade

A peroração com a qual explicou a perda de fiéis da Igreja Católica enfatizou o distanciamento entre ela e o povo. Contou casos que revelaram a razão pela qual parcela dos católicos migrou para as igrejas evangélicas. Pois bem, esse distanciamento também ocorre na esfera da política. Os representantes se distanciam a olhos vistos dos representados, o que contribui para explicar a intensa movimentação que se vê na sociedade, principalmente dos jovens, que se afastam da esfera política por conta das formas tradicionais de representação, o modus operandi dos atores, as ações e atitudes escandalosas que sujam a imagem dos representantes nas instâncias federativas.

Horizontes mais claros

Os sinais dados pelo Papa jesuíta abrirão novos horizontes. Veremos um país mais corajoso e rebelde. Ele próprio convidou os jovens a serem revolucionários, audazes, rebeldes. Uma espécie de endosso aos jovens nas ruas. As manifestações deverão continuar. Setoriais e pontuais. Os grupamentos descobriram que podem mudar o rumo das coisas. Por isso mesmo, as pressões de lá para cá, das margens para o centro da política, serão mais intensas. Os horizontes serão mais claros. A transparência, maior. A vigilância, mais acesa. Ninguém estará imune ao bombardeio das ruas e ao tiroteio midiático.

Entender o jovem

Se a política não descobrir quem é esse jovem que vai às ruas e as razões que o movem será enterrada. Aliás, esse processo já se iniciou. Entender o jovem exige, primeiro, inseri-lo no quadro de transformações ocorridas nas últimas décadas. Karl Popper e Konrad Lorenz constatam, em sua obra "O Futuro Está Aberto", a existência de um abrangente processo de massificação na sociedade, caracterizado, sobretudo, pela perda de valores. O fim da Guerra Fria desfez as clássicas divisões ideológicas. Os países romperam fronteiras, integrando-se aos mercados globais e acompanhando a evolução tecnológica. O capital físico, variável-mor do crescimento econômico, cedeu lugar ao capital humano, caracterizado pelo conjunto de capacitações que as pessoas ganham por meio da educação, do treinamento e da experiência para desempenhar suas atividades com competência. Essa é a nova ordem que instiga os jovens.

Pragmatismo

Quando falta a matéria prima deste novo ciclo - que caracteriza a Sociedade da Informação e do Conhecimento - a frustração se estabelece. Da frustração para a revolta, o passo é curto, a rebeldia se impõe. Não estão os jovens preocupados com ideologia, direita ou esquerda. Pode ser que, em um ou outro país, o fundamentalismo de cunho religioso seja o leit motiv das mobilizações. Por aqui, o pragmatismo abre alas. Nossos jovens não vivenciaram os anos de chumbo. Apenas uns poucos ouviram de seus pais os ecos dolorosos do passado. A preocupação que os move agrega coisas como educação, emprego, melhoria dos serviços públicos. Reivindicam condições para competir em um mercado cada vez mais exigente. Se nossa geração não souber abrir espaço para a juventude, a janela do futuro ficará fechada. Abram ouvidos, políticos e dirigentes, à profecia do Papa Francisco.

Agosto, mês do cachorro louco

Agosto se abre com perspectivas sombrias. Lá para meados do mês, aguardam-se ações congressuais em resposta aos vetos da presidente Dilma. Hoje, a aposta é a de que alguns vetos presidenciais a matérias aprovadas pelo Congresso serão derrubados: o veto ao dispositivo da lei que permitia a transferência por herança da autorização para exploração de serviço de táxi; e o veto ao projeto de lei que previa a extinção da multa rescisória de 10% sobre o saldo do FGTS paga pelos empregadores nas demissões sem justa causa. A presidente sancionou, com um veto, a lei que estabelece novas regras para o rateio do FPE (Fundo de Participação dos Estados). O projeto foi aprovado pelo Senado no fim de junho. E deverá vetar outros projetos como a destinação dos royalties do petróleo para a educação e saúde e o que cria a aposentadoria especial para garçons.

Acirramento

Com a derrubada dos vetos, a tendência é de acirramento mais forte entre governo e base aliada. As relações entre PMDB e PT são tensas. Sobraria a Dilma a alternativa de se "vitimizar", jogando sobre o Congresso a culpa pelo atraso, pela inércia, pela inação. Mas é preciso ter em mente que a "vitimização" só daria resultado caso a presidente tivesse boa acolhida popular. Já teve. Hoje, está embaixo no ranking do prestigio. A imagem do governo está esgarçada. Sua identidade era a de gerente, um perfil que exprimia comando, controle, organização. Quebrou-se. A administração não mostra coisas novas. Patina. O clima é de desorganização, bagunça, interrogações, querelas até entre alas do PT, uma querendo mudança na economia, outra defendendo o status quo.

MD fracassa

A fusão entre PMN e PPS, para formar a MD (Mobilização Democrática) fracassou. A nova sigla era articulada pelo deputado Roberto Freire (PPS/SP) e poderia abrigar a candidatura de José Serra à presidência em 2014.

Alckmin

O governador Geraldo Alckmin, ao que se comenta, gostaria de ter em SP dois palanques, um do Aécio, outro do Serra. Juntos, ajudariam sua campanha.

Marina e as chances

Marina Silva é a pré-candidata que mais se beneficia com a agitação das ruas. Mas uma campanha presidencial precisa de muita coisa: bala para entrar na guerra (recursos), tempo de exposição na mídia eleitoral, um discurso denso sobre o país e apoios de partidos. Se Marina, por uma dessas curvas da política, chegasse ao pódio do poder central, teria condições de governar? Suas proposições são poéticas e sonháticas. O Brasil real é outra coisa.

"Lula nunca saiu"

Ao dizer que não há sentido no movimento "Volta, Lula", porque este nunca saiu, a presidente Dilma não apenas quis dizer que eles são indissociáveis mas devem repartir tudo: acertos e erros. Ou seja, se Lula voltar no lugar dela, isso é uma prova de que ambos fracassaram. Esta é a leitura deste consultor. Uma vacina contra os que defendem a candidatura do ex-presidente.

O álcool que faz falta

A ABRASPEA - Associação Brasileira dos Produtores e Envasadores de Álcool - quer recuperar, com embargos ao TRF, em Brasília, o direito de produzir e comercializar o álcool líquido em graduações mais elevadas. A Anvisa, de maneira arbitrária e com base em números falsos sobre acidentes, proibiu este comércio. Para a ABRASPEA, a agência oficial quer apenas surrupiar dos consumidores brasileiros o seu direito de escolha. Afinal, o álcool líquido é de uso comum das famílias brasileiras há séculos e faz muita falta para as donas de casa e em qualquer lugar que reclame uma limpeza mais rigorosa.

Conselho à presidente Dilma

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos líderes e dirigentes. Hoje, dirige-se à presidente Dilma:

1. O ambiente político está tenso. A base aliada ameaça derrubar os vetos de Vossa Excelência. A hora sugere uma atitude de modéstia e simplicidade - à moda Francisco - e uma articulação eficiente com a classe política.

2. A economia carece de novos rumos. Trata-se de um consenso entre economistas e cientistas sociais. O ciclo do incentivo ao consumismo se mostra esgotado. O país clama pela volta dos investimentos.

3. Aceite a real politik. Se plebiscito não pode ser feito para patrocinar uma reforma a vigorar já em 2014, use o bom senso e debata com a esfera política os caminhos mais viáveis a serem seguidos. Evite derrotas continuadas nas Casas Congressuais.

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(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 30 de julho de 2013

POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Leitura política e econômica de uma entrevista - I

A entrevista concedida pela presidente Dilma Rousseff à Folha de S.Paulo, publicada neste último domingo, é muito ilustrativa para o delineamento do provável rumo político e econômico do país nos próximos meses. De fato, a presidente confundiu convicções sobre princípios políticos com convicções sobre medidas políticas (e econômicas). Os primeiros dizem respeito à necessária visão republicana da política. Já as segundas dizem respeito à condução de certas políticas de governo. Ora, a confusão dos dois conceitos pela presidente resulta num quadro preocupante no qual se combinam diagnósticos errados sobre a condução do governo com soluções inadequadas. Vejamos algumas das conclusões extraídas da entrevista presidencial e os aspectos que devem prevalecer nos próximos meses nas decisões governamentais:

1. Inflação: não há grandes riscos para a alta dos preços. A meta de inflação é secundária na gestão da política monetária. Basta ver que FHC não a cumpriu quase sempre;

2. Política fiscal: a execução fiscal não é problemática e não deve haver maiores contenções dos gastos públicos. Além disso, não vê a presidente risco fiscal devido à redução da atividade econômica;

3. Câmbio: um problema incontornável, não há o que fazer, pois é fruto das intempéries externas;

4. Guido Mantega: o homem certo no lugar certo suportado por uma lealdade canina do Planalto;

5. Base aliada: será mantida, basicamente, às custas dos 39 ministérios e, nas demandas pós-manifestações juninas, precisa ser "submetida ao povo", via plebiscito;

6. Ministros e ministérios: são auxiliares sem poder de decisão e cobrados na medida da capacidade e intensidade de trabalho da presidente;

7. Empresários e setor privado: não são aliados, mas apenas a outra parte de um processo negocial;

8. Lula: um copresidente com o qual as divergências são normais (e antigas, desde 2005 quando era ministra da Casa Civil). Assim sendo, não precisa voltar porque não saiu;

9. Investimento: precisam crescer e, para isto, na essência, dependem do impulso estatal. Os leilões e concessões que devem ocorrer no segundo semestre vão dar este impulso;

10. Controle da mídia: a questão é controlar as empresas e não a opinião das empresas, mas ainda não se sabe como fazê-lo. Mas, será feito (um dia?)

Leitura política e econômica de uma entrevista - II

A entrevista da presidente joga um balde d'água fria na expectativa de que existam substanciais alterações na política e na economia nos próximos meses. Isso dependerá muito mais da evolução dos fatos do que da percepção da presidente. Esta última parece obscurecida por uma mistura de arrogância pessoal combinada com teimosia e miopia política. Se houver mudança por força dos fatos, esta será feita contrariando o desejo e o humor da presidente e não como resultado do natural processo político de reavaliação pelo qual "mudam os fatos, mudo de opinião". Com efeito : a perda de legitimidade política do governo, fruto da queda de popularidade, tornará a política e a economia muito mais arriscadas em função da visão de Dilma. As notas a seguir mostram um pouco dos riscos à vista.

Leram mesmo? Se leram, não entenderam - I

Tanto a presidente Dilma quanto o Congresso estão se vangloriando de ter lido com clareza e entendido perfeitamente os recados que os movimentos populares espalharam pelo país em julho. Não é o que parece, porém. O Congresso, depois de algumas medidas mais demagógicas do que reais, foi descansar em berço esplêndido, num recesso branco incompatível com a lei e suas obrigações. Os parlamentares não poderiam ter abandonado Brasília nos últimos 15 dias sem antes votarem a LDO. A volta tem tudo para repetir a rotina de sempre. Disputas com o Palácio do Planalto, pressões políticas, chantagens, vinganças (ver nota abaixo). Se a sociedade não ficar atenta, com manobras políticas para facilitar a vida eleitoral de todos no ano que vem.

Leram mesmo? Se leram, não entenderam - II

A presidente Dilma, em pelo menos três ocasiões públicas na semana passada, também deu mostra que sua leitura dos acontecimentos foi um tanto "vesga": (1) na recepção do Papa, de forma extemporânea (por ser uma propaganda explícita do governo numa sessão em que o personagem era outro); (2) no discurso na festa do PT em Salvador; (3) na entrevista exclusiva à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, domingo, sobre a qual comentamos nas notas anteriores. O extenso palavrório pode ser resumido: "está tudo bem com o Brasil, o que não estiver estamos prontos para consertar, atendemos o que as ruas pediram". Há controvérsias em relação a este otimismo. Ele está expresso na abrangente pesquisa realizada pelo Ibope por encomenda da Confederação Nacional da Indústria, divulgada na semana passada. Ela vai muito além da confirmação da queda vertiginosa da popularidade da presidente (com sobra também para boa parte dos governadores) e da avaliação de seu governo, o destaque a sondagem na maioria da mídia. É, na realidade, um retrato estatístico, com números contundentes, da insatisfação das ruas e seus porquês.

Três constatações relevantes da Pesquisa CNI-Ibope

1. 91% dos entrevistados acham que os impostos são altos demais no Brasil.

2. 87% da população concordam total ou parcialmente com a afirmação de que "o governo já arrecada muito e não precisa aumentar mais os impostos para melhorar os serviços públicos".

3. As respostas dos governantes e do Congresso Nacional não foram vistas de maneira positiva pela população. Mais de 30% dos entrevistados reprovaram totalmente essas respostas.

Vale a pena ler o excelente resumo dos pontos fulcrais da entrevista feito pelo jornalista Ricardo Noblat em seu blog. Com estes dados e as lições deixadas pelo papa Francisco por aqui, governo e oposições têm um roteiro seguro para agir e dar mais fé e confiança à sociedade. Ou agem nesta linha ou vão colher outros dissabores. Já está em pleno andamento a montagem de uma manifestação popular "como nunca antes vista neste país" para o feriado de 7 de setembro, o chamado Dia da Pátria.

Uma semana de paz. E depois... - I

Com o Congresso em recesso e o papa Francisco, com seus incômodos recados de volta a Roma, a presidente Dilma terá uma semana de relativo sossego, antes de mergulhar em alguns turbilhões previstos para perturbar sua paz em agosto e setembro. Em agosto, os embates serão com o Congresso, crônicas de crises anunciadas. Além das queixas mais recentes dos parlamentares, seus partidos aliados contra a condução da política de relações com o Congresso e da política econômica por Dilma, algo meio difuso, há um contencioso concreto para a presidente enfrentar no Legislativo - a questão de três vetos que ela apôs a propostas aprovadas na Câmara e no Senado, a saber:

1. Ao fim da multa adicional de 10% do FGTS dos trabalhadores demitidos por justa causa.

2. A obrigação do governo Federal ressarcir os Estados das perdas de receita referentes a benefícios fiscais concedidos pela União utilizando impostos partilhados (IPI e IR).

3. A prorrogação, até 2014, do Reintegra, programa de compensação a exportadores.

Uma semana de paz. E depois... - II

Derrubar vetos presidenciais era quase impossível até recentemente - poucos caíram nos últimos 20 anos. O Congresso chegou a acumular até recentemente mais três mil desses vetos sem votá-los. Recentemente, depois de trocas de farpas e acusações entre Executivo e Legislativo, por iniciativa do presidente do Senado, Renan Calheiros, criou-se uma nova sistemática para a votação dessa matéria: se o veto não for votado em 30 dias, ele passa a trancar a pauta do Congresso. Esqueceu-se (não totalmente o passado) e vai se tocar nova vida daqui para frente. Os vetos de julho de Dilma já entram nesta conta. E o ambiente entre a presidente, os parlamentares e seus partidos aliados - inclusive o PT - não está dos melhores. Além das velhas queixas, foi agravado nos últimos tempos pela perda de popularidade da presidente. Desde que Dilma - pelo menos neste momento - deixou de ser uma perspectiva absolutamente certa de poder a partir de 2015, seus parceiros ficaram mais críticos, mais exigentes e com maiores laivos de independência.

Uma semana de paz. E depois... - III

O quadro fica um pouco mais complicado quando se sabe que os vetos desagradaram a setores que sempre conseguem comover os parlamentares com suas queixas, a ver:

1. Reintegra e o fim da multa do FGTS irritaram o setor empresarial, de onde sai o grosso do dinheiro de campanha.

2. Ressarcimento de perdas com subsídios desgostaram prefeitos e governadores, de quem muito dependem deputados e senadores para se reelegerem. Como os congressistas estarão indo para Brasília depois de suas semanas de contatos mais diretos com as suas chamadas bases eleitorais, cuja insatisfação "com tudo que está aí" é mais que visível, sempre ficam mais críticos e mais assanhados ainda.

Em tempo

Parte dos vetos antigos, alguns ainda da gestão FHC foram anulados pelo Congresso. Mas para significativa deles, cerca de mil ainda está parada e pode ser colocada em votação dependendo de decisão da direção do Congresso e das pressões dos parlamentares. Alguns deles, como os vetos do Código Florestal e da nova lei dos royalties do petróleo, são "explosivos". De olho neles estão os aliados com sede de vingança, como a parte do PMDB que obedece à sinalização do líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha. Com sede de vingança ou de compensações. A presidente Dilma nunca precisou tanto do amparo do jeitinho do presidente Lula para acalmar - ou engabelar - os partidos da base aliada. Lula, pelo que se sabe, vai deixar de lado nesse segundo semestre suas viagens ao exterior para "vender o Brasil" e se concentrar em ajudar a presidente Dilma a "domar" os aliados, espicaçar a oposição e reconquistar o coração da opinião pública.

Teses eleitorais - I

Já estão visíveis algumas das teses com as quais os consultores de Dilma pretendem recuperar o prestígio da presidente e reconquistar os votos que estariam sendo perdidos agora por ela na corrida de 2014:

1. Os problemas brasileiros não são brasileiros, são internacionais. Nós somos vítimas da má condução da política econômica por outros países, principalmente os ricos.

2. A inflação de agora não é nada, inflação perigosa era a do tempo de FHC. Não dá para comparar uma com a outra e a oposição não tem autoridade moral para falar sobre esse assunto.

3. A insatisfação popular, que explodiu nos movimentos de junho, é consequência da política de inclusão social e de incentivo ao consumo do governo Lula, continuadas pela administração Dilma.

Parece a história dos "recursos não contabilizados" do mensalão. Se colar, colou.

Teses eleitorais - II

Até agora, a oposição só tem um tema de campanha: falar mal do governo. Por mais que Dilma esteja tropeçando, é muito pouco. Não há perigo de colar.

Teses eleitorais - III

Por essas e outras, o que não é "político" [de política tradicional] está tão em alta nas pesquisas. Quanto menos identificado com a "política" dos políticos, mais prestígio.

Sol quadrado

Cálculo de quem conhece o humor político em Brasília e o novo humor do STF pós-movimentos de julho: alguns dos réus do mensalão começarão a ver, como se diz popularmente, o sol nascer quadrado ainda em setembro.

Melhor depois

Já se fala em adiar as eleições diretas para a presidência nacional do PT, marcadas inicialmente para novembro. O clima não está para disputas. Antes Lula vai ter de fazer um cuidadoso trabalho de psicanálise política nos companheiros.

Línguas soltas - I

Ministros e figuras de proa do governo já não sussurram apenas suas insatisfações - gritam. Ninguém faz mais questão de não ser visto falando mal um do outro. A intriga virou esporte predileto em Brasília. É um "salve-se quem puder" que não acaba mais.

Línguas soltas - II

Tucanos de boa plumagem voltaram a se bicar. Tudo depois que Dilma começou a perder popularidade e a possibilidade de disputar com chances a presidência da República começou a ficar possível e não apenas um sonho.

Línguas soltas - III

Livres de intrigas, até agora, estão Marina Silva e Eduardo Campos. Marina é soberana em seu território. Campos, com a queda da popularidade de Dilma, passou a ser visto com outros olhos por seus adversários dentro do PSB, mormente os irmãos Gomes. A última entrevista do "mercurial" Ciro, por exemplo, foi de uma agressividade e grosseria com Dilma como há muito não se via.

Línguas soltas - IV

Por via de todas as dúvidas, embora Joaquim Barbosa continue negando qualquer intenção de disputar o Palácio do Planalto em 2014, já estão devidamente providenciadas informações, vazadas sem fontes visíveis (o famoso "off") para desconstruir a imagem do presidente do STF. Os vazamentos têm dupla utilidade : queimar Barbosa junto à opinião pública e tentar conter seus ímpetos na segunda e decisiva fase de julgamento do mensalão. Pode ser um bumerangue.

(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)

segunda-feira, 29 de julho de 2013

10 DICAS PARA UMA VIDA MAIS SAUDÁVEL


1 - Evite refrigerantes e atenção aos sucos prontos. O consumo de refrigerantes normais está relacionado a diabetes e obesidade, enquanto o de não adoçados (como light, diet e zero) causa piora do funcionamento dos rins. Já a frutose proveniente das frutas e que adoça os sucos prontos, quando consumida em excesso pode provocar aumento da pressão arterial.

2 - Distribua melhor as refeições ao longo do dia. Tente se alimentar a cada três horas para evitar redução do metabolismo e sobrecarga em determinadas refeições (principalmente à noite). Além disso, evite que o corpo entre na chamada "reserva de energia", que é quando o organismo entende que, pelo jejum prolongado, precisa armazenar calorias, dificultando a perda de peso.

3 - Aumente o consumo de líquido ao longo do dia, preferencialmente água. A ingestão contínua de líquidos mantém o metabolismo em constante movimento, assim como a atividade das células corporais e o funcionamento do intestino. Não espere a sede. Se ela chegar, é sinal de que o corpo já está desidratado.

4 - Prefira alimentos integrais em substituição aos carboidratos refinados. Os integrais levam mais tempo para serem digeridos, promovendo maior tempo de saciedade e melhor funcionamento do intestino.

5 - Não consuma alimentos muito calóricos no jantar, isso pode prejudicar o sono. Além disso, como o metabolismo fica mais lento à noite, o gasto de calorias nesse período será menor, podendo gerar ganho de peso.

6 - Pratique atividades físicas, elas são fundamentais para promover condicionamento, aumentar a longevidade e diminuir o estresse. Para quem tem mais de 35 anos, exercícios físicos ajudam a manter a massa muscular. A prática é importante porque parte do metabolismo depende da massa muscular.

7 - Só consuma medicamentos sob orientação médica. Sem o acompanhamento profissional, as pessoas tendem a tomar medicação em excesso ou a deixar de tomar medicamentos que realmente precisam.

8 - Durma bem. Para um sono mais tranquilo, evite: refeições pesadas à noite, cafeína depois das 17 horas e exercícios físicos extenuantes no período noturno.

9 - Tenha um hobbie ou faça atividades de que goste bastante, saindo da rotina. É uma ótima maneira de escapar do círculo de pensamentos preocupantes e de manter a motivação.

10 - Procure informação e ajuda para parar de fumar ou de consumir álcool em excesso. O cigarro é fator de risco para inúmeras doenças e sobrecarrega muito o aparelho pulmonar e o sistema circulatório. Já o álcool, além de trazer problemas comportamentais, é bastante nocivo ao fígado e ao pâncreas, que são fundamentais para o nosso metabolismo.


Fontes:

Dr. Mário Sérgio Rossi Vieira, fisiatra
Dr. Bento Fortunato, nefrologista
Érika Teixeira, nutricionista

MEU TESTEMUNHO!

Nasci e fui batizada
Como manda a tradição
Recebi nome de santa
Logo dois na ocasião
Antes de Lourdes, Maria!
Como minha mãe queria
E não houve objeção.
*
Fui crescendo e aprendendo
Com tia Isa a oração
Quando aprendi a rezar
Fiz primeira comunhão
Fui anjinho no altar
Nos festejos do lugar
Chamado coroação.
*
Gostava de me entranhar
Nas quermesses corriqueiras
Conceição era a rainha
Entre santas padroeiras
Vendo a santa no andor
Cantava em seu louvor
Nas procissões de Ipueiras.
*
Até gostava da missa
Mas detestava sermão.
Começando a namorar
Larguei logo a confissão
Na confissão coletiva
Eu passei a ser ativa
E a meu Deus roguei perdão.
*
Cresci e multipliquei
Mas perdi o paraíso.
Pedras foram atiradas
Mas não tive prejuízo
Tive que dizer adeus
Mas comigo tinha Deus
Que resguardou meu juízo.
*
Ainda faço promessa
Como nos tempos d’então
Costume que aprendi
Vivendo no meu sertão
Na hora da Ave Maria
Eu faço o que mãe fazia
Me benzo e faço oração.
*
Eu não vivo a lamber hóstia
Nem me encharco d’água benta
Banco duro de igreja
Minha bunda não esquenta
Mas vendo o Papa Francisco
Esqueço meu jeito arisco
Pra ser católica atenta.

*
--

Dalinha Catunda

Fantástico exibe entrevista exclusiva com Papa Francisco

sábado, 27 de julho de 2013

UMA CHARGE PARA SE CHORAR

Charge para se chorar desenhada pelo grande chargista Boaventura!

Abraço!!

Valber Benevides

Clique na imagem para ampliá-la:


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Olá Júnior,

Bem expressiva a charge de Boaventura. Amei!! E me inspirou estes versos.

Meu abraço,

Dalinha


O GEMIDO DA SANFONA
*
Partiu deixando saudade
Deixou de luto o forró
Ficar sem ele dar dó
Digo com sinceridade
Foi tocador de verdade
Puxando o fole de jeito
Dominguinhos bom Sujeito
Fez a sanfona tremer
A gora nos faz gemer
Unidos no mesmo preito.
*
Dalinha Catunda

Luiz Gonzaga e Dominguinhos - Vídeo raro e Emocionante - LuizLuaGonzaga....

sexta-feira, 26 de julho de 2013

DOMINGUINHOS, ACORDES NO CÉU!














Voou nosso uirapuru
Para o azul da distância...
Aspirar nova fragrância
Entre anjos e arcanjos;
Harmonizar seus acordes
Imprimindo novas claves,
Extraindo sons suaves
Para divinais arranjos.

Nas asas dum querubim
Para o céu pegou carona,
Com sua doce sanfona
Pra Deus, emitir solfejo.
Saudar os Santos e os Anjos
Com acordes magistrais,
“Isso aqui tá bom demais”
E “Lamento sertanejo”.

Garanhuns não lhe cabia
Seu tamanho é o do Brasil,
Matuto astuto e gentil
Do nosso Rei, sucessor.
Sua vida é um exemplo,
Cada melodia, um hino,
Cantor que ao chão nordestino
Lançou sementes de amor.

Concedeu grande legado
De reluzente obra estética,
A melodia e a poética
Moldaram sua trajetória.
Sorverei sua saudade
Na solidão dos caminhos,
Descansa em paz Dominguinhos,
É bonita a tua história!...

(Dideus Sales)

quinta-feira, 25 de julho de 2013

DIDEUS SALES E A POESIA POPULAR

Existe uma tradição (e uma tendência) na poesia de todos os tempos que resiste à tentação das vanguardas e da modernidade: a poesia de inspiração e ritmo popular. Não se enquadra nos rótulos de nenhuma gramática, não cabe em manuais acadêmicos e não se mede pelos parâmetros do mercado onde se vendem mercadorias e serviços.

É espontânea como as energias do amor, a plenitude e o brilho das estrelas ou como as águas que descem fagueiras das escarpas em busca dos regaços que as levam de volta para Deus.

Trata-se de uma poesia heroica e multifacetada, que paga tributo unicamente à vida e às grandes esperanças do homem. É revisada e atualizada sempre que entra em contato com o leitor, pois é para ele e não para as ilusões do mundo que ela se refaz e sempre se renova.

Foi assim com a poesia épica de Homero, com os jogos florais do medievo, com os movimentos trovadorescos de todas as idades e com a poesia popular ibérica que nos deu as linhas de pesquisa e os formatos de bolso e de linguagem da literatura de cordel.

Está mais próxima do romance e do enredo de gosto popular do que qualquer outra forma de representação veiculada pela palavra ritmada. Está mais próxima do leitor e das suas aventuras do que as projeções ou a dança das imagens que remarcam a existência da sociedade moderna.

O sertão é o seu locus privilegiado, pois é aí que ela se elabora e se reproduz pela voz dos aedos populares. Leandro Gomes de Barros, no campo do folheto de cordel; Aderaldo Ferreira de Araújo, no setor dos cantadores de viola; Lobo Manso, na seara das profecias e da poesia de combate; e Patativa do Assaré, na linha de todos os ritos polifônicos que unificaram a voz dos deserdados e despossuídos em busca de igualdade e de justiça – são exemplos de poetas do Nordeste que mudaram o curso da literatura popular no Brasil.

A afirmação do extrato máximo da cultura, para a minha visão, não está nas Universidades, tampouco nas Academias, esses nichos de petulância e de quase nenhuma produção, mas naqueles que fazem a cultura prosperar, em todos os quadrantes do mundo e, especialmente, no sertão.

Os grandes produtores de cultura do Ceará não estão somente em Fortaleza, como pensavam, até bem pouco tempo, os pesquisadores eruditos, mas em toda a extensão da terra de Alencar. Juvenal Galeno, Patativa do Assaré, Oswald Barroso e Gilmar de Carvalho conheceram ou conhecem o Ceará e as suas tradições muito mais do que os poetas que mourejam no Ideal; ou muito mais do que os eruditos que estudam a extensão da sua ignorância nos corredores do Benfica.

Dideus Sales, andarilho e pastor de sonhos, que costura a ligação vilas e cidades, no interior do Ceará, é um legitimo representante da cultura cearense e da poesia popular do Nordeste. E mais do que representante, Dideus é o maior e o mais vivo dos poetas cearenses a fazer, no Ceará, a ponte da cultura entre o sertão e o litoral.

Jornalista, poeta e guardador de tradições sem conta da alma sertaneja, Dideus não para de crescer e produzir. Editor da revista Gente de Ação, sediada em Aracati e que se espraia por todo o Ceará, Dideus atravessa o sertão da sua terra sempre a carregar nos bolsos (e na alma) a verve do povo cearense e as suas mais belas tradições.

Na condição de poeta, já nos deu meia dúzia de livros e opúsculos que o colocam em posição de relevo. Mas Dideus não para de escrever e publicar. Prova dessa sua paixão de ordem cultural, é o seu livro: Veredas do Sol (Fortaleza, Expressão Gráfica, 2006), que dispensa prefácios ou apresentações. É sóbrio, sereno, espontâneo, equilibrado e arrojado como todos os grandes e pequenos projetos literários do autor.

Ter sido o autor do prefácio desse livro constitui um privilégio para mim, porque nesse texto me vejo retratado também. E para além da minha condição de poeta, orgulho-me de ser amigo de Dideus, de ser hóspede do seu coração e do seu afeto e de ser leitor de suas intenções e dos seus grandes achados no plano da cultura.

Não vou entrar no conteúdo do livro. Deixo para o leitor o prazer de desfrutar, de primeiro, as imagens e os ritos do sertão que esse volume documenta: lições de vida e de beleza, lições de vida e esperança, lições de vida e de amor desse trovador e poeta do sertão, que o Ceará e o seu povo legaram à poesia telúrica do Brasil.

Dimas Macedo

quarta-feira, 24 de julho de 2013

A PARTIDA DE DOMINGUINHOS


Uma sanfona emudece
Um sanfoneiro partiu.
Quem Dominguinhos ouviu
A sua voz não esquece.
O seu canto além de prece,
Foi encanto e louvação,
Encantou serra e sertão
Quem de Lua foi herdeiro,
Partiu nosso sanfoneiro
Partindo meu coração.

Dalinha Catunda

terça-feira, 23 de julho de 2013

APRENDER COM OS INIMIGOS


Narra a história que, em uma das guerras civis romanas, César derrotou Pompeu. Por nutrir grande admiração pelo contendor, uma das primeiras ordens de César foi para que fossem reerguidas as estátuas derrubadas do grande general abatido e morto. O gesto germinou em Cícero, memorável orador, a seguinte frase: “Ao reerguer as estatuas de Pompeu, César consolidou as suas”.

A rotatória mundana nos impede de tratar, com o signo do respeito, os que miram o mundo com lentes diferenciadas das nossas. No espaço conturbado da política, especialmente, somos tentados a rechaçar toda e qualquer análise oriunda dos círculos adversários. Os governos, de uma maneira geral, têm enormes dificuldades de aceitar a palavra contrária; com isso, abdicam de respirar o ar livre da renovação e da superação. Não devia ser assim. Ao repelirmos as observações divergentes, sem deixar que elas passem pela peneira da nossa consciência, perdemos uma grande oportunidade evolutiva.

O filho do carpinteiro José, dito Nazareno, argumentou certa feita: se fizerem o bem apenas aqueles que são bons com vocês, que méritos tereis? Até os publicanos agem assim...

Aprender com os inimigos... Eis um grande desafio, sobretudo para aqueles que ocupam cargos de mando, de comando, de direção. O poder temporal, quanto mais forte e ostensivo, mais impulsiona os que o exercem à busca da facilidade, geralmente traduzida no apego à pseudo unanimidade, no culto ao absolutismo, na prática da intolerância com a divergência.

Quão bom seria se os que ocupam os tronos soubessem recolher as lições que emergem dos que os denunciam!

O pensador grego Plutarco escreveu um tratado ensinando ‘Como Tirar Proveito dos Seus Inimigos’. Vejamos uma das suas observações:

"A água do mar é pouco potável e tem um gosto ruim; mas sustenta os peixes, favorece os trajetos em todos os sentidos, é uma via de acesso e um veículo para aqueles que a utilizam. O fogo queima quem o toca; mas fornece luz e calor, serve a uma infinidade de usos para aqueles que sabem utilizá-lo. Examina igualmente teu inimigo: esta criatura, de um outro lado, nociva e intratável, não dá, de alguma maneira, ensejo de ser útil? Não pode prestar-se a algum uso particular?"

No magistério de Plutarco, “as partes de nossa vida que são doentias, fracas, afetadas atraem nosso inimigo (...) Isso nos obriga a viver com cautela, a prestar atenção em si, a nada fazer nem nada dizer estouvada e irrefletidamente”.

Em uma peroração atualíssima sobre o risco do raciocínio totalitário, conta que, "quando pensavam e diziam que o poderio romano estava fora de perigo (após a destruição de Cartago e a sujeição da Grécia)", Nasica, político de então, advertiu: "Pois bem, é agora que estamos em perigo! Porque não sobraram rivais... que possam nos inspirar vergonha ou medo".

Noutro giro, advertindo para a necessidade de distinguir amigos de bajuladores, o livro sustenta que devemos ficar atentos a quem só nos cobre de elogios e sempre concorda com nossas opiniões: "O bajulador é inteiramente semelhante ao camaleão, que pode assumir todas as cores exceto a branca."

Segundo Plutarco, a semelhança dos gostos está na origem da amizade, enquanto o bajulador a dissimula: "O que fundamenta antes de tudo a amizade é a identidade dos regimes de vida e a semelhança dos costumes; e, geralmente, a similitude dos gestos e das aversões é a primeira coisa que nos liga e nos prende, através das sensações. O bajulador percebe-o perfeitamente; e, como um objeto que se talha, ele se transforma e se modela, adaptando-se e conformando-se, por imitação, àqueles de quem procura ganhar o coração."

"Visto que hoje a amizade só eleva fracamente voz, quando se trata de falar com franqueza, e que, verbosa na lisonja, é silenciosa nos conselhos, é da boca de nossos inimigos que, às vezes, é preciso ouvir a verdade".

Plutarco recorre a outro filósofo grego, Xenofonte, para resumir o pensamento exposto em seu pequeno ensaio: “É próprio de um homem ponderado tirar proveito de seus inimigos”.

Os inimigos, reflete Plutarco, como que nos obrigam a andar pela linha reta, uma vez que seus olhos estão continuamente sobre nós, ávidos por captar nossas faltas e propagandeá-las. Eles exercem uma espécie de censura benigna sobre nós. Impedem-nos de sermos moralmente frouxos.

Em Diógenes, outro cultuado produto do pensamento grego, Plutarco busca a citação para mostrar o ponto central de sua tese: “Como me defenderei contra meu inimigo? Tornando-me, eu próprio, virtuoso”.

(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

OBSERVATÓRIO

O ano era 1990 e o calendário político assinalava eleições estaduais. Rodrigo Coelho Sampaio, o Rodrigão, era Prefeito de Novo Oriente e sonhava com a candidatura a Deputado Estadual de um seu amigo do peito: o empresário Clarindo Gomes do Nascimento. Clarindo não saiu candidato e, em seu lugar, surgiram os nomes do ex-prefeito de Crateús Sérgio Moraes e do professor Manoel Bezerra Veras. Por intermediação de amigos comuns, Rodrigão fecha com Manoel Veras. No dia da formalização, Veras fez um emocionado discurso agradecendo o apoio. Disse que ia retribuir ao povo de Novo Oriente com muito trabalho e dedicação. Ao final, voltou-se para Rodrigão e enfatizou: - Prefeito Rodrigo, pode contar comigo. Em havendo necessidade pode me procurar a qualquer hora do dia ou da noite. Rodrigão ouviu aquelas palavras com a sobrancelha levantada, como quem faz um registro importante. Após o período de apuração (a votação, naquela época, era manual e a contagem dos votos demorava dias), saiu o resultado da eleição: Manoel Veras estava eleito. Os amigos, em Fortaleza, organizaram uma festa. Manoel chegou muito tarde em casa. Pouco mais de três horas de manhã, o telefone toca. Tânia, a esposa, atende. Era Rodrigão querendo falar com o recém eleito. Manoel Veras, com enorme ressaca e dor de cabeça, imagina ter acontecido algum problema sério e interroga: - ‘O que houve, Prefeito?’ Rodrigão, com voz pausada, responde: - “Nada não, queria só confirmar se você cumpria a palavra e me atendia a qualquer hora. Muito obrigado!” E desligou o telefone...

COMPROMISSOS

O maior desafio que quem se submete ao crivo popular para o exercício de um mandato é precisamente este: cumprir as promessas de campanha. Somos livres para firmarmos os compromissos que quisermos, mas escravos das conseqüências. Esta é uma lei universal: a lei do retorno, da causa e efeito, da ação e reação. A maioria das pessoas se deixa envolver pela corrente de esperança que determinadas candidaturas constroem. Isso é natural e saudável. O problema surge quando os eleitos se distanciam da viga mestra que sustentava suas postulações. A corrente passa a ser transmissora de tensão. É o que se verifica agora em Crateús.

CRATEÚS

É de ciência pública que este periódico, por sua editoria oficial, sempre manteve uma postura de simpatia pela atual gestão municipal de Crateús. Sucede que, ultimamente, de posse de informações que indicam aplicação equivocada de verbas públicas, o Jornal Gazeta do Centro Oeste tem estampado matérias que despertam inquietação. É que a Imprensa, como bem ensinava o mestre Rui Barbosa, tem o dever da verdade. César Vale, editor deste Jornal, ao publicar matérias amparadas em dados oficiais, atraiu para si os petardos do poder. Antes era elogiado; agora, fulminado. Se antes era recebido com flores, agora vê cápsulas de fogo.

CRATEÚS II

Lamentável nesses episódios é que ninguém se debruça, com serenidade, sobre os fundamentos das observações feitas. Ao invés de analisar a crítica, se desqualifica o crítico. No lugar de ponderar e responder com dados convincentes às denúncias, se investe contra o denunciador. Rui Barbosa também lecionou que o “o poder não é um antro, é um tablado. A autoridade não é uma capa, mas um farol. A política não é uma maçonaria, e sim uma liça. Queiram ou não queiram, os que se consagraram à vida pública, até à sua vida particular deram paredes de vidro... Para a Nação não há segredos; na sua administração não se toleram escaninhos; no procedimento dos seus servidores não cabe mistério; e toda encoberta, sonegação ou reserva, em matéria de seus interesses importa, nos homens públicos, traição ou deslealdade aos mais altos deveres do funcionário para com o cargo, do cidadão para com o país”. Que os atuais gestores crateuenses reflitam sobre a profundidade das palavras acima. A respeito da relação com os que nos fazem contraponto, vide crônica acima.

PAPA FRANCISCO

Quem já teve a graça de um contato com o Papa Francisco testemunha a rajada de energia espiritual que emerge do Sumo Pontífice. A primeira visita de Francisco ao Brasil é uma oportunidade ímpar para os brasileiros se deliciarem com a cristalina fonte de sabedoria desse homem de fé. A Revista Época desta semana destacou dez lições de vida do atual Bispo de Roma: 1. Viaje leve pela vida – liberte-se do capital material. 2. Dê importância aos valores – um punhado de convicções, gostos e atitudes simples vale mais que bens materiais. 3. Cultive as relações pessoais – ‘mantenha relação intensa e generosa com todos ao seu redor’. 4. Freqüente a Rua – ‘andar pela rua e misturar-se ao povo esclarece e humaniza’. 5. Seja comum e extraordinário – ‘através da liderança discreta, nunca fazer questão de parecer extraordinário ou incomum’. 6. Cultive a diferença – ‘abra-se a valores diversos dos seus’. 7. Valorize a família – ‘local da descoberta vocacional e construção da personalidade’. 8. Não tenha vergonha de ser humilde – ‘não deixe que posições importantes mexam com seus hábitos e com sua cabeça’. 9. Reconheça seus defeitos – ‘sejamos mais honestos e compreensivos, com nós mesmos e com os outros’. 10. Cuide de seus amigos – ‘a amizade é uma relação transformadora. De profundo engajamento, que requer atenção e doação’.

PARA REFLETIR

“Não nos conformemos em ler notícias de jornal ou ver televisão. Aproxime seu coração. ‘Estou de férias, não posso...’ Um coração cristão nunca está de férias. Sempre está aberto ao serviço onde há necessidade, porque sabe que onde há uma necessidade, há um direito. Este povo, por ser nosso irmão, tem o direito a nossa atenção.” (Papa Francisco).

(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

segunda-feira, 22 de julho de 2013

TSE - CARMEN LÚCIA GRAVA AUDIÊNCIA SOBRE PRORROGAÇÃO DE CONTRATO

A ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE, gravou formalmente audiência sobre prorrogação de contrato de consórcio de empresas que cuida das urnas eletrônicas do país. Quem narra é o jornalista Elio Gaspari.

Segundo a narração, o advogado das empresas fez uma exposição demonstrando que, "pela lei, um contrato que pode ser prorrogado, prorrogado deve ser." Já a ministra Cármen Lúcia disse que "a Constituição manda licitar. Quando tem um prazo determinado, assim que acabar o contrato, tenho que fazer licitação."

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Cármen Lúcia e o ‘clamor das ruas’

Na noite de quarta-feira, o consórcio de empresas que cuida da manutenção e do funcionamento das 500 mil urnas eletrônicas do país entrou com um pedido de prorrogação do seu contrato, vencido na véspera. Entre os muitos argumentos apresentados, mencionou “a voz do povo que clama por mudanças”.

Coisa interessante, o povo “clama por mudanças”, e os empresários do consórcio querem prorrogação por cinco anos, de um contrato de um ano que caducou. Coisa de R$ 120 milhões, o maior na área do Tribunal Superior Eleitoral.

Um dia antes do vencimento do contrato, a ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE, recebeu o grupo de empresários e seu advogado. Mostrou-lhes um gravador e informou que a audiência seria formalmente gravada.

O consórcio, liderado pela empresa Engetec, sucedeu a outra, que faliu. Ele prestou à Justiça Eleitoral dois serviços. Um, regular, de manutenção das urnas, pelo qual seus técnicos verificavam as baterias e o funcionamento elementar dos equipamentos. Essa parte valia R$ 5 milhões. Na outra, de R$ 115 milhões — às vésperas das eleições — suas equipes conectavam as urnas, testavam o sistema e suas transmissões.

O advogado das empresas, Toshio Mukay, fez uma exposição demonstrando que, pela lei, um contrato que pode ser prorrogado, prorrogado deve ser. Valeu-se de 22 citações de 16 autores, inclusive ele próprio.

O consórcio não quer que o Tribunal abra uma nova concorrência. Ia muito bem a conversa, sobretudo porque pretendia-se prorrogar um serviço de manutenção das urnas que parecia contínuo. Cármen Lúcia ouviu a exposição, elogiou os autores citados e bateu de frente: “A Constituição manda licitar. (...) O próprio consórcio pode ganhar outra licitação. (...) A administração não quer e nem deixa de querer. (...) “[Ela] tem dever jurídico. Neste caso um dever constitucional de licitar. (...) Quando tem um contrato por prazo determinado, assim que acabar o contrato, tenho que fazer licitação.”

Mais: o contrato está sob investigação do Ministério Público.

O empresário Helon Machado, da Engetec, informou: “Renovar o contrato para nós hoje, pensando pelo lado do consórcio, não é... para nós o contrato é o de 2014, que nós vamos brigar, que é mais uma eleição.”

No decorrer da conversa ficou demonstrado pela ministra que havia dois serviços e que, a prevalecer o argumento (com o qual ela não concorda) segundo o qual deveria ser prorrogado o mais barato, o outro, com o filé, era episódico. Lá pelo terço final da audiência, veio a surpresa, trazida pelo advogado Mukay: “O outro não é contínuo? Então, não prorrogaríamos o não contínuo e prorrogaríamos o contínuo. Porque, se é contínuo, está dentro do que eu falei aqui; agora, se uma parte não é contínuo, e isso foi contestado pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União, então não pode conter no aditivo, retira essa parte, essa parte não prorroga, prorroga a outra parte. (...) Na verdade, estou voltando atrás no meu pensamento.”

Largar o filé e ficar com o osso? Passaram mais uns minutos e Machado disse ao advogado: “Eu posso até te explicar isso depois.”

E assim terminou a audiência. Se Cármen Lúcia não tivesse gravado o encontro ele poderia ter perdido sua natureza coloquial, e o povo que clama nas ruas por mudanças, talvez tivesse dificuldade para entender o “juridiquês” de uma versão formal. Com a gravação, só não entende quem não quer.

sábado, 20 de julho de 2013

MOACIR SOARES ANALISA O PROGRAMA "MAIS MÉDICOS"

Com a proficiência de quem já passou pelos mais diversos escalões de formulação de políticas públicas na área de saúde, MOACIR SOARES, técnico de escol e avaliador competente, analisa o recém lançado Programa Mais Médicos.

Vejam no post abaixo:

“PROGRAMA MAIS MÉDICOS”.


A denominação “programas” na saúde pública brasileira sempre foi sinônima de planos temporários que se alicerçaram em circunstâncias tempestivas, como algo que rápido se fez e rápido se desfez. A nossa Saúde Pública é pródiga desses exemplos. Sua história é marcada muito mais por Programas de Saúde do que por Políticas de Saúde.

Estamos testemunhando o anúncio de mais um programa. O “Programa mais Médicos” lançado pelo Ministério da Saúde é o assunto do momento da mídia, das categorias profissionais e do senso comum. De pronto, sou radicalmente contra todos os itens desse pacote tão oco de substâncias que o setor da saúde publica requer. Ao meu juízo, os problemas da Saúde Pública brasileira não se resumem somente a falta de médicos e nem tão pouco a mais dinheiro para construir ou reformar Unidades Básicas de Saúde.

Essa prescrição posta, ou melhor, imposta pelo Governo Federal é um atesto de quem não conhece de perto o quadro de flagelo da saúde pública desse país, que se encontra no degrau mais baixo da credibilidade, do caos, da desassistência, do abandono, da falta de financiamento digno, de suporte tecnológico, das precárias condições de infraestrutura, de gestões ímprobas, dentre outras mazelas. Essa é a real radiografia e o grave diagnóstico de norte a sul do país.

É triste ver que os Governos se distanciaram dos objetivos do SUS, e por conta disso, o mesmo apresenta esse estado caótico e de falência múltipla dos seus órgãos, porque ficou sem amparo de uma política decente e focada nos princípios desse sistema.

Diante desse quadro, a única medida que pode acudir em tempo a nossa saúde pública, é o Governo Federal aplicar um choque de sinceridade e ressuscitador, com infusão de medidas sérias em overdose e em caráter emergencial para ver se ainda reanima esse modelo de saúde, que prometia ser um passo largo a frente e uma política de inclusão enriquecida de alternativas inovadoras.

E por falar em programa, o “mais médicos” ao ser apresentado deixou todo mundo apoplético e deve ser renegado não somente pela categoria médica, pois é um bafafá na precisão do termo. Foram tantas expectativas criadas, dado ao estardalhaço como foi anunciado tal pacote. Mas como diz a máxima, “A montanha pariu um rato”, não passou de uma ação pobre e politiqueira na sua essência.

É óbvio que recrutar médicos sem nenhuma ou pouca proficiência na formação e no idioma, e ainda escalando-os para trabalhar a mercê das mais precárias condições, não mudará em quase nada a combalida assistência na saúde. Ademais, vai à contramão da política da integralidade e da resolutividade do Sistema Único de Saúde. Sem falar, dos possíveis “médicos estrangeiros” atraídos para trabalhar nesse programa, sem proficiência do nosso idioma e de várias doenças tropicais/regionais, o que dificultará sobremaneira um bom exame clínico, uma boa escuta do paciente e até obter um diagnostico confiável. Será se um Ministério da Saúde vai contratar interpretes para os médicos que não tenha o domínio da nossa língua? Além disso, têm várias outras questões que estão sendo negligenciadas quando se trata de contratar médicos estrangeiros sem submetê-los ao revalida. Pois, quem vai responsabilizar-se em: assinar as receitas, solicitar exames, expedir laudos, fornecer atestado médico e atestado de óbito dentre outras condutas próprias e regulares do exercício legal da profissão?

Nada de ufanismo, a Saúde Publica do Brasil precisa de uma política séria e de Gestores qualificados e compromissados, e não só preocupados com estatísticas e travados pela falta de recursos. Hoje o que se ver é uma assistência abaixo da crítica, repleta de carências e que não inspira nenhuma confiança aos seus usuários.

O SUS foi levado pela correnteza do desfinanciamento e pela falta prioridade política. Hoje mas parece uma locomotiva movida à lenha num verdadeiro faz de conta de ações e serviços. Precisamos salvá-lo desse afogamento, e isso deve ser um imperativo ético para todas as classes sociais, usuárias ou não da saúde pública. Temos que honrar a história de vários personagens que dedicaram suor, tempo e inteligência, fundidos num mesmo propósito de se ter uma saúde pública mais humana e mais real.


Moacir Soares

sexta-feira, 19 de julho de 2013

VIDA PALPÁVEL

*

O que será de verdade

Este mundo virtual

Onde amizade irreal

Prolifera em quantidade

E a concreta amizade

Transforma-se em ilusão

Vislumbro alienação

Quando o vício é voraz

E em sua bagagem traz

Um mundo de solidão.

*

Eu quero ver a paixão

Dentro do seu olhar

Eu quero sentir palpitar

No peito meu coração

Quero a magia da mão

Inquieta e buliçosa

O suspiro de quem goza

E gosta do visceral

É neste estágio real

Que fomento a emoção.

*

Versos de Dalinha Catunda

quarta-feira, 17 de julho de 2013

ANIVERSÁRIO DA AMLEF

Em Sessão Solene mesclada de singeleza e emoção, a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza – AMLEF celebrou, na noite de ontem (16.07.2013), o seu oitavo aniversário de fundação.

Tivemos a posse de dois novos acadêmicos honorários: Antônio Paes de Andrade e Wilson Holanda Lima Verde.

Foram agraciados com a comenda maior da AMLEF, a Medalha Mário Caúla, a Academia Cearense de Letras, representada por seu Presidente, escritor e bibliófilo José Augusto Bezerra e o Professor, Deputado Estadual e Secretário de Cultura do Ceará Francisco José Pinheiro, representado por seu Secretário-Adjunto Eduardo Fidélis.

No exercício da Presidência, ante a justificada ausência do Presidente Seridião Correia Montenegro, soletrei umas poucas sílabas de gratidão a todos que contribuíram para o sucesso do evento.

A Medalha Mário Caúla, instituída pela AMLEF em homenagem a um dos seus mais iluminados fundadores, foi concedida para a Academia Cearense de Letras por tudo que ela simboliza para as letras nacionais. Primeiro Sodalício de Letras do nosso País, a ACL, tal qual uma mãe generosa, abriga em sua sede, o Palácio da Luz, mais de uma dezena de outras instituições literárias. O seu atual Presidente, José Augusto Bezerra, é um varão de Plutarco que a conduz com maestria e elegância. O segundo agraciado, Professor Francisco Pinheiro, Deputado Estadual e Secretário de Cultura do Ceará, tem sido um parceiro republicano da nossa Arcádia. Cultor da discrição, praticante da humildade, é um militante cuja respeitabilidade ultrapassa os limites da coloração partidária que possui. Usa a política para servir e não para ser servido.

Passaram a integrar a nossa galeria de honra o jornalista Wilson Limaverde e o ex-deputado e escritor Paes de Andrade. Wilson Limaverde é um amadurecido e talentoso homem de letras nascido no pujante Iguatu, o mesmo solo fértil onde germinaram gênios como Humberto Teixeira, na composição, e Evaldo Gouveia, na canção. Paes de Andrade, lenda e legenda da política nacional, inscreveu seu nome no Panteão da Audácia. Quando uma nuvem de escuridão cobria o céu da nossa ampla pátria e um túnel escuro estava à nossa frente, ele era um lampião heróico exibindo a tocha da liberdade.

Parabéns a todos os integrantes da AMLEF pela bela festa de aniversário!

Júnior Bonfim







CONJUNTURA NACIONAL

Abanando minha cabeça

Winston Churchill fazia um discurso mordaz quando um aparteador, saltando do lugar para protestar, só conseguiu emitir sons abafados. Churchill observou:

- Vossa Excelência não devia deixar crescer uma indignação maior do que a que pode suportar.

Em outra ocasião, estava sentado, sacudindo a cabeça de maneira tão vigorosa e perturbadora que o orador gritou, afinal, exasperado:

- Quero lembrar ao nobre colega que estou apenas exprimindo minha própria opinião.

Ao que Churchill respondeu:

- E eu quero lembrar ao nobre orador que estou apenas abanando a minha própria cabeça.

Sou o chefe dele

O general Montgomery estava sendo homenageado, pois venceu Rommel na batalha da África, na 2ª Guerra Mundial. Discurso do General Montgomery: "Não fumo, não bebo, não prevarico e sou herói". Churchill ouviu o discurso e com ciúme, retrucou: "Eu fumo, bebo, prevarico e sou chefe dele".

Se houver

Telegramas trocados entre o dramaturgo Bernard Shaw e Churchill, seu desafeto. Convite de Bernard Shaw para Churchill: "Tenho o prazer e a honra de convidar digno primeiro-ministro para primeira apresentação de minha peça Pigmaleão. Venha e traga um amigo, se tiver". Resposta de Churchill: "Agradeço ilustre escritor honroso convite. Infelizmente não poderei comparecer à primeira apresentação. Irei à segunda, se houver".

Por que não?

Quando Churchill fez 80 anos, um repórter de menos de 30 foi fotografá-lo e disse:

- Sir Winston, espero fotografá-lo novamente nos seus 90 anos.

Resposta de Churchill:

- Por que não? Você me parece bastante saudável.

Veneno em seu chá

Bate-boca no Parlamento inglês. Aconteceu num dos discursos de Churchill em que estava uma deputada oposicionista, Lady Astor, conhecida pela chatice, que pediu um aparte (Sabia-se que Churchill não gostava que interrompessem os seus discursos), mas concedeu a palavra à deputada. E ela disse em alto e bom tom:

- Sr. ministro, se Vossa Excelência fosse o meu marido, eu colocava veneno em seu chá!

Churchill, lentamente, tirou os óculos, seu olhar astuto percorreu toda a plateia e, naquele silêncio em que todos aguardavam, mandou:

- Nancy, se eu fosse o seu marido, eu tomaria esse chá com prazer!

A canoa de Lula

Qual a possibilidade do ex-presidente Luiz Inácio pegar a canoa e voltar a navegar no riacho da eleição de 2014 ? Tem sido esta a mais recorrente pergunta nos corredores da política, instigada pela acentuada queda da popularidade da presidente Dilma na esteira da avalanche de manifestações que sacodem o país. A resposta está condicionada a outra questão: é possível à mandatária recuperar a avaliação que detinha junto às classes sociais, no início deste ano, a mais positiva entre os chefes de Executivo da contemporaneidade? A resposta não é tão simples, pois agrega um conjunto de fatores, alguns imponderáveis, a começar pelo desempenho da economia nos próximos meses.

Primeira hipótese: perda de controle

A ser pífio o desempenho econômico, com efeitos na inflação, particularmente na área de alimentos, a presidente se defrontará com dois grandes riscos : a perda de controle sobre o processo político-administrativo, com a governabilidade caindo abaixo do ponto crítico; e a perda de capacidade de reverter o processo de desacumulação de força. Sob essas duas situações-limite, é razoável crer na hipótese de que o PT, para preservar seu projeto de poder, convença seu comandante-em-chefe a voltar à liça. A recíproca é verdadeira. Se a economia correr bem nos trilhos, o controle sobre o poder político será resgatado e a boa imagem reconquistada.

O caso da Bolívia

O vetor de peso de um governante, é bom lembrar, equivale ao de um balanço. A princípio, ele sobe, depois desce, mantendo-se em nível baixo por bastante tempo, até juntar forças para recuperar a posição anterior. O perigo é quando o mandatário atinge o ponto de quebra, aproximando-se do extremo do arco da estabilidade; nesse caso, não haverá condições para segurar a queda e acampar o governo em terreno seguro. Um exemplo clássico de recuperação, segundo o cientista social chileno Carlos Matus, foi o do último governo do presidente Paz Estenssoro, da Bolívia, que empreendeu forte programa de ajuste macroeconômico, sob a condução do ministro do Planejamento Sánchez de Lozada. A inflação de 30.000% ao ano destruíra as forças do presidente e de seu partido. A eficácia do programa reduziu a alta dos preços a 30% ao ano, o que deu a Lozada, em 1993, a maior votação das eleições presidenciais daquele país. Foi uma típica demonstração da teoria do balanço.

O caso brasileiro

Não há comparação, claro, com a atual situação brasileira. Nossa inflação não chega nem a dois dígitos. O exemplo serve para ilustrar a imagem da gangorra, como a que vemos. Com os preços de alimentos subindo a uma taxa anual entre 14% e 19%, conforme escreveu o economista José Roberto Mendonça de Barros (O Estado, 7/7/13), é possível prever forte pressão sobre os orçamentos familiares e, se isso ocorrer, expansão da insatisfação social. Nesse caso, o cenário de queda se manteria. João Santana, o responsável pelo marketing do governo, estipula em quatro meses o tempo para a presidente recuperar o patamar de prestígio. É possível?

Dona da flauta dá o tom

A resposta vai depender do axioma : "quem é dono da flauta dá o tom"; a dona é a maestrina da orquestra e é chamada de economia. A lábia do marqueteiro aponta, portanto, para as cartas econômicas que serão embaralhadas para o jogo de 2014. É evidente que, a par de eventuais trunfos a serem obtidos na mesa da economia, há mais dois cinturões do governo para ajustar, sob pena de irreversível débâcle da imagem presidencial : os cinturões político e de serviços públicos. Se fechar a torneira para as demandas políticas, a presidente ficará sob ameaça de mais derrotas no Parlamento. Caso tampe os ouvidos ao forte clamor das turbas, arrisca-se a cair no despenhadeiro da rejeição social. Hoje, mostra-se atenta à onda popular, abrindo um conjunto de iniciativas, como a proposição da reforma política e implantação de programas, alguns polêmicos, como importação de médicos e extensão dos cursos de medicina, de 6 para 8 anos.

O sol é novo é cada dia

Caso não consiga ajustar os cinturões da governança aos corpos econômico, político e de serviços sociais, a candidata à reeleição poderá ser induzida a ceder o lugar ao antecessor, plano B com que trabalha parcela da máquina petista. Daí a inevitável pergunta : a volta de Lula seria a solução para o PT prolongar seu projeto de poder? O horizonte é nebuloso. Mas algumas hipóteses são razoáveis. A primeira é de que voltar é uma forma de retroceder. O percurso liderado pela primeira mulher presidente seria interrompido para propiciar o reingresso em cena do perfil maior do PT. O que não evitaria a sensação de insucesso da estratégia petista. Outra observação: nem o Brasil nem Luiz Inácio são os mesmos de ontem, o que nos remete à máxima de Heráclito de Éfeso: "um homem não passa duas vezes no mesmo rio". As águas sempre se renovam. O sol é novo a cada dia.

Os burros n'água

As duas vezes em que Lula atravessou as águas nacionais formaram e fecharam um ciclo, caracterizado pelo aprofundamento das coalizões partidárias (que resultaram no mensalão), por um compadrio patrimonialista entre sindicalismo e Estado, pelo acesso das massas à mesa do consumo e por um estilo populista de governar, que multiplicou contatos com as massas. Hoje, Luiz Inácio se agasalha no conforto de palestras internacionais, sob o manto do carisma e do perfil com maior cacife eleitoral. E que tem de cuidar bem da saúde, mesmo exibindo passaporte de seus médicos para voltar a frequentar palanques. Navegar no Brasil de hoje é, para os políticos, um exercício de reaprendizagem. A pororoca que se espraia pelo país exige um mergulho profundo nas águas que inundam ruas, becos e vielas. Lula é um navegante. Mas o rio está mudando o curso. Pegar uma canoa em direção ao amanhã, apenas com um "baú recheado de coisas de ontem", pode dar com os burros n'água.

Lorotas

A internet tem sido pródiga na propagação de versões, contraversões, mentirinhas e mentironas. A mais recente : Lula teria voltado ao Sírio-Libanês para cuidar da recidiva, o câncer que teria voltado. Lorota das grandes. Lula está lépido e fagueiro. Forte e fazendo articulação de bastidor. Este consultor tem conversado com pessoas que conversam constantemente com Lula.

Lula, o analista

Lula, como analista político, é um otimista. Em sua coluna no New York Times, publicada ontem, explica que as manifestações que ocorrem no país não rejeitam a política. Ao contrário, vão incentivar os jovens a participar da atividade política. Sobre a motivação, o ex-presidente argumenta que os protestos foram motivados por pessoas que querem serviços públicos de melhor qualidade e instituições políticas mais transparentes.

Imagem de Dilma

A imagem da presidente Dilma continua descendo a ladeira da fama. As pesquisas atestam a queda de popularidade. A mais recente é da CNT/MDA : avaliação positiva do governo da presidente Dilma caiu de 54,2% para 31,3%, divulgada ontem. O levantamento foi feito entre os dias 7 e 10 de julho, após a onda de protestos ocorrida no país. Uma conhecida que acaba de chegar dos sertões nordestinos, mais precisamente de Jequié, na BA, conta que a presidente é xingada todo tempo pelos baianos. A causa: aumento dos alimentos. Menos dinheiro no bolso para suprir as barrigas. Operação BO+BA+CO+CA está desalinhada: Bolso, Barriga, Coração, Cabeça.

Pacto com empresários

Na agenda da presidente da República, estão previstos contatos com empresários de peso. O objetivo é o de tentar um pacto com empresariado nesse momento de grandes interrogações na economia. A questão é: será que o momento ainda é adequado?

Um veto indigesto

A presidente Dilma Rousseff, que já não anda bem com os eleitores (a intenção de voto na ocupante do Planalto caiu 19,4 pontos percentuais desde a última pesquisa), pode comprar uma briga feia com todos os empresários do país : basta vetar o projeto que elimina a multa de 10% sobre o FGTS, aprovada pelo Congresso. De uma só vez a presidente pode piorar o ambiente de negócios para as empresas e tornar mais nebuloso o cenário do mercado de trabalho. Emprego é o que ajuda Dilma a se manter ainda na dianteira, hoje com 33,4% da intenção de votos, contra 20,7% de Marina Silva (Rede Sustentabilidade), 15,2% do senador Aécio Neves (PSDB/MG) e 7,4% do governador Eduardo Campos (PSB/PE).

Preocupação à vista

A ABIN - Agência Brasileira de Inteligência - está preocupada com eventuais manifestações por ocasião da visita do Papa Francisco ao Brasil, a partir da próxima segunda feira. A Agência trabalha com a perspectiva de tendência "máxima" de manifestações durante o evento, que será realizado no Rio. As ações de "grupos de pressão" são as únicas que estão em nível vermelho, a escala máxima de possibilidade de incidentes. Na lista da ABIN, há controles sobre: "organizações terroristas", "crime organizado", "criminalidade comum", "incidentes de trânsito", entre outros.

Caiu do telhado

Todos os governantes sofrem os impactos das manifestações que assolam o país. Mas quem mesmo sofre muito com a queda do telhado é o governador Sergio Cabral, do Rio. Grupos de manifestantes praticamente acamparam em frente à casa do governador. Há quem diga que Pezão não subirá a montanha eleitoral de 2014. Ocasião da visita do Papa Francisco ao Brasil, a partir da próxima segunda-feira. E os sonhos do governador Cabral de entrar em chapa majoritária Federal se desvanecem.

Reforma política

Foi bem recebida a nomeação do deputado Cândido Vaccarezza para coordenar o Grupo de Trabalho que vai produzir um projeto de reforma política. Vaccarezza tem perfil de bom mediador. Sabe ouvir e ponderar. Diferente do deputado Henrique Fontana, do PT do RS, que prepara há dois anos um projeto nessa área e só construiu muralhas entre grupos e partidos. A escolha de Vaccarezza deve-se ao presidente da Câmara, Henrique Alves.

A era Eike

Fecha-se também uma Era plasmada por Castelos de Areia e Empresas construídas com papel. A Era Eike.

Conselho aos líderes e dirigentes

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos pré-candidatos no pleito de 2014. Hoje, dirige um conselho aos lideres e dirigentes:

1. Procurem entender profundamente as motivações que ensejaram e continuarão a ensejar as manifestações de rua por todo o território.

2. O Brasil fecha o ciclo do Bolsa-Barriga e inaugura o ciclo do Bolsa-Cabeça. Os novos horizontes abrirão novas formas de atuação na frente política e terão impacto sobre os setores produtivos.

3. Slogan da nova era: "Verás que um Filho Teu não foge à Luta". Conceito-mor: autogestão técnica. A pessoa sabe o que quer, para onde ir e também sabe escolher os meios para alcançar seus fins. Arquiva-se o axioma: "Maria vai com as outras".

(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 16 de julho de 2013

ANIVERSÁRIO DA ACADEMIA METROPOLITANA DE LETRAS DE FORTALEZA - AMLEF

Hoje à noite ocorrerá a sessão solene em comemoração ao oitavo aniversário da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - AMLEF.

Seguindo uma tradição da nossa Arcádia, teremos, nesta noite memorável, a posse de dois novos acadêmicos honorários: Antônio Paes de Andrade e Wilson Holanda Lima Verde, e a entrega da comenda maior da AMLEF, a Medalha Mário Caúla, que vai ser concedida à Academia Cearense de Letras e ao Secretário de Cultura do Estado do Ceará, Francisco José Pinheiro.