Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
domingo, 25 de novembro de 2012
CRONISTA RETRATA A HISTÓRIA DE CRATEÚS EM NOVO LIVRO
Crateús "Cratheús - Do Portão da Feira aos Galos das Torres" é o terceiro livro da lavra do professor, poeta e cronista Raimundo Cândido Teixeira Filho. O lançamento ocorreu neste município no dia 17 de novembro último, dia em que completou um ano de falecimento de sua genitora, a educadora Maria Delite Menezes Teixeira, grande incentivadora do autor e mestra da maioria dos crateuenses. Por esse motivo, o autor escolheu como palco para o evento a calçada do Externato Nossa Senhora de Fátima, instituição fundada por ela e que o autor considera como uma extensão da sua casa. Em breve, a publicação será lançada na Capital, Fortaleza.
A obra é a primeira incursão do autor no mundo da crônica. Antes escreveu "Karatis", em 2008, e dois anos depois "Raiz do poema teorema pra nos tanger e outras esquisitices ao quadrado". Em ambas predomina a poesia, uma das maiores paixões do autor. "Karatis" enfocou a poesia regionalista e a segunda publicação traz uma curiosa relação poética da matemática - disciplina à qual leciona - com a existência humana.
Na atual publicação, Raimundo Cândido traz à memória do crateuense a história da cidade por meio de personagens e fatos. Em verso e prosa, o autor faz "um resgate histórico da cidade com personagens, políticos, retratando profissões, momentos vividos, lembranças e fatos. É uma miscelânea de fatos e histórias", define o autor.
A homenagem à sua mãe, exemplo de vida, de profissão e incentivadora, está expressa na crônica "O Ipê e Colibri", em que, com um diálogo entre anciãos, o escritor remete à dedicação de Delite Menezes à educação. "Deixamos as sementes plantadas, e mais do que nunca percebemos o valor daquela sua proposição máxima: Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo. Lembra-se!". Mais adiante, outro trecho destaca "Senhora, eu confesso que me emocionei quando disse em tom de despedida: Dei tudo de mim pela educação. A senhora criou um belo amanhã nas cartilhas amareladas do ontem!". De acordo com ele, é um dos momentos mais fortes do livro porque a sua mãe orientou e acompanhou toda a construção da obra. Levava os textos para ela, que lia, analisava e fazia sugestões, sempre acatadas pelo autor. "Ela dizia o que não gostava e eu acatava as suas valiosas opiniões. Chegou a ver todo o conteúdo do livro, antes de falecer", diz.
Desconhecidos
Marcante contribuição presta à cidade ao relembrar personagens importantes da história, que ao contrário de D. Delite, muitos são "ilustres desconhecidos" dos crateuenses. Nesse contexto, Raimundinho, como é conhecido o autor, destaca as crônicas "Caçadores de Tesouros" e "Coriolano - Príncipe dos Poetas", em que resgata o poeta crateuense, José Coriolano de Souza Lima nascido em 1829 e que é pouco conhecido em sua terra. Aliás, não fosse nominar uma movimentada rua no centro da cidade, Coriolano seria completo desconhecido, especialmente para as novas gerações.
Na crônica "Caçadores de Tesouros", Cândido conta que o sentimento de reavivar a memória de José Coriolano surgiu ano passado, quando a Academia de Letras de Crateús (ALC) iniciou os escritos e pesquisas para a publicação do livro "Crateús 100 Anos", comemorativo ao centenário de Crateús. Ele e os acadêmicos Flávio Machado e Edmilson Lopes enveredaram pelos difíceis caminhos - devido à falta de documentos e de indicação de parentes ou familiares - da pesquisa sobre Coriolano.
O resgate do nobre crateuense, inclusive, tornou-se bandeira de luta da ALC - da qual Raimundo Cândido é membro - e no início de 2013 por ocasião do II Encontro de Escritores Cearenses, em que Crateús anfitrionará os literatas cearenses o busto de Coriolano retornará à Praça da Matriz, de onde foi retirado há algumas décadas. De acordo com o autor, pela própria família, indignada com a falta de conservação da estátua. A homenagem ao poeta havia sido feita em 1947, com um monumento inaugurado pelo então prefeito Afonso de Almeida Vale.
"Foi quando os três mosqueteiros, como uma infalível cavalaria, entraram em ação numa descomedida busca pelo torso do poeta. Conjecturava-se: ´um busto tão pesado não pode ter saído a andar por aí, ou criado asas imitando a imaginação do poeta Coriolano!´. Por fim, alguém afirmou: ´Tenho certeza de que o busto foi derretido!´. Uma tristeza enorme apossou-se dos animados caçadores de poetas, deixando-os em desalento profundo e, com olhar incrédulo, perguntávamos ao vazio: "Como pode um líquido brônzeo que representa nossa poesia, escoar pelo ralo da ingratidão e desaparecer nas coxias da ignorância?´", diz um dos trechos da crônica dedicada ao poeta crateuense, considerado o "Principe dos Poetas", pelo Estado do Piauí, à qual Crateús pertencia naquela época.
Mais Informações:
ALC: Rua do Instituto Santa Inês, 231 - centro - Crateús/CE -
Tel. do autor: (88) 8834.9154 ou http:academiadeletrasdecrateus.blogspot.com/
SILVANIA CLAUDINO
REPÓRTER (No Jornal Diário do Nordeste de hoje)
sábado, 24 de novembro de 2012
VIAGEM NO TEMPO
Ler e reler. Escala no tempo para rever a história. Pausa para meditar e vibrar com a inteligência capaz de criar romance. "Tróia: uma viagem no tempo" tem a dignidade da narração bem definida. Traços personalísticos de uma escritora jovem e talentosa que envereda por caminhos culturais de raro esplendor.
Grecianny Carvalho Cordeiro é Promotora de Justiça no Ceará, com mestrado em Direito Público e arte literária inata para dissertar encantos das letras. Justifica plenamente sua integração à Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza e da Rede de Escritores Brasileiros.
O enredo de Grecianny no seu novo livro "Tróia: uma viagem no tempo" revela a diversidade de textos aculturados em suas ideias. A autora é também jornalista. Produziu livro histórico numa mescla de atualização de acordo com o tempo da praticidade no sentido de conquistar sempre um público renovado.
Mistura deliciosa do real e do imaginário. Sabor de literatura numa gastronomia palatável aos que realmente são apaixonados pelas letras, como bem enfatizou o escritor Júnior Bonfim membro da Amlef e apresentador do livro enfocado nos salões austeros do Ministério Público. Um livro saboroso com tempero na medida certa.
O sal da vida sem causar pressão alta. A propósito de "Tróia: a viagem no tempo" Seridião Montenegro, presidente da Amlef destacou essa obra de ficção da Grecianny que nos traz mais um romance de história ou ficção em torno da dura realidade da vida.
Destacamos outra vez a feliz inspiração de Grecianny Carvalho Cordeiro como perfeita na criação dos romances vivos.
Paulo Eduardo Mendes
jornalista
(Na edição de hoje do Jornal Diário do Nordeste)
Grecianny Carvalho Cordeiro é Promotora de Justiça no Ceará, com mestrado em Direito Público e arte literária inata para dissertar encantos das letras. Justifica plenamente sua integração à Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza e da Rede de Escritores Brasileiros.
O enredo de Grecianny no seu novo livro "Tróia: uma viagem no tempo" revela a diversidade de textos aculturados em suas ideias. A autora é também jornalista. Produziu livro histórico numa mescla de atualização de acordo com o tempo da praticidade no sentido de conquistar sempre um público renovado.
Mistura deliciosa do real e do imaginário. Sabor de literatura numa gastronomia palatável aos que realmente são apaixonados pelas letras, como bem enfatizou o escritor Júnior Bonfim membro da Amlef e apresentador do livro enfocado nos salões austeros do Ministério Público. Um livro saboroso com tempero na medida certa.
O sal da vida sem causar pressão alta. A propósito de "Tróia: a viagem no tempo" Seridião Montenegro, presidente da Amlef destacou essa obra de ficção da Grecianny que nos traz mais um romance de história ou ficção em torno da dura realidade da vida.
Destacamos outra vez a feliz inspiração de Grecianny Carvalho Cordeiro como perfeita na criação dos romances vivos.
Paulo Eduardo Mendes
jornalista
(Na edição de hoje do Jornal Diário do Nordeste)
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
MINISTRO LUIZ FUX CANTA E TOCA GUITARRA NA FESTA EM HOMENAGEM A JOAQUIM BARBOSA
O ministro Luiz Fux, do STF, cantou e tocou guitarra durante jantar oferecido em homenagem a Joaquim Barbosa, na quinta-feira, 22.
Fux subiu ao palco, por volta das 23h40 de quinta-feira, 22, colocou a guitarra de um dos músicos da banda que se apresentava no coquetel e tocou "Um dia de domingo", do cantor Tim Maia, e foi acompanhado pela plateia, formada por servidores do Judiciário e magistrados.
Assista ao vídeo:
O líder da banda enfatizou aos músicos : "Ó, banda. Temos de caprichar porque o ministro é faixa preta de jiu-jitsu". Em meio à canção Fux afirmou que juízes são "simples e do povo". "Atenção! Eu queria oferecer essa homenagem ao meu amigo, o ministro Joaquim Barbosa. Em seu discurso, com todas as letras, ele disse que ministros e juízes são homens simples e do povo", completou.
O ministro disse que perguntou a colegas do tribunal se "pegaria mal" cantar no coquetel. "Falei com o Marco Aurélio e o Joaquim e eles disseram 'mete bronca'", relatou. Segundo Fux, "o importante é ser bom no que faz e ser feliz".
Durante o coquetel, Joaquim Barbosa foi bastante “tietado”. O ministro chegou por volta das 21h e foi muito aplaudido. Após cumprimentar convidados, sentou-se com sua mãe, Benedita e uma aglomeração de pessoas ficou em torno da mesa para fotografa-lo. JB atendeu a todos os pedidos de fotos. Seguranças que o acompanhavam foram obrigados a formar um cordão de isolamento para evitar o empurra-empurra.
(Fonte: Migalhas)
Fux subiu ao palco, por volta das 23h40 de quinta-feira, 22, colocou a guitarra de um dos músicos da banda que se apresentava no coquetel e tocou "Um dia de domingo", do cantor Tim Maia, e foi acompanhado pela plateia, formada por servidores do Judiciário e magistrados.
Assista ao vídeo:
O líder da banda enfatizou aos músicos : "Ó, banda. Temos de caprichar porque o ministro é faixa preta de jiu-jitsu". Em meio à canção Fux afirmou que juízes são "simples e do povo". "Atenção! Eu queria oferecer essa homenagem ao meu amigo, o ministro Joaquim Barbosa. Em seu discurso, com todas as letras, ele disse que ministros e juízes são homens simples e do povo", completou.
O ministro disse que perguntou a colegas do tribunal se "pegaria mal" cantar no coquetel. "Falei com o Marco Aurélio e o Joaquim e eles disseram 'mete bronca'", relatou. Segundo Fux, "o importante é ser bom no que faz e ser feliz".
Durante o coquetel, Joaquim Barbosa foi bastante “tietado”. O ministro chegou por volta das 21h e foi muito aplaudido. Após cumprimentar convidados, sentou-se com sua mãe, Benedita e uma aglomeração de pessoas ficou em torno da mesa para fotografa-lo. JB atendeu a todos os pedidos de fotos. Seguranças que o acompanhavam foram obrigados a formar um cordão de isolamento para evitar o empurra-empurra.
(Fonte: Migalhas)
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
PARA REFLETIR
"Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, pois cada pessoa é única
e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só
nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito,
mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
e a prova de que duas almas
não se encontram ao acaso."
Antoine de Saint-Exupéry
passa sozinho, pois cada pessoa é única
e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só
nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito,
mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
e a prova de que duas almas
não se encontram ao acaso."
Antoine de Saint-Exupéry
terça-feira, 20 de novembro de 2012
domingo, 18 de novembro de 2012
COMENTÁRIOS SOBRE MISSANTA
Caro Companheiro e amigo Jr. Bonfim,
Na noite de 5ª. feira passada, antes de dormir, li o poema “À Missanta” que você dedicou à sua querida e recém falecida avó Raimunda Rodrigues Bonfim.
Gostei muito porque fiquei – como sempre faço antes de rezar e dormir – pensando nos meus antepassados: meus bisavós, avós, pais e entes queridos.
Eu tenho esse hábito de toda noite conversar com eles e de lhes desejar também uma boa noite.
Tenho lido muito sobre a vida, a memória e assuntos correlatos, e chegado à conclusão de que pensar e lembrar de nossos antepassados falecidos faz um bem enorme ao nosso espírito e à compreensão de quão curta é a nossa vida e de como foi bom ter tido com eles uma convivência harmoniosa e pacífica. É como se todos estivessem vivos e ainda convivendo conosco no dia a dia suprindo nossas deficiências com o bom exemplo deles na diária e santa luta pela vida. Eram nordestinos, retirantes, que acossados pela seca, buscaram água na Amazônia.
E é interessante como aqueles exemplos de luta honesta pela vida nos fortalecem ainda mais na longa caminhada que, um dia, nos levará a reencontrá-los.
E quando se lê sobre a vida santa de um ser como Missanta, mais confiantes nos tornamos de que o melhor da vida é ser honesto, bom e ajudar o próximo.
Um dos meus mestres no seminário franciscano onde estudei, frei Paulo Kleinken, dizia: “O amor é um movimento em prol de um Bem”. Missanta foi exatamente isso.
Era isso que te queria dizer, caro amigo, e te engrandecer pelo gesto de honrar a memória de tua avó, Missanta, dedicando-lhe esse poema de amor.
Forte abraço do amigo,
Freire.
José Freire de Sena
Presidente
##############################################
Meu caro Júnior Bonfim e abençoada família,
Mi Santa (em espanhol). Minha Santa, em português.
Ao retornar ao Pai celestial, passou de mi Santa para nuestra Santa (nossa Santa).
Quem fez chover no dia do próprio aniversário de noventa anos, ainda habitando a terra, o que não fará lá do céu?
Missanta, nossa Santa, rogai por nós.
Solidários na dor, enviamos nosso abraço de conforto, extensivo a todos os filhos e demais parentes enlutados.
Boaventura Joaquim Furtado Bonfim e Família.
Fortaleza - Ceará.
José Fernando Bonfim relatou...
Minha Vó partiu, como ela mesma parece que já sabia pois em seus últimos discursos falava "Não quero que chore quando partir, pois já vivi muito, estou velha, vivi feliz..." é minha vó em sua sabedoria ouvindo rumores que seu amado torrão Mudubim seria inundado pela Barragem Fronteiras, alçou vou para junto de Deus, pois essa dor seria muito forte ter que sair do lugar onde morou tantos anos. Saudades, saudades, saudades...Só uma coisa não podemos atendê-la vozinha, chorar.
###############################
Meu caro Júnior Bonfim, nem tudo de dileto que a infancia nos granjeou, conseguimos amontoar na nossa alma.
Mas o Tetero e sua familia fazia de nossa casa na praça da Estação uma parada sagrada. Meu irmão Celio foi passar ferias seguidamente no Mondubim.
A morte de Missanta, que em vez de Miss, eu ficaria mais com uma Missa Santa. Santa pela sua vida rica. Missa por esta estrada de bondade de zelo e ternura que ela palmilhou.
Minhas saudades.
Jose Maria Bonfim Morais
#################################
Caro Junior,
receba e transmita toda família minhas sinceras condolências.
Abraços,
Sergio Moraes
##################################
Meus sentimentos a toda familia,Vó Missanta saudades de toda Familia Barros!
LANINHA BARROS
##################################
28/04/2012.
Sai de Crateus, rumo ao Mondubim, em companhia de milha filha Izabel Cristine, ela dirigia o carro...não sou mais guiador de carro há muito tempo, sai a cata do paradeiro de Odilon (quarta viagem) filho de Rosangela, neto de Miguel Celson e este filho de Manoel Cacacena, a missão era a favor de Rosangela e filhos que moram em Manaus e há muito não tinham noticias do rapaz.
A avó e tia de Odilon moram vizinhos a data Mondubim e terminado a missão, rumei para o casarão, data fundada por Sebastião Moreira do Bomfim e que depois seu filho Tetero que casou-se com Missanta, fincou pé por lá tocou a fazenda a frete e construiu numerosa familia.
Tetero partiu muito novo mas Missanta, de singular ousadia, não esmorecera, com a familia muito jovem, tocou o Monbubim a frente, pois bem, chegando no casarão encontrei a singela Missanta afeito ao trabalha caseiro e com muita energia, com um forte abraço me apresentei e Ela me reconheceu a Izabel Cristine fez o mesmo e conversa vai conversa vem, Missanta me informou que o Itamar estava já quase chegando por lá mas, já passava do meio dia e eu e Izabel com afagos que é próprio da parentela, foi feita a despedida daquela saudável visita.
A primeira vez que andei no Mondubim, eu era coroinha do Tio Zezé e andava na garupa de uma motocicleta, que era do vigário, e o destino era a Capela do Assis.
Certamente que andarei outras vezes por lá.
Missanta partiu pra casa do Pai e o Mondubim perdeu sua identidade.
Caro Junior Bonfim, aqui deixo o meu abraço de solidariedade pra todos da familia.
Este foi o meu desiderato.
Luiz Bonfim
Na noite de 5ª. feira passada, antes de dormir, li o poema “À Missanta” que você dedicou à sua querida e recém falecida avó Raimunda Rodrigues Bonfim.
Gostei muito porque fiquei – como sempre faço antes de rezar e dormir – pensando nos meus antepassados: meus bisavós, avós, pais e entes queridos.
Eu tenho esse hábito de toda noite conversar com eles e de lhes desejar também uma boa noite.
Tenho lido muito sobre a vida, a memória e assuntos correlatos, e chegado à conclusão de que pensar e lembrar de nossos antepassados falecidos faz um bem enorme ao nosso espírito e à compreensão de quão curta é a nossa vida e de como foi bom ter tido com eles uma convivência harmoniosa e pacífica. É como se todos estivessem vivos e ainda convivendo conosco no dia a dia suprindo nossas deficiências com o bom exemplo deles na diária e santa luta pela vida. Eram nordestinos, retirantes, que acossados pela seca, buscaram água na Amazônia.
E é interessante como aqueles exemplos de luta honesta pela vida nos fortalecem ainda mais na longa caminhada que, um dia, nos levará a reencontrá-los.
E quando se lê sobre a vida santa de um ser como Missanta, mais confiantes nos tornamos de que o melhor da vida é ser honesto, bom e ajudar o próximo.
Um dos meus mestres no seminário franciscano onde estudei, frei Paulo Kleinken, dizia: “O amor é um movimento em prol de um Bem”. Missanta foi exatamente isso.
Era isso que te queria dizer, caro amigo, e te engrandecer pelo gesto de honrar a memória de tua avó, Missanta, dedicando-lhe esse poema de amor.
Forte abraço do amigo,
Freire.
José Freire de Sena
Presidente
##############################################
Meu caro Júnior Bonfim e abençoada família,
Mi Santa (em espanhol). Minha Santa, em português.
Ao retornar ao Pai celestial, passou de mi Santa para nuestra Santa (nossa Santa).
Quem fez chover no dia do próprio aniversário de noventa anos, ainda habitando a terra, o que não fará lá do céu?
Missanta, nossa Santa, rogai por nós.
Solidários na dor, enviamos nosso abraço de conforto, extensivo a todos os filhos e demais parentes enlutados.
Boaventura Joaquim Furtado Bonfim e Família.
Fortaleza - Ceará.
José Fernando Bonfim relatou...
Minha Vó partiu, como ela mesma parece que já sabia pois em seus últimos discursos falava "Não quero que chore quando partir, pois já vivi muito, estou velha, vivi feliz..." é minha vó em sua sabedoria ouvindo rumores que seu amado torrão Mudubim seria inundado pela Barragem Fronteiras, alçou vou para junto de Deus, pois essa dor seria muito forte ter que sair do lugar onde morou tantos anos. Saudades, saudades, saudades...Só uma coisa não podemos atendê-la vozinha, chorar.
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Meu caro Júnior Bonfim, nem tudo de dileto que a infancia nos granjeou, conseguimos amontoar na nossa alma.
Mas o Tetero e sua familia fazia de nossa casa na praça da Estação uma parada sagrada. Meu irmão Celio foi passar ferias seguidamente no Mondubim.
A morte de Missanta, que em vez de Miss, eu ficaria mais com uma Missa Santa. Santa pela sua vida rica. Missa por esta estrada de bondade de zelo e ternura que ela palmilhou.
Minhas saudades.
Jose Maria Bonfim Morais
#################################
Caro Junior,
receba e transmita toda família minhas sinceras condolências.
Abraços,
Sergio Moraes
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Meus sentimentos a toda familia,Vó Missanta saudades de toda Familia Barros!
LANINHA BARROS
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28/04/2012.
Sai de Crateus, rumo ao Mondubim, em companhia de milha filha Izabel Cristine, ela dirigia o carro...não sou mais guiador de carro há muito tempo, sai a cata do paradeiro de Odilon (quarta viagem) filho de Rosangela, neto de Miguel Celson e este filho de Manoel Cacacena, a missão era a favor de Rosangela e filhos que moram em Manaus e há muito não tinham noticias do rapaz.
A avó e tia de Odilon moram vizinhos a data Mondubim e terminado a missão, rumei para o casarão, data fundada por Sebastião Moreira do Bomfim e que depois seu filho Tetero que casou-se com Missanta, fincou pé por lá tocou a fazenda a frete e construiu numerosa familia.
Tetero partiu muito novo mas Missanta, de singular ousadia, não esmorecera, com a familia muito jovem, tocou o Monbubim a frente, pois bem, chegando no casarão encontrei a singela Missanta afeito ao trabalha caseiro e com muita energia, com um forte abraço me apresentei e Ela me reconheceu a Izabel Cristine fez o mesmo e conversa vai conversa vem, Missanta me informou que o Itamar estava já quase chegando por lá mas, já passava do meio dia e eu e Izabel com afagos que é próprio da parentela, foi feita a despedida daquela saudável visita.
A primeira vez que andei no Mondubim, eu era coroinha do Tio Zezé e andava na garupa de uma motocicleta, que era do vigário, e o destino era a Capela do Assis.
Certamente que andarei outras vezes por lá.
Missanta partiu pra casa do Pai e o Mondubim perdeu sua identidade.
Caro Junior Bonfim, aqui deixo o meu abraço de solidariedade pra todos da familia.
Este foi o meu desiderato.
Luiz Bonfim
sábado, 17 de novembro de 2012
À MISSANTA
O velho pau d’arco
Amanheceu completamente
Despido.
As pujantes carnaúbas
Fecharam-se em copas.
Os mandacarus esconderam
Espinhos e flores.
As aves canoras,
Que todas as manhãs nos saudavam
Com os hinos da superação,
Emudeceram.
O verdejante Juazeiro
Soltou lágrimas amarelas.
O rio Serrote cessou
O curso invisível.
A água do poço profundo
Solidificou.
Tudo é silêncio e reverência,
Consternação e mistério
Nesta terra com gosto de amendoim...
Morreu a árvore colossal,
Tombou a carnaúba maior,
Recolheu-se o mandacaru principal,
Calou-se a ave matriarca,
Caiu a folhagem do Juazeiro mestre.
Partiu-se o leito do rio generoso.
A água faltou.
Raimunda Rodrigues Bonfim, a Missanta,
Amou viver e viveu para o amor.
Quanta lição proferiu
Com a leveza do seu silêncio?!
Amou viver e viveu para o amor.
Viu partir o esposo amado
E três dos filhos do seu ventre.
Tudo suportou e superou
Porque tinha o amor.
Conheceu o amor.
Viveu o amor.
E este foi seu legado maior: o amor!
Soube o gosto do espinho e o tempero da flor,
Porque tinha o amor.
Viveu o esplendor da simplicidade.
Como o rio do quintal de sua casa,
Contornava tranquilamente
As pedras da adversidade.
(Afinal, para que as discussões inúteis
E os confrontos fúteis?).
Como a mãe Natureza
Nada rejeitava. Sabia
O valor e a serventia
De tudo que iluminava a noite
E fazia palpitar o dia.
Reina o silêncio.
Mas esse silêncio não é de dor. É de louvor.
Delicado louvor à sublimação.
Pois mais uma vez ela nos faz a conclamação:
- “Sigam o meu discreto legado.
Nunca esqueçam
A vital lição.
Continuem resolutos
Na luminosa missão”.
Amou viver e viveu para o amor a nossa Missanta.
Era pura e profunda a nossa Raimunda.
Foi ser Miss no céu a nossa tia/vó Santa.
(Júnior Bonfim)
Amanheceu completamente
Despido.
As pujantes carnaúbas
Fecharam-se em copas.
Os mandacarus esconderam
Espinhos e flores.
As aves canoras,
Que todas as manhãs nos saudavam
Com os hinos da superação,
Emudeceram.
O verdejante Juazeiro
Soltou lágrimas amarelas.
O rio Serrote cessou
O curso invisível.
A água do poço profundo
Solidificou.
Tudo é silêncio e reverência,
Consternação e mistério
Nesta terra com gosto de amendoim...
Morreu a árvore colossal,
Tombou a carnaúba maior,
Recolheu-se o mandacaru principal,
Calou-se a ave matriarca,
Caiu a folhagem do Juazeiro mestre.
Partiu-se o leito do rio generoso.
A água faltou.
Raimunda Rodrigues Bonfim, a Missanta,
Amou viver e viveu para o amor.
Quanta lição proferiu
Com a leveza do seu silêncio?!
Amou viver e viveu para o amor.
Viu partir o esposo amado
E três dos filhos do seu ventre.
Tudo suportou e superou
Porque tinha o amor.
Conheceu o amor.
Viveu o amor.
E este foi seu legado maior: o amor!
Soube o gosto do espinho e o tempero da flor,
Porque tinha o amor.
Viveu o esplendor da simplicidade.
Como o rio do quintal de sua casa,
Contornava tranquilamente
As pedras da adversidade.
(Afinal, para que as discussões inúteis
E os confrontos fúteis?).
Como a mãe Natureza
Nada rejeitava. Sabia
O valor e a serventia
De tudo que iluminava a noite
E fazia palpitar o dia.
Reina o silêncio.
Mas esse silêncio não é de dor. É de louvor.
Delicado louvor à sublimação.
Pois mais uma vez ela nos faz a conclamação:
- “Sigam o meu discreto legado.
Nunca esqueçam
A vital lição.
Continuem resolutos
Na luminosa missão”.
Amou viver e viveu para o amor a nossa Missanta.
Era pura e profunda a nossa Raimunda.
Foi ser Miss no céu a nossa tia/vó Santa.
(Júnior Bonfim)
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
MISSANTA BONFIM (RAIMUNDA RODRIGUES BONFIM)
Com o coração envolto em lágrimas recebi a notícia de que hoje (dia 16.11.2012) foi chamada para a Casa do Pai a minha querida avó, Missanta Bonfim (Raimunda Rodrigues Bonfim).
Mês passado, na fazenda Mondubim, por ocasião do seu aniversário de 92 anos, quando lhe desejamos muitos anos de vida, ela fez um reparo: preferia saúde!
Pela primeira vez, a nossa nonagenária guerreira emitia um sinal diferente. Era uma espécie de aviso, premonição ou similar.
Apesar do abalo, tenho aquela agradável sensação de que estamos indo levar ao túmulo uma pessoa de inestimável valor espiritual. Uma santa!
Reponho a crônica que lhe dediquei no seu aniversário de noventa anos!
§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§
Os meses do ano coroados com a sílaba “bro” costumam ser bafejados, no sertão do Ceará, com os mais elevados índices de temperatura. Invariavelmente ao redor dos quarenta graus.
No dia 23 de outubro deste 2010, no entanto, a fazenda Mondubim, que dista 23 quilômetros da cidade de Crateús, amanheceu sob a surpresa do afago de um clima ameno. Um cenário agradável – caracterizado por uma combinação de pausa na inclemência solar com a gratuidade do céu espargindo delicados fios de água – como que convidava as pessoas a dar graças à vida ou compartilhar a boa prosa no largo alpendre da fraternidade!
Essa dupla alteração no horizonte sertanejo e no coração das pessoas, para os membros da minha veia familiar, foi obra da nossa matriarca: Missanta! (Sua filha Toinha havia profetizado: - “Nós já sabemos que a mamãe é santa. Para que os outros tenham essa certeza, só falta um milagre: chover no dia do aniversário”. E choveu!)
Missanta! Esse prenome íntimo, carinhoso apelido familiar, obra dos seus genitores e produto da junção litúrgica de missa e santa, incorporou-se à sua doce figura e substituiu o nome de batismo: Raimunda Rodrigues Bonfim.
A Vó Missanta - Tia Santa para a grande maioria – celebrou seus 90 (noventa) outubros sob o conforto de todos os filhos vivos, netos, bisnetos e demais componentes de seu imenso arvoredo genealógico. Durante estas nove décadas só residiu em duas casas: o habitat de nascimento, na localidade Lagoa das Pedras dos Rodrigues, e o lar do Mondubim, um casarão de calçada alta e teto trabalhado com arte, para onde se mudou após ter trocado aliança com José Moreira Bonfim (o Têtêro), no dia 29 de junho de 1939. (Aliás, a medida da aliança foi feita em um pedaço de pano, pois antes de casar minha avó nada havia colocado entre os dedos).
A trajetória de Missanta Bonfim está vinculada aos eflúvios superiores do Espírito. Viu o sol do mundo pela primeira vez às 14:00 horas de um dia de sábado: 23 de outubro de 1920. (Quem nasce em dia de sábado é regido por Saturno e conhece o sentido do tempo, a paciência, a sabedoria, o amadurecimento. Tem a graça de viver sob o impulso abençoado de uma vida laboriosa).
Seis homens e quatro mulheres vieram à terra através do seu ventre. Criou doze filhos: José Maria Bonfim, Sebastião Bonfim Neto, Rosária Rodrigues Bonfim, Josefa Rodrigues Bonfim (Zezé), Domingos Rodrigues Neto, José Itamar Bonfim, Antonia Rodrigues Bonfim (Toinha), Manoel Fernandes Bonfim, Lauro Rodrigues Bonfim, Maria de Lourdes Rodrigues Bonfim, Francisco Stênio Bonfim e Antonio Luiz dos Santos.
Por inevitável, saboreou frutas amargas. Carregou nos ombros maternais o peso da humana cruz e sentiu no peito as pedras cortantes da longeva caminhada. Teve que colocar na nave que leva os seres para a estação da outra dimensão, além do próprio cônjuge, três filhos: Lauro, Manoel e Rosária. Deles se recorda diariamente.
Porém, continua Missanta. Desfila, na passarela do convívio, com a elegância discreta de uma miss e a radiosa alma de uma santa. Mantém, no acolhedor terreiro do coração, uma permanente fogueira de espiritualidade como que a fazer contraponto à redução de temperatura gregária.
Sem embargo é por isso que coleciona, no anonimato de sua saga pessoal, feitos admiráveis. Aos noventa anos, Missanta Bonfim mantém o sorriso nos lábios e conserva hábitos incomuns para os da sua idade: levanta cedo, administra a própria casa, monta na garupa de uma motocicleta, brinda e sorve com alegria um copo de cerveja ou uma taça de vinho, se alimenta sem qualquer restrição e aceita sem pestanejar os constantes convites que recebe para participar dos mais variados eventos. Vive tranqüila e intensamente. É serena e afável, pacífica e bondosa!
Indaguei-lhe qual o segredo de viver em paz consigo mesma. Ela me respondeu: - “Meu filho, nunca deixei que as preocupações tomassem conta de mim. Não é que não me preocupe. Mas, se uma coisa é inevitável, nunca deixo que ela perturbe demais a minha cabeça. E toco a vida prá frente”.
Nunca deixar as preocupações tomar conta da gente – ou seja, relevar, perdoar, viver em sintonia com a consciência - é o principal segredo, a lição essencial de uma nonagenária criança que exibe o invisível diploma de PHD na Universidade da Existência. Parabéns, Vó Missanta!
(Júnior Bonfim, no Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará e na Revista Gente de Ação)
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Paulo Nazareno disse...
É JB,a inexorabilidade do tempo faz das suas. Mais uma estrelinha no nosso ceu.
Meus sentimentos
16 de novembro de 2012 16:45
Ticuá - RJ disse...
Eu a conheci...Que Deus A tenha ao lado, Ticuá
16 de novembro de 2012 18:09
Lourival disse...
Meus sentimentos, irmão.
17 de novembro de 2012 08:48
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
REPÚBLICA, "PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA" - É HORA DE RELEMBRAR RUI BARBOSA
“A falta de justiça, Srs. Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação.
A sua grande vergonha diante do estrangeiro, é aquilo que nos afasta os homens, os auxílios, os capitais.
A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas.
De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.
Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime, o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante, de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto, guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade”.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
CUSTUS LEGIS OU "CUSTOS LEGIS"?
Caro amigo Júnior Bonfim,
Já comentei sua apresentação (do livro Troia – uma viagem no tempo) na mensagem anterior.
Em todo o texto da sua brilhante apresentação, encontrei apenas um lapso digital: Custus legis, em vez de Custos legis. Avermelhei no seu texto, que segue anexo.
Abraços.
Saúde e Paz,
Boaventura.
***************************************
Caro Boaventura:
Peço desculpas por ousar fazer um contraponto - sem deslizar para teimosia típica de um Bonfim - mas quando aprendi a expressão em Latim era "custus legis".
Veja a notícia abaixo:
Em julgamento de Habeas Corpus, MP sempre fala depois da defesa
O advogado Nélio Machado, que defende o governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, surpreendeu os ministros do Supremo Tribunal Federal com uma questão preliminar inusitada. Antes de iniciar sua sustentação oral no julgamento do HC 102732, o advogado arguiu a condição de custus legis (fiscal da lei) do Ministério Público, uma vez que foi o próprio MP que ofereceu a denúncia, sendo, portanto, parte na ação e por isso deveria falar antes da defesa. Os ministros analisaram a...
Na paz,
Júnior Bonfim
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Meu caro amigo Júnior Bonfim,
Gostei do seu contraponto, mas apresento contraponto ao seu contraponto. E, de contraponto em contraponto, vamos encontrar um ponto.
Seu fundamento tem por esteio a citação em latim (custus legis) feita, salvo engano, pelo eminente Ministro Marco Aurélio, do STF, Relator do HC 10732.
Reconheço ter pouco estudo da Língua Latina (três anos, apenas). Digo "apenas", porque, ao término dos três anos de estudo, eu falei para o professor: - agora estou em condições de começar a aprender latim.
Já encontrei errôneas citações latinas em acórdãos de tribunais.
A meu sentir, o preclaro Ministro Marco Aurélio também laborou em equívoco, caso não, vejamos:
Custos legis - O vocábulo latino custos é substantivo masculino e feminino e significa guardião, guarda, guardiã, protetor, protetora, defensor, defensora. O genitivo (adjunto adnominal) de custos (= guardião, guarda) é custodis (do guardião, da guarda), daí advém a palavra custódia = guarda, proteção; do verbo custodiar = guardar, proteger. Por exemplo: o preso fica sob custódia do Estado, isto é, o preso fica sob guarda, sob proteção do Poder Público. Por sua vez, legis é genitivo (adjunto adnominal) de lex (=lei) e quer dizer da lei. Dessa forma, Custos legis tem o significado de guardião da lei, protetor da lei, fiscal da lei. Por exemplo, o insigne Dr. Arcelino de Oliveira Gomes, quando não é parte em processos, como representante do Ministério Público, atua na qualidade de custos legis.
Eis a divisa da cidade de Bauru, SP: Custos vigilat (“O guarda está alerta”).
Nos tempos hodiernos, poucos juristas estudam latim. Por isso, é de bom alvitre consultar professores de latim ao deparar com citações escritas em decisões judiciais.
Confesso-lhe que desconheço a palavra custus, em latim.
Apenas para ilustrar. Certa feita, um advogado da Assessoria Jurídica do Banco do Brasil, onde trabalhei, perguntou-me se estava correta a expressão latina Pactum sunt servanda (“O acordo devem ser observados”). Falei-lhe que tal brocardo latino não estava escrito corretamente, pois, assim, o sujeito da frase ficaria no singular e o predicado no plural. O Certo seria Pacta sunt servanda (“Os acordos devem ser observados”). Ele me rebateu dizendo achar mais bonito pactum sunt servanda. Ressaltei ao nobre causídico que não se tratava de gostar ou não gostar. Tratava-se de correto e não correto. E expliquei-lhe: se ele quisesse grafar Pactum (“O acordo”), teria de mudar o restante da frase, pois, sintaticamente, Pactum (“O acordo”) estaria no singular e, por conseguinte, o predicado deveria seguir o sujeito.
Se ele optasse por Pactum (sujeito, no singular), a frase completa passaria a ser escrita toda no singular: Pactum est servandum (“O acordo deve ser observado”). O nobre causídico balançou a cabeça e disse baixinho: - é, está bem explicado, mas eu gosto mais de Pactum.
Sei muito bem, Júnior, que você não está grafando custus legis, em vez de custos legis, porque goste mais de custus, porém porque aprendeu assim e viu escrito assim no voto de um supremo Ministro do STF, cujo saber latino deve ser, hierarquicamente, mais elevado do que o de um mero magistrado resignatário do Estado do Ceará.
Abraços do primo que o admira.
Saúde e Paz,
Boaventura Bonfim.
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Caro Boaventura:
Acolho os vossos embargos aclaratórios, porque presentes os radicais pressupostos do mais escorreito latinório, dou-lhes provimento ao passo em que empresto os imprescindíveis efeitos infringentes.
Na paz
Júnior Bonfim
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Grande Júnior Bonfim,
A maturidade e a segurança que imprimimos naquilo que fazemos nos permitem aceitar as explicações fundamentadas.
Sugiro sejam postadas no seu Blog nossas correspondências sobre tão importante assunto do mundo jurídico.
Um forte abraço.
Saúde e Paz,
Boaventura Bonfim.
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Ticuá - RJ disse...
recomendei aos "feicebuqueiros" não comentarei pois, foge do meu alcance tamanho saber jurídico! Parabéns aos Dois - Ticuá - RJ
Discussão doutrinária de Dois “monstros” do Direito: Dr. Boaventura Bonfim e Dr. Junior Bonfim, citei, primeiramente, o Dr. Boaventura, apenas, pela ordem alfabética dos Nomes, o “B” precede ao “J”, na Cartilha do ABC, pelo menos, no século passado era assim.
Indico às Amigas e aos Amigos “Feicebuqueiros” darem uma lida no Blog do Dr Junior Bonfim, acerca de um debate jurídico de alto nível, entre os Dois, acima mencionados, ressalto, que, quem não é afeito as matérias jurídicas não acessem, termino com uma citação do Doutíssimo Boaventura Bonfim: “sem deslizar para teimosia típica de um Bonfim...” repito, a citação não é minha... Vale a pena ir ao Blog... Ticuá – RJ
TICUÁ - RJ disse...
"O ERRO NÃO PRECLUI", PORTANDO, NECESSÁRIO SE FAZ, A SEGUINTE CORREÇÃO: QUEM PROFERIU CITAÇÃO "SEM DESLIZAR PARA TEIMOSIA..." NÃO FOI O DIGNÍSSIMO DR. BOAVENTURA, E SIM, O NÃO MENOS DIGNÍSSIMO DR. JUNIOR BONFIM, PEÇO A DEVIDA VENIA!
Com certeza não me aventuro nesta teima por saber. Li com ansiedade esperando alguém ceder. Vence a maturidade com respaldo no latim e ganha quem tem o prazer de ler e dizer sem custo algum que bom seria que toda teimosia terminasse com um BONFIM.
Edmilson Providencia.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL
E ele, em que lugar estava?
Nos últimos dois anos sete bancos foram liquidados ou sofreram intervenção do BC. A razzia começou com o Banco Panamericano, repassado para a Caixa Econômica e o BTG, e seguiu com o Cruzeiro do Sul, o Matone, o Prosper, o Schain, o Morada e, no mês passado, o BVA. O caso Panamericano ainda hoje dá dor de cabeça e seus controladores, especialmente a Caixa, que entrou no negócio, como todos sabem, por uma decisão política de Brasília. E sem ter sido alertada das fraudes que por lá havia, pelo menos é isto que seus dirigentes alegam quando cobrados. Em todos esses bancos foram encontradas fraudes, algumas mais outras menos grossas, que se realizaram ao longo de um bom tempo, não nasceram na antevéspera da intervenção. As revelações que a imprensa vem trazendo a respeito dos negócios do Cruzeiro do Sul são, no mínimo, cabeludas. No mercado também se comenta assustadamente as coisas que se passavam no BVA. Coisas medidas em bilhões de reais, um bom naco com os fundos de pensão das estatais. A pergunta que não quer calar é simples : por onde andava a fiscalização do BC todo esse tempo?
Mais benefícios
Na semana passada o governo fez mais uma modificação na regra dos compulsórios. Pode servir como uma luva num banco muito comentado atualmente, até por suas histórias paralelas no mensalão: o mineiro BMG.
Curiosidade aguçada
Depois dos balanços do trimestre encerrado em setembro dos três maiores bancos privados nacionais - Bradesco, Itaú e Santander - e do maior banco público, o BB, todos com resultados inferiores ao esperado, a grande expectativa do mercado é com os resultados da CEF. A CEF tem sido mais audaciosa que os bancos privados e até que o BB, não só na política de rebaixamento dos spreads, como também na concessão de empréstimos. O BB aumentou seus empréstimos mas teve reduzido seu lucro. A Caixa vai dar uma aula para todos os concorrentes?
O etanol em pane
O endividamento das usinas de açúcar e álcool subiu quase 25%, e está próximo dos R$ 52 bi. E a previsão é de que pode subir ainda uns R$ 5 bilhões nos próximos meses. O setor está querendo um fôlego oficial qualquer para ultrapassar a tempestade e não surgir alguns calotes. O problema mais sério está ligado ao preço da gasolina, usado pelo governo como uma das âncoras da política antiinflacionária, mas que ajuda a deprimir o preço do álcool e o caixa das usinas.
Será que vai subir?
Há dias, o ex-ministro e ex-deputado Delfim Neto, insuspeito de qualquer tipo de oposicionismo no momento, fez coro com a direção da Petrobrás, dizendo que está mais do que na hora de o governo permitir um aumento no preço da gasolina e do diesel para não garrotear ainda mais o caixa da estatal. Mas não há sinais de fumaça no ar que o reajuste esteja a caminho. Os suspiros da inflação, embora pequenos, incomodam Brasília. O espaço para o aumento dos combustíveis está sendo preparado pela redução das tarifas de energia, entre 16% e 28%, média de 20%, prometido pela presidente Dilma para fevereiro.
Uma novela: as tarifas de luz
Dilma terá mais trabalho do que imaginava para aprovar a MP 579, de prorrogação de contratos de energia elétrica, somado a redução nas contas de luz. As reações das empresas ao valor das indenizações que terão de receber e ao novo valor da tarifa, não foi das melhores. Até a Eletrobrás está chiando. Dilma diz que não admite que a MP seja desfigurada no Congresso, porém há pressões fortes das empresas e de algumas bancadas estaduais. Nos últimos dias, sinal de que o jogo pode ir longe, quem sabe numa batalha judicial, o ministério de Minas e Energia passou a admitir, por exemplo, reabrir o prazo para a estatal mineira Cemig aceitar a prorrogação de todas as suas usinas com contratos vencendo. Se abrir uma exceção para a Cemig receberá outras reivindicações. Já há quem diga que talvez a redução das contas de luz venha a ser bem menor do que o projetado.
Um alerta
A votação da redistribuição dos royalties do petróleo, quando a Câmara não atendeu a pelo menos dois desejos da presidente Dilma - destinar o dinheiro em sua totalidade para a área de educação e só adotar novos critérios para o petróleo novo, não incluindo o que já está licitado e em produção - é um alerta para o governo para as dificuldades que ele pode encontrar na hora de votar a MP 579. A Congresso jogou uma bomba no colo da presidente: se vetar desagrada, se não vetar, desagrada também. E nos dois casos o fim da confusão pode ser o STF. Porém, dependendo do correr da briga no Judiciário, o governo pode ficar impedido da realizar, no tempo prometido, licitação de novas áreas de exploração de petróleo, tanto nas áreas do pré-sal como nas outras. Há sete anos não ocorre nenhum leilão, o que está levando à diminuição das reservas nacionais e até a uma estagnação da produção brasileira. Um adiamento desses leilões já marcados - maio e novembro - mais a confusão na área elétrica, não seriam nada agradáveis com os investidores, já ressabiados com o que muitos chamam de excesso de intervencionismo e outros de excesso de voluntarismo do governo brasileiro.
Dilma e 2014
A prioridade da presidente Dilma, como ficou claro nos últimos dias, é reorganizar suas alianças políticas com vistas à disputa pela reeleição. As mudanças ministeriais em vista - a presidente diz que não é reforma, serão apenas ajustes - terá apenas este sentido. Não virá para melhorar o desempenho da equipe de governo, embora, em algum momento possa trazer tal benefício. E tudo está sendo feito de comum acordo com o presidente Lula, com quem ela teve, na terça-feira à tarde, no Palácio da Alvorada, uma conversa de longas quatro horas. Como o esquema está fechadíssimo, Brasília, que normalmente já é um poço de boatos, está fervilhando. Certo mesmo é que o prefeito Kassab ganha um Ministério - para ele ou para alguém do PSD - e o PMDB terá mais uma cadeira na Esplanada.
Não é a oposição...
...no momento a preocupação de Lula e de Dilma. PSDB, DEM e PPS precisarão primeiro encontrar um rumo antes de incomodarem o Planalto. A fera a ser acompanhada se chama Eduardo Campos. E a tática do governo parece ser dividir seu partido. A cunha são os irmãos cearenses Cid e Ciro Gomes. Ao contrário, por exemplo, do que aconteceu com o PT e o PMDB, que tiveram todas as suas cúpulas reunidas num jantar com a presidente, a conversa de Dilma com o PSB foi dividida em duas: um jantar com Eduardo Campos e um almoço com o governador do Ceará, Cid Gomes. E Dilma parece apostar que o PSD e do B vá domar o PSB.
Semana vazia
Afora os ajustes da presidente Dilma com seus aliados - ontem ela jantou com o grupo do prefeito Gilberto Kassab - a semana política, mais até do que a semana, com o feriado nacional de 15/11, e o feriado em muitos municípios do dia 20 (Dia da Consciência Negra) vai esvaziar Brasília. Afinal, como ensinava o poeta pernambucano Ascenso Ferreira, "ninguém é de ferro". Pelo menos não todos os brasileiros. Com isso, o Câmara e Senado, ficarão com pouco mais de 30 dias corridos (contando os sábados e domingos) para aprovar, entre outras coisas urgentes, algumas MPS que vão caducar até janeiro, o Orçamento Geral da União e as novas regras para o Fundo de Participação dos Estados. Dificilmente, na correria, sairá uma coisa de alta qualidade.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
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Nos últimos dois anos sete bancos foram liquidados ou sofreram intervenção do BC. A razzia começou com o Banco Panamericano, repassado para a Caixa Econômica e o BTG, e seguiu com o Cruzeiro do Sul, o Matone, o Prosper, o Schain, o Morada e, no mês passado, o BVA. O caso Panamericano ainda hoje dá dor de cabeça e seus controladores, especialmente a Caixa, que entrou no negócio, como todos sabem, por uma decisão política de Brasília. E sem ter sido alertada das fraudes que por lá havia, pelo menos é isto que seus dirigentes alegam quando cobrados. Em todos esses bancos foram encontradas fraudes, algumas mais outras menos grossas, que se realizaram ao longo de um bom tempo, não nasceram na antevéspera da intervenção. As revelações que a imprensa vem trazendo a respeito dos negócios do Cruzeiro do Sul são, no mínimo, cabeludas. No mercado também se comenta assustadamente as coisas que se passavam no BVA. Coisas medidas em bilhões de reais, um bom naco com os fundos de pensão das estatais. A pergunta que não quer calar é simples : por onde andava a fiscalização do BC todo esse tempo?
Mais benefícios
Na semana passada o governo fez mais uma modificação na regra dos compulsórios. Pode servir como uma luva num banco muito comentado atualmente, até por suas histórias paralelas no mensalão: o mineiro BMG.
Curiosidade aguçada
Depois dos balanços do trimestre encerrado em setembro dos três maiores bancos privados nacionais - Bradesco, Itaú e Santander - e do maior banco público, o BB, todos com resultados inferiores ao esperado, a grande expectativa do mercado é com os resultados da CEF. A CEF tem sido mais audaciosa que os bancos privados e até que o BB, não só na política de rebaixamento dos spreads, como também na concessão de empréstimos. O BB aumentou seus empréstimos mas teve reduzido seu lucro. A Caixa vai dar uma aula para todos os concorrentes?
O etanol em pane
O endividamento das usinas de açúcar e álcool subiu quase 25%, e está próximo dos R$ 52 bi. E a previsão é de que pode subir ainda uns R$ 5 bilhões nos próximos meses. O setor está querendo um fôlego oficial qualquer para ultrapassar a tempestade e não surgir alguns calotes. O problema mais sério está ligado ao preço da gasolina, usado pelo governo como uma das âncoras da política antiinflacionária, mas que ajuda a deprimir o preço do álcool e o caixa das usinas.
Será que vai subir?
Há dias, o ex-ministro e ex-deputado Delfim Neto, insuspeito de qualquer tipo de oposicionismo no momento, fez coro com a direção da Petrobrás, dizendo que está mais do que na hora de o governo permitir um aumento no preço da gasolina e do diesel para não garrotear ainda mais o caixa da estatal. Mas não há sinais de fumaça no ar que o reajuste esteja a caminho. Os suspiros da inflação, embora pequenos, incomodam Brasília. O espaço para o aumento dos combustíveis está sendo preparado pela redução das tarifas de energia, entre 16% e 28%, média de 20%, prometido pela presidente Dilma para fevereiro.
Uma novela: as tarifas de luz
Dilma terá mais trabalho do que imaginava para aprovar a MP 579, de prorrogação de contratos de energia elétrica, somado a redução nas contas de luz. As reações das empresas ao valor das indenizações que terão de receber e ao novo valor da tarifa, não foi das melhores. Até a Eletrobrás está chiando. Dilma diz que não admite que a MP seja desfigurada no Congresso, porém há pressões fortes das empresas e de algumas bancadas estaduais. Nos últimos dias, sinal de que o jogo pode ir longe, quem sabe numa batalha judicial, o ministério de Minas e Energia passou a admitir, por exemplo, reabrir o prazo para a estatal mineira Cemig aceitar a prorrogação de todas as suas usinas com contratos vencendo. Se abrir uma exceção para a Cemig receberá outras reivindicações. Já há quem diga que talvez a redução das contas de luz venha a ser bem menor do que o projetado.
Um alerta
A votação da redistribuição dos royalties do petróleo, quando a Câmara não atendeu a pelo menos dois desejos da presidente Dilma - destinar o dinheiro em sua totalidade para a área de educação e só adotar novos critérios para o petróleo novo, não incluindo o que já está licitado e em produção - é um alerta para o governo para as dificuldades que ele pode encontrar na hora de votar a MP 579. A Congresso jogou uma bomba no colo da presidente: se vetar desagrada, se não vetar, desagrada também. E nos dois casos o fim da confusão pode ser o STF. Porém, dependendo do correr da briga no Judiciário, o governo pode ficar impedido da realizar, no tempo prometido, licitação de novas áreas de exploração de petróleo, tanto nas áreas do pré-sal como nas outras. Há sete anos não ocorre nenhum leilão, o que está levando à diminuição das reservas nacionais e até a uma estagnação da produção brasileira. Um adiamento desses leilões já marcados - maio e novembro - mais a confusão na área elétrica, não seriam nada agradáveis com os investidores, já ressabiados com o que muitos chamam de excesso de intervencionismo e outros de excesso de voluntarismo do governo brasileiro.
Dilma e 2014
A prioridade da presidente Dilma, como ficou claro nos últimos dias, é reorganizar suas alianças políticas com vistas à disputa pela reeleição. As mudanças ministeriais em vista - a presidente diz que não é reforma, serão apenas ajustes - terá apenas este sentido. Não virá para melhorar o desempenho da equipe de governo, embora, em algum momento possa trazer tal benefício. E tudo está sendo feito de comum acordo com o presidente Lula, com quem ela teve, na terça-feira à tarde, no Palácio da Alvorada, uma conversa de longas quatro horas. Como o esquema está fechadíssimo, Brasília, que normalmente já é um poço de boatos, está fervilhando. Certo mesmo é que o prefeito Kassab ganha um Ministério - para ele ou para alguém do PSD - e o PMDB terá mais uma cadeira na Esplanada.
Não é a oposição...
...no momento a preocupação de Lula e de Dilma. PSDB, DEM e PPS precisarão primeiro encontrar um rumo antes de incomodarem o Planalto. A fera a ser acompanhada se chama Eduardo Campos. E a tática do governo parece ser dividir seu partido. A cunha são os irmãos cearenses Cid e Ciro Gomes. Ao contrário, por exemplo, do que aconteceu com o PT e o PMDB, que tiveram todas as suas cúpulas reunidas num jantar com a presidente, a conversa de Dilma com o PSB foi dividida em duas: um jantar com Eduardo Campos e um almoço com o governador do Ceará, Cid Gomes. E Dilma parece apostar que o PSD e do B vá domar o PSB.
Semana vazia
Afora os ajustes da presidente Dilma com seus aliados - ontem ela jantou com o grupo do prefeito Gilberto Kassab - a semana política, mais até do que a semana, com o feriado nacional de 15/11, e o feriado em muitos municípios do dia 20 (Dia da Consciência Negra) vai esvaziar Brasília. Afinal, como ensinava o poeta pernambucano Ascenso Ferreira, "ninguém é de ferro". Pelo menos não todos os brasileiros. Com isso, o Câmara e Senado, ficarão com pouco mais de 30 dias corridos (contando os sábados e domingos) para aprovar, entre outras coisas urgentes, algumas MPS que vão caducar até janeiro, o Orçamento Geral da União e as novas regras para o Fundo de Participação dos Estados. Dificilmente, na correria, sairá uma coisa de alta qualidade.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
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segunda-feira, 12 de novembro de 2012
domingo, 11 de novembro de 2012
sábado, 10 de novembro de 2012
APRESENTAÇÃO DO LIVRO "TROIA - UMA VIAGEM NO TEMPO"
Autoridades aqui presentes,
Senhoras e Senhores,
Boa Noite!
Apresentar um livro, para mim, é como oferecer um cardápio de entrada para um fausto banquete. É tarefa delicada. Exige habilidade. O responsável há que se esquivar da tentação do exagero. Impõe-se que cultive aquilo que os franceses chamam l’sprit de finesse (o espírito de finesse), servindo aos convidados apenas o indispensável para despertar o sistema olfativo. Com simplicidade e discrição, optar pelo petit e apontar para a mesa em que será servido o prato principal. E o principal aqui é o livro e sua autora.
Conheci a doutora Grecianny Carvalho Cordeiro no Palácio da Luz que congrega os amantes das letras abrigados sob a AMLEF – Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, aqui representados pelo nosso Presidente Seridião Montenegro e pelo General Torres de Melo, nosso confrade. À época, ela já tinha escriturado o seu romance inaugural, Anjo Caído, que nos sacode com a história de Maria, jovem de alma marcada pelas feridas da exploração sexual. Exibindo a Carteira Profissional de quem resolveu se dedicar ao ofício de promover a justiça, conquistou-nos com seu rosto angelical, sua alma generosa, o coração em festa, a límpida fronte. Mãe e mestra, pisou no tablado acadêmico com seu andar libertário. Na qualidade de custus legis, fiscal da cidadania feita ternura, afeiçoou-se ao nosso convívio para nos lembrar a obediência aos Estatutos da Paz e à Legislação do Amor.
Hoje a romancista Grecianny nos mimoseia com mais um trabalho de fulgor e fôlego, de fascínio e fantasia: Troia – uma viagem no tempo. Com indizível felicidade escolheu um dos mais ricos e populares conflitos bélicos da história para reescrever com a tinta de sua genialidade. Montou uma passarela literária em que desfilam as figuras mitológicas da famosa narrativa. Como uma prestidigitadora montou um show mágico em que a roda da história se inverte e o futuro visita o passado. O brasileiro Mário é acordado por Cassandra em pleno Templo de Apolo. Grecianny organizou um baile de fantasias em que o factual e o quimérico ocupam a mesma pista de dança.
Tenda ou Lenda, matéria real ou arroubo mitológico, a Guerra de Troia se constitui um dos eventos mais arraigados no inconsciente coletivo da humanidade. Seja pela inserção nos pergaminhos históricos ou pela mera tradição popular da transmissão oral, a narrativa poetizada por Homero ganhou a simpatia universal. Expressões como “gregos e troianos” (protagonistas da cizânia), “o calcanhar de Aquiles” (que era invulnerável em todo o seu corpo, exceto no calcanhar), “presente de grego” (que é usada para se referir a um presente dado com más intenções ou que, ao invés de nos deixar felizes, causa frustração) e outras mais se incorporaram ao cotidiano geral.
Confesso que estamos diante de uma obra de sabedoria. Ou melhor, um livro saboroso. Sabedoria (em latim, sagasse) encontra, também no latim, a sapientia, que significa conhecimento saboroso. E sapere, em latim, tem o duplo sentido de “saber” e “ter sabor”.
Vejam, por exemplo, como é descrita Helena, a formosa e famosa, bela e estonteante Helena na página 25...
Desaprumado semeador de versos, desafinado aprendiz de poeta, sempre cedi aos espasmos da estupefação em relação aos romancistas. Eles me despertam certa inveja admirativa.
Apesar de ambos perscrutarem as grutas da transcendência, há entre o poeta e o romancista diferenças essenciais. O poeta produz o vôo rápido, o raio meditativo, a faísca genial, o relâmpago do achado, a centelha da alegria. O romancista é o condoreiro do vôo demorado, o arquiteto do edifício meticuloso, o mantenedor da sustentabilidade inventiva. O poeta acende o êxtase com o palito de fósforo e parte; o romancista senta-se no terreiro e descreve o crepitar de cada pedaço de madeira da imensa fogueira.
Poetas, admitamos: os romancistas alçam vôos mais altos que nós. É óbvio que há exceções.
Neftali Ricardo Reyes Basoalto, que o mundo conheceu como Pablo Neruda, o mais caloroso poeta que o frio austral do Chile produziu, escreveu um poema-romance em que cantou os rios caudalosos e as imensas florestas da nossa América. No seu Canto Geral festejou nossos bosques e avenidas, amaldiçoou os pequenos déspotas e louvou os libertadores de nossa latino América.
O cearense Gerardo Mello Mourão, o maior poeta do século XX segundo a Guilda Órfica Européia, foi outro que construiu um império poético digno das melhores civilizações romanceadas. Com sua dicção refinada, Mello Mourão nos brindou com Invenção do Mar, a epopéia da nacionalidade brasileira. Neruda e Gerardo, que foram contemporâneos e amigos, constituem monstros sagrados excepcionais que apenas atestam a veracidade da regra: os romancistas são maiores que os poetas. Não por acaso François Mauriac dizia que “o romancista é, de todos os homens, aquele que mais se parece com Deus: ele é o imitador de Deus”.
Aprendiz de poeta, vim aqui apenas para reverenciar a romancista da nossa AMLEF e incitá-los a saborear este delicioso livro. Confesso-lhes que, definitivamente, este não é um presente de grego!
(Júnior Bonfim, no lançamento do Livro “Troia – Uma Viagem no Tempo”, de autoria de Grecianny Carvalho Cordeiro, na noite de 09.11.2012, no auditório da Procuradoria Geral de Justiça do Ceará)
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Meu caro Júnior Bonfim,
Li sua bem escrita apresentação do livro "Troia - uma viagem no tempo", de autoria da Dra. Grecianny Cordeiro, a qual ainda não conheço.
Parabéns. Quer queira, quer não queira, você se está revelando um monstro sagrado da Literatura cearense; senão do Brasil, quiçá do mundo.
Custa-me muito, no desfrute do abençoado "otium cum dignitate", desprender-me do aconchego de um lar coberto de carinho e livros, mas assistir a qualquer apresentação de obra literária, lavrada e declamada por você, vale a pena.
Vou ler o livro da Dra. Grecianny para recordar os tempos de estudo do grego, ocasião em que analisamos Ilíada e Odisseia de Homero.
Pela sinopse do currículo da Dra. Grecianny e pela foto dela inserida no seu Blog, vejo que ela é uma das brilhantes mulheres que conseguem quebrantar a corrente do obscurantista preconceito de que beleza e inteligência não se harmonizam.
Saúde e Paz,
Boaventura Bonfim
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
TROIA - UMA VIAGEM NO TEMPO
A promotora de Justiça Grecianny Carvalho Cordeiro vai lançar hoje, sexta-feira, dia 9 de novembro de 2012, o livro intitulado “Troia – uma viagem no tempo”. O lançamento acontece a partir das 19 horas, no auditório da Procuradoria Geral de Justiça, na Rua Assunção, 1100, José Bonifácio. O evento é promovido pela Procuradoria Geral de Justiça - PGJ - em parceria com o grupo editorial Scortecci.
O romance, escrito em 247 páginas, aborda o universo de Homero e da Guerra de Troia, desencadeada pelo rapto da bela Helena pelo príncipe troiano Páris. O livro percorre os bastidores do conflito, que durou dez anos, e convida o leitor a um mundo de aventuras que mescla fantasia, suspense, ação e romance.
Grecianny Carvalho Cordeiro também é autora dos livros “Penas Alternativas – uma abordagem prática” (Ed. Freitas Bastos, RJ, 2003), “Privatização do Sistema Prisional Brasileiro” (Ed. Freitas Bastos, RJ, 2006) e “Anjo Caído” (Ed. ABC, Fortaleza). Ela ingressou no Ministério Público em 1997 e possui dois mestrados em Direito Público – pela Universidade Federal do Ceará (2005) e pela Universidade de Fortaleza (2007). Grecianny também é membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
SOBRE O AMOR
O amor é um sentimento destinado à felicidade, tanto quanto ao
sofrimento e também à doação. Se você ama (melhor seria dizer: se você
é capaz de amar), não espere só grandes recompensas, respostas
otimistas. Amar é apesar.
Amor é o sentimento que se instala a partir do primeiro tédio. Amor
não é o que nos atrai em alguém. Isso é atração, paixão, ou qualquer
coisa parecida.
Amor é o que nos mantém unidos.
Quando menos sentimentos exaltados, mais amor, união e durabilidade.
O amor é um sentimento embaraçado nas raízes fundas do sentimento.
Quem ama nem tem consciência dessas raízes. Teme-as. Prefere não
vê-las.
Porque vê-las será revelar-se. E revelar-se assusta.
O amor é também o sentimento misturado com rejeição, raiva, irritação,
convivência, desinteresse, tédio, o vazio a dois, o sumiço da paixão e
as emoções mais intensas.
Ele é tão grande, tão pleno, tão poderoso e incrível que resiste a
tudo isso, inclusive as impossibilidades, estranho veneno que o
alimenta. Mas isso é amor dodói. Amor saudável é apenas bom.
Você não deixa de amar apenas porque já não gosta igual ou não sente a
mesma atração. Talvez só agora você comece a ficar madura o suficiente
para poder começar a amar.
Pessoas que se atraem à perdição talvez ainda nem começaram a se amar.
Enquanto apenas se atraírem, não alcançarão o amor. Alcançar o amor
tem tanto de renúncia quanto de alegria, felicidade ou glória. Sim, a
felicidade pessoal é compatível com o amor. Infelicidade, jamais. Mas
amor é sério demais para almejar apenas felicidade. O amor visa a
eternidade. A felicidade é apenas um caminho para ela.
Assim como é preciso alguma crueldade para viver. Assim como há sempre
alguma agressão embrulhada em qualquer vitória, assim, também, a
alegria precisa de alguma inconseqüência. Sem esta, restará apenas a
lucidez, que é sempre repleta de ''trágicos deveres''. Libertando-nos
da plena consciência, a inconseqüência nos permite alguma alegria. Já
felicidade é outro assunto. Está no campo do amor.
Felicidade ganha de alegria assim como amor ganha de paixão. Mesmo
quando venha nesta embrulhado.
(Artur da Távola)
******************************************************
O amor, JB?
É uma ilusão criada pela mente, que ludibria o coração e faz o corpo padecer. Just it.
Paulo Nazareno
sofrimento e também à doação. Se você ama (melhor seria dizer: se você
é capaz de amar), não espere só grandes recompensas, respostas
otimistas. Amar é apesar.
Amor é o sentimento que se instala a partir do primeiro tédio. Amor
não é o que nos atrai em alguém. Isso é atração, paixão, ou qualquer
coisa parecida.
Amor é o que nos mantém unidos.
Quando menos sentimentos exaltados, mais amor, união e durabilidade.
O amor é um sentimento embaraçado nas raízes fundas do sentimento.
Quem ama nem tem consciência dessas raízes. Teme-as. Prefere não
vê-las.
Porque vê-las será revelar-se. E revelar-se assusta.
O amor é também o sentimento misturado com rejeição, raiva, irritação,
convivência, desinteresse, tédio, o vazio a dois, o sumiço da paixão e
as emoções mais intensas.
Ele é tão grande, tão pleno, tão poderoso e incrível que resiste a
tudo isso, inclusive as impossibilidades, estranho veneno que o
alimenta. Mas isso é amor dodói. Amor saudável é apenas bom.
Você não deixa de amar apenas porque já não gosta igual ou não sente a
mesma atração. Talvez só agora você comece a ficar madura o suficiente
para poder começar a amar.
Pessoas que se atraem à perdição talvez ainda nem começaram a se amar.
Enquanto apenas se atraírem, não alcançarão o amor. Alcançar o amor
tem tanto de renúncia quanto de alegria, felicidade ou glória. Sim, a
felicidade pessoal é compatível com o amor. Infelicidade, jamais. Mas
amor é sério demais para almejar apenas felicidade. O amor visa a
eternidade. A felicidade é apenas um caminho para ela.
Assim como é preciso alguma crueldade para viver. Assim como há sempre
alguma agressão embrulhada em qualquer vitória, assim, também, a
alegria precisa de alguma inconseqüência. Sem esta, restará apenas a
lucidez, que é sempre repleta de ''trágicos deveres''. Libertando-nos
da plena consciência, a inconseqüência nos permite alguma alegria. Já
felicidade é outro assunto. Está no campo do amor.
Felicidade ganha de alegria assim como amor ganha de paixão. Mesmo
quando venha nesta embrulhado.
(Artur da Távola)
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O amor, JB?
É uma ilusão criada pela mente, que ludibria o coração e faz o corpo padecer. Just it.
Paulo Nazareno
terça-feira, 6 de novembro de 2012
OBSERVATÓRIO
Antonio Osvaldo Oliveira, que ganhou simpatia popular como “Osvaldo Panelada”, foi comerciante por muitos anos no Mercado Público de Crateús e exerceu mandato de vereador na cidade nas décadas de 1980 e 1990. Com um fenótipo similar ao de José Sarney, Osvaldo tinha base eleitoral na zona urbana e nos distritos de Ibiapaba e Poty, onde deitava raízes. Na eleição de 1992, vinha descendo do palanque em um comício no bairro Altamira quando foi cercado por um grupo de jovens. Um deles, certamente líder do grupo, com ar de espertalhão e sotaque de malandro, iniciou o assédio: - Vereadorrr... Osvaldo respondeu laconicamente: - Oba! O sujeito foi direto ao ponto: - Vereador, arruma aí cinco conto prá gente comprar um litro de cana... A resposta: - Tenho não. O sujeito, em tom de censura e exaltado, falou: - Oh! Vereador fraco! Osvaldo arregalou os olhos, aumentou ainda mais o timbre da voz e fulminou: - Fraco é você, que está me pedindo. Eu não estou lhe pedindo nada! E seguiu adiante, deixando o grupo embasbacado.
A ELEIÇÃO
Sem saber, Osvaldo foi precursor de uma relação entre candidato e eleitor marcada pela ausência de pieguismo. Apesar de bonachão e camarada, Panelada não tinha papa na língua. Ao contrário da maioria dos seus colegas, que se submetiam aos achaques e chantagens dos eleitores, Osvaldo costumava dizer que líder era para liderar e não, ser liderado. Tratava de maneira sincera o eleitorado.
A ELEIÇÃO II
A eleição deste ano deixou um saldo positivo: há um avanço na relação política. Gesta-se um vigoroso processo de conscientização. É crescente e numeroso o contingente de eleitores que está votando a partir de uma análise criteriosa, sem pedir migalhas ou favores pessoais. No entanto, ainda existe uma considerável parcela da população cativa do modelo antigo, que faz do voto um objeto de transação comercial. A legislação evoluiu na punição de políticos que “compram voto”. Mas também temos que ficar atentos para a figura típica da “venda de voto”. Não merece censura apenas o político que compra, mas também o eleitor que vende o voto.
CONJECTURAS
O calendário eleitoral é imperativo, sequencial, concatenado. De dois em dois anos ocorre eleição e, normalmente, uma guarda relação com outra. Mal termina uma e já se aciona a fábrica especulativa das seguintes. Quem se habilita para a próxima? Nas oposições majoritárias, é óbvio que Ivan se credenciou para uma recandidatura. Foi para o sacrifício agora e é o nome natural para o futuro. Deverá fazer um trabalho de manter acesa a militância. Há um consenso de que se o seu nome estivesse habilitado há mais tempo já teria sido vitorioso este ano.
CONJECTURAS II
No grupo da situação, especula-se que para a sucessão os nomes mais destacados são o de Elder Leitão e Mauro Soares. Os dois, no entanto, enfrentam um obstáculo: não pertencem ao partido do Prefeito. No PCdoB há nomes de peso, como os médicos Pierre e Nonato Melo.
GESTÃO
Para eleger um sucessor, salta aos olhos que o Prefeito terá que exibir bons índices de aprovação popular. Para isso, urge que promova uma guinada na gestão. Seu primeiro mandato, apesar de operoso em algumas áreas, atraiu uma expressiva antipatia em outras. O que fazer, então? Dispensa maiores esforços de análise para se concluir que há necessidade de um choque de gestão. Um corte drástico nas gorduras financeiras, redefinindo o funcionamento da máquina. Regularização do quadro de pessoal através de concurso público, eliminando excessos, extirpando o apadrinhamento político e a proeminência familiar. É hora de profissionalizar a gestão, zerar as dívidas e priorizar investimentos. Outra ação reclamada é a efetivação da transparência. Ser transparente é mais do que prestar contas formalmente. É tornar todas as informações essenciais acessíveis ao olho crítico do cidadão comum. Mais à frente, em edição seguinte, pontuaremos outras questões que desafiam a governança local.
ADVOGADOS
A região de Crateús perdeu recentemente dois advogados: João Facundes Gomes Neto, 49 anos, munícipe da cidade de Independência e Francisco Bonfim Neto, 62 anos, que residia em Crateús. Ambos pertenciam à mesma oiticica familiar fundada por Alexandre Ferreira Bonfim. Do João Facundes recordo o espírito de luta, a militância política, a combatividade permanente. Agia com destemor. Nada o detinha no exercício da profissão: nenhum receio de desagradar a magistrado ou a qualquer autoridade, muito menos de incorrer em impopularidade. Neto Bonfim deixou um legado de superação. Há alguns anos vivia como quem abandonara o gosto vital. A bebida consumia a sua saúde pessoal e o prestígio profissional. Estava no fundo do poço da solidão. Dessa situação extrema se reergueu. Abandonou os excessos e retomou a rotina laboral. Erigiu uma das mais expressivas bancas advocatícias da região e foi bafejado pelos ventos da fortuna material.
PARA REFLETIR
“As pessoas mais felizes são aquelas que conhecem a alegria de trabalhar e estudar. O trabalho e os estudos são os meios pelos quais o Homem, ao mesmo tempo que beneficia outras pessoas e o mundo, beneficia também a si mesmo, progredindo e experimentando uma imensa alegria em seu Coração”. (Masaharu Taniguchi)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
A ELEIÇÃO
Sem saber, Osvaldo foi precursor de uma relação entre candidato e eleitor marcada pela ausência de pieguismo. Apesar de bonachão e camarada, Panelada não tinha papa na língua. Ao contrário da maioria dos seus colegas, que se submetiam aos achaques e chantagens dos eleitores, Osvaldo costumava dizer que líder era para liderar e não, ser liderado. Tratava de maneira sincera o eleitorado.
A ELEIÇÃO II
A eleição deste ano deixou um saldo positivo: há um avanço na relação política. Gesta-se um vigoroso processo de conscientização. É crescente e numeroso o contingente de eleitores que está votando a partir de uma análise criteriosa, sem pedir migalhas ou favores pessoais. No entanto, ainda existe uma considerável parcela da população cativa do modelo antigo, que faz do voto um objeto de transação comercial. A legislação evoluiu na punição de políticos que “compram voto”. Mas também temos que ficar atentos para a figura típica da “venda de voto”. Não merece censura apenas o político que compra, mas também o eleitor que vende o voto.
CONJECTURAS
O calendário eleitoral é imperativo, sequencial, concatenado. De dois em dois anos ocorre eleição e, normalmente, uma guarda relação com outra. Mal termina uma e já se aciona a fábrica especulativa das seguintes. Quem se habilita para a próxima? Nas oposições majoritárias, é óbvio que Ivan se credenciou para uma recandidatura. Foi para o sacrifício agora e é o nome natural para o futuro. Deverá fazer um trabalho de manter acesa a militância. Há um consenso de que se o seu nome estivesse habilitado há mais tempo já teria sido vitorioso este ano.
CONJECTURAS II
No grupo da situação, especula-se que para a sucessão os nomes mais destacados são o de Elder Leitão e Mauro Soares. Os dois, no entanto, enfrentam um obstáculo: não pertencem ao partido do Prefeito. No PCdoB há nomes de peso, como os médicos Pierre e Nonato Melo.
GESTÃO
Para eleger um sucessor, salta aos olhos que o Prefeito terá que exibir bons índices de aprovação popular. Para isso, urge que promova uma guinada na gestão. Seu primeiro mandato, apesar de operoso em algumas áreas, atraiu uma expressiva antipatia em outras. O que fazer, então? Dispensa maiores esforços de análise para se concluir que há necessidade de um choque de gestão. Um corte drástico nas gorduras financeiras, redefinindo o funcionamento da máquina. Regularização do quadro de pessoal através de concurso público, eliminando excessos, extirpando o apadrinhamento político e a proeminência familiar. É hora de profissionalizar a gestão, zerar as dívidas e priorizar investimentos. Outra ação reclamada é a efetivação da transparência. Ser transparente é mais do que prestar contas formalmente. É tornar todas as informações essenciais acessíveis ao olho crítico do cidadão comum. Mais à frente, em edição seguinte, pontuaremos outras questões que desafiam a governança local.
ADVOGADOS
A região de Crateús perdeu recentemente dois advogados: João Facundes Gomes Neto, 49 anos, munícipe da cidade de Independência e Francisco Bonfim Neto, 62 anos, que residia em Crateús. Ambos pertenciam à mesma oiticica familiar fundada por Alexandre Ferreira Bonfim. Do João Facundes recordo o espírito de luta, a militância política, a combatividade permanente. Agia com destemor. Nada o detinha no exercício da profissão: nenhum receio de desagradar a magistrado ou a qualquer autoridade, muito menos de incorrer em impopularidade. Neto Bonfim deixou um legado de superação. Há alguns anos vivia como quem abandonara o gosto vital. A bebida consumia a sua saúde pessoal e o prestígio profissional. Estava no fundo do poço da solidão. Dessa situação extrema se reergueu. Abandonou os excessos e retomou a rotina laboral. Erigiu uma das mais expressivas bancas advocatícias da região e foi bafejado pelos ventos da fortuna material.
PARA REFLETIR
“As pessoas mais felizes são aquelas que conhecem a alegria de trabalhar e estudar. O trabalho e os estudos são os meios pelos quais o Homem, ao mesmo tempo que beneficia outras pessoas e o mundo, beneficia também a si mesmo, progredindo e experimentando uma imensa alegria em seu Coração”. (Masaharu Taniguchi)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
O SENTIMENTO DE PERTENCE
Para que servem as fotos? Por que guardamos - no compartimento do carinho, na alcova da nostalgia - os álbuns fotográficos?
Os retratos constituem pedaços do quebra-cabeça da nossa trajetória existencial. Embora coladas às folhas de um álbum, as fotos não estão presas. Quando as contemplamos, somos arrastados por suas asas mágicas e transportados para o momento que elas registram.
O mesmo ocorre com as urbes. Somatório de individualidades, conjunção de prédios, colares geográficos, artefatos do gênio humano, as cidades são como as pessoas. Quando uma cidade é bem cuidada, transpira alegria; vítima do descuido, açoitada pelo descaso, derrama lágrimas!
Assim como os seres, as cidades possuem registro memorial. Um prédio antigo é mais que um ajuntamento calcário, uma orquestra de tijolo ou um encadeamento de concreto: é o assentamento de um tempo histórico, a fotografia de um conceito geracional, a exibição de um estilo arquitetônico predominante em determinado período.
Sem embargo, uma das notícias que mais me comoveram nos últimos tempos foi a que deu conta de um movimento em defesa daquele casarão octogenário estratégica e imponentemente encravado em uma esquina das ruas Coronel Lúcio com Barão do Rio Branco.
Segundo o relato disponibilizado na internet pela lavra do Presidente da Academia de Letras de Crateús, Elias de França, aquela casa-castelo seria derrubada “na calada da noite”. E acrescenta os detalhes da ação e da reação: “As máquinas já puxavam a cabos de aço as velhas e belas paredes, quando lá chegamos. Mergulhamos na nuvem de poeira e nos metemos entre a pobre casa e as máquinas. Estávamos há 13 dias da eleição. Entre nós havia dois candidatos. Fomos mal compreendidos, acusados de ato politiqueiro. Padecemos a hostilidade dos representantes dos proprietários e das equipes contratadas para fazer o serviço. Alguns populares que assistiam à demolição gritavam aos operadores das maquinas frases como “derruba tudo por cima desses baderneiros!” No dia seguinte, ouvimos nas emissoras de rádio da cidade muitas opiniões a respeito do acontecido. A maioria nos acusava de “querer se apoderar do que é alheio”, achavam que “o que vale é o direito de quem comprou”.
Ainda no dia seguinte, o Ministério Público Estadual impetrou ação judicial cautelar requerendo a preservação do bem histórico-cultural. E enfim, hoje, a exato um mês, dia 24 de outubro de 2012, o direito à memória histórica, a este tão importante bem imaterial, foi, pela primeira vez na história desta cidade, formal e expressamente reconhecido. E melhor: mediante acordo entre as partes.
Estão de parabéns todos que tomaram parte deste ato heróico e histórico. (...)
E podemos escrever: daquele dia em diante, nenhum prédio histórico da cidade de Crateús haverá de ser destruído. Porque agora é outra história”.
Esta bandeira, içada no platô das consciências, tremulando sob o vento da cidadania crateuense, revela uma inflexão essencial para o despertar de um novo sentimento: o sentimento de pertence. Quando nos sentimos parte da cidade e a tratamos como um pedaço ou extensão de nós mesmos, tudo se transforma.
Altera-se nossa maneira de olhar o corpo geográfico, o desenho das construções, a distribuição espacial. Desenvolvemos a sensibilidade ambiental. Imagine-se cuidando do rio e das suas margens como quem zela pelo jardim de casa.
Miramos os prédios antigos como quem contempla uma fotografia da infância: com o olhar carinhoso da preservação de uma relíquia. E invertemos a escala dos valores, a hierarquia dos conceitos: moderno é o que amolda ao eterno. Avançado é o que não destrói o passado!
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
Os retratos constituem pedaços do quebra-cabeça da nossa trajetória existencial. Embora coladas às folhas de um álbum, as fotos não estão presas. Quando as contemplamos, somos arrastados por suas asas mágicas e transportados para o momento que elas registram.
O mesmo ocorre com as urbes. Somatório de individualidades, conjunção de prédios, colares geográficos, artefatos do gênio humano, as cidades são como as pessoas. Quando uma cidade é bem cuidada, transpira alegria; vítima do descuido, açoitada pelo descaso, derrama lágrimas!
Assim como os seres, as cidades possuem registro memorial. Um prédio antigo é mais que um ajuntamento calcário, uma orquestra de tijolo ou um encadeamento de concreto: é o assentamento de um tempo histórico, a fotografia de um conceito geracional, a exibição de um estilo arquitetônico predominante em determinado período.
Sem embargo, uma das notícias que mais me comoveram nos últimos tempos foi a que deu conta de um movimento em defesa daquele casarão octogenário estratégica e imponentemente encravado em uma esquina das ruas Coronel Lúcio com Barão do Rio Branco.
Segundo o relato disponibilizado na internet pela lavra do Presidente da Academia de Letras de Crateús, Elias de França, aquela casa-castelo seria derrubada “na calada da noite”. E acrescenta os detalhes da ação e da reação: “As máquinas já puxavam a cabos de aço as velhas e belas paredes, quando lá chegamos. Mergulhamos na nuvem de poeira e nos metemos entre a pobre casa e as máquinas. Estávamos há 13 dias da eleição. Entre nós havia dois candidatos. Fomos mal compreendidos, acusados de ato politiqueiro. Padecemos a hostilidade dos representantes dos proprietários e das equipes contratadas para fazer o serviço. Alguns populares que assistiam à demolição gritavam aos operadores das maquinas frases como “derruba tudo por cima desses baderneiros!” No dia seguinte, ouvimos nas emissoras de rádio da cidade muitas opiniões a respeito do acontecido. A maioria nos acusava de “querer se apoderar do que é alheio”, achavam que “o que vale é o direito de quem comprou”.
Ainda no dia seguinte, o Ministério Público Estadual impetrou ação judicial cautelar requerendo a preservação do bem histórico-cultural. E enfim, hoje, a exato um mês, dia 24 de outubro de 2012, o direito à memória histórica, a este tão importante bem imaterial, foi, pela primeira vez na história desta cidade, formal e expressamente reconhecido. E melhor: mediante acordo entre as partes.
Estão de parabéns todos que tomaram parte deste ato heróico e histórico. (...)
E podemos escrever: daquele dia em diante, nenhum prédio histórico da cidade de Crateús haverá de ser destruído. Porque agora é outra história”.
Esta bandeira, içada no platô das consciências, tremulando sob o vento da cidadania crateuense, revela uma inflexão essencial para o despertar de um novo sentimento: o sentimento de pertence. Quando nos sentimos parte da cidade e a tratamos como um pedaço ou extensão de nós mesmos, tudo se transforma.
Altera-se nossa maneira de olhar o corpo geográfico, o desenho das construções, a distribuição espacial. Desenvolvemos a sensibilidade ambiental. Imagine-se cuidando do rio e das suas margens como quem zela pelo jardim de casa.
Miramos os prédios antigos como quem contempla uma fotografia da infância: com o olhar carinhoso da preservação de uma relíquia. E invertemos a escala dos valores, a hierarquia dos conceitos: moderno é o que amolda ao eterno. Avançado é o que não destrói o passado!
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
domingo, 4 de novembro de 2012
EU QUERO APENAS - ROBERTO CARLOS
Composição : Roberto Carlos / Erasmo Carlos
Eu quero apenas olhar os campos,
Eu quero apenas cantar meu canto,
Eu só não quero cantar sozinho,
Eu quero um coro de passarinho,
Quero levar o meu canto amigo,
A qualquer amigo que precisar.
(Refrão)
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar
Eu quero apenas um vento forte,
Levar meu barco no rumo norte
E no caminho o que eu pescar
Quero dividir quando lá chegar
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar
(Refrão)
Eu quero crer na paz do futuro,
Eu quero ter um quintal sem muro
Quero meu filho pisando firme,
Cantando alto, sorrindo livre
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar
(Refrão)
Eu quero amor decidindo a vida,
Sentir a força da mão amiga
O meu irmão com sorriso aberto,
Se ele chorar quero estar por perto
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar
(Refrão)
Venha comigo olhar os campos,
Cante comigo também meu canto
Eu só não quero cantar sozinho,
Eu quero um coro de passarinhos
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar
(Refrão 2x)
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
O DIA DE FINADOS!
Sempre às vésperas do dia em que celebramos os que deixaram o nosso convívio, direcionamos a nossa atenção para a mesma coisa: a estrutura física do campo santo, o estado de conservação dos túmulos etc.
Raramente, ousamos reflexionar além disso; dificilmente, adentramos no âmago da questão: qual o sentido da existência, qual o verdadeiro significado da vida, por que resistimos à morte?
Os ocidentais temos muita dificuldades de tratar desse tema. Em que pese as vistosas conquistas que temos obtido na esfera tecnológica, ainda tratamos o tema da morte como um tabu. Ensinam-nos a negar a morte e a internalizar que ela nada significa, a não ser aniquilação e perda. Vivemos a negá-la. (Para ser sincero, eu mesmo via de regra resisto em escrever sobre o assunto...).
É tão forte e arraigado este pré-conceito que falar da morte é considerado algo mórbido, e – pasmem! - corriqueiramente julgamos que a simples menção a ela pode atraí-la sobre nós.
Noutro extremo, há também quem encare a morte de maneira quase ingênua, frívola ou irracional: “se chega para todo mundo, não é nada de mais. Vai chegar prá mim também. É absolutamente natural”.
Ambas atitudes estão pouco próximas da compreensão do verdadeiro significado da morte.
O professor Sogyal Rinpoche, que nasceu no Tibet e é um dos pioneiros na promoção do diálogo entre a Ciência e a Espiritualidade, leciona que “todas as tradições espirituais do mundo, inclusive, é claro, o cristianismo, dizem explicitamente que a morte não é um fim. Todas falam em algum tipo de vida futura, o que infunde em nossa vida atual um sentido sagrado. Mas, não obstante esses ensinamentos, a sociedade moderna é um deserto espiritual em que a maioria imagina que esta vida é tudo que existe. Sem qualquer fé autêntica numa vida futura, a maioria das pessoas vive toda a sua existência destituída de um sentido supremo”.
Segundo o mestre budista, são desastrosos os efeitos dessa atitude de negação da morte. Vão além da esfera individual, afetam o planeta inteiro. Supondo que esta vida é única, não desenvolvemos uma visão de longo prazo e, tomados pelo egoísmo, passamos a saquear o planeta em que vivemos para atingir nossas metas imediatas. E isso pode ser fatal no futuro.
Neste dia de finados (que deveria ter outro nome, pois finados diz respeito a falecido e encerra uma compreensão da morte com “fim” – o que não é o caso), alimentemos, como Raymond Moody, a forte e viva esperança de que há, de fato, uma “vida após a vida”.
(Júnior Bonfim, em "Amores e Clamores da Cidade")
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
DUAS HISTÓRIAS EMOCIONANTES E EDIFICANTES
HISTÓRIA NÚMERO UM
Há muitos anos, Al Capone controlava virtualmente Chicago. Capone não era famoso por nenhum ato heróico. Ele era notório por empastar a cidade com tudo relativo a contrabando, bebida, prostituição e assassinatos.
Capone tinha um advogado apelidado ‘Easy Eddie’. Era o seu advogado por um excelente motivo. Eddie era muito bom! Sua habilidade, manobrando no cipoal legal, manteve Al Capone fora da prisão por muito tempo.
Para mostrar seu apreço, Capone lhe pagava muito bem. Não só o dinheiro era grande, como Eddie também tinha vantagens especiais. Por exemplo, ele e a família moravam em uma mansão protegida, com todas as conveniências possíveis. A propriedade era tão grande que ocupava um quarteirão inteiro em Chicago. Eddie vivia a vida da alta roda de Chicago, mostrando pouca preocupação com as atrocidades que ocorriam à sua volta.
No entanto, Easy Eddie tinha um ponto fraco. Ele tinha um filho que amava afetuosamente. Eddie cuidava que seu jovem filho tivesse o melhor de tudo: roupas, carros e uma excelente educação. Nada era poupado. Preço não era objeção. E, apesar do seu envolvimento com o crime organizado, Eddie tentou lhe ensinar o que era certo e o que era errado. Eddie queria que seu filho se tornasse um homem melhor que ele.
Mesmo assim, com toda a sua riqueza e influência, havia duas coisas que ele não podia dar ao filho: ele não podia transmitir-lhe um nome bom ou um bom exemplo. Um dia, o Easy Eddie chegou a uma decisão difícil. Easy Eddie tentou corrigir as injustiças de que tinha participado.
Ele decidiu que iria às autoridades e contaria a verdade sobre Al ‘Scarface‘ Capone, limpando o seu nome manchado e oferecendo ao filho alguma semelhança de integridade. Para fazer isto, ele teria que testemunhar contra a quadrilha, e sabia que o preço seria muito alto. Ainda assim, ele testemunhou. Em um ano, a vida de Easy Eddie terminou em um tiroteio em uma rua de Chicago.
Mas aos olhos dele, ele tinha dado ao filho o maior presente que poderia oferecer, ao maior preço que poderia pagar. A polícia recolheu em seus bolsos um rosário, um crucifixo, uma medalha religiosa e um poema, recortado de uma revista. O poema:
‘O relógio de vida recebe corda apenas uma vez e nenhum homem tem o poder de decidir quando os ponteiros pararão, se mais cedo ou mais tarde.
Agora é o único tempo que você possui. Viva, ame e trabalhe com vontade. Não ponha nenhuma esperança no tempo, pois o relógio pode parar a qualquer momento.’
HISTÓRIA NÚMERO DOIS
A Segunda Guerra Mundial produziu muitos heróis. Um deles foi o Comandante Butch O’Hare. Ele era um piloto de caça, operando no porta-aviões Lexington, no Pacífico Sul.
Um dia, o seu esquadrão foi enviado em uma missão. Quando já estavam voando, ele notou pelo medidor de combustível que alguém tinha esquecido de encher os tanques. Ele não teria combustível suficiente para completar a missão e retornar ao navio. O líder do voo o instruiu a voltar ao porta-aviões. Relutantemente, ele saiu da formação e iniciou a volta à frota.
Quando estava voltando ao navio-mãe viu algo que fez seu sangue gelar: um esquadrão de aviões japoneses voava na direção da frota americana. Com os caças americanos afastados da frota, ela ficaria indefesa ao ataque. Ele não podia alcançar seu esquadrão nem avisar a frota da aproximação do perigo. Havia apenas uma coisa a fazer. Ele teria que desviá-los da frota de alguma maneira.
Afastando todos os pensamentos sobre a sua segurança pessoal, ele mergulhou sobre a formação de aviões japoneses. Seus canhões de calibre 50, montados nas asas, disparavam enquanto ele atacava um surpreso avião inimigo e em seguida outro. Butch costurou dentro e fora da formação, agora rompida e incendiou tantos aviões quanto possível, até que sua munição finalmente acabou. Ainda assim, ele continuou a agressão.
Mergulhava na direção dos aviões, tentando destruir e danificar tantos aviões inimigos quanto possível, tornando-os impróprios para voar. Finalmente, o exasperado esquadrão japonês partiu em outra direção. Profundamente aliviado, Butch O’Hare e o seu avião danificado se dirigiram para o porta-aviões.
Logo à sua chegada ele informou seus superiores sobre o acontecido. O filme da máquina fotográfica montada no avião contou a história com detalhes. Mostrou a extensão da ousadia de Butch em atacar o esquadrão japonês para proteger a frota. Na realidade, ele tinha destruído cinco aeronaves inimigas. Isto ocorreu no dia 20 de fevereiro de 1942, e por aquela ação Butch se tornou o primeiro Ás da Marinha na 2ª Guerra Mundial, e o primeiro Aviador Naval a receber a Medalha Congressional de Honra.
No ano seguinte Butch morreu em combate aéreo com 29 anos de idade. Sua cidade natal não permitiria que a memória deste herói da 2ª Guerra desaparecesse, e hoje, o Aeroporto O’Hare, o principal de Chicago, tem esse nome em tributo à coragem deste grande homem.
Assim, se porventura você passar no O’Hare International, pense nele e vá ao Museu comemorativo sobre Butch, visitando sua estátua e a Medalha de Honra. Fica situado entre os Terminais 1 e 2.
O que têm estas duas histórias de comum entre elas?
Butch O’Hare era o filho de Easy Eddie.
(texto enviado pelo Professor Leudo)
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
CONJUNTURA NACIONAL
Abro a Coluna com o registro da morte do Jornal da Tarde. Luciano Ornelas, que vivenciou o ciclo glorioso do JT, selecionou dois trechos de uma brilhante síntese feita pelo arguto e (sempre bem humorado) Carlos Brickmann para o Observatório da Imprensa. Peço licença, Carlinhos
"Éramos todos jovens, muitos de nós brilhantes, a maioria absoluta de indiscutível competência. Errávamos muito, também; mas errávamos por excesso de ambição, por buscar objetivos muitas vezes inatingíveis, raramente por ignorância. Dali surgiram as sementes de várias equipes de altíssima qualidade : Realidade, Veja, Rede Globo, Rede Bandeirantes, Repórter Esso (na fase TV Record), Visão, Playboy.
Mino Carta era o diretor, Murilo Felisberto o coração e a alma. Ruy Mesquita, o patrão, sentava-se à mesa de pauta para discutir o jornal do dia (e foi lá na Redação que treinou seus filhos nas artes da comunicação). Ewaldo Dantas Ferreira, um dos maiores repórteres do país, trazia matérias exclusivas, da maior importância. Em cada área da redação, buscava-se o melhor - e o jornal conseguiu a façanha de ganhar o Prêmio Esso com a manchete de sua primeira edição, Pelé casa no Carnaval.
Era a cara do nosso Jornal da Tarde, a maior revolução da imprensa brasileira desde a reforma do Jornal do Brasil : um grande furo de reportagem, um texto magnífico, a notável diagramação, e um erro na foto - em vez de Rose, a noiva de Pelé, quem estava com o Crioulo na foto era a cunhada, a irmã de Rose. Não fazia mal : o jornal era tão bom que esses erros passavam batidos...
A resposta do público sempre foi positiva. O JT começou a circular, em 4 de janeiro de 1966, com doze mil exemplares; virou o ano com 40 mil. Um jornal jovem, chique, moderno, antenado..."
----------
"Em certo momento, houve uma opção desastrosa: o moderníssimo jornal da metrópole contemporânea, o irmão mais leve e solto do poderoso O Estado de S.Paulo, foi transformado numa versão popular, baratinha, do jornal mais antigo. O lindo logotipo foi trocado por outro, supostamente mais popular (e com muito menos significado). O Jornal da Tarde, famoso por surpreender seus leitores, passou a ser mais previsível e chato que debate de candidato.
Percival de Souza, símbolo do JT, renovador da reportagem policial, ficou encostado - e os grandes furos que ainda trouxe, como a localização do Cabo Anselmo e a entrevista com ele, ainda um dos mais misteriosos participantes dos acontecimentos de 1964, foram ignorados.
As belas imagens ficaram no passado. O acabamento, descuidado, deixou de ser preocupação. E a cidade moderna, movimentada, alegre, sintonizada com o que havia de novo no mundo, perdeu seu jornal de referência.
Um jornal morre vinte anos antes de fechar as portas. O Jornal da Tarde, que já está morto faz tempo, deve fechar até o Dia de Finados.
Um toque de mau-gosto que explica por que o bom gosto do JT perdeu a batalha."
O jornalismo literário
Idos de março de 1968. Ingressava na Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero. Aos 23 anos, iniciava minha vida no magistério. Assisti, maravilhado, o espetáculo do jornalismo literário produzido por um grupo de jovens jornalistas sob a batuta de Mino Carta e, depois, de Murilo Felisberto. Alguns deles, entre os quais Marcos Faerman e Percival de Souza, atendiam ao meu convite para falar sobre "aquelas reportagens de alto interesse humano, plenas de arabescos literários", inspiradas no new journalism norte-americano, criado por Gay Talese. Marcão era uma metralhadora : atirava palavras a torto e a direto, prendendo a atenção da alunada pelo brilho, inteligência, criatividade e provocação. Percival, um mestre da paciência e da arte de contar boas histórias policiais. A experiência do JT era tão fascinante que uma das edições do nosso Jornal-Laboratório a ele foi dedicada. O mestre Murilo nos deu uma grande e densa entrevista. Hoje, com tristeza, registro o desaparecimento de um ícone do jornalismo brasileiro. Uma pontinha do velho JT continua fincada ao nosso lado, na GT. Trazida por Luciano Ornelas, que viveu aqueles gloriosos tempos.
Recado das urnas I
Desta feita, as urnas transmitiram alguns recados bem claros. Vejamos alguns deles : 1. Chegou a hora da renovação. Na maioria das cidades médias, neste segundo turno, os perfis identificados com a renovação levaram a melhor. Espraia-se o sentimento de que a velha política está esgotada; 2. A micropolítica é quem efetivamente induz a decisão do eleitor. Ou seja, as respostas das comunidades às suas demandas nas esferas da saúde, educação, transportes, segurança, habitação, entre outras. Temas gerais, mesmo importantes como a questão da corrupção (mensalão), não afetam o voto. Os eleitores conseguem distinguir as temáticas. O mensalão, por exemplo, foca o PT, mas o eleitor tende a distribuir a corrupção na política a atores plurais. Há uma pulverização das cargas negativas por todos os partidos. Mensalão do PT, mensalão do DEM (ex-governador José Roberto Arruda), mensalão do PSDB (políticos de Minas Gerais).
Recado das urnas II
Não significa concluir que os temas sobre ética e moral não tenham importância. Têm, sim. Mas dentro do seu devido compartimento. Poderão, por exemplo, funcionar como aríete de pressão sobre o Congresso e como balizamento de uma reforma política. 3. Aliás, os resultados do pleito mostram que o copo está transbordando de água já muito usada. E que ficou suja. Por isso, uma reforma política se faz absolutamente necessária, particularmente nas frentes de financiamento de campanhas, coligações proporcionais e mesmo sobre o sistema de voto; 4. Os partidos carecem de programas mais consistentes, densos, coerentes e que abriguem as reais demandas da comunidade nacional; 5. As oposições definham. Apesar da vitória do PSDB em importantes cidades, o fato é que teve um desempenho eleitoral mais fraco que em 2008. E o DEM só adquire sobrevida graças à vitória de ACM Neto em Salvador.
Recado das urnas III
As urnas também deram recados no plano das campanhas eleitorais. 6. Não se viu, por exemplo, grande concentração de pessoas. As massas se dispersaram. O maior comício de campanha reuniu cerca de 15 a 20 mil pessoas no máximo. As grandes mobilizações deram lugar aos movimentos sociais, às categorias profissionais e aos setores organizados. 7. As campanhas negativas, de ataque e desconstrução de adversários, também não tiveram sucesso. Veja-se o caso de São Paulo, onde Serra perdeu muito tempo (patinando) com o ataque ao Kit-Gay dos tempos do Ministério da Educação, ocupado pelo prefeito eleito Fernando Haddad, e ao mensalão. Esses dois temas não afetaram a campanha petista. 8. Os modelos de marketing também mereceram recados. Estão saturados. Os debates temáticos entre candidatos, ao estilo norteamericano do confronto de ideias, são mais aceitos que os espaços laudatórios dos programas eleitorais.
Lula na cabeça da lista
Pela intuição, Lula permanece na lista de vitoriosos. Puxou do bolso do colete o nome de Fernando Haddad. Um gol de placa. Pinçou Marcio Pochmann para Campinas. Não fez feio. Lista aposta na estratégia de oxigenação de quadros. Percebeu que o eleitor está saturado da velha guarda.O PT começa a injetar sangue novo em suas veias. Principalmente nesse ciclo pós-mensalão. Lula deve continuar o exercício de fixação de novas estacas nos currais petistas.
Tucanos de bico novo?
Fernando Henrique, tucano de muitas plumas, prega a oxigenação do PSDB. Trata-se de um conselho sábio. Se não houver renovação das aves tucanas, o partido morrerá de inanição. Encolheu em votos em relação ao que obteve em 2008.
Arthur, vitória emblemática
A vitória tucana mais emblemática foi a de Arthur Virgílio, em Manaus. Lula e Dilma foram à capital amazônica para fazer campanha pela senadora Vanessa, do PC do B. Perderam. Arthur, como se recorda, foi líder tucano no Senado, onde azucrinou com o governo Lula. O ex-presidente nunca negou que um de seus alvos prediletos era (e é) Arthur Virgílio.
Neto em Salvador
ACM Neto, por sua vez, dá sobrevida ao DEM com sua vitória, atribuída, entre outros fatores, às más avaliações do prefeito e do governador. Na Bahia, Geddel Vieira Lima, do PMDB, deu apoio a Neto e o candidato do partido, Mário Kerzets, ficou com Pelegrino, do PT. Neto vai deixar de ser um Democrata ferrenho da oposição. O mandato na prefeitura carece de boa articulação com o governo Federal.
PT mais fraco no NE
O PT torna-se mais fraco no Nordeste. Chama atenção o fato de que a região é a mais coberta pelo programa Bolsa-Família. Mas o poder petista ali se reflui. A causa : o eleitor mais consciente e crítico. Examina as administrações. Consegue separar os governos Federal, estadual e municipal. Atribui boa avaliação ao governo Dilma e a alguns governadores, mas essa posição favorável não é levada ao âmbito municipal. Há exceções, claro.
PSOL em Macapá
Exemplos de racionalidade a comprovar escolhas mais apuradas: os prefeitos de Macapá, do PSOL, e de São Luiz do Maranhão, do PTC, respectivamente Clécio Luis e Edivaldo Holanda Junior. Dois partidos pequenos que tomam posse de redutos até então ocupados por caciques.
Os dois lados de Campos
Eduardo Campos olha para dois lados : o do Brasil sob uma economia equilibrada, inflação controlada, harmônico, e o do Brasil com uma economia desarrumada. Dentro do primeiro, continua a fazer parte da base aliada do governo Dilma. Dentro do segundo, pode sair com sua candidatura à presidência da República.
Pistas praticamente molhadas
Em um telejornal de sábado, ao final da tarde, imagens mostrando a avenida Paulista encharcada, o apresentador informa :
- Caiu um tempestade agora há pouco na cidade. As pistas da avenida Paulista estão praticamente molhadas.
Difícil entender o "praticamente" do telejornalista.
Conselho aos vereadores eleitos
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos prefeitos eleitos. Hoje a atenção se volta aos vereadores eleitos:
1. É hora de renovação política. Quadros, programas, ações, atitudes. Nessa direção, procurem balizar sua missão. Cumprir compromissos assumidos, acompanhar e fiscalizar a administração municipal.
2. Procurem realizar uma atuação voltada para as questões prioritárias da comunidade municipal, evitando posicionamentos que levem em conta apenas as visões político-partidárias.
3. De três em três meses, tentem mapear situações das localidades - bairros, distritos, regiões - das quais receberam sua votação. A proximidade entre vereador e eleitores gerará compensações futuras. O eleitor reconhece, aprova e retribui aos vereadores que trabalham por suas causas.
____________
(Gaudêncio Torquato)
"Éramos todos jovens, muitos de nós brilhantes, a maioria absoluta de indiscutível competência. Errávamos muito, também; mas errávamos por excesso de ambição, por buscar objetivos muitas vezes inatingíveis, raramente por ignorância. Dali surgiram as sementes de várias equipes de altíssima qualidade : Realidade, Veja, Rede Globo, Rede Bandeirantes, Repórter Esso (na fase TV Record), Visão, Playboy.
Mino Carta era o diretor, Murilo Felisberto o coração e a alma. Ruy Mesquita, o patrão, sentava-se à mesa de pauta para discutir o jornal do dia (e foi lá na Redação que treinou seus filhos nas artes da comunicação). Ewaldo Dantas Ferreira, um dos maiores repórteres do país, trazia matérias exclusivas, da maior importância. Em cada área da redação, buscava-se o melhor - e o jornal conseguiu a façanha de ganhar o Prêmio Esso com a manchete de sua primeira edição, Pelé casa no Carnaval.
Era a cara do nosso Jornal da Tarde, a maior revolução da imprensa brasileira desde a reforma do Jornal do Brasil : um grande furo de reportagem, um texto magnífico, a notável diagramação, e um erro na foto - em vez de Rose, a noiva de Pelé, quem estava com o Crioulo na foto era a cunhada, a irmã de Rose. Não fazia mal : o jornal era tão bom que esses erros passavam batidos...
A resposta do público sempre foi positiva. O JT começou a circular, em 4 de janeiro de 1966, com doze mil exemplares; virou o ano com 40 mil. Um jornal jovem, chique, moderno, antenado..."
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"Em certo momento, houve uma opção desastrosa: o moderníssimo jornal da metrópole contemporânea, o irmão mais leve e solto do poderoso O Estado de S.Paulo, foi transformado numa versão popular, baratinha, do jornal mais antigo. O lindo logotipo foi trocado por outro, supostamente mais popular (e com muito menos significado). O Jornal da Tarde, famoso por surpreender seus leitores, passou a ser mais previsível e chato que debate de candidato.
Percival de Souza, símbolo do JT, renovador da reportagem policial, ficou encostado - e os grandes furos que ainda trouxe, como a localização do Cabo Anselmo e a entrevista com ele, ainda um dos mais misteriosos participantes dos acontecimentos de 1964, foram ignorados.
As belas imagens ficaram no passado. O acabamento, descuidado, deixou de ser preocupação. E a cidade moderna, movimentada, alegre, sintonizada com o que havia de novo no mundo, perdeu seu jornal de referência.
Um jornal morre vinte anos antes de fechar as portas. O Jornal da Tarde, que já está morto faz tempo, deve fechar até o Dia de Finados.
Um toque de mau-gosto que explica por que o bom gosto do JT perdeu a batalha."
O jornalismo literário
Idos de março de 1968. Ingressava na Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero. Aos 23 anos, iniciava minha vida no magistério. Assisti, maravilhado, o espetáculo do jornalismo literário produzido por um grupo de jovens jornalistas sob a batuta de Mino Carta e, depois, de Murilo Felisberto. Alguns deles, entre os quais Marcos Faerman e Percival de Souza, atendiam ao meu convite para falar sobre "aquelas reportagens de alto interesse humano, plenas de arabescos literários", inspiradas no new journalism norte-americano, criado por Gay Talese. Marcão era uma metralhadora : atirava palavras a torto e a direto, prendendo a atenção da alunada pelo brilho, inteligência, criatividade e provocação. Percival, um mestre da paciência e da arte de contar boas histórias policiais. A experiência do JT era tão fascinante que uma das edições do nosso Jornal-Laboratório a ele foi dedicada. O mestre Murilo nos deu uma grande e densa entrevista. Hoje, com tristeza, registro o desaparecimento de um ícone do jornalismo brasileiro. Uma pontinha do velho JT continua fincada ao nosso lado, na GT. Trazida por Luciano Ornelas, que viveu aqueles gloriosos tempos.
Recado das urnas I
Desta feita, as urnas transmitiram alguns recados bem claros. Vejamos alguns deles : 1. Chegou a hora da renovação. Na maioria das cidades médias, neste segundo turno, os perfis identificados com a renovação levaram a melhor. Espraia-se o sentimento de que a velha política está esgotada; 2. A micropolítica é quem efetivamente induz a decisão do eleitor. Ou seja, as respostas das comunidades às suas demandas nas esferas da saúde, educação, transportes, segurança, habitação, entre outras. Temas gerais, mesmo importantes como a questão da corrupção (mensalão), não afetam o voto. Os eleitores conseguem distinguir as temáticas. O mensalão, por exemplo, foca o PT, mas o eleitor tende a distribuir a corrupção na política a atores plurais. Há uma pulverização das cargas negativas por todos os partidos. Mensalão do PT, mensalão do DEM (ex-governador José Roberto Arruda), mensalão do PSDB (políticos de Minas Gerais).
Recado das urnas II
Não significa concluir que os temas sobre ética e moral não tenham importância. Têm, sim. Mas dentro do seu devido compartimento. Poderão, por exemplo, funcionar como aríete de pressão sobre o Congresso e como balizamento de uma reforma política. 3. Aliás, os resultados do pleito mostram que o copo está transbordando de água já muito usada. E que ficou suja. Por isso, uma reforma política se faz absolutamente necessária, particularmente nas frentes de financiamento de campanhas, coligações proporcionais e mesmo sobre o sistema de voto; 4. Os partidos carecem de programas mais consistentes, densos, coerentes e que abriguem as reais demandas da comunidade nacional; 5. As oposições definham. Apesar da vitória do PSDB em importantes cidades, o fato é que teve um desempenho eleitoral mais fraco que em 2008. E o DEM só adquire sobrevida graças à vitória de ACM Neto em Salvador.
Recado das urnas III
As urnas também deram recados no plano das campanhas eleitorais. 6. Não se viu, por exemplo, grande concentração de pessoas. As massas se dispersaram. O maior comício de campanha reuniu cerca de 15 a 20 mil pessoas no máximo. As grandes mobilizações deram lugar aos movimentos sociais, às categorias profissionais e aos setores organizados. 7. As campanhas negativas, de ataque e desconstrução de adversários, também não tiveram sucesso. Veja-se o caso de São Paulo, onde Serra perdeu muito tempo (patinando) com o ataque ao Kit-Gay dos tempos do Ministério da Educação, ocupado pelo prefeito eleito Fernando Haddad, e ao mensalão. Esses dois temas não afetaram a campanha petista. 8. Os modelos de marketing também mereceram recados. Estão saturados. Os debates temáticos entre candidatos, ao estilo norteamericano do confronto de ideias, são mais aceitos que os espaços laudatórios dos programas eleitorais.
Lula na cabeça da lista
Pela intuição, Lula permanece na lista de vitoriosos. Puxou do bolso do colete o nome de Fernando Haddad. Um gol de placa. Pinçou Marcio Pochmann para Campinas. Não fez feio. Lista aposta na estratégia de oxigenação de quadros. Percebeu que o eleitor está saturado da velha guarda.O PT começa a injetar sangue novo em suas veias. Principalmente nesse ciclo pós-mensalão. Lula deve continuar o exercício de fixação de novas estacas nos currais petistas.
Tucanos de bico novo?
Fernando Henrique, tucano de muitas plumas, prega a oxigenação do PSDB. Trata-se de um conselho sábio. Se não houver renovação das aves tucanas, o partido morrerá de inanição. Encolheu em votos em relação ao que obteve em 2008.
Arthur, vitória emblemática
A vitória tucana mais emblemática foi a de Arthur Virgílio, em Manaus. Lula e Dilma foram à capital amazônica para fazer campanha pela senadora Vanessa, do PC do B. Perderam. Arthur, como se recorda, foi líder tucano no Senado, onde azucrinou com o governo Lula. O ex-presidente nunca negou que um de seus alvos prediletos era (e é) Arthur Virgílio.
Neto em Salvador
ACM Neto, por sua vez, dá sobrevida ao DEM com sua vitória, atribuída, entre outros fatores, às más avaliações do prefeito e do governador. Na Bahia, Geddel Vieira Lima, do PMDB, deu apoio a Neto e o candidato do partido, Mário Kerzets, ficou com Pelegrino, do PT. Neto vai deixar de ser um Democrata ferrenho da oposição. O mandato na prefeitura carece de boa articulação com o governo Federal.
PT mais fraco no NE
O PT torna-se mais fraco no Nordeste. Chama atenção o fato de que a região é a mais coberta pelo programa Bolsa-Família. Mas o poder petista ali se reflui. A causa : o eleitor mais consciente e crítico. Examina as administrações. Consegue separar os governos Federal, estadual e municipal. Atribui boa avaliação ao governo Dilma e a alguns governadores, mas essa posição favorável não é levada ao âmbito municipal. Há exceções, claro.
PSOL em Macapá
Exemplos de racionalidade a comprovar escolhas mais apuradas: os prefeitos de Macapá, do PSOL, e de São Luiz do Maranhão, do PTC, respectivamente Clécio Luis e Edivaldo Holanda Junior. Dois partidos pequenos que tomam posse de redutos até então ocupados por caciques.
Os dois lados de Campos
Eduardo Campos olha para dois lados : o do Brasil sob uma economia equilibrada, inflação controlada, harmônico, e o do Brasil com uma economia desarrumada. Dentro do primeiro, continua a fazer parte da base aliada do governo Dilma. Dentro do segundo, pode sair com sua candidatura à presidência da República.
Pistas praticamente molhadas
Em um telejornal de sábado, ao final da tarde, imagens mostrando a avenida Paulista encharcada, o apresentador informa :
- Caiu um tempestade agora há pouco na cidade. As pistas da avenida Paulista estão praticamente molhadas.
Difícil entender o "praticamente" do telejornalista.
Conselho aos vereadores eleitos
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos prefeitos eleitos. Hoje a atenção se volta aos vereadores eleitos:
1. É hora de renovação política. Quadros, programas, ações, atitudes. Nessa direção, procurem balizar sua missão. Cumprir compromissos assumidos, acompanhar e fiscalizar a administração municipal.
2. Procurem realizar uma atuação voltada para as questões prioritárias da comunidade municipal, evitando posicionamentos que levem em conta apenas as visões político-partidárias.
3. De três em três meses, tentem mapear situações das localidades - bairros, distritos, regiões - das quais receberam sua votação. A proximidade entre vereador e eleitores gerará compensações futuras. O eleitor reconhece, aprova e retribui aos vereadores que trabalham por suas causas.
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(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 30 de outubro de 2012
POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL
A ofensiva da política econômica
Há duas semanas, o Ministério da Fazenda e o BC estão preparando a estrada para alguns ajustes na política econômica. A intenção, primeiro, é adaptar o discurso a uma realidade que está teimando em não acontecer como a presidente Dilma e seus conselheiros econômicos esperavam. A inflação, dizem os especialistas, anda danada de teimosa, e não vai chegar ao centro da meta em 2013, como o próprio BC já admite. E ainda está rebelde o suficiente para empurrar os preços este ano para algo acima dos 5,5%. Na outra ponta, a atividade econômica, depois de um alento em agosto, voltou a ficar preguiçosa em setembro e não dá sinais de ter despertado inteiramente da letargia em outubro. Assim, um "PIBinho" entre 1,5% e 1,6% em 2012 já está no baú e muitos analistas dizem que não é muito difícil que o crescimento do PIB de 2013 entre 4% e 4,5% ficar apenas como num sonho de verão. Um analista com grande índice de acerto nessas previsões, o economista José Roberto Mendonça de Barros, já está cravando suas apostas num crescimento da economia nacional apenas entre 3% e 3,5% em 2013. Por isso, a economia andou inundada de boatos, inclusive de dança de cadeiras na área econômica.
O que fazer?
Os boatos nascem de uma constatação : o que mais o governo pode fazer para dar um piparote maior na economia, uma vez que medidas como mais incentivo ao consumo, queda substancial dos juros básicos e as desonerações fiscais, mesmo considerando-se o tempo necessário à produção de resultados, não está sendo o bastante. Um novo ataque na base de bondades fiscais começa a esbarrar nas dificuldades orçamentárias. A arrecadação não se recupera ao nível imaginado. E ela vai enfrentar uma safra de prefeitos com os cofres arrombados e ávidos e recursos.
Boatos apenas?
No que tange à dança das cadeiras, já se comenta abertamente a saída de Guido Mantega do comando da Fazenda. Sabe-se que o ministro enfrenta problemas pessoais. O que se especula é quem poderia substituí-lo. O nome de Alexandre Tombini aparece no topo da lista. É natural que o apreço da presidente por ele seja grande uma vez que cumpriu a "meta" de reduzir os juros básicos, apesar da inflação relativamente alta e dos exorbitantes juros dos empréstimos. Uma coisa é certa: a presidente, dado o seu perfil, deve querer alguém obediente às diretrizes emanadas do Planalto. Ou seja, dela.
Câmbio: um problema sem solução no momento
Já comentamos nesta coluna que a taxa de câmbio continua muito pouco competitiva para tornar a indústria nacional menos obsoleta e aumentar o investimento industrial local. Como se sabe, a taxa de câmbio nominal foi controlada pelo governo, na linha do que outros governos, da ditadura à FHC já o fizeram. O problema é que a taxa de câmbio real é incontrolável por definição: depende da taxa de inflação local e externa e da normalidade dos fluxos de capitais. O governo sabe disso, é claro. Tão claro quanto a constatação de que "mexer" na taxa nominal agora implica em mais inflação, estourando ainda mais a meta já estourada.
Uma safra magra de resultados
Para complicar, a safra de balanço das grandes empresas começou sujeita a uma pesada dieta, o que pressupõe menos impostos de parte dessas companhias para os cofres públicos no curto prazo. Bradesco, Itaú e Santander decepcionaram. A salvação, não total, porém, pode vir dos bancos estatais, BB e CEF, que ampliaram sensivelmente suas carteiras de empréstimos. O lucro da Vale mergulhou. E a Petrobras, embora tenha se recuperado do prejuízo-vexame do segundo trimestre do ano, veio com um lucro bem abaixo do esperado pelo mercado. O que coloca outro dilema para o governo: a companhia precisa fazer recursos com urgência para sustentar seus planos de investimentos e poder entrar, como está obrigada por lei, nos leilões do pré-sal do ano que vem.
Desânimo bursátil
Se o cenário externo melhorar um pouco, sobretudo na Ásia, a China em especial, dizem os especialistas, o mercado de ações brasileiro pode sofrer um substancial revés. O Brasil ainda é visto como "porto seguro" frente aos "furacões" no hemisfério norte. Todavia, gestores de recursos já não se impressionam com os planos de crescimento governamentais. Sabem que o jogo é apenas para a plateia, pois os fundamentos do país carecem de fortaleza para crescer. Mesmo que ninguém veja um desastre titânico pela frente.
De "apaguinho" em "apaguinho"...
... o apagão enche o papo. Para boa parte dos especialistas na área e para os observadores atentos da cena de infraestrutura no Brasil, o blecaute que na madrugada de sexta-feira assolou o Nordeste inteiro e mais parte do Pará e do Tocantins não foi uma surpresa. Era apenas uma questão de tempo. Ele havia sido recentemente prenunciado por dois outros "apaguinhos" menores também no Nordeste e duas interrupções no fornecimento de energia em plena capital da República. E mais: somente este ano, foram registrados, até sexta-feira em todo o país 65 blecautes de porte razoável - uma média de um a cada cinco dias. "Não é normal", nas conformadas palavras do ministro interino das Minas e Energia, Márcio Zimmerman.
Alertas já existiam
Alertas foram feitos de que caminhávamos para uma situação dessas, por falta de investimentos, porque a Aneel não cumpre direito suas funções, porque as estatais que têm grande peso no setor ainda estão em parte loteadas... E a situação pode se agravar com o susto que está sendo aplicado nos investidores com as novas regras para o setor. Este é o campo que a presidente domina, que fez sua fama de "gerontona" eficiente. Note-se que em outras áreas de infraestrutura, as agências reguladoras também perderam eficiência. Nestas o aparelhamento estatal é muito parecido e outros "apagões" já estão no ar. Só não aparecem tanto porque não tem a visibilidade que existe numa interrupção de fornecimento de eletricidade. O que Dilma vai fazer para dar um choque de eficiência no seu quintal? No caso, não dá para culpar nem a oposição nem as "perdas internacionais".
O sentido de uma eleição
Bem ponderados o dever e o haver, os vencedores e vencidos, os achados e os partidos, festejadas a vitórias e lamentadas as derrotas individuais e coletivas, o saldo real das urnas de outubro aponta para um eleitor-cidadão insatisfeito, inquieto, exigente e com extraordinário sentido de urgência. Sentimentos fruto das carências de atendimento público, em todas as esferas da administração, dos serviços minimamente básicos a ela devidos e da mobilidade social alcançada nos últimos anos. Um desafio para quem vai botar os pés nas prefeituras em janeiro - que não terão "dias de graça" para pensar muito -, para os que estão já com assento nos palácios estaduais e no federal e para todos os que sonham com dias de glória em 2014. O futuro político e eleitoral no Brasil nunca se viu diante de tão grande interrogação.
O pedaço do latifúndio de Dilma
Misturados os ovos, a omelete da recandidatura de Dilma ficou mais vistosa e mais saborosa. Mas ele terá de ser temperado no dia a dia da economia, cujo horizonte tem nuvens internas e externas já visíveis. A presidente, portanto, terá de recompor imediatamente seu conjunto aliado, aparar arestas, atender novas reivindicações que se formaram, para ter tempo e paz para atacar os problemas que estão pipocando (ver notas). O tempo agora é de operar o governo e as relações com o Legislativo.
Acerto de contas
Têm créditos com a presidente, a serem saldados até fevereiro, quando Dilma deverá encerrar os ajustes que fará paulatinamente em sua equipe: o PMDB e o PSD. O PP, pelo apoio de Maluf (quem diria?) a Haddad em São Paulo, quer mais, mas pode ter menos. PRP não deu o que recebeu com o Ministério da Pesca. E o PSB, com grande crescimento eleitoral, está no limbo, dependendo de como se comportar o seu presidente nacional, Eduardo Campos. Dilma não é de aceitar ambiguidades. A presidente terá também de haver-se com o PT, partido que sempre quer mais.
Sorrindo às escondidas
Não se pode dizer que o Palácio do Planalto tenha ficado infeliz com a vitória do candidato do PSB à prefeitura de Fortaleza, derrotando um petista para o qual Lula fez campanha ao vivo. O resultado fortalece os irmãos Cid e Ciro Gomes, uma espécie de contraponto ao imenso poder do governador de Pernambuco no partido.
Ao cara o que é do cara
Fernando Haddad é a "cara" do Lula. A espetacular aposta do ex-presidente em São Paulo, de tão bem sucedida, mascarou outras visões "caolhas" dele: Manaus, Recife, Belo Horizonte, Campinas, Fortaleza. Modesto, nem foi à festa petista em São Paulo, na qual, sintomaticamente, ganhou justa prioridade sobre Dilma nos agradecimentos do prefeito eleito e mais aplausos que a presidente. Como Zagalo, Lula parece repetir: "Vocês vão ter de me aturar". No PT já não haverá quem conteste as suas vontades. O partido é o homem.
Kassab e o PT
Vai ser intrigante para o eleitor ver o "famigerado" prefeito de São Paulo virar queridinho do Planalto quando a reforma ministerial vier. Oposição e governo são palavras obscuras para os analistas, mas são uma confusão ainda maior para quem vota na condição de cidadão de uma cidade. Haddad falou horrores de Kassab na campanha, mas este último será recebido em breve pela presidente como parte de sua base de apoio. A política nacional não é apenas incompreensível. Chega a ser algo bem mais complicado de escrever. Seria "impublicável".
Não foi dizimada, porém...
A oposição, no cômputo geral, ganhou uma boa sobrevida. Porém, ou se renova, arranja outra "cara", mergulha nos problemas nacionais que estão a tirar o sono dos empresários e, dizem, um pouco também do Palácio do Planalto, e apresenta-se como alternativa de fato de poder, ou terá apenas adiado sua extinção para 2014. A diferença entre o PT, maior força do governismo, e o PSDB, ainda a maior força do oposicionismo, é que enquanto o primeiro faz política com vontade (até com um certo exagero religioso), de maneira geral, os tucanos fazem política com um ar blasée, como quem tem coisas mais sérias e mais atraentes para fazer. FHC acerta ao falar em "renovação", mesmo que o próprio príncipe não saiba como fazê-lo.
Insatisfação confirmada
Como no primeiro turno, com exceções, o eleitor mostrou pouco entusiasmo com partidos e candidatos no domingo. Abstenções, votos brancos e nulos de um modo geral superaram os 25%. Em São Paulo, chegaram a 32%. A maioria dos eleitos ficou com cerca de 37% a 40% dos votos dos eleitores de suas cidades. O que traz para todos os novos prefeitos um desafio: atrair esses eleitores insatisfeitos e desconfiados. Todos começam em débito.
A fila andou em São Paulo
O sucesso do "poste" Haddad em São Paulo aconselha os ministros Marta Suplicy, da Cultura, e Aloizio Mercadante, da Educação, a manterem muito bem afivelados seus cintos na Esplanada dos Ministérios e traçarem para 2014 planos alternativos. Lula, com a autoridade de quem vislumbrou com acuidade rara o que o paulistano desejava, não resistirá a outro "dedaço" na sucessão de Alckmin. O faro do ex-presidente já se dirige para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o prefeito de São Bernardo, Luís Marinho.
Além de São Paulo
A experiência vitoriosa em São Paulo, apesar do fracasso em Campinas com Marcio Porchman, deve fazer Lula a levar o PT a tentativas semelhantes em 2014 não só em território paulista. Onde ele colheu alguns de seus grandes fracassos, como em Recife, Belo Horizonte, Fortaleza e mesmo em Salvador, estava associado ao "velho", a figuras já carimbadas como Humberto Costa, Patrus Ananias, Luziane Lins, à dupla Nelson Pelegrini - Jaques Wagner. Um "choque de gerações" deve agitar as entranhas do partido antes das definições de 2014 - ressalvada, na luta presidencial, a prioridade de Dilma. O julgamento do mensalão também vai ajudar nesse processo. O PT vai dar toda solidariedade a seus companheiros condenados, mas não vai jogar seu futuro nisto. As dificuldades que Dirceu e Genoino enfrentaram quando foram votar (e até o aperto passado pelo ministro Ricardo Lewandowski quando foi depositar seu voto) são indicações insofismáveis do potencial de desgaste político do processo.
O que vem por aí
Reforçado pelas eleições, o PT aquece as turbinas para abrir duas frentes de batalha: uma "nova" reforma do Judiciário e controle social da imprensa. Apenas analisa a melhor hora para desencadear as batalhas. O caso do Judiciário deve ficar para depois do fim da aplicação das penas do mensalão. Não se cutuca uma onça tão grande com uma vara tão curta.
Marcos Valério não obedece ao calendário político
O destino do empresário Marcos Valério é trágico. Sua vida estará marcada pelo maior escândalo de corrupção da história brasileira e ficar atrás das grades lhe custará parcela preciosa da vida. Sabedor de seu destino poderá não se conformar com ele, pelo menos com a verdade que está nos autos. Esta nuvem pairará sobre a cabeça de muitos poderosos, por muito tempo. Será que emissários irão conversar com ele como ocorreu antes do julgamento do mensalão?
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
Há duas semanas, o Ministério da Fazenda e o BC estão preparando a estrada para alguns ajustes na política econômica. A intenção, primeiro, é adaptar o discurso a uma realidade que está teimando em não acontecer como a presidente Dilma e seus conselheiros econômicos esperavam. A inflação, dizem os especialistas, anda danada de teimosa, e não vai chegar ao centro da meta em 2013, como o próprio BC já admite. E ainda está rebelde o suficiente para empurrar os preços este ano para algo acima dos 5,5%. Na outra ponta, a atividade econômica, depois de um alento em agosto, voltou a ficar preguiçosa em setembro e não dá sinais de ter despertado inteiramente da letargia em outubro. Assim, um "PIBinho" entre 1,5% e 1,6% em 2012 já está no baú e muitos analistas dizem que não é muito difícil que o crescimento do PIB de 2013 entre 4% e 4,5% ficar apenas como num sonho de verão. Um analista com grande índice de acerto nessas previsões, o economista José Roberto Mendonça de Barros, já está cravando suas apostas num crescimento da economia nacional apenas entre 3% e 3,5% em 2013. Por isso, a economia andou inundada de boatos, inclusive de dança de cadeiras na área econômica.
O que fazer?
Os boatos nascem de uma constatação : o que mais o governo pode fazer para dar um piparote maior na economia, uma vez que medidas como mais incentivo ao consumo, queda substancial dos juros básicos e as desonerações fiscais, mesmo considerando-se o tempo necessário à produção de resultados, não está sendo o bastante. Um novo ataque na base de bondades fiscais começa a esbarrar nas dificuldades orçamentárias. A arrecadação não se recupera ao nível imaginado. E ela vai enfrentar uma safra de prefeitos com os cofres arrombados e ávidos e recursos.
Boatos apenas?
No que tange à dança das cadeiras, já se comenta abertamente a saída de Guido Mantega do comando da Fazenda. Sabe-se que o ministro enfrenta problemas pessoais. O que se especula é quem poderia substituí-lo. O nome de Alexandre Tombini aparece no topo da lista. É natural que o apreço da presidente por ele seja grande uma vez que cumpriu a "meta" de reduzir os juros básicos, apesar da inflação relativamente alta e dos exorbitantes juros dos empréstimos. Uma coisa é certa: a presidente, dado o seu perfil, deve querer alguém obediente às diretrizes emanadas do Planalto. Ou seja, dela.
Câmbio: um problema sem solução no momento
Já comentamos nesta coluna que a taxa de câmbio continua muito pouco competitiva para tornar a indústria nacional menos obsoleta e aumentar o investimento industrial local. Como se sabe, a taxa de câmbio nominal foi controlada pelo governo, na linha do que outros governos, da ditadura à FHC já o fizeram. O problema é que a taxa de câmbio real é incontrolável por definição: depende da taxa de inflação local e externa e da normalidade dos fluxos de capitais. O governo sabe disso, é claro. Tão claro quanto a constatação de que "mexer" na taxa nominal agora implica em mais inflação, estourando ainda mais a meta já estourada.
Uma safra magra de resultados
Para complicar, a safra de balanço das grandes empresas começou sujeita a uma pesada dieta, o que pressupõe menos impostos de parte dessas companhias para os cofres públicos no curto prazo. Bradesco, Itaú e Santander decepcionaram. A salvação, não total, porém, pode vir dos bancos estatais, BB e CEF, que ampliaram sensivelmente suas carteiras de empréstimos. O lucro da Vale mergulhou. E a Petrobras, embora tenha se recuperado do prejuízo-vexame do segundo trimestre do ano, veio com um lucro bem abaixo do esperado pelo mercado. O que coloca outro dilema para o governo: a companhia precisa fazer recursos com urgência para sustentar seus planos de investimentos e poder entrar, como está obrigada por lei, nos leilões do pré-sal do ano que vem.
Desânimo bursátil
Se o cenário externo melhorar um pouco, sobretudo na Ásia, a China em especial, dizem os especialistas, o mercado de ações brasileiro pode sofrer um substancial revés. O Brasil ainda é visto como "porto seguro" frente aos "furacões" no hemisfério norte. Todavia, gestores de recursos já não se impressionam com os planos de crescimento governamentais. Sabem que o jogo é apenas para a plateia, pois os fundamentos do país carecem de fortaleza para crescer. Mesmo que ninguém veja um desastre titânico pela frente.
De "apaguinho" em "apaguinho"...
... o apagão enche o papo. Para boa parte dos especialistas na área e para os observadores atentos da cena de infraestrutura no Brasil, o blecaute que na madrugada de sexta-feira assolou o Nordeste inteiro e mais parte do Pará e do Tocantins não foi uma surpresa. Era apenas uma questão de tempo. Ele havia sido recentemente prenunciado por dois outros "apaguinhos" menores também no Nordeste e duas interrupções no fornecimento de energia em plena capital da República. E mais: somente este ano, foram registrados, até sexta-feira em todo o país 65 blecautes de porte razoável - uma média de um a cada cinco dias. "Não é normal", nas conformadas palavras do ministro interino das Minas e Energia, Márcio Zimmerman.
Alertas já existiam
Alertas foram feitos de que caminhávamos para uma situação dessas, por falta de investimentos, porque a Aneel não cumpre direito suas funções, porque as estatais que têm grande peso no setor ainda estão em parte loteadas... E a situação pode se agravar com o susto que está sendo aplicado nos investidores com as novas regras para o setor. Este é o campo que a presidente domina, que fez sua fama de "gerontona" eficiente. Note-se que em outras áreas de infraestrutura, as agências reguladoras também perderam eficiência. Nestas o aparelhamento estatal é muito parecido e outros "apagões" já estão no ar. Só não aparecem tanto porque não tem a visibilidade que existe numa interrupção de fornecimento de eletricidade. O que Dilma vai fazer para dar um choque de eficiência no seu quintal? No caso, não dá para culpar nem a oposição nem as "perdas internacionais".
O sentido de uma eleição
Bem ponderados o dever e o haver, os vencedores e vencidos, os achados e os partidos, festejadas a vitórias e lamentadas as derrotas individuais e coletivas, o saldo real das urnas de outubro aponta para um eleitor-cidadão insatisfeito, inquieto, exigente e com extraordinário sentido de urgência. Sentimentos fruto das carências de atendimento público, em todas as esferas da administração, dos serviços minimamente básicos a ela devidos e da mobilidade social alcançada nos últimos anos. Um desafio para quem vai botar os pés nas prefeituras em janeiro - que não terão "dias de graça" para pensar muito -, para os que estão já com assento nos palácios estaduais e no federal e para todos os que sonham com dias de glória em 2014. O futuro político e eleitoral no Brasil nunca se viu diante de tão grande interrogação.
O pedaço do latifúndio de Dilma
Misturados os ovos, a omelete da recandidatura de Dilma ficou mais vistosa e mais saborosa. Mas ele terá de ser temperado no dia a dia da economia, cujo horizonte tem nuvens internas e externas já visíveis. A presidente, portanto, terá de recompor imediatamente seu conjunto aliado, aparar arestas, atender novas reivindicações que se formaram, para ter tempo e paz para atacar os problemas que estão pipocando (ver notas). O tempo agora é de operar o governo e as relações com o Legislativo.
Acerto de contas
Têm créditos com a presidente, a serem saldados até fevereiro, quando Dilma deverá encerrar os ajustes que fará paulatinamente em sua equipe: o PMDB e o PSD. O PP, pelo apoio de Maluf (quem diria?) a Haddad em São Paulo, quer mais, mas pode ter menos. PRP não deu o que recebeu com o Ministério da Pesca. E o PSB, com grande crescimento eleitoral, está no limbo, dependendo de como se comportar o seu presidente nacional, Eduardo Campos. Dilma não é de aceitar ambiguidades. A presidente terá também de haver-se com o PT, partido que sempre quer mais.
Sorrindo às escondidas
Não se pode dizer que o Palácio do Planalto tenha ficado infeliz com a vitória do candidato do PSB à prefeitura de Fortaleza, derrotando um petista para o qual Lula fez campanha ao vivo. O resultado fortalece os irmãos Cid e Ciro Gomes, uma espécie de contraponto ao imenso poder do governador de Pernambuco no partido.
Ao cara o que é do cara
Fernando Haddad é a "cara" do Lula. A espetacular aposta do ex-presidente em São Paulo, de tão bem sucedida, mascarou outras visões "caolhas" dele: Manaus, Recife, Belo Horizonte, Campinas, Fortaleza. Modesto, nem foi à festa petista em São Paulo, na qual, sintomaticamente, ganhou justa prioridade sobre Dilma nos agradecimentos do prefeito eleito e mais aplausos que a presidente. Como Zagalo, Lula parece repetir: "Vocês vão ter de me aturar". No PT já não haverá quem conteste as suas vontades. O partido é o homem.
Kassab e o PT
Vai ser intrigante para o eleitor ver o "famigerado" prefeito de São Paulo virar queridinho do Planalto quando a reforma ministerial vier. Oposição e governo são palavras obscuras para os analistas, mas são uma confusão ainda maior para quem vota na condição de cidadão de uma cidade. Haddad falou horrores de Kassab na campanha, mas este último será recebido em breve pela presidente como parte de sua base de apoio. A política nacional não é apenas incompreensível. Chega a ser algo bem mais complicado de escrever. Seria "impublicável".
Não foi dizimada, porém...
A oposição, no cômputo geral, ganhou uma boa sobrevida. Porém, ou se renova, arranja outra "cara", mergulha nos problemas nacionais que estão a tirar o sono dos empresários e, dizem, um pouco também do Palácio do Planalto, e apresenta-se como alternativa de fato de poder, ou terá apenas adiado sua extinção para 2014. A diferença entre o PT, maior força do governismo, e o PSDB, ainda a maior força do oposicionismo, é que enquanto o primeiro faz política com vontade (até com um certo exagero religioso), de maneira geral, os tucanos fazem política com um ar blasée, como quem tem coisas mais sérias e mais atraentes para fazer. FHC acerta ao falar em "renovação", mesmo que o próprio príncipe não saiba como fazê-lo.
Insatisfação confirmada
Como no primeiro turno, com exceções, o eleitor mostrou pouco entusiasmo com partidos e candidatos no domingo. Abstenções, votos brancos e nulos de um modo geral superaram os 25%. Em São Paulo, chegaram a 32%. A maioria dos eleitos ficou com cerca de 37% a 40% dos votos dos eleitores de suas cidades. O que traz para todos os novos prefeitos um desafio: atrair esses eleitores insatisfeitos e desconfiados. Todos começam em débito.
A fila andou em São Paulo
O sucesso do "poste" Haddad em São Paulo aconselha os ministros Marta Suplicy, da Cultura, e Aloizio Mercadante, da Educação, a manterem muito bem afivelados seus cintos na Esplanada dos Ministérios e traçarem para 2014 planos alternativos. Lula, com a autoridade de quem vislumbrou com acuidade rara o que o paulistano desejava, não resistirá a outro "dedaço" na sucessão de Alckmin. O faro do ex-presidente já se dirige para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o prefeito de São Bernardo, Luís Marinho.
Além de São Paulo
A experiência vitoriosa em São Paulo, apesar do fracasso em Campinas com Marcio Porchman, deve fazer Lula a levar o PT a tentativas semelhantes em 2014 não só em território paulista. Onde ele colheu alguns de seus grandes fracassos, como em Recife, Belo Horizonte, Fortaleza e mesmo em Salvador, estava associado ao "velho", a figuras já carimbadas como Humberto Costa, Patrus Ananias, Luziane Lins, à dupla Nelson Pelegrini - Jaques Wagner. Um "choque de gerações" deve agitar as entranhas do partido antes das definições de 2014 - ressalvada, na luta presidencial, a prioridade de Dilma. O julgamento do mensalão também vai ajudar nesse processo. O PT vai dar toda solidariedade a seus companheiros condenados, mas não vai jogar seu futuro nisto. As dificuldades que Dirceu e Genoino enfrentaram quando foram votar (e até o aperto passado pelo ministro Ricardo Lewandowski quando foi depositar seu voto) são indicações insofismáveis do potencial de desgaste político do processo.
O que vem por aí
Reforçado pelas eleições, o PT aquece as turbinas para abrir duas frentes de batalha: uma "nova" reforma do Judiciário e controle social da imprensa. Apenas analisa a melhor hora para desencadear as batalhas. O caso do Judiciário deve ficar para depois do fim da aplicação das penas do mensalão. Não se cutuca uma onça tão grande com uma vara tão curta.
Marcos Valério não obedece ao calendário político
O destino do empresário Marcos Valério é trágico. Sua vida estará marcada pelo maior escândalo de corrupção da história brasileira e ficar atrás das grades lhe custará parcela preciosa da vida. Sabedor de seu destino poderá não se conformar com ele, pelo menos com a verdade que está nos autos. Esta nuvem pairará sobre a cabeça de muitos poderosos, por muito tempo. Será que emissários irão conversar com ele como ocorreu antes do julgamento do mensalão?
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
MAIOR COMERCIAL DO MUNDO
Ticuá - RJ deixou um novo comentário sobre a postagem "MAIOR COMERCIAL DO MUNDO":
O Prezado e Douto Amigo Boaventura Bomfim, é impressionante a sua desenvoltura ao escrever. Êle não escreve, simplesmente, “surfa nas palavras”, assim como, obviamente, um “surfista” faz sobres às ondas do mar! Ticuá - RJ
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Meu caro amigo Júnior Bonfim,
Ao fazer a costumeira visita ao seu BLOG, deparei com um comentário elogioso a mim, extraído da pena do nosso estimado amigo e conterrâneo Ticuá - RJ.
Trata-se de palavras, untadas com o óleo da generosidade, de um velho amigo cujo coração alberga sentimentos nobres. Obrigado, Ticuá.
Um forte abraço, Júnior.
Saúde e Paz,
Boaventura Bonfim
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